O que é a Endocardite

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Leia o artigo aqui:

O que é?

A endocardite, ou endocardite infecciosa, é uma infecção com inflamação das válvulas cardíacas e do revestimento interno das câmaras cardíacas, o endocárdio. A endocardite ocorre quando microrganismos infecciosos, tais como bactérias ou fungos, entram na corrente sanguínea e se fixam no coração. Na maior parte dos casos, estes microrganismos são estreptococos, estafilococos ou estirpes de bactérias que normalmente vivem na superfície do corpo. O microrganismo infectante entra na corrente sanguínea através de uma ferida cutânea causada por uma doença ou uma lesão da pele, um procedimento médico ou dentário ou uma picada na pele, especialmente nos consumidores de drogas endovenosas.

Dependendo da agressividade (virulência) do germe infectante, a lesão do coração causada pela endocardite pode ser rápida e grave (endocardite aguda) ou mais lenta e menos dramática (endocardite subaguda).

  • Endocardite aguda ― A endocardite aguda ocorre frequentemente quando uma estirpe agressiva de bactérias da pele, especialmente estafilococos, entra na circulação sanguínea e ataca uma válvula cardíaca normal, sem lesões. Quando estas bactérias começam a multiplicar-se dentro do coração podem enviar pequenos agregados de bactérias, denominados êmbolos sépticos, para a corrente sanguínea, disseminando a infecção para outros órgãos, especialmente para os rins, os pulmões e o cérebro. Os consumidores de drogas endovenosas apresentam um risco muito elevado de desenvolverem endocardite aguda devido ao facto de numerosas punções por agulhas proporcionarem a bactérias agressivas, como os estafilococos, muitas oportunidades de entrarem no sangue através das feridas da pele. A utilização de utensílios sujos para preparar e injectar as drogas aumenta o risco. Se não for tratado, este tipo de endocardite pode ser fatal em menos de seis semanas.
  • Endocardite subaguda ― Esta forma de endocardite é mais frequentemente causada por um dos estreptococos do grupo viridans (Streptococcus sanguis, mutans, mitis ou milleri) que normalmente residem na boca ou na garganta. O Streptococcus bovis ou o Streptococcus equines podem igualmente causar uma endocardite subaguda, tipicamente nos doentes que apresentam alguma forma de cancro gastrointestinal, geralmente um cancro do cólon. A endocardite subaguda tende a envolver as válvulas cardíacas que já se encontram lesadas e geralmente apresenta uma menor probabilidade de causar êmbolos sépticos do que a endocardite aguda. Se não for tratada, a endocardite bacteriana subaguda pode agravar-se durante até um ano antes de ser fatal.

Os homens desenvolvem endocardite mais frequentemente do que as mulheres e a doença é mais comum nas pessoas que apresentam um ou mais dos seguintes factores de risco:

  • Malformação congénita (presente aquando do nascimento) do coração ou de uma válvula cardíaca ou um prolapso da válvula mitral com regurgitação mitral
  • Válvula cardíaca lesada pela febre reumática ou por um espessamento da válvula relacionado com a idade, com depósitos de cálcio.
  • Dispositivo implantado no coração (pacemaker ou válvula cardíaca artificial)
  • História de consumo de drogas endovenosas
  • Doença médica crónica (de longa duração) que enfraquece o sistema imunitário (alcoolismo, diabetes, cancro submetido a quimioterapia)

Em cerca de 20 a 40% dos doentes que não têm válvulas cardíacas artificiais e que não consomem drogas endovenosas não se consegue identificar nenhum problema cardíaco que possa aumentar o risco de endocardite. Nos 10 a 20% de doentes com endocardite que têm válvulas cardíacas artificiais, as infecções que surgem nos primeiros 60 dias após a cirurgia valvular são frequentemente causadas por estafilococos, enquanto a endocardite que ocorre mais tardiamente é frequentemente causada por estreptococos.

Sintomas

Os sintomas de endocardite aguda incluem:

  • Febre alta
  • Dor no peito
  • Falta de ar
  • Tosse
  • Ruptura de pequenos vasos sanguíneos (hemorragias) nas palmas das mãos e nas plantas dos pés

Se uma lesão cardíaca grave causar choque, o doente pode apresentar subitamente um colapso, evidenciar um pulso rápido e pele pálida e fria.

Os sintomas de endocardite subaguda incluem:

  • Febre baixa (inferior a 39,4ºC)
  • Calafrios
  • Suores nocturnos
  • Dor nos músculos e nas articulações
  • Sensação persistente de cansaço
  • Cefaleias (dores de cabeça)
  • Falta de ar
  • Falta de apetite
  • Perda de peso
  • Nódulos pequenos dolorosos nos dedos das mãos ou dos pés
  • Ruptura de pequenos vasos sanguíneos na parte branca dos olhos, no palato (céu da boca), no interior das bochechas, no peito ou nos dedos das mãos ou dos pés.

Diagnóstico

O médico irá rever a história clínica do doente, prestando particular atenção a possíveis factores de risco para a endocardite, incluindo uma doença cardíaca congénita, febre reumática, presença de uma válvula cardíaca artificial ou um pacemaker, história de consumo de drogas endovenosas e história de doença crónica. O médico irá igualmente perguntar se o doente alguma vez foi informado de que tem um sopro cardíaco e se foi submetido recentemente a algum procedimento médico ou dentário no qual as bactérias possam ter tido uma oportunidade para entrar na corrente sanguínea (eliminação do tártaro dentário, cirurgia periodontal, limpeza profissional dos dentes, broncoscopia, determinados exames diagnósticos do aparelho génito-urinário, colonoscopia).

O médico irá examinar o doente e irá verificar se este tem febre, sinais cutâneos de endocardite (pequenas hemorragias da pele, nódulos dolorosos nos dedos das mãos e dos pés) e um sopro cardíaco, que indica uma possível lesão de uma válvula cardíaca. Os exames adicionais incluem:

  • Culturas de sangue ― Nestes testes serão obtidas diversas amostras de sangue ao longo de um período de 24 horas. Estas amostras de sangue serão adicionadas a frascos de cultura que contêm nutrientes especiais para facilitar o crescimento bacteriano. Se as bactérias estiverem presentes na corrente sanguínea, elas irão crescer dentro dos frascos de cultura no laboratório. Quando as bactérias se desenvolvem, podem ser identificadas estirpes específicas que podem ser testadas no que diz respeito à sua sensibilidade a diversos tipos de antibióticos. Os resultados destes testes irão ajudar o médico a seleccionar o antibiótico específico que irá resultar melhor para tratar a endocardite.
  • Ecocardiografia ― Neste exame são utilizadas ondas de ultra-sons para visualizar a estrutura do coração, as câmaras cardíacas e as válvulas cardíacas. Através da utilização da ecocardiografia, o médico pode verificar se existem tumefacções anormais que contenham microrganismos infectantes (vegetações) dentro do coração, procurando igualmente identificar a presença de abcessos dentro do coração e sinais de lesão das válvulas cardíacas naturais ou artificiais. O melhor tipo de ecocardiografia para a avaliação das válvulas cardíacas é a ecocardiografia transesofágica, no qual é inserido um tubo através da boca, permitindo a obtenção de imagens do coração a partir de um ponto imediatamente atrás deste. Este teste pode ser recomendado se o diagnóstico continuar incerto depois da realização de uma ecocardiografia convencional. A ecocardiografia transesofágica constitui igualmente um teste muito mais fiável para avaliar as válvulas cardíacas artificiais.
  • Exames serológicos ― Estes exames consistem em análises de sangue que procuram identificar a evidência de um aumento da actividade do sistema imunitário, o que pode indicar a presença de uma infecção. Estes testes podem ser úteis quando as culturas de sangue não revelam crescimento bacteriano, o que acontece numa pequena percentagem de doentes.

Duração esperada

Os sintomas de endocardite aguda começam geralmente de forma súbita e agravam-se rapidamente. É uma infecção que pode desenvolver-se dramaticamente ao longo de poucos dias. A endocardite subaguda, por seu lado, desenvolve-se mais lentamente e os seus sintomas mais ligeiros podem estar presentes durante semanas ou meses antes de se suspeitar da doença.

Prevenção

Se o doente apresentar um risco elevado de endocardite por ter uma válvula cardíaca lesada ou outro problema médico, ele deve comunicá-lo ao médico ou ao dentista. Para prevenir a endocardite, estes podem prescrever antibióticos antes de o doente ser submetido a qualquer procedimento médico ou dentário no qual as bactérias têm probabilidade de entrar para o sangue. Os antibióticos são geralmente administrados a pessoas com válvulas artificiais, a pessoas que tiveram tido uma endocardite no passado e a indivíduos com outras situações de alto risco. As pessoas com um prolapso da válvula mitral e muitas outras situações ligeiras geralmente não necessitam de antibióticos.

De um modo geral, os antibióticos são administrados uma ou duas horas antes de um procedimento de alto risco e até oito horas depois. Antes de uma intervenção dentária, pode igualmente ser utilizado um anti-séptico para bochechar, especialmente um produto contendo clorhexidina ou iodopovidona.

O doente pode igualmente ajudar a prevenir a endocardite evitando consumir drogas endovenosas.

Tratamento

Quando a endocardite é causada por uma infecção bacteriana, é geralmente tratada com antibióticos (como penicilinas, cefalosporinas, gentamicina ou vancomicina) durante duas a seis semanas. O tipo de antibiótico e a duração da terapêutica dependem dos resultados das culturas de sangue. Na maior parte dos casos, o tratamento antibiótico é administrado por via endovenosa (através de uma veia) enquanto o doente permanece internado no hospital. No entanto, alguns doentes altamente motivados que têm uma endocardite a Streptococcus viridans e uma função cardíaca estável podem ser tratados em casa.

Nos doentes com as seguintes situações, a válvula cardíaca infectada tem de ser substituída cirurgicamente:

  • Lesão da válvula aórtica ou mitral que é suficientemente grave para causar um refluxo de sangue através da válvula (regurgitação) com insuficiência cardíaca
  • Disfunção da válvula e infecção persistente após 7 a 10 dias de terapêutica antibiótica apropriada
  • Crescimento anormal de microrganismos (vegetação) superior a 10 milímetros (observado na ecocardiografia) aderente a uma válvula cardíaca
  • Endocardite causada por um fungo em vez de uma bactéria ― a endocardite fúngica responde frequentemente mal aos medicamentos antifúngicos endovenosos.

Quando contactar um profissional

Contacte o médico sempre que experimentar sintomas de endocardite aguda ou subaguda, especialmente se tiver uma história de lesão de uma válvula cardíaca, um sopro cardíaco conhecido ou um dispositivo implantado no seu coração (válvula artificial ou pacemaker).

Prognóstico

Com um diagnóstico rápido e um tratamento médico apropriado, cerca de 90% dos doentes com endocardite bacteriana recuperam. Os doentes em que a endocardite afecta o lado direito do coração têm geralmente um melhor prognóstico do que os que têm envolvimento do lado esquerdo. Nos casos em que a endocardite é causada por fungos, o prognóstico é geralmente pior do que na endocardite bacteriana.

Algumas complicações possíveis da endocardite incluem:

  • Insuficiência cardíaca congestiva
  • Coágulos de sangue flutuantes na corrente sanguínea, denominados êmbolos, que se alojam no cérebro, nos pulmões ou nas artérias coronárias
  • Problemas renais

Se a endocardite aguda não for tratada, ela pode ser fatal em menos de seis semanas. A endocardite subaguda não tratada pode causar a morte dentro de seis meses a um ano.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Cardiologia
http://www.spc.pt
 
Alto Comissariado da Saúde
http://www.acs.min-saude.pt
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Uma resposta to “O que é a Endocardite”

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