Transplante de Medula Óssea

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Prof. João Lacerda

Leia aqui o artigo:

O que é?

Um transplante da medula óssea é um procedimento utilizado para tratar doenças do foro oncológico e outras em que exista uma deficiência grave de um ou mais subtipos de células produzidas na medula óssea. O nome mais correcto deveria ser o de transplante de progenitores hematopoiéticos, ou de células estaminais hematopoiéticas, dado que os mesmos podem ser colhidos de outras fontes que não da medula óssea. No entanto, o nome mais frequentemente utilizado em Portugal é o de transplante de medula óssea.

Dada a complexidade e variações deste procedimento, são necessárias algumas explicações preliminares:

  1. O que é a medula óssea ? A medula óssea é a parte do interior do osso onde são produzidas as células que circulam no sangue:
  • Glóbulos vermelhos ou eritrócitos, que transportam o oxigénio dos pulmões para os órgãos e tecidos e o dióxido de carbono de volta para os pulmões para ser expelido
  • Plaquetas, que ajudam a coagulação do sangue
  • Glóbulos brancos, que ajudam a combater as agressões ao organismo, tais como infecções bacterianas, fúngicas e virais
  • Medula óssea – sob anestesia geral, procede-se à inserção de uma agulha na parte de trás do osso da bacia e aspira-se cerca de um litro de sangue da medula óssea
  • Sangue periférico – após 5 dias de administração de uma injecção por via subcutânea que estimula glóbulos brancos, os progenitores hematopoiéticos são colhidos através de uma veia canalizada no braço por uma máquina específica (separador celular)
  • Cordão umbilical – o sangue do cordão umbilical é rico em progenitores hematopoiéticos e pode ser colhido imediatamente após o parto
  1. Quais podem ser as fontes do enxerto ? Existe mais do que uma fonte de progenitores hematopoiéticos:
  •  Medula óssea – sob anestesia geral, procede-se à inserção de uma agulha na parte de trás do osso da bacia e aspira-se cerca de um litro de sangue da medula óssea
  • Sangue periférico – após 5 dias de administração de uma injecção por via subcutânea que estimula glóbulos brancos, os progenitores hematopoiéticos são colhidos através de uma veia canalizada no braço por uma máquina específica (separador celular)
  • Cordão umbilical – o sangue do cordão umbilical é rico em progenitores hematopoiéticos e pode ser colhido imediatamente após o parto
  1. Em relação ao dador, que tipos de transplante existem ?
  • Autólogo – reservado para alguns doentes do foro oncológico que devido à necessidade de serem submetidos a doses muito altas de quimioterapia dirigida à doença oncológica, o que inevitavelmente destrói medula óssea normal, têm de ter progenitores hematopoiéticos guardados (congelados).
  • Alogénico – em que se usa um dador familiar ou não familiar, denominado de compatível. Esta compatibilidade é avaliada através de uma  análise de sangue que determina os principais antigénios  dos glóbulos brancos (bilhete de identidade) do doente (receptor) e do dador. Se não existir um irmão/irmã compatível, podem ser encontrados dadores compatíveis através de um registo nacional ou internacional de dadores de medula óssea, tal como o Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão (CEDADE) ou o Registo Mundial de Dadores de Medula Óssea (Bone Marrow Donors Worldwide).
  1. Quais os transplantes mais frequentes ?
  • Para transplante autólogo (doente para o próprio) utilizam-se maioritariamente progenitores colhidos do sangue periférico após estimulação e, raramente, da medula óssea. O potencial da utilização de células do cordão umbilical para transplante autólogo é, no momento actual, mínimo.
  • Para transplante alogénico (dador para o doente), utilizam-se maioritariamente progenitores colhidos do sangue periférico, em segundo lugar da medula óssea e em terceiro lugar do cordão umbilical (neste contexto, quase sempre de dador não familiar).
  • Após quimioterapia/radioterapia, o enxerto (que parece uma vulgar transfusão de sangue) é infundido ao doente por um cateter que se encontra alojado numa veia de maior calibre. Em seguida, os progenitores hematopoiéticos dirigem-se para a medula óssea (agora vazia devido ao tratamento) e começam a multiplicar-se e a originar novas células do sangue.
  1. Como se administra o transplante ?
  •  Após quimioterapia/radioterapia, o enxerto (que parece uma vulgar transfusão de sangue) é infundido ao doente por um cateter que se encontra alojado numa veia de maior calibre. Em seguida, os progenitores hematopoiéticos dirigem-se para a medula óssea (agora vazia devido ao tratamento) e começam a multiplicar-se e a originar novas células do sangue.

Objectivos e Indicações

O transplante autólogo é realizado predominantemente em doentes com linfomas e mieloma múltiplo.

O transplante alogénico tem com principais indicações alguns subtipos de leucemia aguda, a aplasia medular (doença em que a medula óssea deixa de produzir células do sangue) e imunodeficiências graves, que são situações em que as defesas do doente contra o exterior estão muito comprometidas.

Preparação

O médico deverá discutir com o seu doente o plano de tratamento, os possíveis efeitos colaterais do procedimento e as complicações associadas. Se for homem e estiver a considerar tornar-se pai, pode ser importante discutir com o seu médico a possibilidade de guardar alguns espermatozóides (banco de esperma) uma vez que a quimioterapia e a radiação podem provocar infertilidade temporária ou permanente. É também possível que durante o tratamento o doente se sinta um pouco nauseado e com pouco apetite. Por destruição parcial das células que forram a boca e o aparelho digestivo, o doente pode sentir desconforto local e diarreia. É ainda provável que caia o cabelo nas semanas após o tratamento.

Para realizar um transplante de medula óssea deverá submeter-se a avaliação e testes pré-tratamento, incluindo análises ao sangue e outros exames, tais como Raios X ao tórax e um ecocardiograma.

No caso do transplante alogénico, o dador também tem de se submeter a estes exames gerais, incluindo a avaliação de vírus potencialmente nocivos para o doente, como os vírus das hepatites e os HIVs. Em regra geral, a colheita tem poucas complicações e obriga, no máximo, a um dia de internamento.

Em seguida, o doente é internado para iniciar o processo de transplante. É alojado num quarto especial, com ar filtrado para minimizar o risco de infecções, e recebe um tratamento à base de quimioterapia/radioterapia. Este tratamento não só é dirigido à doença oncológica, como também tem o objectivo de “criar espaço” na medula óssea do doente para a chegada dos novos progenitores hematopoiéticos.

Como é Realizado

As células progenitoras são colocadas na corrente sanguínea através do cateter venoso. No caso do transplante autólogo, a colheita tem de ser prévia e as células são descongeladas e administradas ao doente. No caso do transplante alogénico, a colheita também pode ser prévia mas, mais frequentemente, realiza-se no dia do transplante. Estas células transplantadas irão viajar através do sangue e finalmente estabelecer-se e multiplicar-se nos espaços onde as células originais se encontravam. Até que atinjam um certo nível de recuperação, o organismo não conseguirá lutar muito bem contra as infecções, pelo que poderá ter de permanecer algumas semanas no hospital num quarto especial onde estará protegido dos germes.

É provável que durante este período surja febre devido a infecções e que o doente tenha de receber antibióticos. Mas não só os glóbulos brancos diminuem; também se verifica uma diminuição muito grande dos glóbulos vermelhos e das plaquetas, pelo que os doentes têm de receber várias transfusões de glóbulos vermelhos e de plaquetas. Cerca de 10 a 15 dias após a infusão do enxerto, verifica-se outra vez um início da normalização da produção de células do sangue pelo que o doente poderá ter alta em breve. Em regra, um transplante requer um internamento que demora na sua totalidade entre 3 a 5 semanas.

Seguimento e cuidados

Após sair do hospital, é essencial manter um seguimento médico apertado durante vários meses e submeter-se a várias análises ao sangue. O cateter venoso central irá permanecer no tórax durante algum tempo. Quando consultar o médico, este deverá verificar o cateter, examiná-lo quanto a sinais de infecção e outros problemas e rever os resultados da análise ao sangue.

Também poderá ser necessário realizar testes à medula óssea para verificar como as novas células se estão a desenvolver. Outros exames que avaliam a existência de quaisquer vestígios de cancro poderão ser também utilizados.

Riscos

Há vários riscos e reacções secundárias associadas a um transplante da medula óssea. Estes podem incluir:

  • Rejeição do enxerto – se o doente tiver defesas suficientes após o tratamento pode rejeitar o transplante. Neste caso, os progenitores hematopoiéticos do dador não chegam a funcionar no doente
  • Hemorragias
  • Febre e infecções
  • Problemas hepáticos
  • Alterações da pele
  • Diarreia
  • Infertilidade ou esterilidade
  • Cataratas
  • Doença do enxerto contra o hospedeiro
    1. O que é ? esta situação pode aparecer quando o enxerto começa a funcionar. Os glóbulos brancos do dador podem reconhecer órgãos e tecidos do doente como estranhos e “rejeitarem-nos” (não confundir com o doente rejeitar o enxerto; aqui passa-se o inverso, é o enxerto a rejeitar o doente). Mesmo entre irmãos chamados de compatíveis, quando o enxerto começa a funcionar pode aparecer doença do enxerto contra o hospedeiro porque apesar da compatibilidade há sempre diferenças entre o “bilhete de identidade” do dador e do receptor que não é possível ver pelas análises habituais. Tal só não acontece se o doente e o irmão forem gémeos verdadeiros. Portanto, esta é uma complicação conhecida e esperada, de que se faz a prevenção por rotina. Mas nem tudo é mau nesta reacção dos glóbulos brancos do dador contra o doente, porque os mesmos também reconhecem células da doença oncológica do doente como estranhas e rejeitam-nas; é o efeito do enxerto contra a leucemia, que diminui a probabilidade de recaída da doença oncológica.
    2. Como se manifesta ? Pode aparecer logo após o transplante, nos primeiros meses, e nesta circunstância chama-se de aguda. Dá lesões na pele, diarreia e pode também afectar o fígado. Quando persiste muito tempo ou aparece mais tarde chama-se de crónica, e pode também dar alterações da pele, das articulações, fígado, entre outras.
    3. Como se previne e trata ? Com medicamentos que diminuem as defesas, tal como cortisona, ciclosporina, entre outros.

Quando Contactar um Médico

Se se submeteu a um transplante da medula óssea deverá estar a ser monitorizado para possíveis complicações e o seu médico, por certo, explicou-lhe que sinais de alerta pode esperar. Os programas de transplante da medula óssea são altamente especializados e necessitam de ser conduzidos em instituições com equipamento e pessoal especializado para minimizar a probabilidade de complicações.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Hematologia

http://www.sph.org.pt/

Liga Portuguesa Contra o Cancro

http://www.ligacontracancro.pt/

Centros de Histocompatibilidade em Portugal

http://www.chnorte.min-saude.pt/

http://www.histocentro.pt/

http://www.chsul.pt/

Registo Mundial de Dadores de Medula Óssea (Bone Marrow Donors Worldwide)

http://www.bmdw.org/

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