Perturbações do espectro do autismo

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. Manuel João Quartilho

O que é?

O autismo é uma perturbação do desenvolvimento do cérebro. As pessoas com autismo têm dificuldades de comunicação e nas interacções sociais, podendo igualmente apresentar padrões de comportamento, interesses e actividades fora do habitual.

Os médicos usam o termo perturbação do espectro do autismo para incluir cinco tipos de autismo. Os três tipos principais de autismo são os seguintes:

  • Autismo clássico
  • Síndrome de Asperger — uma forma mais ligeira
  • Perturbação global do desenvolvimento sem outra especificação ― descreve as crianças que não apresentam os critérios para os outros tipos

Existem igualmente duas perturbações raras de autismo:

  • Síndrome de Rett — afecta principalmente as raparigas e inclui problemas com o movimento e a fala, juntamente com características autistas.
  • Perturbação desintegrativa da segunda infância — um tipo grave de autismo; a criança perde mais aptidões físicas, de linguagem e sociais do que no autismo clássico.

Os sinais das perturbações do espectro do autismo são habitualmente observados pela primeira vez antes do terceiro aniversário da criança. No entanto, apenas metade das crianças com autismo são diagnosticadas antes de entrarem para o jardim infantil.

A síndrome de Rett parece ser causada por uma mutação genética. As causas dos outros tipos de autismo continuam desconhecidas. Diversos estudos sugerem que o autismo pode ser:

  • Hereditário
  • Causado por uma infecção ou secundário aos efeitos de uma toxina do meio ambiente
  • Resultado de uma lesão cerebral ou de uma anomalia que ocorre no útero ou na fase inicial da infância
  • Resultado de níveis anormais de mensageiros químicos no cérebro.

Os estudos não observaram a existência de uma associação entre as vacinas e o autismo.

Todos os tipos de autismo, com excepção da síndrome de Rett, são mais comuns nos rapazes do que nas raparigas.

Manifestações clínicas

Aquando do nascimento, uma criança com uma perturbação do espectro do autismo parece frequentemente normal.

Os sintomas podem surgir durante o primeiro ano de vida, mas por vezes apenas aos 2 ou 3 anos de idade os pais se apercebem que algo não está bem.

Os bebés com uma perturbação do espectro do autismo:

  • Podem reagir anormalmente quando são tocados
    • Em vez de se aninharem quando os pais os pegam ao colo, podem entesar-se ou ficarem flácidos
  • Podem não apresentar comportamentos normais para o desenvolvimento durante o primeiro ano de vida. Alguns dos sinais de alarme incluem:
    • Não sorrir ao som da voz da mãe
    • Não apontar para objectos ou chamar a atenção de alguém
    • Não estender as mãos para as outras pessoas
    • Não tentar conversas monossilábicas
    • Não manter contacto visual
    • Parecer incapaz de distinguir os pais dos estranhos
    • Demonstrar tipicamente pouco interesse pelos outros.

Os sintomas variam de ligeiros a graves. Alguns comportamentos associados ao autismo incluem:

  • Perturbação da capacidade para brincar — uma criança jovem com uma perturbação do espectro do autismo:
  • Geralmente ignora as outras crianças e prefere brincar sozinha
  • Geralmente não brinca ao “faz de conta”.
  • Pode passar horas:
    • Colocando repetidamente objectos em fila
    • Sentado silenciosamente num estado aparentemente semelhante a um transe
    • Concentrado em apenas um objecto ou assunto.

Qualquer tentativa para distrair a criança pode provocar uma explosão emocional.

  • Perturbação da fala— uma criança com uma perturbação do espectro do autismo:
    • Em vez de dizer: “Quero uma sanduíche”, a criança pode perguntar “Queres uma sanduíche?”
  • Comportamentos repetitivos— uma criança com uma perturbação do espectro do autismo pode apresentar comportamentos repetitivos:
    • Bater palmas, estalar os dedos, oscilar ou balançar e abanar as mãos são movimentos comuns
    • Querer ir pelo mesmo caminho para a escola todos os dias
    • Virar-se antes de entrar numa sala.
    • Pode não falar muito ou mesmo permanecer silenciosa
    • Quando fala, as palavras podem ser um eco do que a outra pessoa disse
    • Os padrões da fala podem ser diferentes
    • Repetir a mesma frase ou um movimento particular
  • Comportamentos anormais — as crianças com uma perturbação do espectro do autismo podem:
    • Desenvolver rotinas obsessivas
    • Tornar-se intensamente preocupadas com alguma coisa
    • Tornar-se hiperactivas, agressivas, destrutivas ou impulsivas
    • Magoar-se a si próprias intencionalmente

Diagnóstico

O diagnóstico é geralmente feito por especialistas e baseia-se nos seguintes aspectos:

  • História do desenvolvimento da criança ao longo do tempo
  • Observações do comportamento da criança (sozinha ou com os outros)
  • Resultados dos testes que avaliam as aptidões da criança:
    • Linguagem
    • Coordenação motora
    • Audição
    • Visão

Em alguns casos, serão pedidos testes para avaliar outros problemas médicos que podem assemelhar-se ao autismo.

Evolução clínica

As perturbações do espectro do autismo são problemas para toda a vida.

Prevenção

As causas da maior parte dos tipos de perturbação do espectro do autismo continuam a ser desconhecidas, pelo que não existe forma de as prevenir.

Tratamento

Não existe cura para as perturbações do espectro do autismo. No entanto, os sintomas da criança podem melhorar com um tratamento intenso.

O tratamento geralmente inclui a educação, uma abordagem comportamental e medicamentos.

Educação

Os educadores desenvolvem um programa de educação individualizado para abordar os problemas específicos da criança. O programa inclui habitualmente a terapia da fala e da linguagem, bem como o treino de aptidões sociais e da vida diária.

Abordagem comportamental

Com a abordagem comportamental pretende-se melhorar o comportamento apropriado e reduzir os comportamentos inapropriados. As estratégias de modificação do comportamento incluem um reforço positivo, uma estratégia de pausa (ou “time out”) e intervenções comportamentais abrangentes. A análise comportamental aplicada constitui uma abordagem de ensino que reforça a prática de aptidões específicas.

Medicamentos

Não existe um medicamento que trate efectivamente todos os sintomas de autismo. Os medicamentos que podem ser considerados incluem:

  • Antipsicóticos: para reduzir a agressividade, a irritabilidade e os comportamentos repetitivos; estes medicamentos podem apresentar efeitos secundários indesejáveis
  • Antidepressivos: para tratar a depressão e os comportamentos repetitivos
  • Ansiolíticos: para reduzir os comportamentos relacionados com a ansiedade
  • Estimulantes do sistema nervoso central: para tratar o comportamento hiperactivo ou impulsivo

Medicina complementar

Algumas pessoas acreditam que alterações na dieta, produtos naturais e outras formas de medicina complementar podem ajudar as crianças autistas. Contudo, não existe de momento informação suficiente para recomendar estas medidas.

Alguns destes tratamentos podem ser perigosos ou apresentar efeitos secundários, pelo que os pais devem falar com o médico sobre qualquer tratamento que possam estar a ponderar implementar.

Quando contactar um médico

Contacte o médico se o seu filho:

  • Não tentar comunicar com os outros
  • Repetir continuamente palavras e determinadas acções
  • Não parecer querer brincar com as outras crianças.

Contacte o médico imediatamente se o seu filho se tentar magoar a si próprio.

Prognóstico

Os comportamentos difíceis observados nas crianças autistas tendem a melhorar entre os 6 e os 10 anos de idade. Os problemas podem agravar-se durante a adolescência e o início da idade adulta e acabam por diminuir novamente na meia-idade e na terceira idade.

Algumas crianças com autismo são capazes de viver de forma independente, enquanto outras podem ter dificuldade em manter interacções sociais, capacidades de comunicação e comportamentos normais.

Os especialistas consideram que um diagnóstico e um tratamento mais precoces das perturbações do espectro do autismo conduzem a um melhor prognóstico. A esperança de vida depende de a pessoa ter outras doenças e do seu estado de saúde em geral.

Informação adicional

Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo – Lisboa

http://www.appda-lisboa.org.pt

Rua José Luís Garcia Rodrigues – Bairro Alto da Ajuda

1300 Lisboa

Tel: 21 3616250

Email: info@appda-lisboa.org.pt

Federação Portuguesa de Autismo

http://www.appda-lisboa.org.pt/federacao

Associação de Amigos do Autismo

http://ama-autismo.pt

 

Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental

http://sppsm.org

 

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