Amenorreia

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. Dr Calhaz Jorge

O que é?

Amenorreia é o nome dado à ausência de menstruações numa mulher em idade fértil. As mulheres menstruam normalmente com intervalos de 23 a 35 dias.

O ciclo menstrual é regulado por uma estrutura do cérebro denominada hipotálamo, que estimula a hipófise (uma glândula situada na base do cérebro, imediatamente por baixo do hipotálamo).

A hipófise liberta duas hormonas que regulam o ciclo reprodutor feminino, a hormona luteínizante (LH) e a hormona folículo-estimulante (FSH).

A LH e a FSH influenciam a produção de estrogénios e de progesterona que, por sua vez, controlam as alterações cíclicas que ocorrem no revestimento do útero, incluindo a menstruação.

Para que uma mulher tenha ciclos menstruais regulares, o hipotálamo, a hipófise, os ovários e o útero devem estar a funcionar adequadamente e o colo do útero e a vagina devem igualmente apresentar uma anatomia normal.

Existem dois tipos de amenorreia:

Amenorreia primária – quando uma mulher ainda não teve o seu primeiro período menstrual (menarca) até aos 16 anos de idade. Esta situação é igualmente denominada de atraso da menarca e ocorre mais frequentemente devido a uma puberdade tardia.

Este problema é bastante comum nas raparigas adolescentes que são muito magras e atléticas, geralmente com peso inferior ao normal. O seu corpo não passou pelo aumento normal da gordura corporal associado à puberdade que desencadeia o início da menstruação.

Noutras raparigas, o atraso na primeira menstruação pode ser causado por uma doença genética ou pode resultar da presença de órgãos reprodutores femininos anormais.

Amenorreia secundária – quando uma mulher já teve períodos menstruais mas deixa de menstruar durante três ou mais meses consecutivos.

A amenorreia secundária pode ser causada por:

  • gravidez (a causa mais comum)
  • amamentação
  • climatério (fase de transição entre o período reprodutivo e o período não reprodutivo da mulher, que se encontra relacionada com a idade; a menopausa, isto é, a última menstruação, está incluída neste período)
  • stress físico ou emocional
  • perda de peso rápida
  • exercício extenuante frequente
  • métodos hormonais de controlo da natalidade, incluindo pílulas contraceptivas, adesivos e progestagénio de acção prolongada
  • síndrome do ovário poliquístico. Esta situação encontra-se associada a uma tendência para ter excesso de peso, pilosidade excessiva ao nível do corpo e da face e irregularidades hormonais
  • falência ovárica prematura (menopausa antes dos 40 anos)
  • histerectomia (remoção cirúrgica do útero)
  • produção anormal de determinadas hormonas, tais como a testosterona, a hormona tiroideia e a cortisona.
  • tumores da hipófise
  • quimioterapia

As atletas, especialmente as mulheres jovens, têm uma maior probabilidade de apresentarem amenorreia. O exercício propriamente dito não causa amenorreia, mas é mais provável nas mulheres que fazem exercício muito intensamente ou que aumentam a intensidade do seu exercício de forma rápida.

A amenorreia secundária ocorre com bastante frequência nas mulheres que praticam de modo prolongado actividades físicas intensas associadas a um baixo peso corporal, tal como o ballet e a ginástica.

Manifestação clínica

A amenorreia é, por si só, um sintoma.

Os sintomas associados dependem do problema que está a causar a amenorreia.

Por exemplo, os desequilíbrios hormonais podem causar amenorreia juntamente com:

  • Excesso de pilosidade corporal e facial
  • Acne
  • Voz grave
  • Alteração da libido
  • Secreção de leite pelas mamas
  • Aumento de peso

Diagnóstico

O médico irá fazer perguntas relativamente aos seguintes aspectos:

  • Data do último período menstrual
  • Se a doente é sexualmente activa
  • Métodos contraceptivos
  • História das gravidezes anteriores
  • Hábitos alimentares
  • Alterações rápidas do peso
  • Obesidade ou baixo peso extremo
  • Padrões menstruais mensais típicos
  • Idade em que a mãe da doente entrou na menopausa (muitas mães e filhas têm a menopausa aproximadamente com a mesma idade)
  • Nível de stress na vida e a forma como a doente lida com ele
  • Regime de exercício
  • Tipos de medicamentos que a doente está a tomar

O médico irá rever a história clínica e proceder a um exame físico geral, seguido por um exame ginecológico pormenorizado. É igualmente importante verificar se está grávida.

Se o médico suspeitar de uma causa específica, irá fazer algumas perguntas adicionais. Por exemplo, se o médico suspeitar de uma anomalia hormonal, pode perguntar se tem:

  • Acne
  • Aumento da pilosidade corporal
  • Sensibilidade extrema a temperaturas baixas
  • Pele seca
  • Obstipação
  • Queda de cabelo
  • Secreções mamárias anormais.

Se for atleta, o médico irá fazer perguntas sobre o seu programa de treino. Isto é particularmente provável se tiver baixo peso ou se apresentar uma percentagem baixa de gordura corporal.

Podem ser realizados alguns testes para identificar a causa subjacente à ausência dos períodos menstruais:

  • Análises de sangue e de urina. Estes exames podem detectar desequilíbrios nas hormonas femininas eventualmente causados por problemas da hipófise ou dos ovários. Se forem identificados problemas, podem ser realizados testes adicionais que irão procurar verificar se os níveis de hormonas tiroideias e supra-renais estão normais.
  • Ecografia pélvica. Este exame indolor utiliza ondas de ultra-sons para identificar a presença de problemas estruturais no útero e nos ovários.
  • Teste de provocação com progesterona. O médico pode sugerir um teste que envolve medicar a doente com progesterona durante um curto período de tempo. Se a paragem na toma de progesterona desencadear um período menstrual, provavelmente o problema será a doente não estar a libertar um óvulo maduro no meio do ciclo menstrual (isto é, não haver anovulação). Se não ocorrer hemorragia, o médico irá pedir análises de sangue para verificar os níveis de FSH, que podem ajudar a determinar se o problema se situa nos ovários ou no hipotálamo/hipófise.

Pode ser necessário realizar exames adicionais para perceber a razão da falta dos períodos menstruais. O diagnóstico da causa da amenorreia pode ser complicado e existem muitas causas potenciais para o problema.

Evolução clínica

Em muitas adolescentes com amenorreia primária, a puberdade é tardia mas não existe um problema permanente.

A duração da amenorreia secundária depende da sua causa.

Por exemplo:

  • A gravidez irá interromper os períodos menstruais da mulher até depois do parto
  • Uma mulher que deixe de tomar a pílula contraceptiva pode não ter períodos durante três meses a um ano
  • O stress físico e emocional pode causar amenorreia enquanto persistir
  • O aumento ou a perda de peso rápidos, alguns medicamentos e doenças crónicas podem causar falhas nos períodos menstruais
  • A amenorreia é permanente depois da menopausa ou depois de uma histerectomia.

Prevenção

Em muitos casos, as adolescentes podem ajudar a prevenir a amenorreia primária, devendo seguir um programa de exercício sensato e manter um peso corporal normal.

A amenorreia primária causada por anomalias anatómicas não pode ser prevenida.

Algumas formas de amenorreia secundária podem ser prevenidas se a doente tomar as seguintes medidas:

  • Ingerir uma dieta equilibrada que corresponda às necessidades nutricionais diárias recomendadas
  • Praticar exercício moderadamente, mas não excessivamente, para manter um peso corporal e o tónus muscular ideais
  • Encontrar escapes saudáveis para o stress emocional e para os conflitos diários
  • Equilibrar o trabalho, as actividades recreativas e o repouso
  • Evitar o consumo excessivo de álcool e o tabagismo.

Tratamento

A amenorreia primária causada por uma puberdade tardia geralmente não necessita de ser tratada. Esta situação irá resolver-se por si própria.

Na amenorreia primária causada por anomalias genéticas, o tratamento depende do problema. Por exemplo, se os ovários não estiverem a funcionar adequadamente, podem ser administradas hormonas ováricas suplementares que irão permitir o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, como as mamas e os pêlos púbicos.

Se a amenorreia for causada por um problema estrutural, é geralmente necessária uma intervenção cirúrgica. Por exemplo, uma vagina que não apresente abertura pode ser corrigida cirurgicamente.

A amenorreia secundária pode ser devida à menopausa ou a uma histerectomia. Neste caso, o médico irá prescrever medicamentos que irão ajudar a prevenir as complicações associadas aos níveis baixos de estrogénios.

Nas outras formas de amenorreia secundária, o tratamento depende da causa.

  • Stress. O médico pode aconselhar a integração num programa de controlo do stress.
  • Obesidade. O médico irá delinear uma dieta e um programa de exercício para a ajudar a perder peso e a melhorar a forma física em geral.
  • Treino atlético excessivo. O médico irá recomendar um programa mais moderado que irá ajudar o reaparecimento da menstruação normal.
  • Desequilíbrio hormonal. O médico pode prescrever hormonas suplementares.
  • Síndrome do ovário poliquístico. Múltiplos tratamentos médicos podem ajudar a regular os períodos menstruais, incluindo a metformina e a utilização cíclica de hormonas femininas.
  • Tumores nos ovários, no útero ou na hipófise. O tratamento depende do tipo e da localização dos quistos ou tumores. É por vezes necessário recorrer a cirurgia.

Quando contactar um médico

Deve contactar o médico se:

  • Tiver 14 anos e não tiver começado a desenvolver as mamas ou os pêlos púbicos
  • Tiver 16 anos e não tiver tido o primeiro período menstrual

Se for sexualmente activa, contacte um profissional de saúde se lhe falhar um período. Pode necessitar de realizar um teste de gravidez.

Se não for sexualmente activa, consulte o médico se:

  • Tiverem falhado três períodos menstruais consecutivos
  • Os seus períodos forem irregulares

Prognóstico

Na maior parte dos casos, os sintomas e os problemas relacionados com a amenorreia são tratáveis e reversíveis.

Informação adicional

 Direcção-Geral da Saúde

http://www.dgs.pt/

Uma resposta to “Amenorreia”

  1. Amenorreia « Programa Harvard Medical School – Portugal Says:

    […] o artigo aqui: Amenorreia Share this:TwitterFacebookGostar disto:GostoBe the first to like this . Na categoria Doenças, […]


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