Diabetes Gestacional

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Profª. Olinda Marques

O que é?

A diabetes gestacional é o aparecimento de níveis mais elevados de açúcar (glicose) no sangue do que os esperados durante a gravidez. Tal como acontece nos outros tipos de diabetes, a diabetes gestacional surge quando a glicose na circulação sanguínea não consegue ser removida eficientemente para dentro das células do organismo, como as células musculares, que normalmente utilizam a glicose como combustível. A insulina é a hormona que ajuda a remover a glicose da circulação sanguínea para dentro das células. Na diabetes gestacional, o organismo não responde bem à insulina, a menos que esta possa ser produzida ou fornecida em maiores quantidades.

Este problema afecta uma em cada vinte grávidas e na maior parte das mulheres desaparece quando a gravidez termina. Porém, as grávidas que tiveram diabetes gestacional apresentam um risco acrescido de desenvolverem diabetes tipo 2 anos mais tarde.

A diabetes ocorre durante a gravidez em consequência das hormonas produzidas neste período tornarem o organismo mais resistente aos efeitos da insulina (hormona de crescimento e lactogénio placentário humano). Estas hormonas, embora essenciais para uma gravidez e um feto saudáveis, bloqueiam parcialmente a acção da insulina. Na maior parte das mulheres, o seu pâncreas reage a esta situação produzindo uma quantidade adicional de insulina, suficiente para ultrapassar a resistência a esta hormona. Porém, nas mulheres com diabetes gestacional, não é produzida insulina suplementar suficiente, pelo que a glicose se acumula na circulação sanguínea surgindo a diabetes.

À medida que o feto cresce são produzidas maiores quantidades destas hormonas, pelo que, no terceiro trimestre da gravidez, os níveis das hormonas se encontram ainda mais elevados. É neste período que a diabetes gestacional se manifesta mais frequentemente. Depois do parto, as hormonas regressam rapidamente aos níveis anteriores aos da gravidez, a quantidade de insulina que é produzida pelo pâncreas volta a ser a adequada para as necessidades fazendo com que os níveis de glicose no sangue regressem ao normal.

Manifestação clínica

Algumas grávidas com diabetes gestacional apresentam sinais ou sintomas de diabetes que estão associados a um nível elevado de glicose no sangue (hiperglicémia) e que podem incluir:

  • aumento da sede
  • micções mais frequentes
  • perda de peso apesar do aumento do apetite
  • fadiga
  • náuseas ou vómitos
  • infecções por fungos
  • visão turva.

No entanto, na maioria dos casos as mulheres não apresentam qualquer alteração reconhecível. É por este motivo que os exames de rastreio para esta doença são recomendados em praticamente todas as grávidas.

Diagnóstico

A diabetes gestacional é geralmente diagnosticada durante os exames de rotina que são realizados como parte dos cuidados pré-natais completos. Numa gravidez normal, a glicose no sangue é cerca de 20% mais baixa do que a observada nas mulheres que não se encontram grávidas, uma vez que o feto em desenvolvimento absorve alguma glicose do sangue da mãe. A diabetes é evidente se os níveis de glicose no sangue forem superiores aos esperados para a gravidez. Para diagnosticar a diabetes gestacional na sua forma mais precoce, a grávida tem de ingerir uma bebida extremamente açucarada antes de efectuar uma análise de sangue, para que a sua capacidade de processamento da glicose seja estimulada ao máximo. Este teste é conhecido por prova da tolerância à glicose oral.

É recomendado realizar este teste logo na primeira consulta pré-natal nas mulheres que têm excesso de peso, uma história familiar de diabetes ou que apresentem sinais/sintomas sugestivos de diabetes. A maior parte das restantes mulheres devem ser testadas entre as 24 e as 28 semanas de gravidez.

Evolução clínica

A diabetes que surge durante a gravidez geralmente desaparece quando esta termina. No entanto, o facto do pâncreas não conseguir responder às necessidades de insulina durante a gravidez mostra que este órgão está a funcionar sem grande reserva, mesmo quando a mulher não está grávida. As mulheres com diabetes gestacional apresentam níveis elevados de glicose no sangue que se mantêm durante algumas semanas depois do parto. Estas mulheres têm uma maior probabilidade de desenvolverem diabetes tipo 2 numa fase mais tardia da vida.

Prevenção

A diabetes gestacional não pode ser prevenida na grande maioria dos casos. No entanto, um controlo cuidadoso do peso antes da gravidez pode reduzir o risco. As dietas com teor muito baixo de calorias não são recomendadas durante a gravidez, uma vez que é importante uma nutrição adequada.

As complicações da diabetes gestacional podem ser prevenidas através de um controlo cuidadoso da glicose no sangue e pela monitorização por um obstetra durante toda a gravidez.

Depois da gravidez, a mulher pode reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2 se praticar exercício físico regular e uma tiver uma dieta com um conteúdo reduzido de calorias. A metformina é um medicamento que pode ajudar a prevenir a diabetes nas pessoas que apresentam níveis ligeiramente elevados de glicose no sangue fora da gravidez, mas que não apresentam níveis suficientemente elevados para um diagnóstico de diabetes.

Tratamento

Algumas grávidas conseguem manter os níveis de glicose no sangue dentro de valores normais através de um controlo da sua dieta. É recomendada a avaliação por um nutricionista para estabelecer um plano dietético adaptado a cada grávida e uma monitorização regular da glicémia.

Se a dieta não controlar adequadamente a glicose no sangue, o seu médico deverá prescrever insulina. Os medicamentos orais para reduzir o açúcar no sangue não estão aprovados nas grávidas devido a possíveis efeitos adversos para o feto. A insulina tem sido utilizada durante a gravidez para tratar muitas mulheres com diabetes tipo 1 e com diabetes gestacional e é segura para o feto quando a glicose no sangue é cuidadosamente monitorizada.

A diabetes gestacional é perigosa para o feto em desenvolvimento. Ao contrário da diabetes tipo 1, a diabetes gestacional raramente causa malformações congénitas graves. No entanto, na diabetes gestacional, o bebé pode ter complicações durante o parto devido ao facto de poder ser maior do que o normal (um corpo grande num bebé é denominado macrossomia). O tamanho grande do corpo do bebé é uma consequência de uma exposição ao excesso de glicose. Se a diabetes não for cuidadosamente tratada, os níveis elevados de glicose no sangue podem aumentar a probabilidade de morte fetal antes do parto (nado-morto). O parto propriamente dito pode ser mais difícil e a necessidade de um parto por cesariana é mais frequente. Se o trabalho de parto e o parto normal não tiverem ocorrido por volta das 38 semanas de gravidez, o seu médico obstetra deverá recomendar a indução do trabalho de parto ou o parto cirúrgico para evitar a macrossomia.

O bebé pode igualmente ser afectado por complicações imediatamente depois do nascimento. Antes do parto, o pâncreas do feto habitua-se a produzir uma grande quantidade de insulina por dia para ajudar a controlar a exposição a níveis elevados de glicose no sangue. Depois do parto, o pâncreas do feto demora algum tempo a ajustar-se. Se o bebé produzir uma quantidade excessiva de insulina durante as primeiras horas depois do parto, podem ocorrer temporariamente níveis baixos de açúcar (hipoglicemia). Se a mãe tiver diabetes gestacional, a glicose no sangue do bebé deve ser avaliada depois do nascimento. Se necessário, pode ser administrada glicose endovenosa ao bebé. Podem igualmente ocorrer temporariamente outros desequilíbrios químicos, pelo que o cálcio e o hemograma do bebé também devem ser monitorizados.

Quando contactar o seu médico

Todas as grávidas devem receber cuidados pré-natais e consultar regularmente um médico qualificado. A maior parte das mulheres deve realizar uma prova de tolerância à glicose oral entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez e as mulheres com um risco elevado de diabetes devem ser testadas mais precocemente.

Prognóstico

Na maior parte das vezes, a diabetes gestacional constitui um problema de curta duração. Em mais de três quartos das mulheres que desenvolvem diabetes gestacional, os níveis de glicose no sangue regressam ao normal quando a gravidez chega ao fim. No entanto, o pâncreas demonstrou que está a funcionar sem grande reserva, pelo que, as mulheres que tiveram diabetes gestacional apresentam um risco aumentado de desenvolverem diabetes tipo 2 numa fase mais tardia da vida e devem ser submetidas a uma avaliação regular da glicémia mesmo depois de a gravidez ter terminado.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Diabetologia

http://www.spd.pt/index.php

Associação Protectora dos Diabéticos Portugueses

http://www.apdp.pt/default.asp

Associação Portuguesa dos Nutricionistas

http://www.apn.org.pt/scid/webapn/

Sociedade Brasileira de Diabetes

http://www.diabetes.org.br/

Diabetes no Reino Unido

http://www.diabetes.org.uk/

Associação Americana de Diabetes

http://www.diabetes.org/

Federação Internacional de Diabetes

http://www.idf.org/

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2 Respostas to “Diabetes Gestacional”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Excelente tema de revisão, muito bem elaborado e excelente do ponto de vista científico.
    Esclarecedor, objectivo, muito boa descrição.
    Obrigado, parabéns aos autores e ao Programa Harvard Portugal.
    Jorge Neves


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