O que é a Arterite de Takayasu?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Leia aqui o artigo:

O que é?

A arterite de Takayasu, igualmente conhecida por aortite de Takayasu, doença sem pulso e síndrome do arco aórtico, é uma doença inflamatória crónica das artérias. O seu nome deriva do médico que a descobriu em 1905, o Dr. Mikito Takayasu.

Na maior parte dos casos, a arterite de Takayasu afecta a aorta e os seus ramos principais, incluindo as artérias do cérebro, dos braços e dos rins. A aorta é a artéria principal do corpo, permitindo que o sangue rico em oxigénio bombeado pelo coração alcance o resto do organismo. Menos frequentemente, a artéria pulmonar e as artérias coronárias (artérias do coração) encontram-se igualmente envolvidas. Esta doença causa lesões nos órgãos principais do corpo, pulsos reduzidos ou ausentes nos braços e nas pernas e sintomas de má circulação, tais como a diminuição da temperatura num braço ou numa perna, dores musculares com o exercício ou o esforço ou sintomas de acidente vascular cerebral (AVC) se as artérias cerebrais estiverem estreitadas ou obstruídas. Esta doença pode ser fatal.

Ao longo do tempo, a arterite de Takayasu pode levar à formação de cicatrizes, estreitamentos e dilatações anormais nos vasos sanguíneos envolvidos.

Embora a causa da arterite de Takayasu seja desconhecida, esta pode ser uma doença auto-imune, o que significa que as defesas imunitárias atacam as próprias células do organismo em vez de as protegerem dos invasores externos.

Na Ásia, a arterite de Takayasu é uma causa importante de pressão arterial elevada nos adolescentes e nos adultos jovens. No entanto, na Europa e na América do Norte, a arterite de Takayasu é uma doença muito rara que afecta apenas 2 a 3 pessoas por milhão em cada ano, sendo 8 vezes mais comum nas mulheres do que nos homens. Embora 75% das pessoas comecem a apresentar sintomas durante a adolescência, a média etária em que a situação é diagnosticada é geralmente muito mais tardia, por volta dos 29 anos. Isto deve-se ao facto de os sintomas da arterite de Takayasu serem frequentemente inespecíficos e comuns (exemplo: fadiga). Até 96% das pessoas não são diagnosticadas até apresentarem, mais tarde, sintomas mais específicos.

Diagnóstico

Uma vez que a arterite de Takayasu é muito rara e atendendo a que os sintomas precoces são inespecíficos, um médico pode não suspeitar desta doença até que se desenvolvam sintomas devido ao estreitamento das artérias. Isto pode acontecer meses, ou mesmo anos, após o início da doença.


Os indícios mais precoces de que um doente pode ter uma arterite de Takayasu podem incluir uma pressão arterial elevada sem outra causa explicativa, dificuldade em medir a pressão arterial num dos lados, uma diferença na leitura da pressão arterial entre os dois braços ou sintomas de má circulação. Estes achados são pouco habituais numa pessoa jovem.


O médico pode suspeitar de que um doente sofre de uma arterite de Takayasu se apresentar três dos 6 critérios desenvolvidos pelo American College of Rheumatology para distinguir esta entidade de outras formas de vasculite:

  • Sintomas com início antes dos 40 anos de idade
  • Fraqueza muscular e dor quando o doente move os braços ou as pernas
  • Um pulso fraco na artéria braquial (artéria principal do braço)
  • Um som denominado sopro, que indica um fluxo de sangue turbulento, quando o médico ausculta a aorta ou uma artéria subclávia com o estetoscópio
  • Sinais de lesão da aorta ou de outras artérias num exame chamado angiografia, que consiste numa série de radiografias das artérias
  • Uma diferença de, pelo menos, 10 mmHg (milímetros de mercúrio) na pressão arterial sistólica (o primeiro número na leitura da pressão arterial) entre o braço direito e o esquerdo

Para confirmar o diagnóstico, o médico irá rever os sintomas e a história clínica e irá examinar o doente, prestando especial atenção ao coração e aos vasos sanguíneos. Irá medir a pressão arterial nos braços e nas pernas e irá avaliar a intensidade dos pulsos nos membros e no pescoço. Para verificar se existem sopros em vasos estreitados, o médico irá utilizar um estetoscópio para auscultar áreas específicas do tórax, do pescoço e do abdómen.


Depois do exame físico, podem ser pedidas análises de sangue. Além disso, para identificar áreas onde as artérias podem estar danificadas, o doente pode ter de realizar um ou mais dos seguintes estudos: angiografia, angiografia por ressonância magnética, ecografia com Doppler, ressonância magnética ou tomografia computorizada (TAC).

Duração esperada

A duração da arterite de Takayasu pode variar. Em muitos casos, a doença activa dura anos, causando uma inflamação continuada e uma lesão persistente dos vasos sanguíneos. Se os sintomas desaparecerem, quer espontaneamente quer depois do tratamento, podem regressar mais tarde. A lesão das artérias pode ser permanente e, mesmo quando a arterite de Takayasu propriamente dita já não se encontra activa, as artérias estreitadas podem continuar a perturbar o fluxo de sangue para os órgãos.

Prevenção

Não existe forma de prevenir a arterite de Takayasu.

Tratamento

Os médicos geralmente iniciam o tratamento da arterite de Takayasu com glucocorticóides, como a prednisona. Se estes medicamentos isolados não resultarem, podem ser associados medicamentos imunossupressores mais fortes, incluindo o metotrexato, a azatioprina, o micofenolato, a leflunomida ou a ciclofosfamida. Estudos recentes sugerem que o adalimumab injectável, o etanercept ou o infliximab podem ser úteis para controlar a inflamação vascular da arterite de Takayasu quando os outros medicamentos falham. Podem igualmente ser necessários medicamentos para controlar uma pressão arterial elevada.


Se a arterite de Takayasu tiver causado um estreitamento significativo de uma artéria, o segmento estreitado pode necessitar de ser alargado ou reparado. Dependendo da artéria afectada, isso pode ser realizado de três formas:

  • Cirurgia tradicional (a céu aberto)
  • Angioplastia transluminal percutânea com balão, na qual um pequeno balão é inserido no vaso sanguíneo e, em seguida, insuflado para proporcionar a sua dilatação
  • Colocação percutânea de um stent, na qual um pequeno dispositivo de rede é colocado na artéria para manter o vaso sanguíneo aberto

Os segmentos inflamados das artérias podem ficar enfraquecidos, levando à formação de um aneurisma (dilatação do vaso). Estas dilatações podem aumentar ao longo do tempo e romper, um evento potencialmente fatal; deste modo, podem ser recomendados alguns exames para avaliar a presença de aneurismas (incluindo a angiografia por ressonância magnética) nas pessoas com uma arterite de Takayasu e, se um aneurisma for de grandes dimensões ou estiver a aumentar de tamanho, pode ser recomendada a sua reparação cirúrgica.

Quando contactar um médico

Contacte o seu médico se desenvolver dor intensa, diminuição da temperatura ou uma coloração azulada num braço ou numa perna, dor no peito ou sintomas de acidente vascular cerebral.

Prognóstico

Os sintomas geralmente desaparecem em aproximadamente 60% das pessoas com arterite de Takayasu tratadas apenas com glucocorticóides. No entanto, os sintomas recorrem em aproximadamente metade destes doentes. As pessoas nas quais os sintomas recidivam são tratadas com uma combinação de glucocorticóides e outros medicamentos imunossupressores, verificando-se que, em 40 a 80% dos casos, os sintomas desaparecem novamente. No entanto, é comum que eles voltem a aparecer mais tarde. Habitualmente, cerca de 80 a 90% das pessoas com uma arterite de Takayasu respondem a alguma forma de terapêutica médica.

De um modo geral, aproximadamente 85% das pessoas sobrevivem durante pelo menos 15 anos após o diagnóstico. Este número desce para 70% nos indivíduos com uma pressão arterial muito elevada ou com uma lesão significativa da aorta.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Cardiologia

http://www.spc.pt

Campo Grande 28, 13º   1700-093 Lisboa

Telefones: 217978605, 217817630

Fax: 217931095

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt

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