O que é a Doença de Parkinson?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª. Ana Correia

Validação Científica:

Prof. Mario Miguel Rosa

Leia aqui o artigo:

O que é?

A doença de Parkinson é uma doença do sistema nervoso central que provoca distúrbios dos movimentos do corpo, incluindo:
  • tremores
  • rigidez muscular (aumento da contracção dos músculos)
  • movimentos corporais lentos
  • postura instável
  • dificuldade na marcha
A doença de Parkinson desenvolve-se quando determinadas células nervosas (neurónios) cerebrais morrem. Estes neurónios produzem uma substância química denominada dopamina que ajuda a transmitir as mensagens entre áreas do cérebro que controlam os movimentos corporais. Quando estes neurónios morrem, são produzidos níveis anormalmente baixos de dopamina, o que dificulta o controlo da tensão muscular e dos movimentos.
A doença de Parkinson pode manifestar-se a partir dos 40 anos, sendo mais frequente depois dos 60 anos. Um pequeno número de doentes apresenta uma doença de Parkinson de início precoce, que se caracteriza por aparecimento dos sintomas antes dos 40 anos de idade. Esta doença pode afectar mais de 12.000 doentes em Portugal e é mais frequente no sexo masculino.

Ter um familiar directo a quem foi diagnosticada a doença de Parkinson numa idade precoce aumenta o risco de vir a sofrer desta doença. O risco é menor se o familiar afectado for mais idoso aquando do diagnóstico.

Diagnóstico

O médico irá examinar o doente e irá prestar particular atenção ao exame neurológico, que pode revelar sinais de doença de Parkinson, especialmente:

  • o tremor clássico da doença
  • lentidão de movimentos
  • rigidez
  • problemas da marcha
Não existe nenhuma análise ou exame específico para o diagnóstico da doença de Parkinson. Os médicos diagnosticam a doença com base nas manifestações clínicas e nos exames físico e neurológico. Em alguns casos, o médico pode solicitar um exame funcional de medicina nuclear (Datscan).

Se as manifestações do doente melhorarem com a medicação para a doença de Parkinson, o diagnóstico está provavelmente correcto.

Evolução clínica
A doença de Parkinson é uma doença crónica, geralmente progressiva.

Prevenção
 Ainda há muito por descobrir sobre a causa da doença de Parkinson e não existe uma forma conhecida para prevenir esta doença.

Tratamento
Não existe cura para a doença de Parkinson mas as suas manifestações clínicas podem ser tratadas com diversos tipos de medicamentos.
Quando as manifestações não são muito perturbadoras, pode não ser necessária medicação. O tratamento precoce pode aumentar a probabilidade de surgirem efeitos secundários e outras complicações tardias da medicação mas por outro lado, sabe-se que alguns doentes tratados precocemente têm melhor desempenho mais tarde.

O tratamento geralmente é iniciado quando:
  • as manifestações interferem com a actividade profissional, a realização das tarefas domésticas e outras actividades
  • a dificuldade na marcha e a perda de equilíbrio são significativas.
Medicamentos
Os medicamentos utilizados para tratar a doença de Parkinson:
  • aumentam os níveis de dopamina no cérebro
ou
  • imitam os efeitos da dopamina.
O medicamento mais eficaz para a doença de Parkinson é a levodopa, que é convertida em dopamina no cérebro. De um modo geral, a levodopa é prescrita em combinação com outro medicamento que aumenta a quantidade de levedopa que alcança o cérebro e diminui os efeitos secundários da levodopa: carbidopa ou benzerazida. Existem combinações de levodopa+carbidopa e levodopa+benserazida num único comprimido.

Praticamente todos os indivíduos com doença de Parkinson melhoram depois de começarem a tomar levodopa. No entanto, a utilização a longo prazo pode acabar por ter efeitos secundários e complicações, nomeadamente perder a eficácia e provocar movimentos involuntários que podem ser incapacitantes e dolorosos (discinésias). Frequentemente, os médicos precisam de ajustar a frequência e a dose de levodopa para que o doente possa continuar a tomar este medicamento.

Podem ser utilizados diversos medicamentos de forma isolada ou em combinação com a levodopa para tratar as manifestações da doença.

Para as manifestações ligeiras da doença de Parkinson, a amantadina pode ser útil ao bloquear receptores do glutamato, que é um neurotransmissor que pode contribuir para a disfunção motora que ocorre nesta doença.

Os medicamentos anticolinérgicos (tri-hexifenidilo e o biperideno) também ajudam a aliviar as manifestações ligeiras da doença de Parkinson em fase inicial. Os medicamentos anticolinérgicos são particularmente eficazes contra o tremor mas podem causar efeitos secundários, incluindo confusão mental e alucinações, especialmente nos doentes idosos.

Outra opção de tratamento para a doença de Parkinson em fase inicial é um inibidor da monoaminoxidase B (MAO-B), como a selegilina ou a rasagilina. Os inibidores da MAO-B potenciam a eficácia da dopamina que ainda é produzida pelo cérebro e podem adiar a necessidade de administrar medicamentos mais potentes. Por fim, as pessoas medicadas com um inibidor da MAO-B irão acabar por necessitar de um medicamento contendo levodopa.

Os medicamentos denominados inibidores da catecol-O-metiltransferase (COMT) podem ser utilizados em combinação com a levodopa. Os inibidores da COMT, como a entacapona, prolongam a acção da dopamina no cérebro e aumentam igualmente a eficácia da levodopa. Quando é associado um inibidor da COMT, o médico geralmente reduz a dose de levodopa.

Os agonistas da dopamina estimulam os receptores da dopamina, aumentando a sua capacidade de captarem este neurotransmissor. Alguns dos agonistas da dopamina comummente prescritos são a bromocriptina, o ropinirol, o piribedil, o pramipexol e a di-hidroergocriptina ? podendo ser utilizados isoladamente para adiar a necessidade de administrar levodopa ou podem ser administrados concomitantemente com a levodopa para aumentar a sua eficácia e reduzir a sua dose. Os doentes idosos são particularmente sensíveis a estes medicamentos, que podem causar confusão mental, alucinações e fraqueza devido a uma diminuição da pressão arterial.

A depressão constitui um problema comum na doença de Parkinson, podendo muitos doentes beneficiar de um tratamento com medicamentos antidepressivos.

O exercício físico regular e uma dieta equilibrada podem ajudar a melhorar a sensação global de bem-estar e de controlo corporal do doente.

Cirurgia 
A cirurgia é considerada quando os doentes deixam de responder bem aos medicamentos. As opções cirúrgicas incluem:
  • estimulação cerebral profunda, sendo colocados eléctrodos (uma espécie de pacemaker) nos núcleos basais do cérebro (onde se encontra a origem da Doença de Parkinson). É possível activar o sistema de acordo com as manifestações do doente. Se a cirurgia não funcionar e se não melhorar as queixas, é possível retirar os eléctrodos.
  • destruição precisa de determinada área dos núcleos basais do cérebro: o núcleo pálido (palidotomia) ou o tálamo (talamotomia). Permite geralmente diminuir a disfunção motora.
Quando contactar um médico
Contacte o médico se:
  • notar um tremor ou rigidez persistentes em qualquer zona do corpo
  • tiver dificuldades na marcha
  • tiver dificuldade em levantar-se de uma cadeira
  • tiver sintomas de depressão
Prognóstico
Não existe cura para a doença de Parkinson mas um plano de tratamento bem estruturado permite a muitos doentes terem uma vida activa.

Informação adicional
Sociedade Portuguesa de Neurologia

Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson

Alto Comissariado da Saúde
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Uma resposta to “O que é a Doença de Parkinson?”

  1. O que é a doença de Parkinson? « Programa Harvard Medical School – Portugal Says:

    […] ainda o artigo aqui: O que é a Doença de Parkinson? Share this:TwitterFacebookGostar disto:GostoBe the first to like this post. Na categoria Doenças, […]


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