O que é o Cancro da Mama?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Prof. Luis Costa

Faça o Quiz aqui: Questionário sobre Cancro da Mama

O que é?

O cancro da mama consiste no crescimento descontrolado de células anormais que podem desenvolver-se numa ou em diversas áreas da mama, incluindo:
  • os canais que transportam o leite para o mamilo (canais galactóforos)
  • pequenas bolsas que produzem leite (lóbulos)
  • tecido não glandular.
O cancro da mama é considerado invasivo quando as células cancerosas invadiram a membrana no limite do revestimento dos canais ou os lóbulos. Isto implica que as células cancerosas podem ser encontradas nos tecidos circundantes, tais como o tecido adiposo ou da pele. O cancro da mama não invasivo (in situ) ocorre quando as células cancerosas se encontram no interior dos canais mas não se disseminaram para os tecidos circundantes.
As principais formas de cancro da mama invasivo são:
  • Carcinoma ductal invasivo – Este tipo de cancro da mama representa cerca de três quartos dos casos e desenvolve-se nos canais galactóforos, também chamados de ductos, podendo ultrapassar a sua parede e invadir o tecido adiposo da mama. A partir daí, este cancro pode disseminar-se (metastizar) para outras partes do corpo através da circulação sanguínea ou do sistema linfático.
  • Carcinoma lobular invasivo – Este tipo de cancro da mama corresponde a aproximadamente 15% dos casos. Origina-se nos lóbulos da mama onde o leite é produzido e pode disseminar-se para o tecido adiposo da mama ou para outras partes do corpo.
  • Carcinomas medulares, mucinosos e tubulares – Estes tumores malignos podem ter um crescimento lento e correspondem a cerca de 8% dos casos de cancro da mama.
  • Doença de Paget – Esta forma rara de cancro da mama tem origem nos canais galactóforos do mamilo e pode disseminar-se para o círculo escuro que rodeia o mamilo (aréola). As mulheres com uma doença de Paget referem geralmente uma história de crostas, descamação, prurido ou inflamação ao nível do mamilo.
  • Carcinoma inflamatório – Esta é outra forma, menos frequente, de cancro da mama, que se pode assemelhar a uma infecção, atendendo a que geralmente não existe qualquer massa ou tumor. A pele apresenta-se vermelha, quente e observam-se pequenas depressões com o aspecto de casca de laranja. Uma vez que este tumor se dissemina rapidamente, o carcinoma inflamatório é uma forma agressiva e difícil de tratar entre todos os tipos de cancros da mama.
Uma vez que actualmente um maior número cada vez maior de mulheres realiza mamografias de uma forma regular, estão a ser detectadas muitas doenças não invasivas ou pré-cancerosas que ainda não se transformaram em cancro. Estas situações incluem:
  • Carcinoma ductal in situ – Este tumor ocorre quando as células cancerosas preenchem os canais mas não se disseminaram através das suas paredes para o tecido adiposo. Quase todas as mulheres em que o diagnóstico é efectuado neste estádio inicial podem ser curadas. Sem tratamento, cerca de 25% dos casos de carcinoma ductal in situ irão conduzir a um cancro da mama invasivo no período de 10 anos.
  • Carcinoma lobular in situ (CLIS) – Este tumor é menos grave que o carcinoma ductal in situ, desenvolvendo-se nos lóbulos da mama responsáveis pela produção de leite. O carcinoma lobular in situ não requer tratamento, mas aumenta o risco da mulher vir a desenvolver cancro noutras áreas de ambas as mamas.
O risco de uma mulher desenvolver cancro da mama aumenta com a idade; mais de três em cada quatro casos de cancro da mama ocorrem em mulheres com mais de 50 anos. Outros factores de risco para esta doença incluem:
  • já ter tido esta doença ou outras anomalias do tecido mamário
  • ter familiares próximos, como a mãe, uma irmã ou uma avó, que tiveram esta doença
  • ter sido submetida a radioterapia ao tórax devido a outro cancro, por exemplo, uma doença de Hodgkin
  • aumento da exposição aos estrogénios (hormonas femininas) ? como por exemplo, ter o primeiro período menstrual antes dos 13 anos, entrar na menopausa depois dos 51 anos ou utilizar terapêutica hormonal de substituição durante mais de 5 anos
  • nunca ter estado grávida ou ter uma primeira gravidez depois dos 30 anos
  • ter excesso de peso, especialmente depois da menopausa
  • beber álcool (o risco de cancro duplica quando a mulher consome três ou mais bebidas por dia)
  • ter um estilo de vida sedentário, praticando pouco exercício físico regular
  • ser de ascendência judaica do Centro e Leste da Europa (Ashkenazi).
  • ser portador/a de alterações em genes que estão associados ao maior risco para desenvolvimento de cancro da mama (entre outros cancros).
Embora o cancro da mama seja cerca de 100 vezes mais comum nas mulheres do que nos homens, estes também podem desenvolver esta doença.

Sinais e sintomas
Os sinais e sintomas de cancro da mama incluem:
  • uma massa ou empastamento na mama ou na axila
  • um corrimento translúcido ou sanguinolento pelo mamilo
  • crostas ou descamação no mamilo
  • um mamilo que já não faz protusão (invertido)
  • vermelhidão ou edema da mama
  • pequenas depressões na pele da mama que se assemelham à textura da casca de laranja
  • uma alteração nos contornos da mama como, por exemplo, uma apresentar-se mais elevada do que a outra
  • uma ferida ou úlcera na pele da mama que não cicatriza.
Diagnóstico
O primeiro passo necessário para o diagnóstico de cancro da mama é a avaliação da presença de factores de risco para este tipo de cancro, especialmente se esta doença afectou outras pessoas da sua família. O médico deverá subsequentemente examinar as mamas, procurando identificar sinais e sintomas de cancro da mama, incluindo a presença de uma massa ou empastamento, corrimento ou inversão do mamilo, edema ou alterações no contorno da mama, vermelhidão ou pequenas depressões na pele e aumento dos gânglios linfáticos ao nível da axila.

Se o médico descobrir uma massa ou se a mamografia de rastreio detectar uma área com tecido mamário anormal, o médico irá recomendar a realização de exames adicionais que permitem diagnosticar um eventual cancro da mama. 

Se a doente ainda não tiver realizado uma mamografia, esse pode ser o passo seguinte. Mas, noutros casos, a etapa seguinte consiste na realização de uma ecografia ou de uma ressonância magnética nuclear (RMN).
A ecografia pode confirmar se a massa é um tumor sólido ou um quisto, podendo este exame ser igualmente utilizado para avaliar áreas anormais observadas na mamografia. Embora não seja realizada por rotina, a RMN é utilizada para avaliar anomalias encontradas numa mamografia, para obter uma estimativa mais precisa das dimensões de um cancro e para verificar melhor se existem outros cancros na mama restante. A RMN pode também ser utilizada para rastreio nas mulheres com elevado risco de cancro da mama.

Se a massa for sólida, o médico irá provavelmente recomendar a realização de uma biópsia mamária. Durante este exame, é removida uma pequena quantidade de tecido mamário que é subsequentemente analisado num laboratório. Por vezes, poderá ser recomendada a realização de uma biópsia sem que seja necessária uma ecografia ou uma RMN prévia.
A biópsia mamária pode ser realizada de diversas formas, incluindo:
  • aspiração por meio de uma agulha fina para obter fragmentos de tecido do tumor
  • biópsia com uma agulha de grande calibre, que permite obter fragmentos de tecido de maiores dimensões
  • biópsia estereotáxica com agulha – um tipo de biópsia em que é empregue uma agulha com um lúmen grande e que utiliza equipamento imagiológico especial para identificar o tecido a ser removido
  • biópsia cirúrgica, que envolve a remoção da totalidade ou de parte da massa mamária, durante uma intervenção cirúrgica.
O tipo de biópsia que será escolhida vai depender da localização da massa, do seu tamanho e de outros factores.
 Um especialista, denominado anatomo-patologista, irá examinar o tecido ao microscópio para determinar se este contém células cancerosas. Se assim for, o médico anatomopatologista pode determinar o tipo de cancro da mama (ductal, lobular, etc.), podendo igualmente atribuir um grau de diferenciação ao cancro. Este grau indica até que ponto as células cancerosas se assemelham às células normais. Um grau mais baixo significa que o cancro apresenta um crescimento lento e tem uma menor probabilidade de se disseminar, enquanto um grau mais elevado significa que o cancro é agressivo e com uma probabilidade elevada de se disseminar. O grau do tumor é dos factores que são considerados para planeamento do tratamento.

Dependendo do tipo de biópsia e do facto dos gânglios linfáticos próximos terem sido ou não biopsados, o relatório da biópsia pode incluir informações adicionais, podendo, por exemplo, pode indicar até que ponto o cancro se disseminou para os gânglios linfáticos.

Outro passo importante consiste em determinar se as células cancerosas são positivas no que respeita à presença de receptores hormonais para os estrogénios e para a progesterona. Os receptores permitem que substâncias específicas, tais como as hormonas, actuem nas células. As células mamárias normais apresentam receptores tanto para os estrogénios como para a progesterona, enquanto as células cancerosas podem não ter nenhum destes tipos de receptores, ter apenas um ou ambos. As mulheres que têm cancros positivos para os receptores hormonais apresentam geralmente um melhor prognóstico devido ao facto de estes cancros terem uma maior probabilidade de resposta à terapêutica hormonal.

A amostra obtida através da biópsia deve igualmente ser testada para detectar a presença de uma proteína promotora do crescimento denominada HER2. Estes cancros, denominados HER2-positivos, tendem a crescer e a disseminar-se rapidamente.

Este tipo de informação ajuda a orientar as decisões de tratamento. Por exemplo, as mulheres com cancros HER2-positivos têm probabilidade de beneficiar com medicamentos que têm por alvo a proteína HER-2.
Pode ser necessário realizar exames adicionais para determinar se o cancro se disseminou para outros órgãos à distância, incluindo:
  • cintigrafia óssea
  • radiografia de Tórax
  • ecografia abdominal
  • tomografia computorizada (TAC)
  • tomografias por emissão de positrões (PET), que permite identificar a presença de tecido metabolicamente activo. Este exame é mais útil para procurar identificar um cancro que se disseminou para outras partes do corpo, e só é utilizado em situações especiais.
Prevenção
Embora não existam garantias, podem ser tomadas algumas medidas para ajudar a prevenir o cancro da mama, como por exemplo:
  • manter um peso saudável.
  • praticar exercício físico regularmente.
  • limitar o consumo de álcool (os especialistas recomendam não consumir mais do que um copo de 20 cl de vinho por dia, ou equivalente, se for mulher e não exceder os dois copos por dia se for homem). Se uma mulher beber álcool, pode diminuir o seu risco de desenvolver um cancro da mama se tomar um suplemento de ácido fólico.
  • fazer um exame mamário com intervalos de três anos antes dos 40 anos de idade e anualmente depois.
  • realizar uma mamografia anualmente a partir dos 40 anos (alguns especialistas acreditam que as mamografias deve ser iniciadas aos 50 anos. Pergunte ao seu médico qual a melhor opção para si). As mamografias podem detectar um cancro da mama dois a cinco anos antes do tumor ficar suficientemente grande para ser palpado.
Algumas mulheres herdam mutações dos genes associados ao cancro da mama ? BRCA1 e BRCA2. Estas mutações genéticas conferem-lhes um risco muito elevado de desenvolvimento de cancro da mama e do ovário. Estas mulheres requerem um rastreio mais frequente, geralmente através de uma RMN, e algumas delas optam pela remoção total das mamas e dos ovários, o que constitui a melhor forma de prevenir o cancro da mama e do ovário. Estas situações devem ser detectadas e acompanhadas em consultas multidisciplinares com experiência nesta patologia.

Tratamento
O tratamento do cancro da mama começa geralmente com uma decisão sobre o tipo de cirurgia a realizar. A mastectomia total consiste na remoção da totalidade da mama, mas pode ser realizada apenas a ressecção do tumor canceroso e de uma pequena quantidade de tecido saudável circundante.

Depois da cirurgia, o médico pode recomendar a realização de radioterapia, quimioterapia, terapêutica hormonal, uma terapêutica dirigida por exemplo com anticorpos, ou de uma combinação de várias terapêuticas. Os tratamentos adicionais diminuem o risco do cancro recidivar ou de se disseminar.

A radioterapia é geralmente recomendada depois da remoção do tumor para destruir quaisquer células cancerosas remanescentes e para prevenir a recorrência locoregional do cancro. Nos casos em que não se opta pela mastectomia está indicada a realização de radioterapia. Sem radioterapia, a probabilidade do cancro recidivar a nível locoregional (na mama que resta por exemplo) é de cerca de 20%. Existem outras situações em que também está recomendada a utilização de radioterapia.

Após a cirurgia também pode estar indicada a utilização de terapêutica médica (quimioterapia, hormonoterapia, ou terapêutica dirigida tendo como alvo o HER2), dependento das características do cancro que foi operado e estudado pelo anatomo-patologista. Esta terapêutica tem períodos de tempo variáveis (por exemplo a hormonoterapia pode durar 5 anos ou mais) e designa-se por terapêutica adjuvante. Tem como principal objectivo aumentar a probabilidade de cura, ao procurar eleminar células tumorais disseminadas e não detectáveis nos exames de imagem (TAC, cintigrafia óssea, etc).

A necessidade de quimioterapia depende também do grau de disseminação do cancro. Em alguns casos, a quimioterapia é recomendada antes da cirurgia para reduzir as dimensões do tumor para que este possa ser removido mais facilmente. A quimioterapia é também frequentemente necessária nos casos em que o cancro recidiva em outros órgãos.

A terapêutica hormonal é geralmente recomendada se o cancro for positivo para os receptores de estrogénios. O medicamento mais frequentemente utilizado nestes casos é o tamoxifeno, que bloqueia a ligação dos estrogénios às células do cancro da mama que apresentam receptores para estas hormonas (os estrogénios podem estimular o crescimento das células cancerosas). Este tratamento pode reduzir a probabilidade do cancro recidivar em até 30%.

Os inibidores da aromatase constituem outra forma de terapêutica hormonal. Estes medicamentos diminuem a quantidade de estrogénios no corpo ao bloquearem a sua produção em todos os outros tecidos com excepção dos ovários. Os inibidores da aromatase são úteis principalmente nas mulheres pós-menopáusicas, uma vez que os ovários deixam de produzir estrogénios depois da menopausa.

Os medicamentos que visam alterações genéticas específicas para combaterem as células cancerosas são denominados terapêuticas dirigidas. Por exemplo, se o cancro da mama for HER2-positivo, o médico pode prescrever trastuzumab. 

Este medicamento constitui uma versão produzida artificialmente de uma proteína do sistema imunitário que se fixa ao receptor HER2, reduzindo a velocidade de crescimento do cancro e podendo igualmente estimular o sistema imunitário no sentido de desencadear uma resposta mais intensa.

O tratamento do carcinoma ductal in situ consiste, de um modo geral, na ressecção do tumor, habitualmente seguida pela realização de radioterapia (em algumas mulheres, pode ser eficaz a realização da ressecção tumoral sem radioterapia). No entanto pode ser recomendada uma mastectomia se, por exemplo, o carcinoma ductal in situ ocorrer em mais do que uma localização ou se as células tumorais parecerem especialmente preocupantes na biópsia. Os gânglios linfáticos podem igualmente ser removidos quando da realização da mastectomia.

O carcinoma lobular in situ não conduz ao cancro, pelo que não é necessário tratamento. No entanto, as mulheres com esta alteração apresentam uma maior probabilidade de desenvolverem cancro noutras áreas das mamas, pelo que devem ser submetidas a mamografias e a exames mamários regulares. Para diminuir o risco de cancro da mama, algumas mulheres utilizam terapêutica hormonal, como o tamoxifeno.

Com base nos marcadores genéticos, o médico pode escolher os medicamentos que apresentam uma melhor probabilidade de combaterem eficazmente o cancro, podendo igualmente procurar identificar a presença de marcadores moleculares para determinar a probabilidade do cancro da mama se disseminar para outra localização.

Quando contactar o seu médico
Contacte o seu médico se notar o aparecimento de uma massa, um empastamento anormal na mama ou se notar:
  • a inversão recente de um mamilo
  • a presença de gotejamento de líquido por um mamilo
  • edema ou alteração do contorno de uma das mamas
  • vermelhidão ou aparecimento de pequenas depressões na pele da mama.
Prognóstico
O diagnóstico precoce melhora significativamente o prognóstico nas mulheres com cancro da mama. Se o tumor for de pequenas dimensões, de baixo grau e se encontrar confinado à mama, mais de 90% das mulheres sobrevivem cinco anos ou mais. No entanto, se a doença se disseminar para outras zonas do corpo antes do diagnóstico, a taxa desce para menos de 20%.
Um diagnóstico de cancro numa das mamas confere um risco mais elevado de desenvolvimento de cancro na outra mama. Isto é verdadeiro mesmo que a mulher ainda esteja a ser tratada com um bloqueador dos estrogénios. A doente deve certificar-se de que é submetida regularmente a avaliações clínicas e a mamografias.

Informação adicional
Institutos de Oncologia em Portugal

Alto Comissariado da Saúde – Coordenação Nacional para as Doenças Oncológicas

Liga Portuguesa Contra o Cancro

Sociedade Portuguesa de Senologia

Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com cancro da Mama

Associação Laço

Instituto Nacional de Câncer (Brasil)

Sociedade Brasileira de Mastologia

Sociedade Europeia de Oncologia Médica

Coligação Europeia para o Cancro da Mama (EUROPA DONNA)

Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO)

Associação Breastcancer.org (Estados Unidos da América)
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