Trombose venosa profunda e Embolismo Pulmonar

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª. Ana Correia

Validação Científica:

Dr. João Carlos Winck

O que é?

A trombose venosa profunda é a formação de um coágulo de sangue (trombo) no interior das veias profundas das pernas ou da região pélvica. O coágulo de sangue bloqueia o fluxo de sangue e faz com que a pressão aumente dentro da veia. Parte do coágulo pode libertar-se e mover-se através da circulação sanguínea até aos pulmões, o que é denominado embolia pulmonar.

A trombose venosa profunda constitui um problema comum. A maior parte destes coágulos ocorrem quando o fluxo de sangue nas veias das pernas se torna mais lento, geralmente como consequência da imobilidade.

Habitualmente, quando a pessoa anda a pé, os músculos das pernas comprimem as suas veias e ajudam o sangue a fluir para o coração. Após um período de inactividade de muitas horas, o fluxo de sangue nas veias das pernas pode tornar-se tão lento que conduz à formação de coágulos. Os períodos prolongados de inactividade podem ocorrer, por exemplo, durante uma viagem de avião longa ou num período de convalescença de uma intervenção cirúrgica ou de um acidente vascular cerebral.

Determinadas pessoas têm uma maior probabilidade de formarem coágulos de sangue, entre as quais se incluem:

  • pessoas com algumas doenças, incluindo cancro e anomalias hereditárias do sistema de coagulação do sangue
  • pessoas medicadas com determinados fármacos, tais como contraceptivos orais e terapêutica hormonal de substituição
  • grávidas
  • pessoas com excesso de peso
  • pessoas com insuficiência cardíaca.

Qualquer pessoa que apresente uma trombose venosa profunda está em risco de desenvolver uma embolia pulmonar.

A embolia pulmonar pode conduzir a uma diminuição súbita e, por vezes, dramática do fluxo de sangue nos pulmões. A diminuição do fluxo de sangue pode reduzir a quantidade de sangue que chega ao coração e ao resto do corpo. Isto pode provocar uma descida na pressão arterial e conduzir a perdas de consciência (desmaio) ou mesmo à morte súbita.

O fluxo de sangue diminui, em parte, devido à obstrução condicionada pelo coágulo. Além disso, a obstrução lesa as paredes dos vasos sanguíneos do pulmão. Esta lesão, por sua vez, conduz à libertação de substâncias químicas que fazem com que os vasos sanguíneos se tornem mais estreitos.

Manifestações clínicas

Alguns coágulos de sangue nas veias das pernas não causam nenhuns sintomas. No entanto, quando os coágulos de sangue envolvem veias de maior calibre, geralmente provocam alterações nas pernas que incluem:

  • vermelhidão
  • aumento da temperatura
  • dor
  • inchaço (edema)
  • uma sensação de peso na perna, particularmente quando a pessoa está de pé

A presença de edema de causa vascular pode ser verificada pressionando a parte inferior da perna com um dedo. Se a pessoa tiver edema, a pressão exercida pelo dedo irá criar uma pequena depressão que se mantém durante vários segundos.

Uma embolia pulmonar pode não causar nenhuns sintomas, mas pode também provocar sintomas graves e colocar a vida em perigo. Os sintomas tendem a ser mais graves quando o coágulo de sangue é de grandes dimensões, incluindo falta de ar súbita e dor no peito. A dor tende a ser semelhante a uma facada e agrava-se frequentemente quando a pessoa respira profundamente. Também pode ocorrer tosse acompanhada por expectoração com sangue.

Se a embolia pulmonar for muito grave, os sintomas podem ser mais dramáticos, podendo incluir perda da consciência (desmaio) e falta de ar intensa. Uma embolia pulmonar maciça pode causar morte súbita.

Diagnóstico

Para diagnosticar uma trombose venosa profunda, o médico irá interrogar o doente sobre os seus sintomas e factores de risco e, posteriormente, irá examinar as pernas e verificar se existe edema e dor à palpação.

Com base nos achados, o médico pode pedir um ecodoppler dos membros inferiores (exame não invasivo) para procurar identificar alterações no fluxo sanguíneo nas veias. Se este exame for sugestivo da presença de um coágulo de sangue, o médico irá diagnosticar uma trombose venosa profunda. Se o exame for negativo, isso não significa que não existe um coágulo, mas pode ser demasiado cedo para observar as suas consequências. O médico pode reavaliar o doente após três a quatro dias e repetir o exame.

Se o médico suspeitar de uma embolia pulmonar, irá procurar determinar se a pessoa tem uma trombose venosa profunda. Se a ecografia dos membros inferiores revelar um ou mais coágulos nas veias das pernas e se a pessoa tiver sintomas de embolia pulmonar, este é o diagnóstico mais provável.

O principal exame a ser realizado em caso de suspeita de embolia pulmonar é uma angiografia por tomografia computorizada (angioTC) do tórax, que permite avaliar a circulação sanguínea pulmonar através da injecção de contraste. Outro exame que poderá ser utilizado para o diagnóstico é uma cintigrafia pulmonar de ventilação-perfusão.

Se o médico ainda tiver dúvidas relativamente ao diagnóstico depois da realização destes exames, pode pedir uma angiografia pulmonar. Neste procedimento, é introduzido um pequeno tubo nas artérias dos pulmões e uma substância de contraste ajuda a identificar a presença de coágulos de sangue.

O médico pode pedir uma análise de sangue que doseia os níveis de uma substância química denominada D-dímeros, que aumenta quando existem coágulos de sangue no organismo. No entanto, os D-dímeros podem estar aumentados noutras situações para além da embolia pulmonar, o que dificulta o diagnóstico.

O diagnóstico de embolia pulmonar poderá ser difícil porque as suas manifestações clínicas não são específicas, podendo ser provocadas por outras doenças. O atraso no diagnóstico e, consequentemente, o atraso no tratamento, agravam o prognóstico.

Evolução clínica

Se uma pessoa tiver uma trombose venosa profunda ou uma embolia pulmonar, os sintomas devem melhorar ao fim de alguns dias depois de iniciado o tratamento com um medicamento anticoagulante, que fluidifica o sangue. É necessário tomar a medicação durante, pelo menos, três a seis meses para prevenir a formação de mais coágulos de sangue.

Embora a embolia pulmonar possa ser fatal, a maior parte das pessoas com um estado de saúde razoável recupera completamente. No entanto, em caso de  embolia pulmonar muito grave e em doentes com doença pulmonar prévia, podem ficar sequelas pulmonares, nomeadamente hipertensão pulmonar.

Algumas pessoas que sofreram uma trombose venosa profunda desenvolvem, a longo prazo, um quadro de edemas dos membros inferiores. Esta situação é denominada síndrome pós-flebítica. Estas pessoas devem usar meias especiais para ajudar a comprimir as veias, obrigando o sangue a fluir no sentido do coração.

Prevenção

A maior parte dos casos de trombose venosa profunda e de embolia pulmonar desenvolvem-se em pessoas inactivas devido a um traumatismo ou a uma intervenção cirúrgica.

Se uma pessoa tiver sofrido uma trombose venosa profunda ou uma embolia pulmonar ou se tiver uma história familiar de problemas da coagulação do sangue, pode contribuir para a prevenção da formação de coágulos de sangue com as seguintes medidas:

  • perguntar ao médico se tem factores de risco para a formação de coágulos de sangue que possam ser modificados
  • evitar todos os medicamentos que possam promover a formação coágulos de sangue, incluindo os contraceptivos orais e a terapêutica hormonal de substituição
  • ingerir bastante água e fazer exercícios regulares com as pernas quando realizar viagens prolongadas de avião ou de carro
  • evitar períodos prolongados de imobilização no leito
  • informar o médico sobre os seus antecedentes de trombose venosa profunda e de embolia pulmonar antes de submeter-se a qualquer intervenção cirúrgica
  • não fumar e evitar o excesso de peso.

Tratamento

O tratamento principal para a trombose venosa profunda e para a embolia pulmonar é um medicamento denominado heparina, o qual:

  • fluidifica o sangue
  • ajuda a destruir os coágulos de sangue
  • previne a formação de novos coágulos de sangue.

Existem dois tipos principais de heparina. O tipo de heparina mais antigo é administrado através de uma infusão endovenosa contínua, enquanto que o tipo de heparina mais recente (heparina de baixo peso molecular) é injectado sob a pele (injecção subcutânea), uma ou duas vezes por dia.

Em caso de trombose venosa profunda isolada, sem embolia pulmonar, o doente pode frequentemente ser tratado no domicílio com injecções de heparina de baixo peso molecular.

Algumas pessoas podem necessitar de iniciar a administração de heparina no hospital. Neste caso, o tipo de heparina usado é determinado por muitos factores, incluindo o peso corporal, a função renal e outras circunstâncias.

Em caso de embolia pulmonar, o doente será internado num hospital e pode ser tratado com qualquer um dos tipos de heparina, dependendo da sua situação.

O doente irá começar a tomar também varfarina, um medicamento anticoagulante que é administrado sob a forma de comprimidos. São necessários alguns dias para que este medicamento comece a fazer efeito. Quando as análises de sangue demonstrarem que a varfarina está a ser eficaz, o doente irá deixar de tomar heparina. O doente deverá continuar a tomar varfarina durante vários meses ou mesmo anos.

Durante as primeiras semanas de tratamento com varfarina, o doente irá necessitar de efectuar análises de sangue frequentes para ajustar a dose do medicamento. Quando as análises de sangue revelarem de forma consistente que o doente está a tomar a dose certa de varfarina, as análises de sangue poderão ser efectuadas com intervalos de duas a quatro semanas.

O tratamento com varfarina geralmente prolonga-se por três a seis meses. No entanto, nalguns casos, quando o medicamento é suspenso, o risco de formação de coágulos de sangue recorrentes é elevado, pelo que pode ser útil que os doentes continuem a tomar varfarina numa dose mais baixa durante mais de seis meses.

Alguns alimentos ― especialmente os vegetais de folha verde que contêm grandes quantidades de vitamina K ― podem alterar a acção anticoagulante da varfarina. O doente deve pedir ao médico uma lista destes alimentos. O doente pode continuar a ingerir estes alimentos desde que coma aproximadamente a mesma quantidade todos os dias. Desta forma, o efeito sobre a medicação será estável.

Outros medicamentos também podem afectar a forma como a varfarina actua no organismo. Sempre que procure assistência médica, o doente deverá comunicar  ao médico que está a tomar varfarina, para que se evite a prescrição de medicamentos que possam ter interacções.

Quando contactar um médico

Dirija-se imediatamente a um serviço de urgência se surgir falta de ar ou uma dor intensa no peito.

Contacte o médico com urgência se notar o aparecimento de edema, dor, vermelhidão ou aumento de temperatura numa perna. Mesmo que o seu médico esteja a avaliar a situação, contacte-o mais cedo se o edema da perna se agravar.

Prognóstico

Sem tratamento, a embolia pulmonar pode ser fatal. No entanto, com um tratamento apropriado e atempado, o prognóstico é bom, embora esteja condicionado pelo estado de saúde geral do doente,

Quando uma pessoa sofre uma trombose venosa profunda ou uma embolia pulmonar, tem uma maior probabilidade de desenvolver um segundo coágulo de sangue. Isto deve-se ao facto do coágulo de sangue original ter lesado algumas das veias das pernas. Deste modo, o sangue não se move tão rapidamente ou tão suavemente através destas veias, o que aumenta o risco de se formar um novo coágulo de sangue. Além disso, a pessoa poderá ter uma predisposição genética para a formação de coágulos.

No entanto, se existir uma razão óbvia para que se tenha formado um coágulo de sangue, por exemplo, uma imobilização prolongada no leito depois de uma intervenção cirúrgica ou um traumatismo que tenha lesado os vasos sanguíneos (por exemplo, um cateter venoso central), o risco de desenvolver mais coágulos é relativamente baixo, a menos que a pessoa seja forçada a ficar novamente imobilizada ou se sofrer outro traumatismo.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Pneumologia

Rua Ivone Silva, nº 6 (Edifício ARCIS), 6º Esq. 1069-130 Lisboa

Telefone: (+351) 21 7962074

Fax: (+351) 21 7962075

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http://www.sppneumologia.pt

 

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Tel 217 520 570 / 217 520 578
Fax 217 520 579
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http://www.spmi.pt

 

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