O que é a Artrite Reumatóide?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª. Ana Correia

Validação Científica:

Prof. João Eurico Fonseca

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Reumatologia pelo Prof. João Eurico da Fonseca: O que é a Artrite Reumatóide?

Leia o artigo aqui:

O que é?
A artrite reumatóide é uma doença inflamatória crónica que provoca dor, rigidez, aumento da temperatura e tumefacção das articulações. Ao longo do tempo, as articulações afectadas podem ficar deformadas, desalinhadas e destruídas. O sistema imunitário ataca a articulação e o tecido que reveste a cápsula da articulação (denominado sinovial) pode tornar-se espessado. Com a progressão da reacção inflamatória, pode ocorrer um desgaste dos ligamentos, cartilagens e ossos adjacentes. A artrite reumatóide geralmente ocorre com um padrão simétrico, o que significa que, se um joelho ou uma mão estiverem afectadas, o joelho ou a mão do outro lado do corpo geralmente também estão.
A causa da artrite reumatóide não é conhecida, embora pareça ser uma doença auto-imune. Quando o sistema imunitário do organismo não funciona correctamente, os glóbulos brancos, que normalmente defendem o organismo das bactérias ou dos vírus, atacam os tecidos saudáveis, neste caso, a sinovial ou o tecido articular. À medida que a membrana sinovial (a camada fina de células que revestem a articulação) fica inflamada, são libertadas enzimas. Ao longo do tempo, estas enzimas e determinadas células imunitárias lesam a cartilagem, o osso, os tendões e os ligamentos situados na proximidade da articulação.
Alguns estudos sugerem que esta resposta imunitária defeituosa pode ser desencadeada por um vírus ou outro agente infeccioso. No entanto, ainda não existe uma evidência convincente de que um microrganismo específico seja a causa em todos os doentes. Ao mesmo tempo, parece que algumas pessoas têm uma maior probabilidade de terem a doença devido a factores genéticos.

A artrite reumatóide afecta geralmente mais do que uma articulação ao mesmo tempo. As articulações frequentemente afectadas incluem as das mãos, dos punhos, dos pés, dos tornozelos, dos cotovelos, dos ombros, das ancas, dos joelhos e do pescoço. A artrite reumatóide pode causar deformação das articulações, perda de mobilidade articular e diminuição da força. Podem surgir também tumefacções duras, denominadas nódulos reumatóides, que se desenvolvem debaixo da pele, especialmente em volta do cotovelo.

A dor da artrite reumatóide é tipicamente mais intensa de manhã e é acompanhada por rigidez matinal (dificuldade em mobilizar as articulações ao acordar), que dura mais de 30 minutos. Nos dias em que a doença está mais activa, o doente pode sentir fadiga, perda do apetite, febre baixa, sudação e dificuldade em dormir.

Uma vez que a artrite reumatóide é uma doença sistémica (o que significa que pode afectar todo o corpo), o doente pode também apresentar inflamação noutras áreas, incluindo os vasos sanguíneos, os pulmões ou os olhos. Os sintomas variam de pessoa para pessoa e, no mesmo doente, variam ao longo do tempo. As pessoas com formas ligeiras da doença são incomodadas pela dor e pela rigidez mas podem não apresentar lesões articulares. Noutros casos, a lesão das articulações ocorre precocemente, exigindo tratamentos médicos e cirúrgicos agressivos.

Embora esta doença afecte mais frequentemente as pessoas com idade compreendida entre os 20 e os 50 anos, também pode afectar crianças e idosos. É mais frequente no sexo feminino. Atinge cerca de 40.000 portugueses.

Manifestações clínicas
As manifestações da doença incluem:
  • dor, tumefacção (inchaço), diminuição da mobilidade, aumento da temperatura e tensão em volta das articulações afectadas, que incluem mais frequentemente as mãos e os punhos, os pés e os tornozelos, os cotovelos, os ombros, o pescoço, os joelhos e as ancas, geralmente com um padrão simétrico (dos dois lados do corpo). Ao longo do tempo, as articulações podem ficar deformadas.
  • fadiga, rigidez e dores, particularmente de manhã e à tarde (descritas como rigidez matinal e fadiga vespertina)
  • nódulos reumatóides subcutâneos
  • perda de peso
  • febre baixa e sudação
  • dificuldade em dormir
  • fraqueza e perda de mobilidade
  • depressão.
Diagnóstico
O médico irá interrogar o doente sobre os seus sintomas e a sua história clínica e irá examiná-lo. Não existe nenhum exame que isoladamente permita fazer o diagnóstico da doença.

Podem ser pedidas análises de sangue. Um anticorpo anormal, denominado factor reumatóide, é encontrado no sangue de 60 a 70% dos doentes com artrite reumatóide. No entanto, a presença de factor reumatóide não implica necessariamente que um doente tenha artrite reumatóide. Muitas pessoas que não têm artrite reumatóide podem ter este anticorpo no sangue. Um anticorpo mais recentemente reconhecido, denominado anti-citrulina (anti-CCP), parece ser um indicador mais específico de artrite reumatóide. Podem ser realizadas outras análises de sangue para procurar outras causas para as dores articulares e para verificar se existe anemia e se a função do fígado e dos rins é normal. Além disso, o estado de inflamação no organismo pode ser avaliado pela velocidade de sedimentação (VS) e pela proteína C reactiva (PCR).

As radiografias podem ajudar no diagnóstico e no seguimento da evolução da doença.

Existe uma lista de manifestações que devem estar presentes para se fazer o diagnóstico de artrite reumatóide (denominados critérios). Embora muitos médicos usem esta lista como guia, é importante saber que alguns doentes com artrite reumatóide não têm muitos dos critérios desta lista, especialmente se a doença for ligeira. O diagnóstico de artrite reumatóide depende principalmente da experiência e da avaliação do médico e baseia-se num “quadro geral” de sintomas, alterações no exame físico e resultados dos exames. Diversas doenças podem provocar inflamação das articulações. Muitas vezes só com a evolução da doença é que é possível estabelecer o diagnóstico de artrite reumatóide com segurança.

Evolução Clínica

A maior parte das pessoas com artrite reumatóide apresenta sintomas crónicos (de longa duração), existindo períodos em que os sintomas se agravam (denominados de exacerbações) e períodos em que os sintomas melhoram. Raramente, os sintomas e sinais da doença desaparecem, o que se denomina remissão.

Prevenção

Não existe forma de prevenir a artrite reumatóide.

Tratamento

O tratamento da artrite reumatóide melhorou dramaticamente nos últimos 50 anos. Uma abordagem abrangente, que combina medicamentos, repouso equilibrado com exercício, modificações do estilo de vida e, por vezes, cirurgia, pode ajudar muitas pessoas a levarem uma vida normal. Os objectivos mais importantes no tratamento da artrite reumatóide são a manutenção da capacidade funcional do doente, a redução da dor e a prevenção de uma futura lesão articular. Se estes objectivos forem alcançados, a qualidade e a esperança de vida podem ser normais. Por outro lado, o tratamento pode acarretar efeitos adversos, sendo necessário ponderar os riscos e os benefícios de qualquer medicação.

Tratamento farmacológico (medicação) 

Determinados medicamentos proporcionam alívio dos sintomas de artrite reumatóide (tais como a dor e o inchaço articulares), enquanto outros medicamentos atrasam a progressão da doença.

Os medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs), incluindo o ibuprofeno, o diclofenac e o naproxeno, podem ajudar a aliviar os sintomas. Os efeitos secundários possíveis incluem desconforto gástrico, úlceras do estômago, diminuição da função renal ou reacções alérgicas. Devem ser tomados depois das refeições, na menor dose e com a menor frequência possíveis.

Os novos AINEs, como o celecoxib, podem proporcionar os mesmos benefícios na artrite que os medicamentos mais antigos mas com um menor risco de úlceras gástricas. No entanto, este risco não é totalmente eliminado e, a longo prazo, podem acarretar um risco cardiovascular acrescido. As pessoas com risco de doença do estômago e de úlceras, podem também utilizar um AINE tradicional (por exemplo, o diclofenac ou o ibuprofeno) combinado com um medicamento para proteger o estômago (por exemplo, o omeprazol).

Outros medicamentos analgésicos, como o paracetamol ou o tramadol (este último mais forte, da classe dos opióides), podem proporcionar um alívio adicional da dor quando associados a um AINE.

Os corticosteróides, como a prednisona, reduzem a inflamação. No entanto, estes medicamentos apresentam benefícios pouco prolongados e estão associados a uma longa lista de efeitos secundários, tais como equimoses (“nódoas negras”) fáceis, diminuição da espessura dos ossos (osteoporose), cataratas, aumento de peso, edema da face, diabetes, aumento da pressão arterial, entre outros. Se um doente utilizar corticosteróides, deve seguir cuidadosamente as recomendações do seu médico, que poderá prescrever um corticosteróide para aliviar exacerbações ocasionais da doença e, em seguida, reduzir gradualmente a dose do medicamento. Pode ser perigoso parar subitamente a terapêutica com corticosteróides.

Os medicamentos anti-reumáticos modificadores da doença parecem atrasar a progressão da artrite reumatóide ao alterar a função do sistema imunitário. A maior parte dos especialistas recomenda que todas as pessoas com artrite reumatóide tomem um medicamento anti-reumático modificador da doença pouco depois do diagnóstico para reduzir a probabilidade de lesão articular.

Estes medicamentos incluem o metotrexato, a hidroxicloroquina, a leflunomida ou a sulfassalazina. Cada um destes medicamentos apresenta um risco pequeno de efeitos secundários graves. O médico irá avaliá-los com o doente.

Os novos medicamentos modificadores da doença (terapêutica biológica) incluem: abatacept, adalimumab, anakinra, certolizumab, etanercept, golimumab, infliximab, rituximab e tocilizumab. Estes medicamentos, que apenas estão disponíveis para administração injectável, podem ser altamente eficazes. No entanto, a maior parte dos doentes melhora com medicamentos que podem ser administrados por via oral e que são muito menos dispendiosos, pelo que a maior parte dos médicos recomenda os tratamentos mais antigos em primeiro lugar.

Outras terapêuticas incluem a minociclina, a ciclosporina, os sais de ouro e a penicilamina, embora estes tratamentos sejam usados com uma frequência muito menor, uma vez que a maior parte dos especialistas considera que não são tão eficazes nem tão seguros.

Visto que os novos medicamentos foram estudados apenas em pessoas seleccionadas e, frequentemente, nas mais saudáveis, podem ter efeitos secundários que ainda não são bem conhecidos. A observação médica e a realização regular de análises é importante para avaliar a progressão da doença, a eficácia da terapêutica e os efeitos adversos da medicação. Como os novos medicamentos modificadores da doença demoram algum tempo até começarem a actuar, o médico irá provavelmente aconselhar a toma de um AINE e/ou de um corticosteróide durante as primeiras semanas ou meses de tratamento.

Dieta, exercício físico e reabilitação

É crucial encontrar um equilíbrio entre o repouso e o exercício físico no tratamento da artrite reumatóide. Quando os sintomas do doente se exacerbam (quando as articulações estão sensíveis, quente e inchadas) é importante o repouso. O doente pode continuar a realizar exercícios para manter a mobilidade articular mas deve ter cuidado para não se cansar e para não agravar o estado das articulações. O doente deve evitar esforços que não sejam necessários. Quando as articulações estiverem melhores e quando os outros sintomas, incluindo a fadiga e a rigidez matinal, forem menos acentuados, o doente deve aumentar a actividade. Os exercícios de carga, como a marcha, podem fortalecer os músculos enfraquecidos sem riscos adicionais de lesão articular. Se o exercício produzir mais dores ou edema articular, o doente deve reduzi-lo.

Não existem alterações dietéticas, suplementos, produtos naturais ou outras terapêuticas alternativas conhecidas que melhorem os sintomas da artrite reumatóide de forma prolongada e comprovada com estudos rigorosos.

O doente com artrite reumatóide deve prestar especial atenção à forma como efectua os movimentos. Um terapeuta ocupacional ou um fisioterapeuta pode dar sugestões e orientações sobre a forma como realizar as tarefas habituais no domicílio e no emprego. Além disso, um terapeuta pode aconselhar dispositivos que podem ajudar o doente a proteger as articulações durante as actividades diárias. As talas, ortóteses e ligaduras, usadas quando as articulações estão mais inflamadas, podem aliviar a pressão articular e proteger de lesões. Um podiatra pode sugerir a utilização de ortóteses ou mesmo a realização de uma intervenção cirúrgica para diminuir a dor e melhorar a função dos pés com artrite.

Cirurgia

Em alguns casos, é necessária uma intervenção cirúrgica para remover o tecido inflamado ou para reconstruir ou substituir a articulação afectada. Quando a artrite reumatóide causa dor e destruição significativa na anca ou no joelho, a artroplastia, um procedimento cirúrgico para substituir a articulação, pode constituir uma opção eficaz. Também pode ser necessária a fixação de uma articulação (por exemplo, do punho), denominada artrodese. Uma vez que a artrite reumatóide pode provocar lesão dos tendões, especialmente na mão e no punho, pode ser recomendada a reparação cirúrgica dos tendões afectados.

Quando contactar um médico

Procure o seu médico se tiver qualquer uma das seguintes manifestações:

  • dor, rigidez, aumento da temperatura ou edema das articulações (do punho, do pescoço, dos ombros, dos cotovelos, das ancas, dos joelhos, dos tornozelos e dos pés)
  • problemas em articulações simétricas (por exemplo, em ambos os joelhos)
  • fadiga
  • febre ocasional
  • dor ou rigidez matinal (com uma duração superior a 30 minutos)

Prognóstico

Um tratamento eficaz pode ajudar o doente a viver bem com a artrite reumatóide, embora a gravidade da doença e a resposta à terapêutica sejam muito variáveis.

Informação Adicional
Portal das Doenças Reumáticas
Sociedade Portuguesa de Reumatologia
Núcleo de Estudos de Doenças Auto-imunes
Associação Nacional dos Doentes com Artrite Reumatóide
The European League Against Rheumatism
American College of Rheumatology
The Arthritis Foundation
National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases
National Rheumatoid Arthritis Society
Alto Comissariado da Saúde

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