Sofre de intolerância à lactose? Saiba como aliviar alguns sintomas.

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. Carla Rolanda

Leia o artigo aqui:

O que é?

A intolerância à lactose constitui uma causa comum de cólicas abdominais, de distensão (inchaço) abdominal e de diarreia.

Esta situação ocorre quando o organismo não tem lactase uma enzima intestinal em quantidade suficiente. A função da lactase é degradar a lactose, o principal açúcar do leite. Quando a lactose é degradada nas formas mais simples de açúcar, estes açúcares simples podem ser absorvidos para a circulação sanguínea.

Na digestão normal, a lactose é digerida no intestino delgado sem libertação de bolhas gasosas; mas quando esta substância não é adequadamente digerida, passa para o cólon (intestino grosso), onde as bactérias degradam alguma lactose, produzindo hidrogénio. A lactose restante capta igualmente água para dentro do cólon. Assim a quantidade suplementar de gás e de água conduz ao aparecimento de sintomas, tais como cólicas, diarreia, distensão (inchaço) abdominal e flatulência (gases).

A intolerância à lactose é geralmente genética (hereditária). Em muitas pessoas de ascendência africana ou asiática, o organismo começa a produzir menos lactase por volta dos 5 anos de idade. Até 90% das pessoas de algumas áreas da Ásia Oriental, 80% dos índios americanos, 65% dos africanos e dos afro-americanos e 50% dos hispânicos apresentam um certo grau de intolerância à lactose. A maior parte dos indivíduos de raça caucasiana da América do Norte (80%) têm um gene que preserva a capacidade para produzir lactase na idade adulta, mas nos países mediterrâneos a prevalência de deficiência desta enzima atinge os 60 a 85%.

Uma causa rara de intolerância à lactose é denominada deficiência congénita de lactase. Os bebés com esta situação não produzem lactase e, atendendo a que não são capazes de digerir a lactose, apresentam diarreia desde o nascimento. Esta doença era fatal antes do desenvolvimento de leites artificiais isentos de lactose.

A dificuldade em digerir a lactose pode igualmente ser causada por diversas doenças gastrointestinais. A gastroenterite viral ou bacteriana e outras doenças, como a doença celíaca, podem destruir as células produtoras de lactase que revestem o intestino delgado.

Uma proliferação bacteriana, na qual o intestino delgado contém mais bactérias do que o normal, pode igualmente causar sintomas de sensibilidade à lactose da dieta. Neste caso, as bactérias degradam a lactose no intestino delgado, libertando gás. Este gás pode provocar distensão (inchaço) abdominal, cólicas e flatulência (gases), bem como diarreia. O problema não é secundário a uma deficiência enzimática de lactase mas sim a um excesso de bactérias intestinais.

Sintomas

Os sintomas comuns de intolerância à lactose incluem:

  • Fezes líquidas, volumosas e com odor fétido (cheiro particularmente desagradável)
  • Náuseas
  • Dores abdominais/Cólicas
  • Distensão (inchaço) abdominal
  • Flatulência (gases), que começa cerca de 30 minutos a 2 horas depois da ingestão de alimentos ou bebidas contendo lactose.

A intensidade dos sintomas varia, dependendo da quantidade de lactose que a pessoa consegue tolerar, da quantidade de lactose ingerida e do tamanho e do conteúdo em gorduras da refeição. As pessoas que apresentam igualmente uma síndrome do cólon irritável tendem a ter sintomas mais graves de intolerância à lactose.

Diagnóstico

É possível que um doente tenha uma intolerância à lactose se os seus sintomas melhorarem dramaticamente quando evita a lactose. Um período de teste com uma dieta isenta de lactose é geralmente suficiente para efectuar o diagnóstico de intolerância à lactose. Em alguns casos, o médico poderá querer fazer exames para confirmar o diagnóstico.

Um teste para confirmar o diagnóstico é o teste respiratório do hidrogénio no ar expirado. Este teste não dói e não é invasivo. Não é permitida a ingestão de alimentos durante várias horas antes da realização do exame. No início do teste, o doente deve ingerir um líquido contendo lactose e, em seguida, é determinada a quantidade de hidrogénio no ar expirado ao longo de algumas horas. Normalmente é detectada uma quantidade muito pequena de hidrogénio no ar expirado. No entanto, se o doente tiver uma intolerância à lactose, as bactérias do cólon irão degradar a lactose não digerida e levar à formação de hidrogénio. O gás é absorvido, é transportado pelo sangue circulante e é eliminado pelos pulmões no ar expirado. A intolerância à lactose é diagnosticada se forem detectados níveis de hidrogénio superiores ao normal durante este teste. A proliferação bacteriana pode igualmente conduzir a um resultado positivo, pelo que esta pode ser considerada uma explicação alternativa para um resultado positivo do teste.

Outro teste que pode ser utilizado para diagnosticar a intolerância à lactose é o teste de tolerância à lactose. Neste teste é ingerida uma solução com lactose, após o que são medidos os níveis de açúcar no sangue com intervalos específicos ao longo de várias horas para determinar a capacidade do doente para digerir a lactose. Se esta substância for digerida normalmente, será degradada em glucose e condicionará uma elevação do nível da glicemia (açúcar no sangue). A intolerância à lactose é diagnosticada se os níveis de açúcar no sangue não se alterarem durante este teste, o que indica que a lactose não foi digerida de forma normal.

Um número significativo de pessoas que apresentam sintomas sugestivos de intolerância à lactose irá apresentar resultados normais nos exames diagnósticos. Sintomas semelhantes (mas com resultados normais nos testes) podem ser causados pela frutose (o açúcar da fruta), pelo sorbitol ou por outros açúcares que não são facilmente digeridos no intestino delgado. Podem igualmente ocorrer sintomas idênticos em como consequência de uma síndrome do cólon irritável.

Duração Esperada

As pessoas que desenvolvem intolerância à lactose em consequência de uma gastroenterite ou de outra situação que afecta a digestão podem recuperar completamente em várias semanas a meses.

Quando a intolerância à lactose é genética, esta situação é permanente. No entanto, as pessoas podem evitar os sintomas evitando os alimentos que contêm lactose (essencialmente lacticínios, sobretudo o leite), ingerindo-os com moderação ou substituindo-os por outros disponíveis no mercado que têm um baixo teor de lactose. Além disso, encontram-se disponíveis formulações comerciais da enzima lactase para adição ao leite, mas que geralmente não proporcionam um alívio completo dos sintomas.

Prevenção

Não existe forma de prevenir a intolerância à lactose.

Tratamento

Existem duas formas principais de tratar a intolerância à lactose:

  • Reduzir a quantidade de lactose que o doente ingere, limitando a ingestão de leite e de lacticínios ou ingerindo produtos com baixo teor de lactose
  • Tomar substitutos enzimáticos comercialmente disponíveis.

As pessoas com intolerância grave à lactose precisam de ler os rótulos de todos os alimentos processados para verificar se contêm lactose. As concentrações mais elevadas podem ser encontradas nos gelados e no leite. Os queijos e os iogurtes habitualmente apresentam menores quantidades. Alguns produtos indicados como não sendo lacticínios, tais como os substitutos de natas em pó para o café e as coberturas batidas, podem conter lactose se contiverem ingredientes derivados do leite. Ao ler os rótulos dos alimentos, deve procurar-se não só a expressão “contém lactose” como palavras como soro de leite, coalho, derivados do leite, leite em pó e leite em pó magro. Se qualquer destes ingredientes estiver indicado no rótulo, o produto provavelmente contém lactose.

Se o doente evitar completamente a lactose, os sintomas devem desaparecer. Se mesmo após retirar da dieta todos os alimentos com lactose os sintomas se mantiverem, o diagnóstico pode não estar correcto. Muitas pessoas serão capazes de tolerar um aumento gradual na ingestão de lactose se tiverem o cuidado de monitorizar os seus sintomas. Os médicos recomendam frequentemente o consumo de gelados para esse efeito, uma vez que, devido ao seu elevado teor em gordura, tende a ser mais bem tolerado do que outros alimentos. À medida que o doente aumenta gradualmente os níveis de lactose, deve rever a sua dieta com o médico ou com um nutricionista para se certificar de que está a ingerir quantidades adequadas de gorduras, de proteínas e de outros nutrientes.

Existem diversas formulações enzimáticas comercialmente disponíveis (comprimidos e líquidos) que podem funcionar como substitutos da lactase. O doente pode adicionar estes produtos aos alimentos que contêm lactose para reduzir significativamente os seus sintomas. No entanto, estes produtos raramente eliminam completamente os sintomas e os resultados variam de pessoa para pessoa e com as diferentes formulações dos produtos. Os lacticínios pré-tratados constituem uma alternativa extremamente eficaz. O doente pode adicionar algumas gotas de enzima ao leite e, em seguida, refrigerar o leite durante 24 horas antes de o consumir ou pode comprar lacticínios que já foram tratados para reduzir a lactose (leite “isento de lactose/sem lactose”). O leite “acidófilo” ainda contém demasiada lactose para ser útil para a maior parte das pessoas com intolerância à lactose.

Muitas pessoas com intolerância à lactose têm dificuldade em obter uma quantidade suficiente de cálcio a partir da dieta, o que aumenta o risco de osteoporose, um problema em que os ossos se tornam finos e frágeis. Os estudos demonstraram que as pessoas que são intolerantes à lactose apresentam um risco duas vezes superior de sofrerem fracturas. Deste modo, é essencial um consumo de, pelo menos, 1.000 mg de cálcio por dia (1.200 mg se se tratar de uma mulher em pós-menopausa) e a ingestão de uma quantidade adequada de vitamina D. A maior parte das pessoas com intolerância à lactose consegue tolerar o iogurte obtido por cultura viva, que constitui uma boa fonte de cálcio.

Vegetais como os brócolos, a couve chinesa, a couve portuguesa e a couve-galega constituem igualmente fontes excelentes de cálcio. Se o doente não for capaz de obter cálcio suficiente na sua dieta, deve tomar um suplemento diário de cálcio.

Quando contactar um profissional

Contacte o médico e discuta a possibilidade de poder ter uma intolerância à lactose se desenvolver sintomas depois de ingerir lacticínios. Embora esta situação não seja perigosa, pode ser incómoda. Encontram-se disponíveis diversos tratamentos eficazes, pelo que não há necessidade de sofrer.

Prognóstico

O prognóstico das pessoas com intolerância à lactose é excelente. Os sintomas podem ser aliviados se a ingestão de lacticínios for limitada ou evitada ou se estes alimentos forem ingeridos juntamente com uma dose comercialmente preparada da enzima lactase.

Informação Adicional

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia
Alto Comissariado da Saúde

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