O que é um Fractura da Órbita?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Drª. Maria Roberto

Leia aqui o artigo:

O que é?

A órbita é a estrutura óssea em forma de taça que envolve e protege o olho. O bordo da órbita é formado por ossos bastante densos, enquanto o pavimento e a vertente nasal da órbita tem a espessura de papel em muitas zonas. Uma fractura da órbita é uma fractura óssea que envolve o seu bordo, o seu pavimento ou ambos.

  • Fractura do bordo orbitário — Estas fracturas são causadas por um impacto directo sobre a face, sendo com mais frequência causadas pelo   volante do automóvel num acidente de viação. Atendendo a que é necessária bastante força para causar estas fracturas, elas ocorrem frequentemente associadas a lesões extensas de outros ossos faciais e, por vezes, a lesões cerebrais. Mesmo que a lesão esteja limitada à área ocular, podem existir lesões adicionais do próprio olho, tais como do nervo óptico (responsável pela visão), dos músculos do olho, dos nervos responsáveis pela sensibilidade da região frontal e malar, dos seios perinasais e do canal lacrimal. Existem dois tipos de fracturas do bordo orbitário. Uma fractura zigomática que envolve o bordo inferior da órbita (inclui o osso malar) e uma fractura do osso frontal ou do seio frontal envolve o bordo superior da órbita (inclui o osso frontal).
  • Fractura indirecta do pavimento da órbita (“fractura por aumento de pressão”) — Esta fractura ocorre quando o bordo ósseo da órbita permanece intacto, mas o seu pavimento fino estala ou sofre uma ruptura, podendo surgir um pequeno orifício no pavimento da órbita que engloba partes dos músculos oculares e tecidos circundantes. O olho lesado pode não se mover normalmente dentro da órbita, o que pode provocar uma visão dupla. A maior parte destas fracturas são causadas por um impacto na parte anterior do olho por um objecto maior do que a sua abertura, como um punho ou o volante de um automóvel ou uma bola de ténis
  • Fractura directa do pavimento da órbita — Se uma fractura do bordo da órbita se prolongar para as zonas adjacentes do pavimento orbitário, verifica-se uma fractura de ambas as estruturas.

As lesões oculares traumáticas, incluindo as fracturas da órbita são relativamente frequentes ocorrendo em cerca de 85% após acidentes de viação ou de trabalho, durante a prática de desportos ou quando da realização de reparações domésticas. Cerca de 15% destas fracturas são causadas por ataques violentos. Os homens sofrem lesões traumáticas oculares com uma frequência aproximadamente quatro vezes superior a das mulheres e a média etária dos indivíduos afectados é de cerca de 30 anos. A origem do traumatismo é geralmente um objecto rombo ? uma bola, um martelo, uma pedra, um pedaço de madeira ? e o local onde mais frequentemente ocorre a lesão é no domicílio. Antigamente, as lesões oculares eram comuns nos acidentes de viação, geralmente quando da face a vítima batia no volante ou no painel de instrumentos. Essas lesões oculares diminuíram dramaticamente devido ao facto de um maior número de automóveis terem “airbags” e da obrigatoriedade de utilização do cinto de segurança.

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas variam, dependendo da localização e da gravidade da fractura, mas podem incluir:

  • um olho negro, com edema e uma coloração negra ou azulada em redor do olho lesado, bem como um possível eritema e áreas de hemorragia ao nível da esclerótica (porção branca do olho) e no revestimento interno das pálpebras
  • visão dupla, diminuição da acuidade visual ou visão turva
  • dificuldade em olhar para cima, para baixo, para a direita ou para a esquerda
  • posição anormal do olho (que pode estar procidente ou afundado na órbita)
  • entorpecimento da região frontal, das pálpebras, da região malar, do lábio superior ou dos dentes superiores do mesmo lado do olho lesado, possivelmente relacionado com uma lesão nervosa causada pela fractura
  • intumescimento por acumulação de ar sob a pele na proximidade do olho, constituindo geralmente um sinal de que a fractura afectou a parede de uma cavidade sinusal, particularmente do seio maxilar (uma câmara cheia de ar localizada no interior da região malar, por baixo do olho)
  • edema e deformação da região malar ou da região frontal, com uma reentrância óbvia na área da fractura
  • uma região malar anormalmente aplanada e, possivelmente, uma dor intensa nessa zona quando a vítima tenta abrir a boca

Diagnóstico

Se a vítima estiver consciente e capaz de responder a perguntas depois de sofrer o traumatismo, o médico deverá rever os sintomas e pedir-lhe para explicar como ocorreu a lesão ocular. É muito importante examinar o olho e palpar suavemente a região malar e frontal para verificar se estas áreas se apresentam distorcidas. O médico deverá igualmente avaliar:

  • se o doente consegue olhar para cima, para baixo ou para os lados ? no caso se suspeite de que um dos músculos oculares ficou preso no local da fractura, o médico pode segurar no tendão do músculo ocular e tentar rodar o olho com a mão
  • alterações na visão, especialmente a visão dupla
  • áreas de entorpecimento na região frontal, pálpebras, região malar, lábio e dentes superiores
  • lesão interna — o interior do olho pode ser observado com a ajuda de um instrumento denominado oftalmoscópio para procurar identificar sinais de lesão interna. Se o exame sugerir a presença de uma fractura da órbita deverá ser confirmada através de radiografias ou de uma tomografia computorizada (TAC) da área que envolve o olho.

Se o indivíduo estiver inconsciente e apresentar lesões faciais graves, os médicos podem confirmar o diagnóstico de fractura da órbita com radiografias e com uma TAC dos ossos da órbita. Isto é realizado depois de quaisquer lesões potencialmente fatais terem sido tratadas e do estado do doente ter sido estabilizado.

Duração esperada

A duração da lesão depende da localização e da gravidade da fractura. Na maior parte dos casos, o edema e as alterações da coloração começam a desaparecer dentro de sete a dez dias após a lesão, mas os ossos fracturados demoram muito mais tempo a consolidar. Se for necessária uma intervenção cirúrgica para reparar a área lesada, pode ser útil adiar o procedimento por várias semanas para permitir a regressão do edema.

Prevenção

Praticamente todas as lesões oculares podem ser prevenidas. Para reduzir o risco de fractura da órbita é vantajoso:

  • Utilizar óculos de protecção apropriados durante o trabalho. Os estudos demonstraram que os escudos faciais, os óculos de protecção e outros dispositivos de protecção ocular podem reduzir o risco de lesões oculares relacionadas com a actividade profissional em mais de 90%
  • Pedir a um oftalmologista ou optometrista para o ajudar a seleccionar a protecção ocular apropriada para o desporto que pratica
  • Usar sempre o cinto de segurança quando anda de carro. Os cintos de segurança irão ajudar a proteger os olhos, os ossos faciais e a parte superior do corpo dos possíveis impactos, bem como de outras lesões.

Tratamento

O tratamento depende da gravidade e da localização da lesão. Nas fracturas pequenas, não complicadas, causadas por um aumento de pressão sobre o olho e que não afectam os movimentos oculares, o médico pode prescrever a aplicação de gelo, descongestionantes e um antibiótico para prevenir a infecção. O doente deverá ser aconselhado a manter-se em repouso durante alguns dias e evitar assoar-se enquanto o olho cicatriza.

Se a fractura for mais grave, é fundamental referenciar o doente para um cirurgião maxilo-facial, plástico e/ou de reconstrução especializado no tratamento de lesões oculares. Pode ser contactado um oftalmologista para resolver o problema da visão dupla e que irá determinar se é necessária uma cirurgia para reparar a fractura. Pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para:

  • remover fragmentos ósseos
  • libertar os músculos oculares presos e eliminar a visão dupla
  • restabelecer a arquitectura normal da órbita se o olho lesado parecer afundado
  • reparar as deformações do bordo da órbita que afectam a aparência da pessoa

Quando contactar o seu médico

Se sofrer um traumatismo no olho, aplique gelo na área lesada durante pelo menos 15 minutos para ajudar a reduzir a dor, o edema e as alterações da coloração da pele. Procure cuidados médicos imediatamente se apresentar quaisquer sinais ou sintomas sugestivos de fractura da órbita.

Contacte o seu médico se vir luzes a piscar ou “escotomas” (pontos ou manchas escuras) no olho lesado ou se tiver um corte na pálpebra ou na superfície interna do olho.

Prognóstico

Na maior parte dos casos, o prognóstico é muito bom. Mesmo quando é necessária cirurgia para reparar a fractura, a maior parte das intervenções apresentam uma taxa elevada de sucesso e um baixo risco de complicações a longo prazo.

Informação Adicional

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt

Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia

http://www.spot.pt

Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética

http://www.celiege.com/spcpre/estatutos.asp

Associação Brasileira de Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial

http://www.abccmf.org.br

Associação Europeia de Cirurgia Maxilo-Facial

http://www.eurofaces.com

Agência Europeia para a Saúde e Segurança no Trabalho

http://osha.europa.eu/en

Instituto Nacional para a Segurança e Saúde Ocupacional (Estados Unidos da América)

http://www.cdc.gov/niosh

Sociedade Americana de Cirurgia Reconstrutiva e Plástica Oftálmica

http://www.asoprs.org/

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