O que é um ataque cardíaco?

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Ataque Cardíaco, pelo Prof. Fausto Pinto: “O que é um Ataque Cardíaco?”

Leia o artigo sobre ataque cardíaco aqui:

O que é?

Um ataque cardíaco ocorre quando uma das artérias coronárias (vasos que irrigam o coração) é subitamente obstruída, geralmente por um pequeno coágulo de sangue (trombo). O coágulo de sangue forma-se habitualmente dentro de uma artéria coronária que já se encontra estreitada pela aterosclerose, uma situação na qual depósitos de gordura (placas) se acumulam ao nível da parede interna dos vasos sanguíneos. Um ataque cardíaco é igualmente denominado de enfarte agudo do miocárdio.

Cada artéria coronária fornece sangue a uma parte específica da parede muscular cardíaca, pelo que uma artéria obstruída causa dor e disfunção na área que abastece. Dependendo da localização e da quantidade de músculo cardíaco envolvido, este mau funcionamento pode interferir gravemente com a capacidade do coração para bombear o sangue. Além disso, algumas das artérias coronárias abastecem áreas do coração que regulam os batimentos cardíacos, pelo que a obstrução por vezes causa batimentos anormais potencialmente fatais, denominados arritmias cardíacas. O padrão de sintomas que se desenvolve em cada ataque cardíaco e as probabilidades de sobrevivência estão associados à localização e à extensão da obstrução da artéria coronária.

Em 25% dos adultos, o primeiro sinal de doença cardíaca é a morte súbita devido a um ataque cardíaco. Uma vez que a maior parte destes ataques cardíacos resulta da aterosclerose, os factores de risco de um ataque cardíaco e da aterosclerose são basicamente os mesmos:

  • Um nível anormalmente elevado de colesterol no sangue (hipercolesterolémia)
  • Um nível anormalmente baixo de HDL (lipoproteína de alta densidade), frequentemente denominada “colesterol bom”
  • Pressão arterial elevada (hipertensão arterial)
  • Diabetes
  • História familiar de doença coronária numa idade precoce
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Inactividade física (pouco exercício físico regular)

Na fase inicial da meia-idade, os homens apresentam um risco maior de ataque cardíaco do que as mulheres. No entanto, o risco da mulher aumenta após a menopausa, o que pode ser o resultado de uma diminuição dos níveis de estrogénios, uma hormona sexual feminina que pode proporcionar alguma protecção contra a aterosclerose.

Embora a maior parte dos ataques cardíacos sejam causados pela aterosclerose, existem casos mais raros em que podem resultar de outros problemas médicos. Estes incluem as anomalias congénitas das artérias coronárias, estados de hipercoagulabilidade (uma tendência anormalmente aumentada para formar coágulos de sangue), doenças vasculares do colagénio (como a artrite reumatóide ou o lúpus eritematoso disseminado), abuso de cocaína, um espasmo de uma artéria coronária ou um êmbolo (um pequeno coágulo sanguíneo em circulação) que flutue até uma artéria coronária e aí se aloje.

Manifestações Clínicas

O sintoma mais comum de um ataque cardíaco é a dor no peito, geralmente descrita como uma sensação de esmagamento, aperto, pressão, peso ou, ocasionalmente, facada ou queimadura. Embora esta dor possa ocorrer em qualquer altura, um grande número de doentes sente-a de manhã, poucas horas depois de acordar. A dor no peito tende a localizar-se no meio do peito ou imediatamente abaixo do centro da caixa torácica e pode irradiar para os braços, abdómen, pescoço ou maxilar inferior. Outras manifestações podem incluir uma fraqueza súbita, sudação, náuseas, vómitos, falta de ar, perda de consciência, palpitações ou confusão. Por vezes, quando um ataque cardíaco causa uma dor no peito tipo queimadura, náuseas e vómitos, o doente pode confundir os sintomas com os de uma indigestão.

Diagnóstico

O médico pode pedir ao doente para descrever a dor no peito e quaisquer outros sintomas. Idealmente, um familiar ou um amigo deverá acompanhar o doente quando este procurar tratamento médico. Esta pessoa pode ajudar a proporcionar ao médico informações valiosas sobre os sintomas do doente e a sua história clínica se este não for capaz de o fazer. É igualmente importante dar ao médico uma lista dos nomes e das dosagens dos medicamentos que o doente está a tomar, quer tenham sido ou não prescritos por um médico. Se o doente não tiver uma lista já preparada deve juntar os medicamentos num saco e levá-los consigo para o hospital.

O médico irá suspeitar que o doente está a ter um ataque cardíaco com base nos sintomas, na história clínica e nos factores de risco para a doença cardiovascular. Para confirmar o diagnóstico, irá fazer:

  • Um electrocardiograma (ECG)
  • Um exame físico, com especial atenção para o coração e para a pressão arterial
  • Análises de sangue para dosear os marcadores cardíacos séricos – substâncias químicas que são libertadas para o sangue quando o músculo cardíaco é lesado

Podem ser necessários exames adicionais, incluindo:

  • Um ecocardiograma – um exame indolor que utiliza ondas de ultra-sons para visualizar o músculo cardíaco e as válvulas cardíacas.
  • Imagiologia com radionuclidos – exames de imagem que utilizam isótopos radioactivos especiais para detectar áreas em que existe um fluxo de sangue inadequado no coração

Evolução Clínica

O tempo de duração dos sintomas de um ataque cardíaco varia de pessoa para pessoa. Em cerca de 15% dos casos, o doente não chega ao hospital a tempo de receber tratamento e morre rapidamente depois do início dos sintomas.

Prevenção

O doente pode ajudar a prevenir um ataque cardíaco ao controlar os factores de risco para a aterosclerose, especialmente o colesterol elevado no sangue, a hipertensão arterial, o tabagismo e a diabetes. Se o colesterol estiver elevado, o doente deve seguir as orientações do médico no que respeita a uma dieta saudável com um baixo teor em gorduras e colesterol e, se necessário, tomar medicamentos para diminuir o nível de colesterol no sangue. Se o doente tiver uma pressão arterial elevada deve seguir as recomendações do médico no que respeita à modificação da dieta e à forma como deve tomar a medicação. Se o doente fumar, deve deixar de o fazer. Se for diabético, deve monitorizar frequentemente o nível de açúcar no sangue, cumprir a dieta e tomar a insulina ou medicação oral tal como tiverem sido prescritas pelo médico. É também sensato efectuar exercício físico regularmente e manter um peso ideal.

 

Tratamento

O tratamento de um ataque cardíaco depende da estabilidade da situação da pessoa e do risco imediato de morte. Geralmente, o médico irá administrar ao doente uma aspirina para mastigar no serviço de urgência, uma vez que este medicamento ajuda a prevenir a formação de coágulos de sangue.

O doente irá receber oxigénio para respirar, medicamentos analgésicos (geralmente morfina) para as dores no peito, beta-bloqueantes para reduzir a necessidade de oxigénio do coração e, se a pressão arterial não for demasiado baixa, nitroglicerina para aumentar temporariamente o fluxo de sangue no coração. Enquanto estiverem internados no hospital, os doentes são frequentemente medicados diariamente com beta-bloqueantes, IECAs (inibidores da enzima de conversão da angiotensina, que ajudam o coração a trabalhar de forma mais eficiente, principalmente ao diminuírem a pressão arterial), e aspirina. A maior parte dos doentes com um ataque cardíaco irá igualmente receber uma prescrição de um medicamento para baixar o colesterol.

Se o diagnóstico de ataque cardíaco for confirmado, então o doente poderá ser considerado para uma terapêutica de reperfusão. O objectivo consiste em restabelecer o fluxo de sangue no músculo cardíaco lesado o mais rapidamente possível para limitar uma lesão permanente. A reperfusão é mais adequadamente realizada de forma mecânica. O doente é levado para um laboratório de cateterismo cardíaco no hospital, onde é introduzido um cateter através de um vaso sanguíneo de grande calibre até ao coração. Subsequentemente, é injectado um corante para localizar o bloqueio na artéria coronária.

O passo seguinte consiste na realização de uma angioplastia coronária transluminal percutânea (PTCA). Na PTCA, um cateter diferente que possui um pequeno balão não insuflado é introduzido através da obstrução. Em seguida, o balão é insuflado para destruir o coágulo e a placa. A maior parte dos cateteres com balão possuem igualmente uma estrutura em rede, denominada stent, sobre o balão. Depois de o balão ser insuflado para desobstruir a artéria bloqueada, o stent é deixado no lugar para manter a artéria aberta. Novos medicamentos denominados inibidores dos receptores IIb/IIIa reduzem a coagulação de uma forma ainda mais poderosa do que a aspirina. Estes medicamentos, que incluem o abciximab e o tirofiban, demonstraram ser benéficos nos doentes que estão prestes a ser submetidos a uma PTCA ou à colocação de um stent.

A terapêutica de reperfusão pode igualmente ser realizada com medicamentos que dissolvem os coágulos, denominados agentes trombolíticos, os quais incluem o activador do plasminogénio tecidular (tPA), a estreptoquinase e o complexo activador da estreptoquinase-plasminogénio anisoilado (APSAC). Estes medicamentos são frequentemente utilizados como alternativa à angioplastia quando se prevê que a transferência do doente para um local onde esta possa ser realizada demore demasiado tempo.

Muito do tratamento adicional para um ataque cardíaco depende de o doente ter ou não desenvolvido complicações. Por exemplo, podem ser necessários medicamentos adicionais para tratar arritmias cardíacas perigosas (batimentos cardíacos anormais), uma pressão arterial baixa e uma insuficiência cardíaca congestiva.

Quando contactar um médico

Procure imediatamente ajuda de emergência se tiver uma dor no peito, mesmo que pense que pode ser apenas uma indigestão ou que é demasiado novo para ter um ataque cardíaco. O tratamento imediato aumenta a probabilidade de limitar a lesão do músculo cardíaco, uma vez que as medidas de reperfusão funcionam melhor se forem iniciadas dentro de 30 minutos após o início dos sintomas.

Prognóstico

Cerca de 15% dos doentes que sofrem um ataque cardíaco morrem antes de chegar a um hospital e outros 15% morrem depois de chegar. Entre os restantes 70% que sobrevivem ao internamento hospitalar, aproximadamente 4% (1 em 25) irão morrer no primeiro ano após a alta. No entanto, este risco não é o mesmo para todos os grupos etários. Por exemplo, nos doentes com mais de 65 anos, a taxa de mortalidade é de 20% durante o primeiro mês após um ataque cardíaco e de 35% durante o primeiro ano.

Informação Adicional

Sociedade Portuguesa de Cardiologia
http://www.spc.pt/
 
Fundação Portuguesa de Cardiologia
http://www.fpcardiologia.pt/
 
Alto Comissariado da Saúde
http://www.acs.min-saude.pt/
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