Sabe o que é a Doença Coronária?

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Cardiologia pelo Prof. Fausto Pinto: O que é a Doença Coronária?

Leia o artigo aqui:

O que é?

Doença coronária é o termo habitualmente utilizado para descrever a acumulação de depósitos de gordura e de tecido fibroso (placas) no interior das artérias que fornecem sangue ao coração, ou seja, as artérias coronárias. Esta formação de placas nas artérias coronárias é denominada de aterosclerose coronária e pode levar a que estes vasos sanguíneos se tornem significativamente mais estreitos. Em consequência, verifica-se uma diminuição do fornecimento de sangue a determinadas zonas do músculo cardíaco, o que desencadeia um tipo de dor no tórax designado por angina de peito. A aterosclerose pode igualmente conduzir à formação de um coágulo de sangue dentro de uma artéria coronária estreitada. Este evento é responsável pela ocorrência de um ataque cardíaco, o qual pode causar uma lesão significativa do músculo cardíaco.
Os factores que aumentam o risco de desenvolvimento de uma doença coronária são basicamente os mesmos que aumentam o risco de desenvolvimento da aterosclerose:
  • Nível elevado de colesterol no sangue
  • Nível elevado de colesterol LDL, habitualmente denominado de “colesterol mau”
  • Nível baixo de colesterol HDL, habitualmente denominado de “colesterol bom”
  • Pressão arterial elevada (hipertensão)
  • Diabetes
  • História familiar de doença coronária numa idade precoce
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Inactividade física (uma vida sedentária com prática muito reduzida de exercício físico regular)
As doenças do aparelho circulatório, habitualmente associadas a doença coronária, são a principal causa de morte em Portugal, sendo responsáveis por cerca de 1/3 das mortes no nosso país. Numa fase mais precoce da vida, os homens apresentam um maior risco de doença coronária do que as mulheres. No entanto, depois da menopausa o risco da mulher acaba por igualar o do homem.

Sintomas

Na maior parte das pessoas, o sintoma mais comum de doença coronária é um tipo de dor no peito denominada de angor ou angina de peito. A angina de peito é geralmente descrita como uma dor no peito tipo aperto, pressão ou queimadura que tende a ser sentida principalmente no centro da face anterior do tórax ou imediatamente abaixo do centro da caixa torácica. Ela pode igualmente irradiar para os braços (mais frequentemente para o braço esquerdo), abdómen, pescoço ou maxilar inferior. Outros sintomas que podem eventualmente surgir incluem sudação, náuseas, tonturas, falta de ar ou palpitações. Por vezes, quando a doença coronária causa uma dor no peito tipo queimadura acompanhada por náuseas, o doente pode confundir os sintomas cardíacos com uma indigestão.

Existem dois tipos de dor no peito relacionados com a doença coronária – a angina estável e a síndrome coronária aguda.

Na angina estável, a dor no peito apresenta um padrão previsível, ocorrendo geralmente depois de uma emoção extrema, de um esforço intenso, de uma refeição copiosa, de fumar um cigarro ou da exposição a temperaturas extremamente quentes ou frias. Os sintomas habitualmente duram um a cinco minutos e desaparecem após alguns minutos de repouso. A angina estável é causada por uma placa macia que obstrui parcialmente o fluxo sanguíneo numa ou mais das artérias coronárias.

A síndrome coronária aguda (SCA) é muito mais perigosa. Na maior parte dos casos de SCA, a placa gorda dentro de uma artéria sofreu ruptura, com criação de uma superfície irregular que levou à formação de um coágulo de sangue sobre a placa rasgada. Este bloqueio súbito do fluxo sanguíneo resulta numa angina instável ou num ataque cardíaco (enfarte do miocárdio). Na angina instável, os sintomas de dor no peito são mais pronunciados e menos previsíveis em comparação com a angina estável. A dor no peito ocorre muito mais frequentemente, muitas vezes em repouso, e dura vários minutos a horas. Além disso, as pessoas com angina instável apresentam frequentemente uma sudação profusa em determinadas alturas e desenvolvem dores no maxilar inferior, nos ombros e nos braços.

Muitas pessoas com doença coronária, especialmente as mulheres, não apresentam quaisquer sintomas ou têm sintomas pouco habituais. Nestas pessoas, o único sinal de doença coronária pode ser uma alteração suspeita no padrão de um exame denominado electrocardiograma (ECG), que regista a actividade eléctrica do coração. Este exame pode ser efectuado em repouso ou durante o exercício (prova de esforço). A prova de esforço permite detectar o problema na artéria coronária visto que o exercício aumenta a necessidade de sangue no músculo cardíaco e o corpo não consegue responder a esta exigência quando as artérias coronárias se encontram significativamente estreitadas. Nas áreas do coração irrigadas pelas artérias coronárias estreitadas, o músculo cardíaco fica com falta de sangue e de oxigénio e a sua actividade eléctrica altera-se, o que se reflecte nos resultados do ECG do doente.

Se o problema não for detectado, o primeiro sintoma de um estreitamento de uma artéria coronária pode ser um ataque cardíaco. Uma pessoa que sofre um ataque cardíaco tem uma probabilidade de 15% de morrer antes de receber cuidados médicos.

Diagnóstico

A doença coronária geralmente é diagnosticada depois de uma pessoa ter dor no peito ou outros sintomas, tais como falta de ar com a actividade física.

O médico irá examinar o doente, prestando especial atenção ao tórax e ao coração. Durante o exame físico, irá pressionar o peito para verificar se se apresenta doloroso, pois a dor à palpação na área em que o doente refere a dor pode ser um sinal de um problema não cardíaco envolvendo os músculos do tórax, as costelas ou as articulações das costelas com o esterno. Poderá também usar um estetoscópio para auscultar quaisquer sons cardíacos anormais. O exame físico será seguido por um ou mais exames diagnósticos para procurar identificar a presença de doença coronária, incluindo:

  • ECG. O ECG é um registo dos impulsos eléctricos do coração que permite identificar problemas na frequência e no ritmo cardíacos e pode proporcionar indícios de que parte do músculo cardíaco não está a receber sangue suficiente.
  • Análises de sangue para dosear as enzimas cardíacas. Quando o músculo cardíaco se encontra lesado, as enzimas saem das células musculares lesadas para a circulação sanguínea, pelo que a sua elevação pode sugerir a existência de um problema cardíaco.
  • Prova de esforço em tapete rolante. Uma prova de esforço monitoriza os efeitos do exercício efectuado sobre um tapete rolante ao nível da pressão arterial e do ECG e permite identificar problemas cardíacos.
  • Ecocardiograma. Este exame utiliza ultra-sons para produzir imagens do movimento do coração em cada batimento.
  • Exame imagiológico com substâncias radioactivas. Neste exame é injectado um material radioactivo que é captado pelo músculo cardíaco, o que permite revelar determinadas alterações em imagens obtidas com câmaras especiais.
  • Angiografia coronária (isto é, uma série de radiografias das artérias coronárias). A angiografia coronária é considerada a forma mais fidedigna de avaliar a gravidade da doença coronária. Durante uma angiografia convencional, um tubo fino, longo e flexível, denominado cateter, é inserido numa artéria do antebraço ou da virilha e, em seguida, introduzido através do sistema circulatório até às artérias coronárias. Em seguida, é injectada uma substância de contraste para permitir visualizar o fluxo sanguíneo dentro das artérias coronárias e para identificar áreas de estreitamento ou de bloqueio. Actualmente, a angiografia pode igualmente ser realizada através de uma tomografia computorizada do tórax efectuada enquanto um corante é injectado numa veia, um novo exame denominado de “angio-TAC”.

Duração esperada

A doença coronária é uma doença crónica e as pessoas podem apresentar diferentes padrões de sintomas. A placa nas artérias coronárias nunca irá desaparecer completamente, mas com dieta, exercício físico e uma medicação apropriada, o músculo cardíaco adapta-se ao fluxo sanguíneo diminuído e podem desenvolver-se novos pequenos vasos sanguíneos para aumentar o fluxo de sangue para o músculo cardíaco (denominada circulação colateral).

Prevenção

O doente pode ajudar a prevenir a doença coronária se controlar os seus factores de risco para a aterosclerose. Para esse efeito, o doente deve:

  • Deixar de fumar.
  • Ingerir uma dieta saudável.
  • Reduzir o colesterol LDL elevado (“colesterol mau”).
  • Reduzir a pressão arterial elevada.
  • Perder peso e praticar exercício para prevenir a diabetes.

Tratamento

A doença coronária causada pela aterosclerose é tratada com:

  • Alterações do estilo de vida. Estas incluem perder peso quando os doentes são obesos, deixar de fumar, fazer dieta e tomar medicamentos para reduzir o colesterol elevado, praticar regularmente exercício físico e realizar técnicas de redução do stress (meditação, biofeedback, etc.).
  • Nitratos (incluindo a nitroglicerina). Estes medicamentos alargam os vasos sanguíneos (são vasodilatadores), dilatando as artérias coronárias com aumento do fluxo de sangue para o músculo cardíaco. Estes medicamentos dilatam igualmente as veias do corpo, o que diminui a sobrecarga do coração através da redução temporária do volume de sangue que regressa ao coração para ser bombeado.
  • Beta-bloqueantes, tais como o atenolol e o metoprolol. Estes medicamentos diminuem a sobrecarga do coração ao reduzirem a frequência cardíaca e a força das contracções do músculo cardíaco, especialmente durante o exercício. As pessoas que tiveram um ataque cardíaco devem continuar a tomar um beta-bloqueante para o resto da vida para reduzir o risco de um segundo ataque cardíaco.
  • Aspirina. A aspirina ajuda a prevenir a formação de coágulos de sangue dentro das artérias coronárias estreitadas, pelo que pode reduzir o risco de um ataque cardíaco nas pessoas que já sofrem de doença coronária. Os médicos aconselham frequentemente as pessoas com mais de 50 anos a tomarem uma dose baixa de aspirina todos os dias para ajudar a prevenir um ataque cardíaco.
  • Medicamentos para baixar o colesterol. As estatinas – como a lovastatina, a sinvastatina, a pravastatina e a atorvastatina – tiveram um grande impacto na melhoria do risco de um ataque cardíaco e de morte nas pessoas com doença coronária ou em risco para o seu desenvolvimento. As estatinas reduzem o colesterol LDL e podem elevar ligeiramente o colesterol HDL. Tomar uma estatina com regularidade ajuda igualmente a prevenir que as placas sofram ruptura ou se fragmentem, o que diminui a probabilidade de um ataque cardíaco ou de agravamento da angina de peito. A niacina diminui o colesterol LDL, eleva o colesterol HDL e diminui também os níveis de triglicéridos. Os medicamentos denominados fibratos, tais como o gemfibrozil, são utilizados principalmente por pessoas com níveis elevados de triglicéridos. O ezetimibe actua no intestino, diminuindo a absorção de colesterol dos alimentos.
  • Bloqueadores dos canais do cálcio, como a nifedipina de acção longa, o verapamil, o diltiazem e a amlodipina. Estes medicamentos podem ajudar a diminuir a frequência da dor no peito nos doentes com angina.

Se a angina estável constituir uma limitação para o doente do ponto de vista físico devido à dor no peito, o médico irá provavelmente aconselhá-lo a efectuar uma angiografia coronária (cateterismo cardíaco) para verificar se existem bloqueios significativos. Um especialista em doenças do coração (cardiologista) pode igualmente efectuar este exame para diagnosticar uma doença coronária quando os outros exames são inconclusivos, numa emergência quando uma pessoa está a ter um ataque cardíaco e em algumas pessoas com uma insuficiência cardíaca congestiva recentemente diagnosticada.

Quando são encontradas uma ou mais obstruções significativas, o cardiologista irá determinar se esta(s) pode(m) ser eliminada(s) através de um procedimento denominado angioplastia com balão, também chamado de angioplastia coronária transluminal percutânea ou PTCA. Na angioplastia com balão é inserido um cateter numa artéria da virilha ou do antebraço e, em seguida, este é introduzido através do sistema circulatório até à artéria coronária bloqueada. Uma vez dentro da artéria coronária, um pequeno balão situado na ponta do cateter é insuflado de forma breve para abrir o vaso sanguíneo estreitado. Habitualmente, a insuflação do balão é seguida pela colocação de um stent, uma rede de arame que se expande com o balão e que permanece dentro da artéria para a manter aberta. O balão é então desinsuflado e o cateter é removido.

Se as obstruções não conseguirem ser eliminadas através da angioplastia com balão, o cardiologista irá provavelmente sugerir a realização de uma cirurgia de pontagem coronária (também conhecida por “bypass coronário”). Esta intervenção cirúrgica envolve o enxerto de um ou mais vasos sanguíneos nas artérias coronárias para efectuar um desvio (bypass) do sangue nas áreas estreitadas ou obstruídas. Os vasos sanguíneos a serem enxertados podem ser retirados de uma artéria situada dentro do tórax, de uma artéria do braço ou de uma veia longa da perna.

O objectivo de tratar os ataques cardíacos ou um agravamento súbito da angina é o restabelecimento rápido do fluxo de sangue na secção do músculo cardíaco que já não está a ser adequadamente irrigada. Os doentes recebem imediatamente medicamentos para o alívio da dor, bem como um beta-bloqueante para diminuir a frequência cardíaca e reduzir o trabalho do coração e aspirina associada a outros medicamentos para dissolver ou inibir a formação dos coágulos sanguíneos. Sempre que possível, os doentes são transferidos para uma unidade de cateterismo cardíaco para efectuarem de imediato uma angiografia e uma angioplastia com balão na obstrução mais significativa. Em algumas pessoas com doença coronária, outros sintomas ou complicações irão requerer tratamento com terapêuticas adicionais. Por exemplo, pode ser necessária medicação para tratar as arritmias cardíacas (ritmos cardíacos anormais), uma pressão arterial baixa ou uma insuficiência cardíaca.

Quando contactar um profissional

Procure imediatamente ajuda de emergência se tiver uma dor no peito, mesmo que pense que é demasiado novo para ter problemas cardíacos. Nos doentes cuja dor no peito indica um ataque cardíaco, o tratamento instituído com prontidão pode limitar a lesão do músculo cardíaco.

Nunca deve desperdiçar tempo precioso à espera que a dor no peito desapareça. Cerca de 15% das pessoas que sofrem um ataque cardíaco morrem pouco depois do início dos sintomas torácicos e não chegam ao hospital com vida.

Prognóstico

Nas pessoas com doença coronária, o prognóstico depende de muitos factores. As pessoas com angina estável que estão a tomar medicamentos regularmente, têm uma dieta apropriada e praticam exercício físico consoante as indicações dos médicos geralmente permanecem activas. O prognóstico dos ataques cardíacos quando as pessoas chegam prontamente ao serviço de urgência melhorou dramaticamente ao longo dos últimos 10 anos. No entanto, muitas pessoas ainda morrem antes de chegarem ao hospital. É por este motivo que é tão importante prevenir a doença coronária.

Informação Adicional

Sociedade Portuguesa de Cardiologia

http://www.spc.pt

Campo Grande 28, 13º   1700-093 Lisboa

Telefones: 217978605, 217817630

Fax: 217931095

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt

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