O que é a Aterosclerose?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Cardiologia pelo Prof. Fausto Pinto: O que á a Aterosclerose?

Leia o artigo aqui:

O que é?

A aterosclerose é um estreitamento das artérias que pode reduzir significativamente o fornecimento de sangue a órgãos vitais como o coração, o cérebro e os intestinos. Na aterosclerose, as artérias são estreitadas quando depósitos de gordura denominados placas se acumulam no seu interior. As placas contêm tipicamente colesterol constituído por lipoproteínas de baixa densidade (LDL), células musculares lisas, tecido fibroso e, por vezes, cálcio. À medida que uma placa cresce ao longo do revestimento de uma artéria, produz uma área rugosa na superfície normalmente lisa da artéria. Esta área rugosa pode conduzir à formação de um coágulo de sangue dentro da artéria, o qual pode bloquear completamente o fluxo de sangue. Consequentemente, o órgão abastecido pela artéria bloqueada fica sem receber sangue nem oxigénio e as células desse órgão podem morrer ou sofrer uma lesão grave. 

A aterosclerose constitui a causa principal de morte e de incapacidade nas nações industrializadas, sendo o problema médico subjacente na maior parte dos indivíduos com qualquer das seguintes doenças:

  • Doença coronária – Nesta doença crónica (de longa duração), a aterosclerose estreita as artérias coronárias, que são as artérias que fornecem o sangue ao músculo cardíaco. Isto pode causar uma dor no peito denominada angina e pode igualmente aumentar o risco de um ataque cardíaco, que ocorre quando uma artéria coronária é completamente bloqueada.
  • Acidente vascular cerebral – Um coágulo de sangue (trombo) pode formar-se no interior de uma artéria cerebral que se encontra estreitada pela aterosclerose. Uma vez formado esse trombo, o fornecimento de sangue a parte do cérebro é interrompido, causando um acidente vascular cerebral trombótico. Actualmente, aproximadamente 75% dos acidentes vasculares cerebrais nos países industrializados são de origem trombótica.
  • Angina abdominal e enfarte intestinal – Quando a aterosclerose estreita as artérias que fornecem o sangue aos intestinos, esta situação causa uma forma de dor denominada angina abdominal. Um bloqueio súbito e completo do fornecimento de sangue ao intestino pode causar um enfarte intestinal, que é semelhante a um ataque cardíaco, mas que envolve os intestinos em vez do coração.
  • Aterosclerose dos membros – A aterosclerose pode estreitar as principais artérias que fornecem o sangue às pernas, especialmente as artérias femorais e popliteias. Estas duas artérias são afectadas em 80 a 90% das pessoas com este problema. O fluxo sanguíneo reduzido para as pernas pode resultar numa dor nas pernas tipo cãibra durante o exercício denominada claudicação intermitente. Se o fluxo de sangue for gravemente comprometido, partes da perna podem ficar pálidas ou cianóticas (de cor azulada), frias ao tacto e podem acabar por desenvolver uma gangrena.
  • Outros problemas – A aterosclerose pode constituir um factor no desenvolvimento de um aneurisma aórtico ou de uma estenose (estreitamento) da(s) artéria(s) renal/is.

Os factores que aumentam o risco de desenvolvimento de aterosclerose incluem:

  • Nível elevado de colesterol no sangue (hipercolesterolémia)
  • Nível baixo de colesterol HDL (o “colesterol bom”)
  • Níveis elevados de proteína C reactiva, um marcador de inflamação
  • Pressão arterial elevada (hipertensão)
  • Diabetes
  • História familiar de doença coronária numa idade precoce
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Inactividade física (pouco exercício físico regular)
  • Idade avançada

Manifestações clínicas

A aterosclerose geralmente não causa quaisquer sintomas até o fornecimento de sangue para um órgão ser reduzido. Quando isto acontece, as manifestações variam, dependendo do órgão específico envolvido:

  • Coração – As manifestações incluem dor no peito (angina) e falta de ar, suores, náuseas, tonturas ou palpitações.
  • Cérebro – Quando a aterosclerose estreita as artérias cerebrais pode causar tonturas ou confusão, fraqueza ou paralisia num dos lados do corpo, entorpecimento súbito e intenso de qualquer parte do corpo, perturbações visuais (incluindo perda súbita da visão), dificuldade em andar (incluindo cambalear ou guinadas súbitas), problemas da coordenação dos braços e das mãos e fala arrastada ou incapacidade para falar. Se os sintomas desaparecerem em menos de 24 horas, o episódio é denominado de acidente isquémico transitório (AIT). Quando a aterosclerose bloqueia completamente as artérias cerebrais e/ou as manifestações duram mais tempo, o episódio é geralmente denominado de acidente vascular cerebral (AVC).
  • Abdómen – Quando a aterosclerose estreita as artérias dos intestinos, pode surgir uma dor surda ou tipo cãibra no meio do abdómen, começando geralmente 15 a 30 minutos depois de uma refeição. O bloqueio completo de uma artéria intestinal causa uma dor abdominal intensa, por vezes acompanhada de vómitos, diarreia ou aumento do volume abdominal.
  • Pernas – O estreitamento das artérias da perna causa uma dor tipo cãibra nos músculos da perna, especialmente durante o exercício. Se o estreitamento for grave, pode existir dor em repouso, os dedos e os pés podem ficar frios, pálidos ou azulados e pode ocorrer perda dos pêlos das pernas.

Diagnóstico

O médico irá fazer-lhe perguntas sobre a sua história familiar de doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e outros problemas circulatórios, bem como de colesterol elevado no sangue. Irá também questioná-lo sobre os seus hábitos tabágicos, prática de exercício físico, consumo de álcool e sintomas de aterosclerose. Serão avaliados a pressão arterial e o pulso no pescoço e nos pés.

Será efectuada uma revisão da sua história clínica, dos sintomas actuais e de quaisquer medicamentos que esteja a tomar.

Se não tiver sintomas de qualquer dos problemas médicos relacionados com a aterosclerose, o médico irá examiná-lo e procurar sinais de má circulação. De um modo geral, estes sinais podem incluir sopros (um som rude provocado pelo fluxo de sangue turbulento através das artérias estreitadas) auscultados com um estetoscópio ao nível do pescoço, do abdómen e em outros locais, pulsos fracos (especialmente nas virilhas, nas pernas e nos pés) e pele fria, pálida ou azulada nas pernas.

O médico irá pedir análises de sangue para dosear os níveis de colesterol total, LDL e HDL, os níveis de triglicéridos e a glicémia em jejum. Um electrocardiograma (ECG) de rotina poderá ocasionalmente revelar alterações eléctricas no coração que indiquem um fluxo inadequado de sangue no músculo cardíaco. No entanto, o médico pode pedir um ECG realizado durante uma prova de esforço, uma vez que este teste tem uma maior probabilidade de revelar a existência de problemas. Podem ser necessários outros exames diagnósticos para avaliar a circulação sanguínea no coração, no cérebro e nas pernas.

Evolução clínica

A aterosclerose é um problema de longa duração com tendência a agravamento ao longo de décadas.

Prevenção

É possível ajudar a prevenir a aterosclerose ao alterar os factores de risco para a doença. Deve praticar um estilo de vida que promova uma boa circulação e que combata a aterosclerose:

  • Evite fumar. Se fumar, é essencial deixar de o fazer.
  • Mantenha um peso saudável. A obesidade, especialmente a concentração de gordura corporal em volta da cintura, tem sido associada a níveis pouco saudáveis de colesterol HDL e de triglicéridos.
  • Mantenha uma dieta saudável que seja rica em vegetais e fruta. Evite as gorduras saturadas e trans. Use gorduras monoinsaturadas (azeite) e polinsaturadas (girassol, açafroa, amendoim, canola) para cozinhar. As proteínas dietéticas devem ser fornecidas principalmente pelo peixe e fontes vegetais (soja, feijão, legumes).
  • Faça exercício regularmente.
  • Controle a hipertensão arterial, podendo necessitar de tomar medicamentos para o conseguir. Se nunca lhe tiver sido diagnosticada hipertensão arterial, deve avaliar a situação de dois em dois anos.
  • Se tiver diabetes, é necessário trabalhar ainda mais afincadamente para controlar o peso, fazer mais exercício físico, reduzir os níveis de colesterol LDL e de triglicéridos e manter a pressão arterial em valores inferiores a 130/85 mmHg.
  • Se não tiver diabetes, deve efectuar um teste da glicémia em jejum com intervalos de poucos anos se tiver factores de risco para a diabetes (excesso de peso, pressão arterial elevada ou colesterol elevado) depois dos 45 anos.
  • Conjugue esforços com o médico no sentido de manter níveis de colesterol adequados. Se nunca lhe tiverem sido diagnosticados problemas com o colesterol, deve verificar o seu colesterol em intervalos de cinco anos a partir dos 20 anos de idade.

Tratamento

Não existe cura para a aterosclerose, mas o tratamento pode diminuir a velocidade de progressão ou mesmo interromper o agravamento da doença. O objectivo principal do tratamento consiste em prevenir um estreitamento significativo das artérias para que os sintomas nunca venham a desenvolver-se e os órgãos vitais nunca sejam lesados. Para o conseguir deve começar por seguir um estilo de vida saudável, tal como foi indicado acima. Se tiver colesterol elevado que não consiga ser controlado pela dieta e pelo exercício, podem ser necessários medicamentos. Existem actualmente cinco classes de medicamentos para reduzir o colesterol:

  • Inibidores da HMG-CoA redutase, incluindo a lovastatina, a sinvastatina, a pravastatina, a fluvastatina, a rosuvastatina e a atorvastatina, que bloqueiam uma enzima, chamada HMG-CoA redutase, que controla a produção de colesterol no fígado.
  • Resinas que fixam os ácidos biliares, incluindo a colestiramina e o colestipol
  • Niacina
  • Fibratos, incluindo o gemfibrozil e fenofibrato
  • Inibidores da absorção do colesterol, que constituem a classe mais recente de agentes para reduzir o colesterol, sendo o ezetimibe o único medicamento deste grupo que se encontra actualmente comercializado.

A partir do momento em que se tenha desenvolvido lesão de órgãos relacionada com a aterosclerose, o tratamento depende do órgão envolvido:

  • Coração – Os tratamentos para a doença coronária incluem medicamentos para controlar os sintomas de angina (nitratos, beta-bloqueantes, bloqueadores dos canais do cálcio) e para prevenir os ataques cardíacos (aspirina e beta-bloqueantes); angioplastia com balão, frequentemente com colocação de stents de rede; e, menos frequentemente, cirurgia de pontagem coronária (bypass).
  • Cérebro – Os tratamentos para ajudar a prevenir os acidentes isquémicos transitórios (AITs) e os acidentes vasculares cerebrais (AVCs) incluem os medicamentos antiagregantes plaquetários, tais como a aspirina, o dipiridamol e o clopidogrel, e os medicamentos anticoagulantes, como a varfarina e a heparina.
  • Abdómen – Quando a aterosclerose estreita as artérias que irrigam o intestino, o doente pode ser tratado através de uma angioplastia com balão, com ou sem stents, ou através de uma cirurgia de pontagem arterial (“bypass“).
  • Pernas – O tratamento base para a claudicação intermitente passa por deixar de fumar, fazer exercício (geralmente um programa de marcha) e tomar aspirina. As pessoas com um estreitamento arterial grave podem ser tratadas com uma angioplastia com balão, com ou sem stents, angioplastia por laser, aterectomia ou cirurgia de pontagem (“bypass“) com enxertos.

Quando contactar um médico

É possível ter aterosclerose durante muitos anos sem ter sintomas. Se apresentar sintomas de um problema relacionado com a aterosclerose, contacte imediatamente o seu médico.

Prognóstico

A aterosclerose conduz à principal causa de morte na Europa e nos Estados Unidos em ambos os sexos: a doença coronária. No entanto, as pessoas com aterosclerose estão a viver durante mais tempo e com uma maior qualidade de vida do que anteriormente e, para muitos, esta doença pode ser prevenida. Mesmo as pessoas geneticamente predispostas a aterosclerose podem atrasar o início e o agravamento da doença com um estilo de vida saudável, uma dieta adequada e medicamentos para reduzir o colesterol LDL.

Informação Adicional

Sociedade Portuguesa de Cardiologia
http://www.spc.pt
 
Fundação Portuguesa de Cardiologia
http://www.fpcardiologia.pt
 
Alto Comissariado da Saúde
http://www.acs.min-saude.pt
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Uma resposta to “O que é a Aterosclerose?”

  1. jorge manuel bastos das neves Says:

    Outro excelente artigo de revisão do Programa Harvard Portugal.
    Parabéns aos autores pelo seu empenho e trabalho.


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