O que é a vertigem? Quais as suas manifestações clínicas?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª. Ana Correia

Validação Científica:

Prof. Lobo Antune

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Neurologia pelo Prof. João Lobo Antunes: O que é a Vertigem?

Leia o artigo aqui:

O que é?

A vertigem é a sensação de que o corpo de um indivíduo ou o meio ambiente se estão a mover (geralmente a andar à roda). A vertigem pode ser um sintoma de muitas doenças diferentes. As causas mais comuns de vertigem são doenças que afectam o ouvido interno, incluindo:

  • Vertigem posicional paroxística benigna — Nesta situação, uma alteração na posição da cabeça causa uma sensação súbita de rotação. A causa mais provável é a presença de pequenos cristais que se libertam nos canais do ouvido interno e estimulam as terminações nervosas sensíveis no seu interior. Pode ser provocada por um traumatismo craniano mas, na maior parte dos casos, não é possível encontrar um factor desencadeante.
  • Labirintite aguda, também denominada nevrite vestibular — Esta patologia é uma inflamação do aparelho responsável pela manutenção do equilíbrio no ouvido interno, provavelmente causada por uma infecção viral.
  • Doença de Menière — Esta doença causa episódios repetidos de vertigens, geralmente com zumbidos nos ouvidos e uma perda de audição progressiva para sons de baixa frequência. A doença de Menière é causada por uma modificação do volume de líquido no interior do ouvido interno. Embora a razão para esta alteração não seja conhecida, os cientistas suspeitam que possa estar associada a uma infecção viral, traumatismo, doença auto-imune ou a factores biológicos no interior do próprio ouvido.

Manifestações Clínicas

A vertigem pode provocar a sensação de que o quarto está a andar à roda ou que a pessoa está a rodar dentro do quarto ou pode provocar apenas uma sensação de desequilíbrio, podendo estar associada a náuseas, vómitos e zumbidos (acufenos) num ou em ambos os ouvidos.

Diagnóstico

O médico irá diagnosticar a vertigem com base na descrição do que o doente está a sentir. Esta situação pode ser dividida em duas categorias principais: a vertigem periférica e a vertigem central.

A vertigem periférica, que é muito mais comum, inclui a vertigem posicional benigna, a labirintite e a doença de Menière. A vertigem posicional é diagnosticada quando a mobilização da cabeça causa a vertigem e a colocação da cabeça numa posição neutra alivia os sintomas. A labirintite e as crises de doença de Menière geralmente surgem subitamente e duram entre algumas horas até alguns dias. Podem ocorrer náuseas e vómitos intensos.

A vertigem central constitui um problema mais grave no cerebelo (a parte posterior do cérebro) ou no tronco cerebral.

O médico irá proceder a uma observação geral do doente e, em caso de suspeita de vertigem central, ao exame neurológico. Também poderá ser avaliada a audição. O médico irá ainda examinar os olhos do doente para verificar se estão presentes movimentos anormais de oscilação (nistagmo). O padrão dos movimentos dos olhos pode ajudar a determinar se o problema é periférico ou central. De um modo geral, não são necessários testes adicionais, a menos que o médico suspeite de uma vertigem central. Nesse caso, o médico irá pedir uma tomografia computorizada (TC) ou uma ressonância magnética nuclear (RMN) do cérebro.

Evolução Clínica

Dependendo da causa, a vertigem pode demorar apenas alguns segundos ou prolongar-se durante semanas a meses.

Prevenção

A vertigem pode acontecer a qualquer pessoa e não existe forma de prevenir o primeiro episódio. Uma vez que a vertigem pode estar associada a uma sensação intensa de desequilíbrio, é importante evitar situações em que uma queda possa provocar lesões significativas, tais como subir escadas ou trabalhar num telhado inclinado.

Tratamento

O médico pode iniciar o tratamento com a recomendação de repouso no leito ou com a prescrição de medicamentos que suprimem a actividade do ouvido interno (como a meclozina, dimenidrinato ou a prometazina) ou de um tranquilizante (como o diazepam). Dependendo da causa da vertigem, pode ser recomendado tratamento adicional. Por exemplo, na Doença de Menière é útil a restrição de sal e o recurso a diuréticos.

Na vertigem posicional paroxística benigna, o médico pode mobilizar a cabeça e o corpo do doente através de uma sequência de posições, de forma a reposicionar os cristais nos canais do ouvido interno. Isto é realizado no consultório, geralmente na marquesa de observações. O método mais frequentemente utilizado é a manobra de Epley. O médico pode também indicar manobras específicas para o doente continuar a realizar no domicílio.

Na vertigem mais persistente, o médico pode recomendar outros tipos de reabilitação vestibular, também denominada reabilitação do equilíbrio. O tipo de exercício prescrito depende da causa subjacente das vertigens e dos movimentos que provocam os sintomas. O médico pode referenciar o doente para um audiologista e/ou para um fisioterapeuta para o ajudar a delinear a terapêutica e para o instruir na sua implementação.

Quando contactar um médico

Contacte o médico se tiver um novo episódio de vertigem, especialmente se estiver associada a dores de cabeça e a dificuldades significativas na coordenação motora. Além disso, consulte o médico se apresentar uma vertigem ligeira que persiste ao fim de alguns dias.

Prognóstico

A maior parte dos casos de vertigem duram algumas horas a alguns dias. Os sintomas causados por uma labirintite aguda desaparecem quase sempre sem deixar sequelas. Outras causas de vertigem podem resultar em sintomas que são mais persistentes.

Informação Adicional

Sociedade Portuguesa de Neurologia

http://www.spneurologia.org 

Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial

http://www.sporl.net/

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt/

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