O que é uma Hérnia Discal?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Prof. Lobo Antunes

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Neurologia pelo Prof. João Lobo Antunes: O que é uma Hérnia Discal?

Leia o artigo aqui:

O que é?

Os discos intervertebrais são estruturas que servem como almofadas protectoras entre as vértebras da coluna. Cada disco é feito de um núcleo de gel mole envolvido por uma armação exterior fibrosa mais densa e forte. Esta estrutura permite que o disco seja suficientemente firme para manter o espaço entre as vértebras, mas, ao mesmo tempo, suficientemente mole para se comprimir quando a coluna se flecte, dobra, inclina e se vira de lado.

Em algumas pessoas, sobretudo nos adultos de meia idade, a armação exterior rija do disco pode desenvolver uma área de fraqueza ou uma pequena ruptura. Quando isto acontece, parte do núcleo interior mole do disco sai da sua posição normal produzindo uma situação que se denomina de hérnia discal. Se a hérnia discal comprimir as raízes nervosas no canal espinal próximo, pode provocar uma variedade de sintomas relacionados com os nervos, incluindo dor, dormência e fraqueza muscular. Nos casos mais graves, uma hérnia discal pode até comprimir os nervos que controlam o intestino e a bexiga, provocando incontinência urinária e perda de controlo do intestino.

Ainda não se compreende, totalmente, a razão da existência de hérnias discais. A maioria das teorias atribui esta situação a uma combinação dos seguintes factores:

• Envelhecimento do disco – As hérnias discais são relativamente raras nas pessoas jovens, mas comuns entre as pessoas com idades compreendidas entre os 35 e os 55 anos. De todos os factores responsáveis pelas hérnias discais, o envelhecimento é, provavelmente, o mais importante. Com a idade, a armação exterior do disco parece sofrer uma degenerescência lenta, possivelmente, após décadas de postura erecta e flexão da coluna.

• Factores genéticos – Em algumas famílias, vários membros sofrem de hérnias discais. Se a doença tem uma característica familiar, pode ter um início mais precoce, afectando mesmo pessoas com menos de 21 anos de idade.

Alguns estudos estão a começar a identificar genes específicos ligados a formas hereditárias de doença discal.

• Factores de risco individuais – Pode existir um elevado risco de desenvolver uma hérnia discal se trabalhar ou se participar em desportos que envolvam levantar grandes pesos ou virar-se ou dobrar-se excessivamente.

Há três segmentos distintos da coluna vertebral onde pode ocorrer uma hérnia discal:

• Cervical – entre as vértebras no pescoço

• Torácica – entre as vértebras do tórax

• Lombar – entre as vértebras na parte inferior da coluna, acima da bacia

As hérnias discais mais comuns são as da região lombar, sendo raras as da região torácica, contribuindo estas para apenas 1 em cada 200 a 400 casos de hérnias discais.

Manifestações clínicas

Em regra, o primeiro sintoma de uma hérnia discal é a dor das costas, na área do disco afectado. Alguns investigadores acreditam que esta dor é um sinal de que se regista uma lesão ou enfraquecimento da armação exterior rija do disco e não significa que se tenha verificado, necessariamente, uma hérnia do núcleo interior. Se, de facto, houver uma hérnia do núcleo interior e estiver a comprimir um nervo próximo, os sintomas resultantes variam, dependendo da localização da hérnia discal:

• Na região cervical – Pode haver dor no pescoço, ombro, omoplata, braço ou tórax, juntamente com dormência ou fraqueza no braço ou dedos. Se a dor se centrar no tórax e braço, pode imitar a dor torácica da doença cardíaca. Por vezes, podem ocorrer alterações na micção e dores de cabeça.

• Na região torácica – Os sintomas tendem a ser vagos, enganosos e prolongados. Pode haver dor na parte superior das costas, parte inferior das costas, tórax, abdómen ou pernas, juntamente com fraqueza e dormência numa ou ambas as pernas. Algumas pessoas afectadas também se queixam de incontinência intestinal ou da bexiga.

• Na região lombar – Muitas pessoas sofrem de anos de dor intermitente e ligeira na parte inferior das costas antes de um único acontecimento precipitante (tais como levantar pesos, flexão súbita, torção abrupta) agravar os seus sintomas ao ponto de procurarem ajuda médica. A principal queixa que a maioria das pessoas com uma hérnia discal lombar apresenta é uma dor forte referida à coxa e perna. Esta dor denomina-se de dor ciática, uma vez que surge de pressão nas raízes nervosas que compõem o nervo ciático e, em regra, começa na parte inferior das costas, depois irradia para as nádegas e para a parte de trás da coxa e perna. A dor ciática agrava-se, tipicamente, se o doente tossir, espirrar, se virar para baixo ou rodar as costas abruptamente. Embora o repouso alivie, muitas vezes, a dor ciática, esta pode agravar-se ao conduzir ou ao levantar-se de uma cadeira. Além disso, pode verificar-se dormência, formigueiro ou fraqueza muscular nas nádegas ou perna do lado da dor. Em formas mais raras e mais graves de hérnia discal lombar, o nervo é comprimido de forma mais extensa podendo desenvolver-se sintomas adicionais, incluindo dor rectal; perda de controlo do intestino e da bexiga; e dormência em redor da área genital, nádegas ou parte de trás das coxas.

Diagnóstico

Para um correcto diagnóstico é fundamental que o seu médico reveja a sua história médica, incluindo qualquer história de febre, cancro, uso de corticosteróides ou lesões recentes nas costas. Depois, o seu médico deverá colocar-lhe questões específicas sobre a dor:

• Tem tido episódios mais ligeiros de dor nas costas no passado?

• Onde se localiza a sua dor? Limita-se à coluna ou irradia para o ombro, braço, tórax, nádegas ou perna?

• Quando é que começou a dor? Começou quando tentou levantar algo pesado ou foi desencadeada por uma torção ou flexão súbita das costas?

• O que a alivia e o que a agrava?

• A dor desaparece quando descansa a área afectada ou está presente mesmo em repouso?

• Notou qualquer dormência, formigueiro ou fraqueza muscular nos braços ou pernas?

• Há problemas com o controlo do intestino ou da bexiga, dor rectal ou dormência nas nádegas ou área genital?

Após rever a sua história médica e sintomas, o seu médico irá efectuar um exame físico minucioso para excluir outras doenças que possam provocar dores nas costas, tais como um cancro ou uma infecção óssea das vértebras.

Este exame físico geral será seguido de um exame mais detalhado das costas, durante o qual o seu médico deverá procurar diferenças entre os lados direito e esquerdo, contracturas ou espasmos musculares, curvatura anormal, limitação do movimento, falta de flexibilidade, áreas de dormência e áreas de sensibilidade. Estes achados poderão ajudar a excluir outros tipos de problemas nas costas que podem provocar sinais e sintomas semelhantes.

Se apresenta queixas sugestivas de hérnia discal lombar, o seu médico pode pedir-lhe para efectuar manobras específicas, tais como andar nos dedos dos pés, andar nos calcanhares, agachar-se e levantar-se e flectir o pé contra resistência. É possível que lhe faça um teste que envolve deitar-se de costas com as pernas direitas para de seguida, enquanto relaxa, o médico levantar lentamente cada perna individualmente e assim determinar o ângulo onde começa a dor na perna. É essencial que também realize um exame neurológico minucioso, procurando alterações nos reflexos, assim como qualquer evidência de fraqueza muscular ou diminuição da sensação.

Podem ser recomendado realizar radiografias da coluna, uma tomografia axial computorizada (TAC) ou uma ressonância magnética nuclear (RMN) se houver dúvidas relativamente ao diagnóstico inicial e em especial se os sintomas persistirem ou se agravarem ao fim de várias semanas de tratamento ou se está a considerar cirurgia. Tendo em conta que os testes de imagem, tais como RMN ou TAC, podem mostrar anomalias do disco mesmo em pessoas sem sintomas, os resultados devem ser interpretados cuidadosamente, pois é comum encontrar anomalias que não têm repercussão clínica. O seu médico também pode recomendar uma electromiografia, um teste que analisa a função muscular e nervosa para identificar locais de compressão ou irritação nervosa.

Evolução Clínica

Na maioria das pessoas, a dor nas costas (lombalgia) melhora, gradualmente, após quatro a seis semanas de tratamento.

Prevenção

Em muitos casos não é possível evitar uma hérnia discal. No entanto, se sofreu de uma hérnia discal no passado, pode conseguir diminuir as probabilidades de voltar a acontecer se:

• Evitar actividades que requeiram levantar pesos ou flexões repetitivas

• Praticar uma boa postura

• Manter um peso saudável

• Seguir um programa de fisioterapia direccionado para aumentar a força muscular das costas e melhorar a flexibilidade do abdómen e das costas

• Praticar exercício regular, particularmente, natação e caminhada

Tratamento

Na maioria dos casos, uma hérnia discal (com ou sem ciática) irá responder a tratamento conservador. Isto pode incluir repouso no leito limitado (em regra, não mais de um ou dois dias); banhos quentes; almofadas de aquecimento; e medicamentos, tais como aspirina ou outros fármacos anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) ou relaxantes musculares. Alguns médicos prescrevem corticosteróides orais, embora haja dúvidas sobre os benefícios deste tratamento.

Tendo em conta que a inactividade prolongada também tem inconvenientes, o seu médico pode sugerir que comece logo um regime de exercícios. Mesmo que comece o tratamento com um a dois dias de repouso no leito, ainda lhe podem pedir para completar dois a três períodos de caminhada de 20-minutos por dia. Ao fim de uma a duas semanas, em regra, pode começar um programa mais vigoroso de exercícios aeróbicos diários (caminhada, andar de bicicleta, natação) e fisioterapia. Outros tipos de tratamento conservador que têm sido úteis para algumas pessoas incluem ultra-sons, massagem e acupunctura.

Quando estas medidas mais conservadoras não funcionam, as injecções de corticosteróides epidurais podem ser úteis embora a evidência seja discutível. Isto envolve a injecção cuidadosa de um corticosteróide de longa acção e de um anestésico no espaço próximo da espinal medula e nervos comprimidos. Estas injecções são orientadas por Raios-X ou TAC para que se possa colocar a agulha, de forma precisa, no local adequado. Se tiver perdido o controlo do intestino ou da bexiga, se apresentar evidência de lesão nervosa progressiva ou se tiver dor implacável que persiste apesar de semanas de tratamento conservador, pode haver necessidade de tratamento mais agressivo, incluindo a cirurgia. Na maioria dos casos, isto significa remover o fragmento do disco herniado.

Quando contactar um médico

Contacte o seu médico se apresentar uma dor forte nas costas, particularmente, se também desenvolver dor ou dormência nos braços ou pernas ou se perder o controlo dos intestinos ou da bexiga.

Prognóstico

Cerca de 60% das pessoas respondem a terapêutica conservadora ao fim de 1 semana, e 90% a 98% respondem ao fim de 6 semanas. A intervenção cirúrgica tem uma taxa de sucesso elevada quando a RMN ou TAC mostra que se pode corrigir a causa dos sintomas.

Informação Adicional

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt

Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia

http://www.spnc.pt

Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia

http://www.spot.pt

Sociedade Europeia de Patologia da Coluna

http://www.eurospine.org

Sociedade Americana de Patologia da Coluna

http://www.spine.org

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