Miocardite

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Cardiologia pela Prof. Dulce Brito: O que é uma Miocardite?

Leia o artigo aqui:

O que é?

A miocardite é uma inflamação do músculo cardíaco que diminui a força do coração para bombear o sangue normalmente. Esta situação pode ser causada por:

Uma infecção – Muitas infecções têm sido associadas à miocardite. Alguns dos germes mais comuns incluem:

Infecções virais – As infecções virais são uma causa comum de miocardite. Muitos vírus diferentes podem causar miocardite, sendo o coxsackievirus B um agente responsável muito comum. Outros vírus incluem os echovirus, os vírus influenza (gripe) e os vírus de Epstein-Barr, da rubéola, da varicela, da papeira e da hepatite. Frequentemente, a pessoa não tem sintomas precedentes de resfriado, tosse, congestão nasal ou erupção cutânea e apenas se apercebe da infecção quando ocorre uma falência cardíaca.

Infecção pelo VIH – Cerca de 10% das pessoas com infecção pelo VIH desenvolvem miocardite, quer devido ao facto de o VIH invadir directamente o músculo cardíaco quer por o sistema imunitário enfraquecido do doente tornar o músculo cardíaco mais susceptível ao ataque por outras infecções.

Bactérias – Raramente, a miocardite constitui uma complicação da endocardite, uma infecção das válvulas cardíacas e do revestimento interno das câmaras cardíacas causada por bactérias. Algumas das bactérias responsáveis pela miocardite incluem o Staphylococcus aureus, os enterococos e o Corynebacterium diphtheriae (a causa da difteria). Em cerca de 25% das pessoas com difteria, uma toxina (veneno) produzida pela bactéria C. diphtheriae causa uma forma de miocardite que conduz a uma flacidez e distensão do músculo cardíaco, tornando-o incapaz de bombear o sangue eficientemente, podendo desenvolver-se uma insuficiência cardíaca grave durante a primeira semana da doença.

Doença de Chagas – Esta infecção, causada por um protozoário, o Trypanosoma cruzi, é transmitida através da picada de um insecto. A miocardite causada pela Doença de Chagas é mais comum nos imigrantes da América Central e do Sul ou nos viajantes dessas áreas. Em até um terço das pessoas com doença de Chagas, desenvolve-se uma forma de miocardite crónica (de longa duração) muitos anos depois da primeira infecção, conduzindo a uma destruição significativa do músculo cardíaco com insuficiência cardíaca progressiva.

Miocardite de Lyme – A doença de Lyme, uma infecção provocada por uma bactéria transmitida por carraças, a Borrelia burgdorferi, causa miocardite ou outros problemas cardíacos em cerca de 10% dos doentes.

Substâncias tóxicas e determinados medicamentos – A miocardite pode igualmente ser causada pelo consumo excessivo de álcool, por radiações ou por produtos químicos (hidrocarbonetos e arsénico), assim como por determinados medicamentos (incluindo a doxorrubicina, a ciclofosfamida, a emetina, a cloroquina e as sulfamidas).

Outros agentes – Um estudo recente revelou que o stress emocional intenso pode produzir uma falência cardíaca que tem início abruptamente, com evidência de inflamação do músculo cardíaco.

Doença inflamatórias – Estas doenças incluem o lúpus eritematoso disseminado e outras doenças auto-imunes, a sarcoidose e a tireotoxicose (uma tiroideia muito hiperactiva).

Outro tipo de miocardite é a miocardiopatia peri-parto. Por razões inexplicadas, algumas mulheres desenvolvem uma má função do músculo cardíaco na última fase da gravidez ou pouco depois do nascimento do bebé. Esta situação é rara.

Sintomas

Os sintomas de miocardite dependem da sua causa e da sua gravidade. Por exemplo, muitas pessoas com uma miocardite não complicada causada por coxsackievirus não apresentam quaisquer sintomas e o único sinal de inflamação do coração é um resultado anormal temporário no electrocardiograma (ECG), um teste que mede a actividade eléctrica do coração.

Outras pessoas têm febre, dores no peito, arritmias cardíacas (batimentos cardíacos anormalmente rápidos, lentos ou irregulares), perda súbita da consciência (síncope/desmaio) ou sinais de insuficiência cardíaca (falta de ar, edemas/inchaços nas pernas).

Diagnóstico

O seu médico irá suspeitar de uma miocardite com base na sua história clínica e nos seus sintomas. Para confirmar o diagnóstico, irá examiná-lo, prestando especial atenção ao coração, o que será seguido por um ECG, uma radiografia do tórax e análises de sangue.

Provavelmente será também pedido um ecocardiograma para avaliar a função cardíaca, isto é, para ver como o coração está a bombear o sangue.

Em alguns doentes, podem ser pedidos exames para determinar se a causa é um vírus ou outro agente infeccioso, incluindo análises de sangue, fezes, saliva ou outros fluidos corporais.

Duração esperada

O tempo de duração da miocardite depende da causa e do estado de saúde geral do doente. Por exemplo, em muitos adultos habitualmente saudáveis com uma miocardite por coxsackievirus B não complicada, os sintomas podem começar a melhorar ao fim de duas semanas.

Noutros casos, o coração demora alguns meses a recuperar e, por vezes, a lesão do músculo cardíaco pode mesmo ser permanente e a insuficiência cardíaca persistir depois de a inflamação ter desaparecido.

Prevenção

A miocardite causada por infecções pode teoricamente ser evitada pela prática de uma boa higiene, especialmente pela lavagem frequente das mãos. A miocardite diftérica pode ser prevenida pela vacinação contra a difteria e os riscos de infecção pelo VIH podem ser diminuídos pela utilização de preservativo durante as relações sexuais e evitando a utilização de drogas endovenosas.

A miocardite causada pela doença de Chagas transmitida por insectos pode ser prevenida pela utilização de insecticidas eficazes nos países latino-americanos onde a doença é comum.

Tratamento

O tratamento da miocardite depende da sua causa e da sua gravidade. Por exemplo, as pessoas com uma miocardite viral ligeira devem ficar a descansar no domicílio, sem ingestão de tabaco ou de álcool e com limitação da actividade física até à normalização do ECG. As pessoas com uma miocardite que causa insuficiência cardíaca ou arritmias cardíacas serão tratadas num hospital e irão receber um ou mais dos seguintes tratamentos:

  • Oxigénio

  • Medicamentos ou um pacemaker para tratar ou prevenir arritmias cardíacas

  • Medicamentos, incluindo diuréticos e vasodilatadores, para tratar a insuficiência cardíaca

  • Medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) para o alívio da dor

  • Anticoagulantes para prevenir os coágulos de sangue

  • Antibióticos, geralmente administrados por via endovenosa, para tratar a miocardite bacteriana ou a doença de Lyme

  • Anti-toxina diftérica e antibióticos para tratar a miocardite diftérica

  • Medicamentos glucocorticóides para tratar as doenças auto-imunes e a sarcoidose.

Quando contactar um profissional

Contacte o seu médico imediatamente se sentir uma dor no peito moderada a intensa mesmo que pense que é demasiado novo para ter problemas cardíacos, pois a dor no peito associada a uma miocardite pode surgir a qualquer idade, com ou sem outros sintomas (febre, falta de ar, batimentos cardíacos anormais, edema/inchaço nas pernas).

Prognóstico

Em muitas pessoas com uma miocardite viral não complicada, a doença desaparece espontaneamente e quaisquer anomalias no ECG relacionadas com a miocardite acabam por desaparecer. No entanto, as formas mais graves de miocardite podem causar uma lesão permanente do músculo cardíaco.

Informação Adicional

Sociedade Portuguesa de Cardiologia

http://www.spc.pt

Campo Grande 28, 13º   1700-093 Lisboa

Telefones: 217978605, 217817630

Fax: 217931095


Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt

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