Sopro Cardíaco

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Cardiologia pela Profª. Dulce Brito: O que é um Sopro Cardíaco?

Leia o artigo aqui:

O que é?

Um sopro cardíaco é um som anormal produzido por um fluxo de sangue turbulento no interior do coração. Um sopro tanto pode ser um som considerado fisiológico (isto é, não preocupante) como uma indicação de um problema.

Habitualmente a turbulência é normal, tratando-se de um sopro de fluxo benigno que ocorre quando o sangue flui mais rapidamente através do coração, por exemplo, numa pessoa que está ansiosa ou que acabou de fazer exercício, que tem febre alta ou que apresenta uma anemia grave. Cerca de 10% dos adultos e 30% das crianças (principalmente entre os 3 e os 7 anos de idade) apresentam um sopro inofensivo produzido por um coração normal. Este tipo de sopro é muitas vezes denominado de sopro inocente.

No entanto, um sopro cardíaco pode indicar uma anomalia estrutural de uma válvula cardíaca ou de uma câmara do coração ou pode ser devido a uma ligação anormal entre as duas partes do coração. Algumas anomalias do coração que podem produzir sopros cardíacos incluem:

  • Anomalia de uma válvula cardíaca  – O coração tem quatro válvulas: as válvulas aórtica, mitral, tricúspide e pulmonar. Um sopro car

    díaco pode ocorrer quando qualquer destas válvulas apresenta um estreitamento de uma abertura da válvula (estenose) que interfere com o fluxo de saída do sangue ou uma fuga valvular (regurgitação ou insuficiência) que causa um fluxo retrógrado de sangue.

  • Prolapso da válvula mitral – Nesta situação, os folhetos da válvula mitral não se encerram de forma adequada, permitindo que se verifique uma fuga de sangue a partir da câmara inferior esquerda (ventrículo esquerdo) para a câmara superior esquerda (aurícula esquerda).

  • Problemas cardíacos congénitos – O termo congénito significa que o problema se encontrava presente aquando do nascimento. Os problemas cardíacos congénitos incluem:
    • Defeitos septais – São orifícios no coração, constituindo aberturas anormais no septo cardíaco (a parede entre o lado esquerdo e o lado direito do coração).
    • Persistência do canal arterial – Antes do nascimento, existe um canal entre a artéria pulmonar e a aorta (denominado canal arterial) que permite que o sangue não atravesse os pulmões, uma vez que o feto não respira. Depois de a criança nascer e de os seus pulmões estarem a funcionar, o canal arterial normalmente encerra-se. A persistência do canal arterial ocorre quando o fluxo de sangue através dele continua depois do nascimento.
  • Endocardite – A endocardite é uma inflamação com infecção das válvulas do coração e do endocárdio, que é o revestimento interno das câmaras cardíacas. A infecção de uma válvula cardíaca pode causar um sopro cardíaco ao provocar uma fuga retrógrada do sangue ou ao obstruir parcialmente o fluxo de sangue.

  • Mixoma cardíaco – Um mixoma cardíaco constitui um tumor benigno (não canceroso) raro que pode desenvolver-se dentro do coração e que pode obstruir parcialmente o fluxo de sangue.

  • Hipertrofia septal assimétrica – A hipertrofia septal assimétrica constitui um espessamento anormal do músculo cardíaco dentro da câmara inferior esquerda (ventrículo esquerdo) do coração, que torna o canal de saída estreito imediatamente abaixo da válvula aórtica. Esta situação, também denominada de estenose subaórtica hipertrófica idiopática, é observada em pessoas com miocardiopatia hipertrófica.

Sintomas

Um sopro inocente não causa quaisquer sintomas. Noutros tipos de sopros cardíacos, os sintomas variam dependendo da causa. De um modo geral, quando o sopro cardíaco interfere significativamente com a capacidade do coração para bombear o sangue, podem originar-se um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Falta de ar

  • Tonturas

  • Episódios de batimentos cardíacos rápidos

  • Dor no peito

  • Diminuição da tolerância ao esforço físico e, nos estádios mais avançados, sintomas de insuficiência cardíaca.


Diagnóstico

Muitos sopros são descobertos inesperadamente durante a auscultação cardíaca num exame físico de rotina. Noutros casos, quando alguém apresenta sintomas de problemas cardíacos, o médico irá fazer perguntas relacionadas com um tipo específico de doença cardíaca. Por exemplo, pode indagar sobre uma história de febre reumática, uma vez que a febre reumática na infância pode causar anomalias nas válvulas cardíacas numa fase posterior da vida. Atendendo a que a endocardite pode estar associada ao consumo de drogas por via endovenosa ou a determinados procedimentos médicos ou dentários, o médico pode fazer-lhe perguntas sobre estes factores de risco. Se o doente for um bebé, o médico irá perguntar se existe uma história familiar de problemas cardíacos congénitos.


Uma vez que alguns problemas cardíacos específicos estão associados a determinados tipos de sopros, o médico irá frequentemente colocar uma hipótese diagnóstica com base na história clínica, nos sintomas e no som característico do sopro, bem como no momento em que ele é ouvido (se o sopro ocorre quando o coração está a bombear ou em repouso). Como parte da avaliação médica, o médico pode pedir exames diagnósticos, que podem incluir:

  • Electrocardiograma (ECG) – Este procedimento indolor mede a actividade eléctrica do coração.

  • Radiografia do tórax – Este exame é utilizado para verificar um aumento das dimensões do coração e para avaliação de determinadas anomalias congénitas.

  • Ecocardiograma – Este exame não invasivo utiliza ondas de som para criar uma imagem da estrutura do coração, incluindo a estrutura das válvulas.

  • Ecocardiograma com Doppler – Este exame é semelhante ao ecocardiograma, mas, em vez da estrutura, cria uma imagem dos padrões de fluxo sanguíneo no coração.

  • Cateterismo cardíaco – Neste exame, um tubo esterilizado fino, denominado cateter, é guiado até ao coração para pedir as pressões e os níveis de oxigénio nas suas câmaras. Um corante é injectado através do cateter para produzir uma imagem de raios X da estrutura interna do coração e dos padrões de fluxo do sangue.

  • Análises de sangue – São utilizadas para verificar a presença de infecção em pessoas com uma suspeita de endocardite ou de pericardite.


Duração esperada 

Quando um sopro cardíaco inocente é desencadeado por febre, ansiedade ou esforço, pode desaparecer depois de o problema que o desencadeou ser eliminado. Nas crianças saudáveis com sopros inocentes mais constantes, o sopro torna-se frequentemente mais suave à medida que a criança cresce e pode acabar por desaparecer completamente.

Quando um sopro é causado por um problema cardíaco, o tempo que dura depende do tipo de doença. Por exemplo, algumas formas de endocardite começam subitamente e agravam-se rapidamente ao longo de alguns dias, enquanto outras causam sintomas mais ligeiros ao longo de semanas ou meses. Os sopros causados por problemas valvulares ou por doenças cardíacas congénitas geralmente persistem durante toda a vida e, em alguns casos, podem agravar-se com o tempo.


Prevenção

Não existe forma de prevenir as malformações cardíacas congénitas que causam alguns sopros cardíacos.

Se apresentar um risco elevado de endocardite, o médico ou dentista irá prescrever antibióticos especiais antes de efectuar determinados procedimentos médicos ou dentários durante os quais as bactérias podem entrar para o sangue e infectar o coração. Pode igualmente ajudar a prevenir a endocardite ao evitar consumir drogas endovenosas.


Pode prevenir muitas anomalias das válvulas cardíacas ao prevenir a febre reumática, para o que, se tiver uma faringite estreptocócica (infecção da garganta por uma bactéria específica), tome os antibióticos exactamente conforme prescrito.

As pessoas que já tiveram um episódio de febre reumática podem necessitar de tomar antibióticos durante até 10 anos depois do primeiro ataque para prevenir o regresso da doença.


Tratamento

Os sopros cardíacos inocentes não necessitam de ser tratados. Outros tipos de sopros que não causam quaisquer sintomas também podem não requerer qualquer tratamento, embora o médico deva monitorizá-los regularmente. Quando é necessário tratamento, este varia dependendo da causa do sopro:

  • Anomalias das válvulas cardíacas – Dependendo do tipo de anomalia, medicamentos tais como os digitálicos ou os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECAs) podem ser utilizados para tratar os sintomas. Os casos graves podem ser corrigidos cirurgicamente, frequentemente através da substituição da válvula doente por uma válvula artificial.

  • Prolapso da válvula mitral – A maior parte das pessoas com um prolapso da válvula mitral não apresenta quaisquer sintomas. Por vezes, as pessoas com uma arritmia cardíaca ou com dores no peito são tratadas com beta-bloqueantes (medicamentos que reduzem a sobrecarga do coração ao diminuírem a frequência cardíaca e reduzirem a força das contracções do músculo cardíaco) ou com medicamentos que previnem as anomalias do ritmo cardíaco. Nos casos raros em que o prolapso progride para uma regurgitação mitral grave, a válvula mitral anormal será reparada ou substituída cirurgicamente.

  • Problemas cardíacos congénitos – Dependendo da sua gravidade, as doenças cardíacas congénitas podem necessitar correcção cirúrgica.

  • Endocardite – Quando a endocardite é causada por uma infecção bacteriana, é geralmente tratada com antibióticos administrados durante várias semanas por via endovenosa (numa veia) enquanto o doente se encontra internado no hospital. Por vezes, a válvula cardíaca infectada deve ser substituída cirurgicamente.

  • Mixoma cardíaco – Os mixomas cardíacos são removidos cirurgicamente.

Quando contactar um profissional

Contacte o médico se começar a sentir:

  • Falta de ar

  • Tonturas persistentes

  • Episódios de batimentos cardíacos rápidos ou irregulares

  • Dores no peito

 Prognóstico

Nas pessoas com sopros cardíacos inocentes, o prognóstico é excelente. Nas pessoas com outros tipos de sopros cardíacos, o prognóstico depende do tipo de problema cardíaco e da sua gravidade. De um modo geral, mesmo quando é necessária uma cirurgia cardíaca, o prognóstico é bom.

Informação Adicional

Sociedade Portuguesa de Cardiologia
http://www.spc.pt

Campo Grande 28, 13º   1700-093 Lisboa
Telefones: 217978605, 217817630
Fax: 217931095

Alto Comissariado da Saúde
http://www.acs.min-saude.pt
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