Mitos e Crenças na Saúde: Está preocupado com a possibilidade de ter cancro? Faça uma Tomografia Computorizada de corpo inteiro.

Prof.António Vaz Carneiro

Leia o artigo aqui:

Nos últimos anos têm aparecido em jornais de grande circulação, assim como em “revistas do coração”, anúncios convidando as pessoas para fazerem uma Tomografia Computorizada (TAC) de corpo inteiro como medida de rastreio do cancro. De facto, o diagnóstico precoce ajuda à cura ou, quando esta não é possível, à minimização dos efeitos da doença. 

Infelizmente o problema não é tão simples: utilizado desta maneira, este rastreio de imagem não proporciona benefícios, expondo mesmo os pacientes a riscos desnecessários. 

Vejamos porquê: quando se pede um teste para detectar uma doença (por ex. cancro) assintomática, podem acontecer quatro situações: o teste é anormal (positivo) e o doente tem cancro (chamamos a esta situação um verdadeiro positivo), o teste é anormal (positivo) mas o doente não tem cancro (falso positivo), o teste é normal e o doente tem cancro (falso negativo) e, finalmente, o teste é normal e o doente não tem cancro (verdadeiro negativo). 

Compreende-se facilmente que a 2ª e 3ª situações podem dar origem a problemas graves. No caso dos falsos positivos – de longe a situação mais frequente – este resultado anormal mas não significando doença vai originar pedidos de novos testes (de sangue ou de imagem), aumentando as preocupações e angústias dos doentes e gastando desnecessariamente recursos escassos. 

No caso do rastreio com TC de corpo inteiro em indivíduos assintomáticos, existe evidência de boa qualidade que confirma que este exame não só não tem benefícios (não reduz a mortalidade por cancro), como apresenta problemas de segurança, com exposição às radiações da TC (500 a 1.000 vezes mais do que um simples raio X de tórax), à requisição de novos testes para procurar uma doença de facto inexistente e ao consequente sobrediagnóstico de doenças que nunca iriam manifestar-se. 

Esta informação não substitui o aconselhamento presencial e individualizado do seu médico assistente.

Por tudo o que foi dito acima, o rastreio de cancro com TC de corpo inteiro não só não apresenta benefícios, como está associado a riscos importantes e gastos inúteis de recursos, pelo que não deve ser efectuado.

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