Notícias de Investigação em Saúde: Os antidepressivos podem aumentar o risco de autismo

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Tradão e Edição de Imagem Científica:

 



Leia o artigo aqui:

Dois estudos sugerem que a experiência de um bebé no útero, incluindo os medicamentos tomados pela mãe, pode afectar o risco de autismo. Um estudo avaliou dois grupos de mulheres, um deles com crianças com autismo. As crianças de mulheres incluídas no outro grupo não sofriam deste problema. As mulheres do primeiro grupo apresentavam uma probabilidade duas vezes superior em comparação com as outras de terem tomado medicamentos antidepressivos durante a gravidez. Estes medicamentos pertenciam a um grupo denominado inibidores selectivos da recaptação de serotonina (ISRSs). Mas qualquer associação seria limitada, afirmaram os investigadores. Mais de 93% das mulheres cujas crianças sofriam de autismo não tomaram antidepressivos durante a gravidez. A depressão não tratada pode igualmente estar associada a risco tanto para a mãe como para o bebé. A revista Archives of General Psychiatry publicou o estudo em 5 de Julho. O mesmo número incluiu igualmente um estudo realizado em 192 conjuntos de gémeos. Pelo menos um gémeo em cada par apresentava autismo. Em 77% dos pares de gémeos idênticos do sexo masculino e em 50% dos pares de gémeos do sexo feminino ambos os gémeos tinham autismo. Em cerca de um terço dos pares de gémeos heterozigóticos de ambos os sexos ambos os gémeos sofriam igualmente de autismo. Isto sugere que o meio ambiente no útero pode constituir um factor, o mesmo acontecendo com os genes, afirmou um especialista à Associated Press.

Qual é a reacção do médico?

Poderão os antidepressivos tomados durante a gravidez causar autismo nas crianças? É isto que alguns dados limitados provenientes da informação sugerem actualmente. A evidência não nos permite ter a certeza relativamente a esta associação, mas esta questão constitui motivo de preocupação.

Um estudo avaliou os medicamentos que as mães tomaram durante a gravidez. Os investigadores analisaram os registos de cerca de 300 mães de crianças autistas. Estes foram comparados com cerca de 1.000 mães de crianças que não eram autistas.

As mulheres que tinham crianças autistas apresentavam uma maior probabilidade de terem estado medicadas com um antidepressivo durante os seus primeiros três meses de gravidez. As mulheres deste grupo tinham uma probabilidade duas vezes superior em comparação com as outras de dar à luz uma criança com autismo. Um grupo específico de medicamentos suscitou preocupações. Estes medicamentos são conhecidos por inibidores selectivos da recaptação da serotonina (ISRSs).

Cerca de 93% dos casos de autismo não tinham exposição a qualquer antidepressivo. Deste modo, a associação observada com estes medicamentos foi muito pequena.

Este estudo não prova que a exposição a um antidepressivo pode causar autismo. É possível que a depressão, e não o medicamento, estivesse relacionada com o risco. Os investigadores procuraram esclarecer este facto, mas não eram os médicos assistentes destas mulheres. Deste modo, eles não podiam saber qual a gravidade da depressão de cada uma das mulheres. Isto torna a evidência relativamente frágil. Ainda assim, a existência de uma possível associação constitui uma boa razão para evitar, se possível, estes medicamentos durante a gravidez.

Este não é o único problema relacionado com os ISRSs na gravidez. Em 2005, tornou-se claro que a paroxetina utilizada durante os primeiros três meses de gravidez pode aumentar o risco de duas malformações congénitas cardíacas. Uma é conhecida por defeito do septo inter-auricular e a outra é um defeito do septo inter-ventricular. O risco habitual destas malformações congénitas cardíacas é aproximadamente de um em cada 100. Mas a taxa foi mais próxima de 1 em cada 50 a 70 bebés nas mulheres tratadas com ISRSs.

A utilização de um antidepressivo pode igualmente constituir um problema numa fase avançada da gravidez. Isto deve-se à possibilidade do bebé poder apresentar sintomas de privação após o nascimento. Esta situação pode tornar o bebé irrequieto ou irritável e pode ainda fazer com que apresente padrões de respiração anormais.

Há diversos anos, a U.S. Food and Drug Administration alterou a classificação de segurança na gravidez da paroxetina para “D” durante a totalidade da mesma. Isto significa que existe evidência revelando que o medicamento é pouco seguro. Outros ISRSs incluem:

  • Fluoxetina
  • Sertralina
  • Citalopram
  • Escitalopram
  • Fluvoxamina

Estes outros medicamentos apresentam uma classificação de segurança de “C” para os primeiros seis meses de gravidez. Isto significa que não dispomos de evidência suficiente sobre este assunto. Eles apresentam uma classificação de “D” durante os últimos três meses de gravidez.

Que alterações é que posso fazer agora?

Se apresentar uma depressão de início recente ou persistente quando estiver grávida, pondere cuidadosamente sobre a possibilidade de necessitar de medicação.

  • Evite a paroxetina durante a gravidez. Este é o único medicamento da sua classe que foi claramente associado a um risco aumentado de malformações congénitas cardíacas, encontrando-se disponíveis múltiplas opções alternativas.
  • Certifique-se de que o seu diagnóstico foi efectuado correctamente. Se o abuso de substâncias constitui a fonte dos seus sintomas, os antidepressivos não são a melhor forma de tratar este problema. Outros problemas médicos comuns podem causar sintomas de fadiga e de humor deprimido. Antes de tomar medicamentos antidepressivos, certifique-se de que o seu médico:
    • Avaliou a função tiroideia
    • Avaliou a presença de anemia
    • Confirmou que não sofre de um distúrbio do sono.
  • Pondere os tratamentos não medicamentosos. A psicoterapia pode ser útil. Pode não resolver totalmente o problema, mas pode reduzir o período de tempo em que necessita de tomar medicamentos. Um tipo de tratamento que pode ajudar é a psicoterapia interpessoal. Um terapeuta trabalha com a doente para identificar quais as pessoas na sua vida que lhe prestam apoio e quais as pessoas que não são de confiança. Isto pode ser útil para resolver discussões que constituem uma fonte de stress e pode ajudar a doente a obter resposta para as suas próprias necessidades. Outra opção é a terapêutica cognitivo-comportamental. Este tipo de terapêutica pode mostrar à doente formas de pensar positivamente e pode igualmente ajudar a resolver os problemas e a redescobrir prazeres simples.
  • Não utilize antidepressivos para além das suas necessidades. Se estiver a passar bem com o seu medicamento durante, pelo menos, seis meses, pondere suspender gradualmente a sua administração antes ou quando do início da gravidez. Discuta previamente esta possibilidade com o seu médico ou terapeuta. A maior parte das pessoas necessita de tomar estes medicamentos durante menos de um ano. Se a sua depressão continuar a recidivar ou se tiver uma história de planeamento de suicídio, então o tratamento durante a gravidez pode, ainda assim, constituir a melhor opção para si.

O que posso esperar no futuro?

Iremos necessitar de ensaios clínicos de maiores dimensões para saber com segurança se os medicamentos do grupo dos ISRSs podem causar uma pequena percentagem de casos de autismo. Ainda não conseguimos compreender a natureza do problema cerebral que causa o autismo, nem sabemos quais os factores que conduzem à situação. Pensa-se que o autismo é causado por uma mistura de genes e por alguma coisa que se encontra presente no meio ambiente.

Esta segunda categoria é extraordinariamente extensa e inclui as exposições a medicamentos, à dieta, a infecções, a toxinas e mesmo à estratégia parental.

Ainda temos muito a aprender sobre este assunto.


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