A Nicotina

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Dependência, pelo Prof. Jaime Correia de Sousa: A Nicotina

Leia o artigo aqui:

As formas mais populares desta substância incluem os cigarros, os charutos e o tabaco de mascar (rapé). Se fumar, pode encontrar-se incluído numa minoria cada vez mais reduzida. O que costumava ser um hábito comum e aceite é agora proibido na maioria dos locais de trabalho, restaurantes e espaços públicos. Pode dar por si a esconder o seu hábito dos colegas de trabalho e dos membros da sua família, ficando de pé, à chuva, para poder fumar fora do local de trabalho ou a conduzir no carro só para fumar um cigarro.

Em Portugal, em 2005/2006 cerca de 21% dos homens e 11% das mulheres fumavam – uma tendência descrescente face a números anteriores. A maioria dos fumadores encontra-se bem informada dos efeitos prejudiciais para a saúde causados pelo tabaco, que mata cerca de 13.000 pessoas por ano em Portugal – um valor 3 vezes superior ao das mortes associadas ao álcool. Em cada ano, metade dos fumadores dizem que querem deixar de fumar, mas apenas cerca de 6% dos que tentam são bem sucedidos por mais de um mês. Mas, se essa tem sido a sua experiência, não seja demasiado rígido consigo mesmo: em média, uma pessoa faz entre cinco e sete tentativas para deixar de fumar antes de parar definitivamente.

Como é que a nicotina afecta o indivíduo?

A nicotina faz a pessoa sentir-se alerta, energética e com a mente aguçada, visto que desencadeia uma libertação de adrenalina que, por sua vez, aumenta a frequência cardíaca, a pressão sanguínea e a frequência respiratória. Ao contrário de outras substâncias que causam dependência, a nicotina não causa sensação de euforia ou de prazer, embora possa por vezes ser sentida uma ligeira “adrenalina”. As pessoas que consomem tabaco dizem que isso as acalma, mas uma investigação indica que o efeito calmante é, na realidade, um alívio dos sintomas desagradáveis da abstinência e um resultado das alterações nos padrões da respiração em vez de um efeito primário da própria droga.

Devo tomar um medicamento para me ajudar a abandonar o hábito?

Muitas pessoas que iniciam tratamento para a dependência receiam que os medicamentos sujeitos a prescrição médica que ajudam a reduzir o consumo da substância ou o comportamento levem a um excesso de confiança no medicamento, causem efeitos secundários indesejados ou alterem a sua “personalidade”. Se o seu médico sugerir a toma de um medicamento para ajudar a superar a dependência, a pessoa deve certificar-se de que compreende as respostas para as seguintes questões:

  • Porque é que este medicamento particular é apropriado para mim?

  • Como é que este medicamento funciona?

  • O que é que eu posso esperar sentir como resultado de tomar este medicamento?

  • Quais são os efeitos secundários ou os outros riscos associados ao facto de tomar este medicamento?

  • Quanto tempo é que este medicamento demora a actuar e durante quanto tempo terei de o tomar?

  • É seguro tomar este medicamento juntamente com os meus outros medicamentos?

  • O que pode acontecer se eu não tomar este medicamento?

As mulheres em idade fértil devem também perguntar se o medicamento é seguro durante a gravidez.

Se escolher tomar um medicamento, é importante tomá-lo exactamente como foi prescrito pelo médico – nunca faça alterações na medicação sem primeiro consultar o seu médico. Se for tomado incorrectamente, o medicamento pode ser menos eficaz ou até mesmo perigoso.

Sugestões para abandonar o hábito

As seguintes etapas são uma variação das “Cinco medidas para alcançar a mudança”:

Prepare-se. Estipule uma data para abandonar o hábito; livre-se de todos os cigarros e produtos com tabaco que tenha em casa, no escritório e no carro; não deixe que as pessoas fumem perto de si; e, quando abandonar o seu hábito, não fume – nem mesmo uma “passa”!

 

Encontre apoio e encorajamento. Diga a toda a gente que vai abandonar o seu hábito e peça-lhes para não fumarem perto de si, fale com o seu profissional de saúde e providencie aconselhamento individual, em grupo ou por telefone. Um estudo de 2008 publicado no New England Journal of Medicine sugere que o cônjuge, os amigos, os companheiros de trabalho e outros contactos directos têm uma enorme influência no deixar de fumar. Quando uma pessoa pára de fumar, as outras pessoas à sua volta têm mais probabilidade de pararem também. Por vezes é útil abandonar o hábito juntamente com um amigo ou familiar, para que se possam apoiar um ao outro ao longo do processo.

Identifique e evite os factores desencadeantes. Muitos fumadores associam o cigarro com actividades como terminar uma refeição ou beber café ou álcool. Quebrar estas associações é uma parte essencial na tentativa de deixar de fumar. O aconselhamento e o apoio social podem ajudá-lo a identificar e a encontrar novas formas de lidar com estes factores desencadeantes (ver a próxima sugestão).

Aprenda novas aptidões e comportamentos. Tente distrair-se dando um passeio a pé ou ocupando-se com um passatempo ou com uma tarefa. Reduza o seu stress fazendo exercício físico ou tomando um banho quente. Planeie algo agradável para fazer todos os dias. Beba muita água e outros líquidos não alcoólicos.

 

Programe de forma adequada (somente para mulheres). Os sintomas de abstinência de nicotina são piores durante a fase pré-menstrual e durante a menstruação; portanto, planeie deixar de fumar no fim do seu período mensal.

Quadro 2: Como lidar com os sintomas de abstinência da nicotina

Medicamentos que ajudam a abandonar o hábito

Existem três classes principais de medicamentos para deixar de fumar.

Substitutos da nicotina. Dar ao cérebro a nicotina que ele exige sem o alcatrão, o monóxido de carbono e centenas de outras substâncias prejudiciais contidas no fumo do cigarro foi um progresso recente nas ajudas para deixar de fumar. A substituição da nicotina é apresentada sob a forma de adesivo, pastilha, comprimido, pulverizador nasal ou inalador (ver o Quadro 3). Embora todas estas formas tenham o mesmo objectivo — fornecer nicotina — algumas pessoas preferem uma estratégia em relação a outra. As pessoas que mascam pastilhas tendem a optar pela pastilha e pelo comprimido, enquanto as pessoas que encontram consolo no acto de fumar escolhem frequentemente o inalador. Algumas pessoas arranjam combinações, tais como o adesivo associado à pastilha, para ser mais eficaz do que uma só opção.

Bupropiona. Uma outra ajuda para deixar de fumar é um antidepressivo chamado bupropiona. Ao contrário dos adesivos e das pastilhas de nicotina, a bupropiona não introduz nicotina no organismo. Em alternativa, acalma os sintomas de abstinência, especialmente a irritabilidade, a frustração, a ansiedade, a dificuldade de concentração e a depressão. Visto não contém nicotina, este medicamento pode ser usado em combinação com a terapia de substituição de nicotina.

Vareniclina. A vareniclina é quimicamente semelhante a um extracto de uma planta medicinal (Cytisus laburnum) que tem é usada na Europa desde há muitos anos. Esta substância tira o “prazer” de fumar bloqueando os receptores cerebrais da nicotina: quando a nicotina tenta influenciar estes receptores, não é capaz de desencadear a libertação de dopamina necessária para activar o centro cerebral do prazer. A vareniclina não inactiva os receptores, mas estimula-os a libertar dopamina lentamente e de forma equilibrada, o que acalma os sintomas de abstinência da nicotina.

Quando a vareniclina foi aprovada, os médicos e os fumadores estavam desejosos de experimentar este medicamento. Afinal de contas, era significativamente mais eficaz que a bupropiona e que a substituição da nicotina. Como é o caso de todos os medicamentos novos, os efeitos secundários inesperados começam a surgir à medida que milhões de pessoas experimentam o medicamento. Alguns dos problemas mais graves são a agitação, a depressão, os pensamentos suicidas, os sonhos vívidos e a sonolência.

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