Varicela

Fonte: 

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Drª Fernanda Rodrigues

O que é?

A varicela é uma infecção muito contagiosa que causa uma erupção cutânea vesiculosa e pruriginosa. Esta doença é causada pelo vírus varicela-zoster (VVZ), que entra no organismo através da boca e do nariz, depois do contacto com uma pessoa infectada.

Uma pessoa com varicela pode transmitir a doença para outra pessoa desde um dia antes da erupção cutânea e até que todas as vesículas tenham formado crostas. Após um indivíduo ter tido uma infecção pelo vírus da varicela, quase sempre desenvolve uma imunidade para toda a vida, o que significa que geralmente não volta a ter esta doença novamente. As crianças que são infectadas numa idade muito jovem constituem uma excepção. Estas crianças geralmente apresentam casos mais ligeiros e podem não desenvolver uma protecção suficiente contra a doença, podendo, deste modo, apresentar esta infecção novamente numa fase mais tardia da vida.

Atendendo a que a varicela é muito contagiosa, 90% dos familiares do doente irão igualmente desenvolver a doença se residirem na mesma casa e não se encontrarem já imunizados. Actualmente os casos de varicela ocorrem frequentemente em grupos (epidemias) e de um modo geral no final do Inverno e no princípio da Primavera. Em alguns países, como em Espanha e na Alemanha, o número de casos de varicela diminuiu dramaticamente devido à vacina contra a varicela, que foi aprovada e se encontra recomendada para todas as crianças.

A varicela é um infecção desconfortável que, na maior parte dos casos, desaparece espontaneamente. No entanto, a varicela também pode estar associada a complicações graves, incluindo a morte. Aproximadamente uma em cada 100 crianças infectadas pela varicela irá desenvolver uma complicação grave como uma infecção pulmonar grave (pneumonia), uma infecção cerebral (encefalite) ou raramente um problema no fígado. Podem igualmente ocorrer infecções cutâneas graves. Os adolescentes e os adultos que desenvolvem varicela apresentam igualmente um risco elevado de desenvolvimento de complicações graves.

Depois de uma pessoa ter varicela, o vírus mantêm-se quiescente no sistema nervoso para o resto da vida, podendo reactivar-se em qualquer altura em que as defesas imunitárias do organismo se encontrem enfraquecidas pelo stress ou por uma doença (tal como o cancro ou a infecção pelo VIH), bem como por medicamentos que enfraquecem o sistema imunitário. A razão mais comum para o vírus se reactivar é o envelhecimento. A reactivação do vírus causa uma doença denominada zona, que consiste no aparecimento de uma erupção cutânea vesiculosa e dolorosa, que ocorre tipicamente na face, no peito ou no dorso, numa área enervada por um ou dois nervos sensitivos.

Manifestações clínicas

Os sinais/sintomas de varicela começam entre 10 e 21 dias após a pessoa ter sido exposta ao vírus. A doença inclui tipicamente febre e uma sensação de mal-estar geral, que é rapidamente seguida pelo aparecimento de pápulas vermelhas, pruriginosas, que se transformam dentro de pouco tempo em vesículas cheias de líquido que são facilmente reconhecidas como características da varicela. Estas vesículas cutâneas são redondas, com cerca de 5 a 10 mm de diâmetro (aproximadamente do tamanho de uma borracha de lápis), com uma base eritematosa. Por vezes, estas lesões são descritas como uma “gota de orvalho numa pétala de rosa”, podendo ser observadas em diversos estádios ao longo dos dias seguintes e acabando por formar crostas. Estas vesículas podem surgir em qualquer zona da pele, mesmo dentro da boca, da garganta ou da vagina. Alguns doentes apresentam apenas 50 vesículas ou menos, enquanto outros apresentam vesículas incontáveis.

Diagnóstico

Se uma pessoa desenvolver uma erupção cutânea, ou se isso acontecer a alguém da sua família, deve ser consultado um médico. Este pode suspeitar de uma varicela pela descrição apresentada, especialmente se a pessoa não tiver sido vacinada para a varicela nem tiver tido a doença anteriormente. É igualmente útil saber se o doente esteve em contacto com alguém com varicela, embora isso não seja necessário para efectuar o diagnóstico. Encontram-se igualmente disponíveis análises de sangue especiais, tais como o teste do anticorpo fluorescente contra o antigénio da membrana ou FAMA (do inglês “fluorescent antibody to membrane antigen”) e o teste de imunoabsorção enzimática ou ELISA (do inglês “enzyme-linked immunosorbent assay”), mas a sua realização não é necessária na maior parte dos doentes.

Duração esperada

As vesículas de varicela formam-se ao longo de um período de 3 a 5 dias e, em seguida, apresentam-se cobertas por crostas durante os 7 a 10 dias subsequentes.

Prevenção

A varicela era considerada antigamente como uma doença inevitável na infância, o que significava que todas as pessoas seriam infectadas. No entanto, desde que a vacina da varicela foi aprovada, esta doença pode ser facilmente prevenida. Actualmente a vacina não se encontra incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV) português e apenas está recomendada para adolescentes (entre os 11 e os 13 anos de idade) e adultos susceptíveis ou para grupos de risco como por exemplo: mulheres não imunes antes da gravidez; pais de uma criança jovem, não imunizados; adultos ou crianças que contactem habitualmente com doentes imunodeprimidos; e indivíduos não imunes que ocupem profissões de alto risco – trabalhadores de creches e infantários, profissionais de saúde, professores, etc.

Algumas pessoas apresentam um risco elevado de complicações graves da varicela, incluindo as que têm alterações do sistema imunitário, determinadas grávidas e os bebés prematuros. Se uma pessoa de alto risco for exposta a alguém com varicela, uma injecção de imunoglobulina contra a varicela-zoster pode igualmente ajudar a prevenir a doença. A imunoglobulina contra a varicela-zoster contém anticorpos protectores contra a varicela que são obtidos a partir do sangue de pessoas saudáveis que apresentam níveis elevados de protecção contra o vírus. No entanto, a imunoglobulina contra a varicela-zoster raramente é administrada, a menos que uma pessoa com risco de complicações graves tenha sido exposta a alguém com varicela durante mais de uma hora.

Tratamento

Os médicos podem usar o aciclovir (um medicamento antivírico), para ajudar a minimizar os sintomas de varicela nos adultos, mas este fármaco apenas é eficaz se for iniciado dentro das primeiras 24 horas após a exposição. Se um dos pais de uma criança com varicela não tiver uma história pessoal desta doença deve contactar imediatamente o seu próprio médico para saber se está recomendado algum tratamento. As crianças saudáveis que têm varicela geralmente não necessitam de tomar aciclovir, uma vez que este medicamento parece não ter grande utilidade. Se o seu filho tiver varicela, o médico deverá determinar se deve ser utilizada esta medicação ou qualquer outro tipo de tratamento (em especial se se tratar de um segundo caso na família, se a criança estiver a ser tratada com corticosteróides, se tiver mais de 12 anos de idade ou se apresentar uma qualquer doença crónica cardio-pulmonar ou de pele).

A maior parte do tratamento para a varicela incide no alívio do prurido incomodativo das vesículas e na prevenção da infecção das vesículas que romperam ao serem coçadas. Os banhos de aveia e a loção de calamina podem ajudar a reduzir o prurido. As unhas devem ser cortadas para diminuir o risco de infecção e de formação de cicatrizes secundárias às lesões de coceira. Se não for possível controlar o prurido com os banhos e com a loção, os anti-histamínicos orais podem proporcionar algum alívio. Deve ser utilizado um medicamento antipirético não derivado da aspirina, como o paracetamol para baixar a febre. Nunca se deve dar aspirina a uma criança com varicela, pois pode causar uma síndrome de Reye, uma doença potencialmente fatal. Por vezes, as vesículas da varicela podem infectar com bactérias e necessitar de tratamento com antibióticos.

Quando contactar um médico

Contacte o seu médico se uma criança ou um adulto da sua família desenvolver sinais de varicela, especialmente se:

  • não tiver a certeza do diagnóstico
  • alguém no seu agregado familiar não conseguir lutar adequadamente contra as infecções (por exemplo, se tomar corticosteróides regularmente ou se tiver um cancro e estiver a fazer quimioterapia)
  • alguém no seu agregado familiar, especialmente um adulto, não tiver tido varicela nem tiver sido vacinado
  • houver uma grávida no agregado familiar.

Contacte o seu médico para saber quais as recomendações no caso de ter estado exposto, você ou o seu filho, à varicela e nenhum dos dois ter tido a doença nem ter sido vacinado anteriormente.

No caso de varicela confirmada, contacte o seu médico se se desenvolver algum dos seguintes sinais ou sintomas:

  • febre igual ou superior a 39,5ºC
  • prurido que não alivia com os medicamentos e os banhos
  • vesículas inflamadas, dolorosas, edemaciadas ou cheias de pus
  • vesículas na proximidade dos olhos
  • sinais de infecção cerebral (encefalite), incluindo dores de cabeça intensas, sonolência e vómitos
  • sinais de infecção pulmonar (pneumonia), incluindo tosse e dificuldade em respirar.

Para diminuir a disseminação da varicela, a pessoa infectada deve evitar expor-se a pessoas que não tiveram a doença, especialmente às que não conseguem combater adequadamente as infecções.

Se nunca tiver tido varicela, nem um filho seu com idade igual ou superior a um ano, pergunte ao seu médico se devem ser vacinados. Se for mulher, nunca tiver tido varicela e estiver a ponderar engravidar, fale com o seu médico sobre a possibilidade de reduzir o risco de contrair varicela e de outras infecções passíveis de serem prevenidas antes de ficar grávida.

Prognóstico

Em crianças sem outros problemas de saúde, a varicela é geralmente uma infecção ligeira, verificando-se a normalização da pele entre duas e quatro semanas. Por vezes podem persistir algumas cicatrizes ligeiras nas zonas afectadas pela erupção cutânea. A escoriação das vesículas pode resultar num maior número de cicatrizes. Tenha em consideração que, num pequeno número de casos, a varicela causa infecções mais graves que podem requerer internamento hospitalar e, por vezes, conduzir a uma incapacidade a longo prazo e à morte.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Pediatria

http://www.spp.pt/default.asp

Sociedade Brasileira de Pediatria

http://www.sbp.com.br/

Centro de Prevenção e Controlo de Doenças – CDC (Estados Unidos da América)

http://www.cdc.gov/

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