Cancro do colo do útero

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Dr. Ricardo da Luz

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Cancro pelo Prof. Ricardo da Luz: Cancro do Colo do Útero

Faça o Quiz aqui: Questionário sobre Cólo do Útero

Leia o artigo aqui:

O que é?

O colo do útero é uma estrutura pequena que, constituindo a entrada do útero, faz a ligação entre este e a vagina.

O cancro do colo do útero começa na camada mais superficial do colo do útero, denominada de epitélio cervical. Aqui têm início as pequenas alterações que posteriormente tornam as células epiteliais normais em células cancerosas que se multiplicam descontroladamente. O cancro do colo do útero cresce, em geral, de forma lenta e permanece confinado ao revestimento do colo do útero durante cerca de 10 anos. Quando o cancro do colo do útero se estende para além desta camada, invadindo em profundidade, aumenta o risco de invadir os órgãos próximos, incluindo o útero, a vagina, a bexiga e o recto.

Quase todos os cancros do colo do útero são causados por infecção local pelo vírus do papiloma humano (HPV). Ao infectar as células que revestem o colo do útero o HPV induz, por vezes, lesões nos genes destas células, o que por fim pode conduzir ao aparecimento do cancro do colo do útero.

O HPV é uma infecção muito comum nas mulheres sexualmente activas, mas apenas um pequeno número de mulheres com esta infecção desenvolverá cancro do colo do útero.

As mulheres fumadoras têm uma maior probabilidade de desenvolverem anomalias do colo do útero se forem infectadas pelo HPV, assim como aquelas que estão infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH).

Diagnóstico

O diagnóstico de cancro do colo do útero é geralmente realizado aquando do exame ginecológico, altura em que, ao inspeccionar o colo do útero e a vagina, o médico realiza igualmente um teste de Papanicolau. Durante este teste, é obtida uma amostra de células da superfície e do canal do colo do útero que será examinada posteriormente num laboratório. O teste de Papanicolau é um procedimento rápido e indolor que permite detectar a presença de células anormais ou possivelmente cancerosas. Se tal acontecer o ginecologista irá efectuar um ou mais dos seguintes procedimentos:

  • Examinar novamente colo do útero e vagina, mas agora com um instrumento de ampliação.
  • Realizar uma biópsia, onde é removido um pequeno fragmento de tecido do colo do útero para ser examinado num laboratório.
  • Obter uma raspagem das células situadas do lado de dentro da abertura interna do colo do útero.
  • Realizar um teste do ADN (ácido desoxirribonucleico) para identificar a presença de uma infecção pelo HPV.

O teste do ADN ajuda ainda a identificar simultaneamente o tipo de HPV o que permite uma avaliação do risco de desenvolver cancro do colo do útero, uma vez que apenas alguns tipos de HPV estão relacionados com este tipo de cancro.

Se o teste de ADN para o HPV sugerir um risco mais elevado de desenvolvimento de cancro poderá ser necessária a realização de testes adicionais. Em contrapartida, as mulheres que apresentam um risco mais baixo podem esperar alguns meses antes de realizarem um novo esfregaço de Papanicolau de seguimento.

Prevenção
Como quase todos os cancros do colo do útero são causados por uma infecção pelo HPV, foram desenvolvidas vacinas para o HPV que visam evitar a infecção pelos principais tipos associados ao cancro do colo do útero. Porém estas vacinas não protegem contra todos os tipos de HPV.

O Plano Nacional de Vacinação recomenda a vacinação a todas as raparigas com 13 anos de idade e a todas aquelas que completem os 17 anos até 2011, segundo um esquema de 3 doses ao longo de 6 meses.

A detecção precoce do cancro aumenta imenso a probabilidade de cura. É por este motivo que o teste de Papanicolau é fundamental em qualquer plano de prevenção e rastreio do cancro do colo do útero.

O rastreio do cancro do colo do útero permite diagnosticar lesões pré-malignas ou mesmo lesões cancerosas iniciais. Os programas de rastreio deverão incluir mulheres entre os 25 e os 60 anos, devendo os exames ser repetidos de acordo com o resultado e o teste aplicado.

No entanto, as mulheres que apresentam um risco aumentado de cancro do colo do útero necessitam de ser observadas com maior frequência, o que pode significar pelo menos uma vez por ano. Os factores de risco que aumentam o risco incluem:

  • Infecção pelo VIH
  • Doenças ou medicamentos que diminuem a imunidade
  • Ter uma mãe que tomou o medicamento dietilestilbestrol (DES) durante a gravidez (estrogénio sintético usado como anti-abortivo e na insuficiência ovárica).
  • Existência de pelo menos uma biópsia do colo do útero prévia que revele a presença de células cancerosas ou suspeitas.

Outras medidas que ajudam a prevenir o cancro do colo do útero:

  • Limitar o número de parceiros sexuais para reduzir uma possível exposição ao HPV.
  • Utilizar preservativos durante as relações sexuais vaginais (a menos que tenha apenas um parceiro sexual que sabe não apresentar qualquer doença sexualmente transmitida).
  • Não fumar.

Tratamento

O estádio do cancro é determinado pela extensão da sua disseminação.

  • Estadio 0: o cancro permanece dentro da camada superficial.
  • Estadio I: o cancro permanece dentro do colo do útero.
  • Estadio II: o cancro estende-se para fora do colo do útero, mas não atinge a parede pélvica, nem a porção inferior da vagina.
  • Estadio III: o cancro estende-se para a parede pélvica, para a porção inferior da vagina ou para os ureteres (tubos musculares que ligam os rins à bexiga).
  • Estadio IV: o cancro estende-se para fora da região pélvica ou envolve a bexiga, o recto ou ambos.

O tratamento recomendado para o cancro no Estadio 0 ou no Estadio I deverá ter sempre em consideração se a doente pretende ter filhos. Numa grávida a quem seja diagnosticado um cancro do colo do útero no Estadio 0 ou no Estadio I pode ser possível adiar o tratamento até depois do parto.

Uma mulher com um cancro no Estadio 0 e que ainda pretende ter filhos é geralmente sujeita a uma intervenção cirúrgica onde se realiza uma das seguintes opções de tratamento:

  • Aquecimento e vaporização da camada tecidular superficial
  • Congelação do tecido epitelial para destruir as células anormais
  • Remoção cirúrgica de um fragmento de tecido do colo do útero com a forma de um cone (conização)
  • Remoção das células anormais do colo do útero utilizando uma corrente eléctrica

Após estas intervenções, as mulheres deverão realizar testes de Papanicolau frequentes para averiguar a presença de células anormais.

As mulheres com um cancro no Estadio I e que pretendem engravidar, podem ser apenas submetidas a uma remoção de um fragmento de tecido do colo do útero com a forma de um cone. Nas mulheres que não planeiam engravidar, o tratamento para o cancro no Estadio I, minimamente invasivo, passa geralmente por uma histerectomia total (remoção completa do útero e do colo do útero).

Os cancros no Estadio I e II de maiores dimensões podem requerer uma histerectomia radical ou então radioterapia com quimioterapia. Uma histerectomia radical é a remoção do útero, do colo do útero, dos ovários, das trompas de Falópio e dos gânglios linfáticos pélvicos. A escolha entre a cirurgia e a radioterapia depende da idade e do estado de saúde da mulher. Também deverá ser tomada em consideração a preocupação da mulher no que respeita aos potenciais efeitos secundários ou complicações.

O cancro nos Estadios III e no Estadio IV devem ser tratados com radioterapia, sendo que a combinação de quimioterapia com a radioterapia permite melhorar a sobrevivência nestes estádios mais avançados.

Quando contactar um médico
Comunique quaisquer dos seguintes sinais ou sintomas ao seu médico:

  • Dores abdominais
  • Perda de peso
  • Corrimento vaginal diferente do habitual
  • Perdas de sangue ou hemorragias ligeiras fora da altura do seu período menstrual normal
  • Dores ou hemorragias significativas durante as relações sexuais

Lembre-se de que estas alterações não significam necessariamente que tem um cancro, mas que deverá ser avaliado por um médico.

Nas mulheres com cancro do colo do útero em fase avançada, o aparecimento de uma hemorragia vaginal significativa requer cuidados médicos imediatos.

Prognóstico
Como sempre, a sobrevivência depende do estádio em que o cancro é descoberto e tratado. Quase 100% das mulheres com uma doença no Estadio 0 são curadas e mesmo as mulheres com uma doença nos Estadios I e II apresentam uma probabilidade muito boa de cura. A taxa de cura é substancialmente mais baixa se o cancro do colo do útero for descoberto num estadio mais avançado.

Informações Adicionais
Institutos de Oncologia em Portugal
http://www.ipolisboa.min-saude.pt/ (Lisboa)
http://www.ipoporto.min-saude.pt/Homepage (Porto)
http://www.croc.min-saude.pt/ (Coimbra)

Alto Comissariado da Saúde – Coordenação Nacional para as Doenças Oncológicas
http://www.acs.min-saude.pt/pt/doencas-oncologicas/

Liga Portuguesa Contra o Cancro
http://www.ligacontracancro.pt/
http://www.ligacontracancro.pt/gca/index.php?id=140

Instituto Nacional de Câncer (Brasil)
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home/
http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/colo_utero/definicao

Sociedade Europeia de Oncologia Médica
http://www.esmo.org/

Associação Europeia para o Cancro do Colo do útero
http://www.ecca.info/webECCA/en

National Cancer Institute (Estados Unidos da América)
http://www.nci.nih.gov/

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