Cancro da cavidade oral

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Dr. Ricardo da Luz

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Cancro pelo Prof. Ricardo da Luz: Cancro da cavidade oral

Leia o artigo aqui:

O que é?

O cancro da cavidade oral surge em qualquer local da parte anterior da boca e inclui qualquer cancro que se inicie nos lábios, língua, superfície interna das bochechas, palato duro (a parte da frente do céu da boca) ou nas gengivas. Este tipo de cancro resulta do crescimento e divisão descontrolada de células anormais que podem aparecer na superfície que reveste a cavidade oral, denominando-se, na maioria dos casos, carcinoma de células pavimentosas.

Apesar do número de novos casos de cancro da cavidade oral ter vindo a diminuir lentamente ao longo das últimas duas décadas, ele ainda permanece muito frequente nos homens, e em especial naqueles que apresentam hábitos de tabagismo, consumo exagerado de álcool e exposição excessiva ao sol.

As pessoas com cancro da cavidade oral têm maior probabilidade de desenvolverem outros de tipos de cancro, nomeadamente o da laringe (incluindo das cordas vocais), do esófago ou do pulmão. De facto, quando diagnosticado um cancro da cavidade oral cerca de 15% dos doentes já terão outro cancro, ainda que não diagnosticado, e 40% estarão em risco de desenvolver um outro tipo de cancro no futuro.

Sinais e Sintomas

Os sinais e sintomas de cancro da cavidade oral incluem:

  • uma ferida na boca que não cicatriza

  • uma área na boca que muda de cor e se mantém assim

  • uma massa ou espessamento na bochecha que não desaparece

  • uma dor de garganta que não desaparece

  • alterações da voz

  • dificuldade em mastigar ou em engolir

  • dificuldade em movimentar o maxilar inferior ou a língua

  • dentes a abanar

  • entorpecimento da língua ou de outra parte da boca

  • dor em volta dos dentes ou no maxilar inferior

  • dor ou irritação na boca que não desaparece

  • perda de peso inexplicada

  • inchaço no maxilar inferior

  • um nódulo ou massa no pescoço

  • a sensação constante de que alguma coisa se encontra presa na garganta

Muitos destes sinais e sintomas podem também estar presentes noutros problemas médicos menos graves. Mas, se quaisquer destas alterações persistir para além de duas semanas, deve consultar o seu médico.

Diagnóstico

Qualquer diagnóstico começa sempre por um exame físico. Quer se tenha, ou não, sintomas o médico ou dentista deve procurar a presença de manchas anormais na boca durante uma consulta de rotina e pesquisar a presença de nódulos ou massas no pescoço.

Se houver uma suspeita de cancro, o doente deverá ser avaliado por um cirurgião oral ou um cirurgião especializado em ouvidos, nariz e garganta (Otorrinolaringologista). Para confirmar a presença de um cancro poderá ser realizada uma biópsia, que consiste na remoção de um pequeno fragmento de tecido da área alterada e seu exame ao microscópio.

Confirmado o diagnóstico o cancro tem de ser estadiado, ou seja determinado se este se espalhou, ou não, para fora dos limites da cavidade oral. Para tal são realizados outros exames que incluem frequentemente:

  • uma RMN (ressonância magnética nuclear) da cabeça e do pescoço

  • uma TAC (tomografia computorizada) do tórax, para procurar vestígios de cancro nos gânglios linfáticos torácicos

  • uma PET (tomografia de emissão de positrões), para procurar indícios de cancro noutras partes do corpo

Poderá ainda ser necessário avaliar a laringe, o esófago e os pulmões.

Prevenção

O principal factor de risco para o cancro oral é o tabaco. O consumo de álcool constitui um outro factor de risco importante, em especial se associado ao tabagismo.

Se fumar, obtenha a ajuda de que necessitar para abandonar este hábito. Se fumar ou o tiver feito no passado, vigie o aparecimento dos sinais e sintomas suspeitos. Peça ao seu médico ou dentista que avalie a sua boca pelo menos uma vez por ano para identificar a presença de áreas anormais e assim ajudar a encontrar o cancro precocemente.

O cancro dos lábios encontra-se intimamente associado a uma exposição prolongada ao sol. Se passar muito tempo ao ar livre, especialmente como parte do seu trabalho, tome as seguintes medidas para se proteger:

  • Tente evitar o sol durante o período do meio do dia, altura em que este é mais forte.

  • Use um chapéu de abas largas.

  • Use protector solar e um bálsamo labial para o proteger contra a luz ultra-violeta.

Tratamento

Quando os médicos avaliam o crescimento do cancro atribuem geralmente um “estadio”. Um tumor no estadio 0 ou no estadio I encontra-se localizado num único sítio e não se propagou muito nos tecidos adjacentes. Um tumor no estadio III ou IV pode ter-se desenvolvido em profundidade ou para além dos tecidos circundantes.

O tratamento oferecido depende do local onde o cancro teve início e do seu estadio. O tratamento mais comum no cancro do pavimento oral passa pela cirurgia com a remoção do tumor e de algum tecido saudável em volta dele. Se as células cancerosas se tiverem disseminado para os gânglios linfáticos, será necessário removê-los para tentar evitar que o cancro se espalhe para outras partes do corpo.

Porém, para alguns tumores de pequenas dimensões o tratamento de eleição poderá ser a radioterapia. Neste caso serão apenas os raios X de alta energia que irão matar as células cancerosas. Em alguns doentes já submetidos a uma intervenção cirúrgica poderá ser proposta radioterapia para que se tenha a certeza de que todas as células cancerosas são destruídas. Mesmo que não possa curar o cancro, a radioterapia é fundamental para aliviar alguns sintomas não controlados, tais como as dores, a hemorragia e a dificuldade em engolir.

No cancro da cavidade oral a quimioterapia é geralmente usada para reduzir o tamanho dos tumores antes da cirurgia ou então para aliviar sintomas se este for demasiado grande para ser operado.

Se este tipo de cancro for diagnosticado num estadio inicial (estádio I e II), as probabilidades de cura são muito elevadas, caso sejam tratados com cirurgia ou com radioterapia. Esta última modalidade de tratamento pode irritar o tecido saudável na boca ou garganta, mas constitui, por si só, a melhor opção para alguns doentes.

Quando os tumores são mais avançados (estadio III ou IV), apresentando-se com grandes dimensões, envolvendo mais do que uma parte da boca, ou então disseminando-se para os gânglios linfáticos, só poderão ser tratados com uma cirurgia mais extensa associada a radioterapia, quimioterapia ou ambas.

Depois de o cancro ter sido tratado, pode ser necessário realizar terapia para recuperar a capacidade para falar e engolir. Se tiver sido submetido a uma cirurgia extensa, pode necessitar igualmente de uma cirurgia cosmética.

Quando contactar o seu médico

Se descobrir um nódulo ou uma área com alterações da coloração na boca ou na língua, consulte o seu médico, ou dentista, o mais depressa possível.

Prognóstico

Quanto mais precocemente for encontrado o cancro da cavidade oral, melhor será o seu prognóstico. A maior parte das pessoas com cancros em estadios iniciais apresentam uma taxa de cura excelente e mesmo as pessoas com cancros nos estadios III ou IV que recebem todos os tratamentos sugeridos podem, ainda assim, usufruir com boa probabilidade de uma vida livre do cancro durante 5 anos ou mais.

Porém e dado que estes doentes, mesmo depois de curados, continuam a apresentar um elevado risco de desenvolver outro cancro na boca, cabeça ou pescoço é fundamental que se mantenham em consultas médicas de seguimento.

Informação Adicional

Institutos de Oncologia em Portugal

http://www.ipolisboa.min-saude.pt/ (Lisboa)

http://www.ipoporto.min-saude.pt/Homepage (Porto)

http://www.croc.min-saude.pt/ (Coimbra)

Alto Comissariado da Saúde – Coordenação Nacional para as Doenças Oncológicas

http://www.acs.min-saude.pt/pt/doencas-oncologicas/

Liga Portuguesa Contra o Cancro

http://www.ligacontracancro.pt/

Instituto Nacional de Câncer (Brasil)

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home/

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/boca

Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO)

http://www.esmo.org/

Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO)

http://www.cancer.net/portal/site/patient

http://www.cancer.net/patient/Cancer+Types/Oral+and+Oropharyngeal+Cancer

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