Bradicárdia

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Cardiologia pelo Dr. Carlos Morais: Bradicárdia

Leia o artigo aqui:

O que é?

A bradicárdia é uma frequência cardíaca anormalmente lenta, inferior a 60 batimentos por minuto, sendo que os batimentos cardíacos normais se situam entre 60 e 100 batimentos por minuto.

Eis o que acontece durante um batimento cardíaco normal: o sinal eléctrico que inicia um batimento cardíaco tem origem no nódulo sinusal do coração, o pacemaker natural localizado na porção superior da aurícula direita.

A partir do nódulo sinusal, o sinal para o batimento cardíaco viaja até ao nódulo auriculoventricular, localizado entre as aurículas e, em seguida, através do feixe de His – uma série de fibras musculares cardíacas modificadas localizadas entre os ventrículos – até aos músculos dos ventrículos, desencadeando uma contracção dos ventrículos que produz um batimento cardíaco.

Uma bradicárdia, mesmo de apenas 50 batimentos, pode ser normal em atletas e noutras pessoas que são fisicamente activas. Nestas pessoas, o exercício regular melhora a capacidade cardíaca para bombear eficazmente o sangue, pelo que são necessárias menos contracções cardíacas para corresponder às necessidades do corpo.

Noutros casos, a bradicárdia pode ser uma forma de arritmia cardíaca, isto é, uma anomalia da frequência cardíaca. A arritmia cardíaca pode ser causada por um problema no nódulo sinusal ou pode estar relacionada com alguma perturbação na passagem dos sinais dos batimentos cardíacos através do nódulo auriculoventricular e do feixe de His. A bradicárdia pode ocorrer com níveis tóxicos de determinados medicamentos, tais como a digoxina e os narcóticos. Além disso, a bradicárdia constitui por vezes um efeito secundário de determinados medicamentos mesmo quando tomados nas doses habituais, incluindo o propranolol, o atenolol, o metoprolol, o sotalol, o verapamil e o diltiazem. A bradicárdia pode igualmente ocorrer em algumas pessoas que apresentam determinadas doenças médicas não relacionadas com o coração, tais como:
  • Hipotiroidismo (nível anormalmente baixo de hormonas tiroideias)
  • Hipotermia (temperatura corporal anormalmente baixa)
  • Hipercaliémia (nível elevado de potássio no sangue)
  • Doença de Lyme
  • Febre tifóide

Sintomas
A bradicárdia pode causar tonturas, fraqueza, falta de energia ou desmaios.
Se a bradicárdia for causada por uma doença médica, poderão estar presentes sintomas adicionais que são específicos dessa doença. Por exemplo, as pessoas cuja bradicárdia é devida a um hipotiroidismo grave podem igualmente apresentar obstipação, cãibras musculares, aumento de peso (frequentemente apesar da falta de apetite), pele muito seca, cabelo fino e seco, uma sensibilidade anormal a temperaturas frias e outros sintomas relacionados com os níveis baixos de hormonas tiroideias.

Diagnóstico
O médico irá fazer-lhe perguntas sobre a sua história familiar de doença cardíaca, arritmias cardíacas e desmaios e irá igualmente rever os seus sintomas actuais e a sua história clínica pessoal, incluindo os medicamentos que está a tomar e que podem causar bradicárdia.

Durante o exame físico, o médico irá avaliar a frequência e o ritmo cardíacos e o pulso. Pode ser-lhe pedido para fazer algumas elevações ou outro exercício para que o médico possa avaliar se a frequência cardíaca aumenta normalmente quando é pedido ao coração para fazer mais esforço. O médico irá igualmente verificar os sinais físicos de anomalias da tiroideia, incluindo aumento da glândula tiroideia, pele muito seca e cabelo fino e seco.

Para melhor avaliar a bradicárdia, o médico irá pedir um electrocardiograma (ECG). No entanto, uma vez que algumas formas de bradicárdia são intermitentes, um ECG pontual realizado no consultório pode ser normal. Se assim for, pode ser necessário recorrer à electrocardiografia de ambulatório, com utilização de uma máquina de ECG portátil denominada monitor de Holter, geralmente durante 24 horas.

Se os sintomas forem pouco frequentes, pode usar um monitor durante mais tempo, devendo carregar num botão para registar o ECG nas alturas em que ocorrem os sintomas.


Dependendo dos resultados do seu exame físico, podem ser necessários outros exames para avaliar a presença de doenças médicas que produzem bradicárdia. Por exemplo, se tiver sintomas e sinais físicos de hipotiroidismo, o médico pode pedir análises de sangue para avaliar os níveis das hormonas tiroideias e da TSH, uma hormona produzida pela hipófise que estimula a tiroideia.

O médico pode igualmente pedir análises de sangue para dosear o colesterol e determinadas enzimas hepáticas, que estão frequentemente elevadas nas pessoas com hipotiroidismo.


Duração esperada
A duração da bradicárdia depende da causa. Por exemplo, uma bradicárdia normal num atleta bem treinado irá persistir enquanto o atleta mantiver o seu nível habitual de exercício. Quando a bradicárdia ocorre como efeito secundário de um medicamento, irá geralmente desaparecer logo que o medicamento que desencadeou a bradicárdia for metabolizado pelo organismo ou excretado na urina. A bradicárdia causada pelo hipotiroidismo irá desaparecer rapidamente depois de instituído o tratamento com hormonas tiroideias. Determinadas formas de bradicárdia resultantes de arritmias cardíacas podem ser curadas com um pacemaker permanente.

Prevenção
Não existem orientações gerais para prevenir todas as formas de bradicárdia. Quando a bradicárdia ocorre como efeito secundário da medicação, o problema pode ser prevenido através da mudança para outro fármaco ou da redução da sua dose.

Tratamento 
Na maior parte dos casos, a bradicárdia em atletas saudáveis, bem treinados, não necessita de ser tratada. De facto, na maior parte das pessoas, a bradicárdia não requer tratamento, a menos que os doentes apresentem sintomas que sejam claramente devidos a uma frequência cardíaca lenta.

As situações referidas a seguir produzem bradicárdia e requerem tratamento:

  • Arritmias cardíacas resultantes de uma disfunção do nódulo sinusal. Nas pessoas com sintomas frequentes e graves de disfunção do nódulo sinusal, o tratamento principal é geralmente a colocação de um pacemaker permanente, um dispositivo implantado que gera impulsos eléctricos para regular os batimentos cardíacos.
  • Arritmias cardíacas resultantes de problemas do nódulo auriculoventricular. Nas pessoas com problemas do nódulo auriculoventricular, a passagem dos sinais dos batimentos cardíacos pode ser bloqueada em diferentes graus. Alguns doentes com graus menos graves de bloqueio auriculoventricular não necessitam de tratamento. Outros podem simplesmente ser monitorizados através de ECGs frequentes, especialmente se não evidenciarem quaisquer sintomas e se apresentarem uma frequência cardíaca que é adequada para as suas actividades diárias. As pessoas com a forma mais grave de bloqueio auriculoventricular (denominado bloqueio auriculoventricular de terceiro grau) podem ser tratadas com um pacemaker permanente especial de dupla câmara, isto é, um pacemaker com um eléctrodo na aurícula e outro no ventrículo.
  • Hipotiroidismo. O hipotiroidismo é tratado com doses de substituição de hormonas tiroideias. Encontram-se disponíveis formas sintéticas destas hormonas – a levotiroxina, a liotironina e o liotrix – assim como de extracto de tiroideia.
  • Doença de Lyme – O tratamento com antibióticos elimina a infecção e a bradicárdia quase sempre desaparece.

Quando contactar um profissional
Contacte o médico se o seu pulso for inferior a 60 batimentos por minuto. Isto é especialmente importante se tiver sentido tonturas, fraqueza, falta de energia ou desmaios.

Prognóstico
Nos atletas bem treinados com uma bradicárdia normal, uma frequência cardíaca lenta é frequentemente um sinal de uma boa saúde geral. Nas outras pessoas com bradicárdia, o prognóstico depende da doença subjacente. Por exemplo o prognóstico é geralmente bom nas pessoas com hipotiroidismo, uma vez que o tratamento com hormonas tiroideias pode aliviar a bradicárdia e outros sintomas relacionados com os níveis baixos de hormonas.

Em alguns doentes idosos, as doses de hormonas podem ter de ser aumentadas muito lentamente ao longo de várias semanas para evitar esforçar o coração. Antigamente o prognóstico nas pessoas com um bloqueio auriculoventricular de terceiro grau era mau, verificando-se que 50% dos doentes faleciam no prazo de um ano após realizado o diagnóstico. Contudo, actualmente, a disponibilidade de pacemakers permanentes melhorou o prognóstico de muitas pessoas com arritmias cardíacas.


Informação Adicional
Sociedade Portuguesa de Cardiologia
Campo Grande 28, 13º   1700-093 Lisboa
Telefones: 217978605, 217817630
Fax: 217931095

Alto Comissariado da Saúde

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