Gravidez Molar

Fonte: 

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. Hugo Dias

Validação Científica:

Prof. João Bernardes

O que é?

Depois do espermatozóide fertilizar o óvulo, desenvolvem-se novos tecidos que vão formar normalmente o feto e a placenta. Uma gravidez molar, também conhecida por doença trofoblástica gestacional, ocorre quando o tecido que deve supostamente formar a placenta cresce anormalmente e forma um tumor que se pode disseminar para fora do útero.

Numa “mola completa”, não se forma tecido fetal normal. Numa “mola parcial”, desenvolvem-se tecidos fetais incompletos juntamente com o tecido da mola hidatiforme. Estas duas situações não são cancerosas e constituem até 80% dos casos. Contudo, podem ocorrer três formas malignas de doença trofoblástica gestacional, incluindo a gravidez molar invasiva, o coriocarcinoma e os tumores trofoblásticos do local de inserção da placenta. Praticamente todas as gravidezes molares, mesmo as de tipo canceroso, podem ser curadas.

A maior parte das gravidezes molares não são cancerosas e encontram-se confinadas ao útero (molas hidatiformes). Neste tipo de mola, o tecido placentário anormal tem vilosidades, aglomerados de tecido cheio de líquido, o que lhe dá a aparência de um cacho de uvas. Se um feto começar a desenvolver-se concomitantemente com uma mola hidatiforme, este apresenta habitualmente muitas malformações e praticamente nunca nasce sob a forma de bebé vivo.

Um tumor mais agressivo associado às gravidezes molares é a mola invasiva, também denominada corioadenoma destruens. A mola invasiva contém muitas vilosidades, mas estas podem crescer para o interior ou através da camada muscular da parede uterina. Raramente, as moles invasivas podem causar uma hemorragia secundária à perfuração do útero em toda a sua espessura. Em 15% dos casos, uma mole invasiva pode disseminar-se para os tecidos situados fora do útero.

Os tecidos gravídicos podem evoluir para um cancro denominado coriocarcinoma, embora isto seja raro. Cinquenta por cento dos coriocarcinomas formam-se durante uma gravidez molar. Outros formam-se durante uma gravidez tubária, uma gravidez abortada ou uma gravidez saudável. Os coriocarcinomas podem causar uma hemorragia persistente nas semanas ou meses após o parto, mas isto acontece muito raramente (a maior parte das hemorragias deste tipo não são causadas por um coriocarcinoma). Os coriocarcinomas associados a gravidezes molares seguem-se praticamente sempre a molas completas e não a molas parciais.

Todas as formas de gravidez molar, incluindo o coriocarcinoma, são mais comuns nas mulheres de etnia asiática ou africana.

Manifestações clínicas

As molas hidatiformes podem exagerar os sintomas habituais de gravidez. Muitos dos sintomas são semelhantes aos associados a um aborto e a maior parte das mulheres com gravidezes molares pensam inicialmente que abortaram. As molas invasivas e os coriocarcinomas podem causar sintomas durante ou após a gravidez e esses sintomas podem até desenvolver-se depois da mola hidatiforme ter sido removida.

O sintoma mais comum é a hemorragia vaginal, especialmente entre a sexta e a décima sexta semana de gravidez. Outro sintoma é uma hemorragia que se prolonga durante muito tempo após o parto. A hemorragia ligeira pode apresentar-se com a forma de um corrimento aquoso acastanhado na vagina. Por vezes, é eliminado pela vagina um fragmento de tecido com um aspecto semelhante a uvas, embora esta situação seja pouco frequente. É importante recordar que a maior parte das hemorragias vaginais durante ou após a gravidez não se encontram associadas a uma gravidez molar. No entanto, a mulher deve comunicar ao médico qualquer hemorragia que ocorra durante a gravidez.

Uma mola ou um coriocarcinoma podem causar igualmente os seguintes sintomas:

  • Aumento de volume abdominal, causado por um aumento de tamanho do útero, que ocorre mais rapidamente do que o esperado durante o primeiro trimestre da gravidez
  • Vómitos excessivos durante a gravidez
  • Fadiga, frequentemente causada por anemia relacionada com uma hemorragia profusa
  • Dores abdominais intensas e súbitas causadas por uma hemorragia interna
  • Cólicas pélvicas ou corrimento vaginal
  • Falta de ar, tosse ou expectoração hemoptóica (com sangue), uma vez que o coriocarcinoma pode disseminar-se muito raramente para os pulmões antes de ser diagnosticado.

Existem muitas outras causas para estes sintomas ― a maioria está associada a gravidezes normais ― pelo que, se uma mulher apresentar este tipo de problemas, não deve assumir que tem uma gravidez molar. É necessário falar sempre com o médico.

Diagnóstico

O médico pode suspeitar de que uma mulher tem uma gravidez molar com base nos sintomas que apresenta durante ou após a gravidez ou devido ao facto do útero se apresentar demasiado grande. O médico pode suspeitar de uma gravidez molar se a mulher apresentar um nível elevado de gonadotrofina coriónica humana (beta-HCG), a hormona medida num teste de gravidez de rotina. No entanto, nem todas as gravidezes com níveis elevados de beta-HCG são molas e algumas gravidezes molares não se acompanham de níveis elevados de beta-HCG.

Uma ecografia pélvica pode habitualmente confirmar um diagnóstico de gravidez molar.

Se a mulher tiver uma gravidez molar, serão realizados exames adicionais para determinar o tipo de mola e a possibilidade de se ter disseminado para fora do útero. Os exames podem incluir radiografias, uma tomografia computorizada (TC) ou uma ressonância magnética nuclear (RMN) para visualizar o tórax, o abdómen, a região pélvica e o cérebro. Podem ser necessárias análises de sangue adicionais. Uma vez removido, um anatomopatologista irá observar ao microscópio o tecido molar para confirmar o diagnóstico.

Evolução clínica

O tratamento de algumas gravidezes molares pode demorar vários meses. Depois do tratamento, a doente irá necessitar de ser submetida a análises de sangue repetidas e a avaliações clínicas ao longo de um a dois anos, para garantir que o tecido molar foi tratado e que o problema não recidivou.

Prevenção

Embora qualquer mulher que engravide apresente um certo risco de desenvolver uma destas situações pouco comuns, o risco parece ser mais elevado nas grávidas com idade inferior a 20 anos ou superior a 40 anos.

A melhor forma de prevenir as complicações de uma mola invasiva ou de um coriocarcinoma consiste em receber cuidados pré-natais de rotina por um profissional de saúde qualificado para que os problemas possam ser identificados o mais precocemente possível.

Tratamento

Os resultados dos exames diagnósticos irão ajudar a determinar o plano de tratamento. As opções para o tratamento incluem quase sempre a cirurgia para remover o tumor. Os tipos mais agressivos de gravidez molar podem requerer quimioterapia e/ou radioterapia. Cerca de 85% das molas hidatiformes podem ser tratadas sem quimioterapia. As opções de tratamento incluem:

  • Dilatação e curetagem (D e C) — Este é um procedimento cirúrgico utilizado para remover as molas hidatiformes não cancerosas. A abertura do colo do útero é dilatada e o revestimento do útero é raspado (curetado) e eliminado através da sucção e de um instrumento semelhante a uma colher.
  • Remoção do útero (histerectomia) — Esta intervenção cirúrgica raramente é utilizada para tratar as molas hidatiformes mas pode ser escolhida, em particular se a mulher não quiser voltar a engravidar.
  • Quimioterapia com um único medicamento — Este tratamento com um medicamento tóxico para o tecido molar é usado para tratar o tumor de uma gravidez molar que tem características sugestivas de um bom prognóstico.
  • Quimioterapia com múltiplos medicamentos — O tratamento com diversos medicamentos tóxicos para o tecido molar é geralmente necessário para tratar os tumores invasivos com pior prognóstico.
  • Radioterapia — Este tipo de tratamento usa feixes de raios X de elevada intensidade para destruir as células cancerosas nos casos extremamente raros em que o tumor se disseminou (metastizou).

Quando contactar um médico

Em qualquer gravidez, certifique-se de que recebe os cuidados pré-natais apropriados a partir do primeiro trimestre, com avaliações clínicas regulares. Comunique ao médico qualquer hemorragia, vómitos excessivos ou dores abdominais durante a gravidez. Se tiver uma hemorragia vaginal prolongada depois de um parto ou de um aborto, consulte o médico para uma avaliação.

Prognóstico

Com tratamento apropriado, todas as molas hidatiformes são curáveis e praticamente todos os casos de tumores molares mais agressivos podem ser curados. Mesmo nos tumores cujas características os categorizam como tendo um pior prognóstico, 80 a 90% são curados com uma combinação de cirurgia e, se necessário, de quimioterapia.

É importante que as mulheres com gravidezes molares sejam avaliadas periodicamente depois do problema ter sido tratado. As mulheres são aconselhadas a não tentar engravidar durante algum tempo de forma a garantir que os níveis de beta-HCG permanecem a zero e que não é necessário qualquer tratamento adicional. Existe risco de uma gravidez molar poder recidivar depois do tratamento.

Geralmente é possível que as mulheres tenham uma gravidez normal, saudável, depois de receberem tratamento para uma gravidez molar.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Ginecologia

http://www.spginecologia.pt/

Uma resposta to “Gravidez Molar”

  1. Gravidez Molar « Programa Harvard Medical School – Portugal Says:

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