O que é um Coma e Estado Vegetativo Persistente?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª. Ana Sofia Correia

Validação Científica:

Prof. João Lobo Antunes

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Neurologia pelo Prof. João Lobo Antunes: O que é um Coma e Estado Vegetativo Persistente?

Leia o artigo aqui:

O que é?

Coma é um estado de inconsciência profunda em que uma pessoa parece estar a dormir mas não é despertável.

O estado vegetativo refere-se a outra forma de alteração do estado de consciência na qual a pessoa parece estar acordada mas não interage com o mundo exterior. Nesta situação, os olhos da pessoa podem estar abertos e o doente pode, por exemplo, pestanejar, mover os olhos, emitir sons, gemer, sorrir, chorar, movimentar espontaneamente os membros e ter reacção de sobressalto a um ruído. No entanto, estes doentes não têm respostas comportamentais voluntárias a estímulos e não se expressam nem compreendem a linguagem. O estado vegetativo é persistente quando dura pelo menos 1 mês.

Em ambos os casos, o doente está vivo mas o cérebro não funciona totalmente.

Algumas causas de coma incluem:

  • Traumatismo craniano provocado, por exemplo, por acidente de viação, um acidente durante a prática de desporto ou uma queda
  • Complicação de uma doença subjacente, nomeadamente epilepsia, diabetes ou insuficiência hepática ou renal
  • Intoxicação, sobretudo por drogas que deprimem o sistema nervoso, tais como opiáceos, tranquilizantes ou álcool
  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Outras: meningite, encefalite, tumor cerebral, anóxia (diminuição extrema da oxigenação), hipoglicémia, alterações iónicas, etc.

O estado de coma raramente dura mais de um mês e, geralmente, termina mais cedo. Alguns doentes evoluem para um estado vegetativo persistente.

O estado vegetativo persistente não deve ser confundido com morte cerebral. A morte cerebral implica a cessação irreversível das funções do tronco cerebral (estrutura do sistema nervoso essencial às funções vitais). Nesta situação, tem que estar determinada a causa do quadro clínico e a sua irreversibilidade. O doente não tem respiração espontânea e os reflexos do tronco cerebral não estão presentes.

Manifestações Clínicas

As pessoas em coma estão inconscientes e incapazes de comunicar. Não respondem ao som nem à dor. Podem apresentar movimentos estranhos dos braços e das pernas mas estes não são intencionais. Nas situações de maior gravidade, as áreas do cérebro que controlam a respiração podem estar afectadas e pode ser necessário um ventilador artificial (um aparelho de respiração mecânica) para o doente permanecer vivo.

Uma pessoa em estado vegetativo persistente consegue respirar sem necessidade de um ventilador. Apresenta períodos de olhos abertos intercalados com períodos de olhos fechados (alternância vigília-sono). Durante os períodos de vigília, a pessoa pode reagir à dor física e pode ter movimentos que não são intencionais.

Diagnóstico

Habitualmente é fácil diagnosticar um estado de coma porque os sinais de inconsciência e a ausência de resposta são evidentes. No entanto, a determinação da causa do coma pode ser mais difícil.

Quando o coma resulta de uma lesão craniana traumática, geralmente a causa é evidente. As pessoas que estiverem com o doente antes da alteração do estado de consciência podem dar informações importantes. Por exemplo, podem contar ao médico se o doente tomou medicamentos ou drogas, o estado do doente antes de ficar em coma (sintomas, manifestações clínicas) e a rapidez com que ocorreu a alteração do estado de consciência. O médico deve ser informado sobre a história médica do doente porque a descompensação de algumas doenças pode conduzir a coma, incluindo diabetes, epilepsia e doença cardíaca, pulmonar, hepática, renal ou outra. O exame físico também pode dar algumas pistas. Por exemplo, uma intoxicação por narcóticos provoca pupilas muito pequenas que não reagem à luz.

Habitualmente são pedidos alguns exames, nomeadamente:

  • Análises ao sangue e à urina para investigar algumas doenças, perturbações metabólicas e toxinas
  • Ressonância magnética (RM) ou tomografia computorizada (TC) para identificar, por exemplo, uma hemorragia cerebral, um acidente vascular cerebral isquémico, um tumor ou uma infecção do sistema nervoso central
  • Electroencefalograma, que avalia a actividade eléctrica do cérebro e que pode identificar evidência de uma encefalopatia metabólica ou de crises epilépticas
  • Punção lombar (exame em que é inserida uma agulha entre as vértebras lombares para colher uma pequena quantidade do líquido que envolve o cérebro e medula – líquido cefalo-raquidiano), sobretudo em caso de suspeita de meningite ou encefalite

Evolução Clínica

A duração de um coma depende da causa, localização, extensão e gravidade da lesão do cérebro. O coma pode durar horas ou muitos meses e pode acabar com recuperação (com ou sem sequelas), evolução para estado vegetativo ou morte. Algumas pessoas que recuperam do estado de coma ficam com sequelas físicas e mentais permanentes. Enquanto que algumas precisam de anos de reabilitação, outras recuperam totalmente de forma relativamente rápida.

Prevenção

Embora, algumas vezes, não seja possível prevenir as situações responsáveis pelo estado de coma, podem evitar-se muitos casos obedecendo a precauções de segurança. Por exemplo, muitas situações de traumatismo craniano poderiam ser evitadas com uma condução mais segura e com a utilização de cinto de segurança nos automóveis e de capacetes nas motas e bicicletas. Além disso, devem ser evitadas as bebidas alcoólicas antes da condução, assim como determinados sedativos. Muitos medicamentos podem alterar o estado de consciência, particularmente quando misturados com álcool.

As pessoas com diabetes devem monitorizar a glicemia (nível de açúcar no sangue) para evitar a hipoglicemia, que é um efeito adverso da insulina e de alguns antidiabéticos orais, que pode progredir para o estado de coma. Os diabéticos e os familiares devem saber identificar os sinais precoces de hipoglicemia e administrar açúcar de imediato.

Tratamento

A avaliação inicial do doente pretende identificar as situações que exigem uma intervenção imediata. Assim sendo, procede-se à avaliação das vias aéreas (que devem estar desobstruídas), da ventilação (respiração), da circulação (pressão arterial, pulso), da glicemia (níveis de açúcar no sangue) e dos sinais de intoxicação. De acordo com o quadro clínico do doente, podem ser necessárias intervenções de emergência como, por exemplo, suporte ventilatório mecânico para manter a respiração. 

O tratamento específico irá depender da causa do coma. Por exemplo, se o coma foi provocado por traumatismo craniano, o tratamento tem como objectivos diminuir qualquer hemorragia ou edema no cérebro. Se o coma foi provocado pela descompensação de uma doença, o tratamento será dirigido a essa doença para reverter o estado de coma. Se uma intoxicação provocou o coma, poderá ser administrado um antídoto nalgumas situações.

O tratamento inclui também cuidados de suporte para evitar a asfixia, manter a flexibilidade dos tendões e articulações, fornecer nutrição adequada e evitar infecções, nomeadamente uma pneumonia. Tendo em conta que um doente em coma não tem movimentos voluntários, é importante mudar periodicamente a sua posição para evitar feridas por estar acamado (úlceras de pressão).

Quando contactar um médico

Procure cuidados de emergência se uma pessoa parecer estar inconsciente, não responder a estímulos e não for despertável.

Prognóstico

Algumas pessoas recuperam completamente, outras recuperam com algumas sequelas físicas ou mentais e outras morrem. Nem sempre é possível prever quem irá recuperar e quem não irá.

A probabilidade de recuperação do estado de coma é maior quando se identifica, rapidamente, a causa do coma e se corrige imediatamente a situação. Os casos de coma por hipoglicemia ou por intoxicação têm um melhor prognóstico do que os que estão relacionados com um traumatismo craniano grave ou uma paragem cardíaca.

O coma, raramente, dura mais do que quatro semanas. A velocidade de recuperação do estado de coma pode ser muito variável. De um modo geral, quanto mais tempo durar o coma, menor a probabilidade da pessoa recuperar.

As pessoas num estado vegetativo persistente podem evoluir para um estado vegetativo permanente e irreversível.

Informação Adicional

Sociedade Portuguesa de Neurologia

http://www.spneurologia.org 

National Institute of Neurological Disorders and Stroke

http://www.ninds.nih.gov

Brain Injury Association of America

http://www.biausa.org

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt

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