Leucemias Agudas

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Prof. João Lacerda

Leia aqui o artigo:

O que é?

Numa leucemia aguda, a doença inicia-se na medula óssea (interior do osso), verificando-se uma multiplicação rápida de células malignas que impedem a produção das células normais da medula óssea: os glóbulos brancos, que protegem das infecções, os glóbulos vermelhos, que transportam o oxigénio para os tecidos, e as plaquetas, que participam na coagulação do sangue. Em consequência, as manifestações clínicas da leucemia aguda associam-se à diminuição dos glóbulos vermelhos, causando anemia, dos glóbulos brancos normais, podendo surgir infecções, e das plaquetas, causando hemorragias.

A palavra “aguda” refere-se ao facto da doença, sem tratamento, progredir rapidamente. Uma leucemia aguda não se transforma numa leucemia crónica.

Existem duas grandes famílias de leucemias agudas, a leucemia linfoblástica aguda (LLA) e a leucemia mielóide aguda (também denominada leucemia mieloblástica aguda) (LMA).

Na LLA, as células malignas são linfoblastos que, em condições normais, originam um subtipo de glóbulos brancos, os linfócitos. O ser humano produz três tipos de linfócitos que, de forma simplificada, têm as seguintes funções:

  • Os linfócitos B, que produzem anticorpos contra múltiplas infecções
  • Os linfócitos T, que podem destruir células infectadas por vírus, células estranhas ao organismo e células cancerosas. Alguns subtipos de linfócitos T coordenam, também, as respostas de outras células envolvidas nas defesas do nosso organismo
  • As células “natural killer”, que também podem destruir células agressoras

Na LMA, as células malignas são da linhagem mielóide que, em condições normais, originam outros tipos de glóbulos brancos (neutrófilos, eosinófilos, basófilos e monócitos), glóbulos vermelhos e plaquetas.

Frequentemente, numa leucemia aguda há uma invasão rápida do sangue pelas células malignas, mas também podem ser envolvidas outras partes do corpo, tais como os gânglios linfáticos, o fígado, o baço, o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) e os testículos.

Enquanto que a LLA é a leucemia aguda mais frequente na criança e uma das principais doenças oncológicas em idade pediátrica, no adulto a LMA á a mais prevalente.

Sinais e Sintomas

Entre as manifestações das leucemias agudas salientam-se:

  • Febre inexplicada e persistente
  • Fadiga acentuada
  • Perda de peso inesperada com falta de apetite
  • Equimoses (nódoas negras) ou hemorragias fáceis.

Em regra, estas manifestações surgem e evoluem rapidamente. No caso de existir envolvimento do sistema nervoso central, os doentes podem referir:

  • Cefaleias (dores de cabeça)
  • Convulsões
  • Perturbações do equilíbrio

No entanto, devemos ter a noção que, mais frequentemente, os sintomas acima descritos são causados por outro problema médico. Por si só, cada um destes sintomas não permite sequer suspeitar do diagnóstico de leucemia aguda; é um conjunto de dados clínicos e laboratoriais que permitem suspeitar da doença.

Diagnóstico

O primeiro passo no diagnóstico passa geralmente pela realização de uma história clínica cuidadosa e de um exame físico, onde o seu médico irá identificar sinais da doença, hábitos de saúde e de risco.

Para confirmar a suspeita de leucemia aguda, será necessário examinar o sangue periférico e o sangue da medula óssea. Possivelmente, podem ser requisitados exames a outras células e tecidos. Podem ser utilizados os seguintes testes e procedimentos:

  • Hemograma – Para averiguar o número e a aparência das células sanguíneas.
  • Mielograma e/ou biopsia óssea – através de uma aspiração de sangue da medula óssea ou da colheita de um fragmento de osso podem-se avaliar as células existentes na medula óssea (ver secção específica).
  • Análise citogenética – Para identificar alterações genéticas, não hereditárias (não transmissíveis de pais para filhos), nos genes das células malignas presentes no sangue periférico e/ou na medula óssea.
  • Citometria de fluxo (imunofenotipagem) – Para examinar as características mais finas das células anormais

Estes e outros exames laboratoriais irão ajudar a determinar o subtipo da doença e o seu prognóstico. Uma vez diagnosticada uma leucemia aguda, o doente pode necessitar de realizar outros testes e procedimentos. Estes poderão ajudar a determinar se a doença se estendeu a outros locais, por exemplo:

  • Exames de imagem, tais como a radiografia do tórax, tomografias axiais computorizadas (TAC) e ecografias.
  • Punção lombar em que, através de uma agulha, se recolhe e analisa algum líquido cefalorraquidiano que circunda a espinhal medula, para averiguar se existem células malignas a este nível.

Se for confirmada uma leucemia aguda, o doente deve ser referenciado para um centro especializado no tratamento de doenças do sangue (Centro de Hematologia).

Prevenção

Não se conhece nenhuma forma de prevenir a leucemia aguda. No entanto, alguns factores podem aumentar o risco de desenvolver a doença:

  • Ser do sexo masculino.
  • Ser de raça branca.
  • Ser fumador
  • Estar exposto a níveis elevados de radiação, tais como os de um acidente nuclear ou de uma bomba atómica.
  • Estar exposto a determinadas substâncias químicas, incluindo o tratamento no passado com quimioterapia citotóxica para uma outra neoplasia.
  • Possuir determinadas doenças hereditárias, tais como a síndrome de Down ou a anemia de Fanconi.

Ter um ou mais destes factores de risco não significa que irá desenvolver uma leucemia aguda, pois a maioria dos doentes nunca apresentaram factores de risco conhecidos.

Tratamento

As leucemias agudas são tratadas com protocolos terapêuticos bem estabelecidos, utilizando mais do que um medicamento anti-neoplásico. Dependendo dos  protocolos terapêuticos, existem, tradicionalmente, três fases de tratamento para a LLA.

  1. Indução de Remissão – O objectivo da primeira fase de tratamento é eliminar o maior número possível de células leucémicas no sangue periférico e na medula óssea, permitindo uma normalização das contagens de glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas.
  2. Consolidação / Intensificação – O objectivo da segunda fase é destruir quaisquer células leucémicas remanescentes que podem não estar activas, mas que poderão recomeçar a multiplicar-se e causar, mais tarde, uma recidiva.
  3. Manutenção – Esta fase de tratamento de pós-remissão consiste na administração prolongada de medicamentos em dose mais baixa, que se pode estender até aos 2/3 anos após o diagnóstico.

Devemos ter em consideração que existem outros protocolos que não contemplam esta divisão clássica e que não são menos eficazes por esse motivo.

No caso das LMA, consideram-se as mesmas duas fases iniciais do tratamento, não havendo, em regra, lugar para a terapêutica de manutenção.

Durante o tratamento da leucemia aguda, os doentes devem também receber um tratamento que ajude a prevenir ou a tratar a leucemia no sistema nervoso. Para tal, são realizadas punções lombares com administração de quimioterapia citotóxica a este nível. Nalgumas situações pode-se também administrar radioterapia.

No plano terapêutico da leucemia aguda, a equipa médica pode optar por propor um transplante de progenitores hematopoiéticos, também denominado transplante de medula óssea, precocemente.

Após o plano de tratamento estar concluído, os doentes devem manter um seguimento médico regular. Alguns dos testes realizados para diagnosticar a leucemia podem ser repetidos durante e depois do tratamento para verificar até que ponto a terapêutica está a resultar e/ou se a doença se modificou.

Efeitos Secundários

Algumas pessoas que recebem tratamento para uma leucemia aguda podem não ter efeitos secundários significativos. Outros doentes podem vir a desenvolver efeitos secundários a curto prazo ou de longa duração. Entre os efeitos secundários possíveis do tratamento salientam-se:

  • anemia
  • infecções
  • hemorragias fáceis
  • náuseas e vómitos
  • aftas na boca
  • diarreia
  • queda do cabelo.

Existem muitas formas de controlar estes efeitos secundários como, por exemplo, a lavagem regular das mãos, que permite reduzir o risco de infecção.

Ao considerar uma opção de tratamento, é importante discutir com o seu médico quais os benefícios e os riscos esperados de uma determinada terapêutica, assim como o prognóstico e as alterações de qualidade de vida previstas.

Prognóstico

Não existe um prognóstico uniforme para todos os doentes. De facto, o prognóstico de um doente com leucemia aguda depende de muitos factores, incluindo:

  • A idade do doente
  • A contagem de glóbulos brancos na altura do diagnóstico
  • O subtipo da doença
  • A presença ou não de disseminação da doença o sistema nervoso
  • A presença de determinadas alteração específica genéticas, adquiridas, nas células leucémicas
  • A resposta à quimioterapia
  • A existência de uma recidiva da doença

Informação Adicional

Instituições Portuguesas que tratam doentes com leucemias agudas

http://www.chlc.min-saude.pt/ (H. Capuchos, Lisboa)

http://www.hsm.min-saude.pt/ (H. Santa Maria, Lisboa)

http://www.ipolisboa.min-saude.pt/ (IPO Lisboa)

http://www.huc.min-saude.pt/ (H. Universidade de Coimbra, Coimbra)

http://www.ipoporto.min-saude.pt/Homepage (IPO Porto)

http://www.hsjoao.min-saude.pt/PageGen.aspx?SYS_PAGE_ID= (H. São João, Porto)

 Sociedade Portuguesa de Hematologia

http://www.sph.org.pt/

 Sociedade Americana de Hematologia

http://www.hematology.org/

 Alto Comissariado da Saúde – Coordenação Nacional para as Doenças Oncológicas

http://www.acs.min-saude.pt/pt/doencas-oncologicas/

 Liga Portuguesa Contra o Cancro

http://www.ligacontracancro.pt/

 Sociedade Europeia de Oncologia Médica

http://www.esmo.org/

 Rede Europeia da Leucemia (European LeukemiaNet)

http://www.leukemia-net.org/content/patients/links/

 Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) (Estados Unidos da América)

http://www.cancer.net/portal/site/patient

 Sociedade da Leucemia e do Linfoma (Estados Unidos da América)

http://www.leukemia-lymphoma.org/hm_lls

O Prof. João Lacerda, Hematologista, esteve hoje na Edição da Manhã da SIC Notícias para falar de “Leucemias Agudas”. Não perca o vídeo!

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