Estudo Electrofisiológico do Coração

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Dr. Rui Cruz Ferreira

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Testes de Diagnóstico pelo Dr. João Sousa: Estudo Electrofisiológico do Coração

Leia aqui o artigo:

O que é?

Em casos de arritmia (um ritmo cardíaco anormal), os cardiologistas podem usar um estudo electrofisiológico para descobrir que parte do coração está a causar esta alteração no ritmo e que medicamentos serão mais adequados para normalizar esse ritmo. Por vezes os médicos irão recomendar um tratamento que pode ser realizado durante o estudo electrofisiológico, denominado ablação, em que se usa electricidade para destruir as células do músculo cardíaco que parecem causar o ritmo anormal.

Quando solicitado, o doente irá assinar um formulário de consentimento dando ao médico autorização para realizar este exame e deve comunicar se alguma vez teve uma reacção alérgica à lidocaína ou aos medicamentos anestésicos por vezes utilizados no consultório do dentista. Deve igualmente ser comunicado ao médico se alguma vez teve uma reacção alérgica a algum medicamento para o coração.

O doente deverá sempre informar previamente a médico sobre a medicação que efectua, em particular se estiver a tomar insulina ou se toma anticoagulantes orais, aspirina, medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) ou outros que afectem a coagulação do sangue, uma vez que pode ser necessário suspender ou ajustar a dose destes medicamentos antes do exame. Na maior parte dos casos será necessário realizar análises de sangue algum tempo antes do procedimento para confirmar que não existe um risco elevado de complicações hemorrágicas.

O médico pode dizer ao doente para não comer nada durante 12 horas ou mais antes do exame. Algumas pessoas necessitam de um medicamento ansiolítico que pode ocasionalmente causar náuseas e, por este motivo, alguns médicos preferem que estejam em jejum. Pode ser necessário passar uma noite no hospital depois do exame para recuperar, pelo que essa possibilidade deverá ser incluída nos planos.

O que acontece durante o exame?

O exame é realizado por um especialista utilizando equipamento e câmaras num serviço de cardiologia. O doente deve vestir uma bata hospitalar e deitar-se de costas durante o procedimento e será colocado um acesso endovenoso para o caso de ser necessário administrar medicamentos ou soros durante o exame. O coração é monitorizado enquanto o exame estiver a ser realizado.

Um cateter (um tubo oco e estéril que se assemelha a um esparguete) é inserido através da pele num vaso sanguíneo habitualmente na virilha mas, possivelmente, no pescoço ou no braço. Antes de o cateter ser colocado, é administrado um medicamento através de uma pequena agulha para anestesiar a pele e os tecidos subcutâneos dessa área, o que geralmente provoca uma sensação momentânea de picada. Em seguida, é inserida uma agulha acoplada a uma seringa e é retirado algum sangue para a seringa, para que o médico saiba exactamente onde o vaso sanguíneo se encontra localizado. A extremidade de um fio condutor (mas não a sua totalidade) é inserida no vaso sanguíneo através da agulha, após o que se retira a agulha deixando o fio condutor temporariamente introduzido no vaso sanguíneo. O fio condutor é bastante longo, mas apenas uma pequena parte se encontra dentro do vaso sanguíneo. O cateter pode então ser introduzido por fora do fio condutor de forma a ser colocado no local correcto, após o que o fio condutor poderá ser retirado. A este ponto o cateter pode facilmente ser movimentado para a frente e para trás dentro do vaso sanguíneo e o médico segura a extremidade externa do cateter ao mesmo tempo que utiliza controlos especiais para apontar a sua extremidade em diferentes direcções. O cateter é movido cuidadosamente até introdução nos vasos sanguíneos de grande calibre situados no tórax e nas câmaras do coração.

À medida que o médico manobra o cateter, pode observar a sua posição exacta num vídeo de radioscopia. Os instrumentos na extremidade do cateter permitem que este capte os padrões eléctricos do coração, bem como aplicar pequenos choques eléctricos ao músculo cardíaco (ou uma queimadura eléctrica mais forte se o médico estiver a proceder a uma ablação). Os choques eléctricos, que são demasiado fracos para poderem ser sentidos pelo doente, são utilizados para estimular o músculo cardíaco em diferentes locais para ver se o ritmo anormal é desencadeado por uma área sensível do coração. Se o ritmo se alterar, o médico irá administrar pequenas doses de diferentes medicamentos através do cateter para verifica quais é que são mais eficazes no que respeita à normalização do ritmo. Em alguns casos, o médico pode necessitar de aplicar no coração alguns choques ligeiros adicionais para fazer com que ele retome um ritmo normal. Uma vez que este cateter se encontra colocado dentro do coração e pode aplicar os choques directamente no músculo cardíaco, são utilizadas quantidades muito pequenas de corrente eléctrica.

Depois de o cateter ter sido retirado, um penso compressivo (habitualmente composto por compressas) é colocado sobre a virilha para reduzir a hemorragia. Este exame demora geralmente uma a duas horas a realizar.

Muitos doentes podem sentir palpitações (percepção dos batimentos cardíacos, que podem ser irregulares ou rápidos) com as alterações do ritmo. Um pequeno número de doentes sente igualmente falta de ar ou tonturas quando não apresenta um ritmo cardíaco normal. Além da sensação de picada breve aquando da administração do anestésico e de alguma hipersensibilidade na virilha depois do exame, não é provável que o doente sinta dores. Em algumas pessoas, o procedimento provoca ansiedade. Alguns doentes sentem dificuldade em permanecerem deitados sem se moverem durante o tempo necessário para a realização do exame.

Quais os riscos do exame?

Existem riscos significativos associados a este procedimento. Em primeiro lugar, alguns ritmos cardíacos anormais (arritmias) podem ser potencialmente fatais e os médicos irão provocar intencionalmente alguns episódios suplementares de arritmia durante o exame. Se o médico recomendar a realização do estudo electrofisiológico é porque considera que é um risco que vale a pena correr, uma vez que irá permitir uma melhor orientação do doente no futuro. Dado que o doente se encontra num laboratório e monitorizado enquanto ocorrem as alterações do ritmo, é fácil que estas sejam tratadas de imediato.

Se o procedimento incluir a realização de uma ablação há riscos adicionais a considerar, uma vez que a ablação causa intencionalmente a formação de uma cicatriz numa pequena zona do músculo cardíaco. As complicações são raras, mas podem ocorrer novas alterações do ritmo ou, muito raramente, o instrumento de ablação pode produzir um orifício no músculo cardíaco. Esta situação causa uma hemorragia e pode requerer uma intervenção cirúrgica imediata. Existe uma pequena possibilidade de ocorrer um acidente vascular cerebral (AVC), de ser necessário colocar um pacemaker ou de o doente morrer devido a este procedimento. A inflamação temporária do saco que envolve o coração (pericardite) pode provocar uma dor no peito. Alguns procedimentos de ablação podem provocar um esvaziamento lento do estômago devido à lesão dos nervos que se situam próximo do coração.

Por outro lado, podem ocorrer riscos associados à colocação do cateter e à utilização de uma substância de contraste nos procedimentos acompanhados ou que não incluam ablação, entre os quais se salienta a hemorragia no local onde o cateter foi inserido. Se ocorrer hemorragia mas o sangue se acumular sob a pele, pode formar-se um hematoma doloroso de grandes dimensões. Algumas pessoas são alérgicas aos medicamentos utilizados no procedimento, o que pode causar uma erupção cutânea, entre outros sintomas.

É necessário fazer alguma coisa de especial quando o exame terminar?

O doente deverá permanecer deitado na horizontal durante cerca de seis horas depois de o procedimento ter terminado. Se tiver sido administrado um medicamento ansiolítico por via endovenosa durante a intervenção, o doente pode sentir-se sonolento no final e pode não recordar grandemente o exame. O doente não deve conduzir nem ingerir bebidas alcoólicas durante o resto do dia.

Dependendo dos procedimentos efectuados no exame, pode ser necessário manter a monitorização cardíaca no hospital durante algumas horas ou até ao dia seguinte.

Quanto tempo é que demora a saber-se o resultado do exame?

Os médicos podem comunicar ao doente como correu o exame logo após este terminar. Se tiver sido realizada uma ablação, os resultados não serão seguros antes de decorrido algum tempo para verificar se a arritmia ficou controlada depois do tratamento.

Informação adicional

Fundação Portuguesa de Cardiologia

http://www.fpcardiologia.pt/

Sociedade Portuguesa de Cardiologia

http://www.spc.pt/

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt

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