Pacemaker: o que é?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Procedimentos pelo Dr. João Sousa: Pacemaker

Leia o artigo aqui:

O que é?

Um pacemaker é um dispositivo implantado que regula electronicamente os batimentos cardíacos, monitoriza o ritmo cardíaco e, quando necessário, gera um impulso eléctrico indolor que desencadeia um batimento cardíaco.

O pacemaker é programado para responder às necessidades do coração. Os primeiros pacemakers eram implantados para tratar a bradicárdia, um batimento cardíaco anormalmente lento, mas actualmente os pacemakers podem ser programados para tratar diversos problemas cardíacos, incluindo a insuficiência cardíaca.

O centro de controlo electrónico do pacemaker, que é um gerador de impulsos, é composto por uma unidade revestida por titânio que geralmente é colocada sob a pele abaixo da clavícula e que é programada pelo médico. Na maioria dos casos a unidade é pequena, pesando geralmente menos de 30 gramas. A bateria de iodeto de lítio do gerador tem uma duração de 5 a 12 anos (média de 7 a 8 anos). Outros componentes electrónicos sofisticados são responsáveis por:

  • Captar os batimentos cardíacos naturais
  • Gerar um impulso eléctrico, denominado de pulso do pacemaker, segundo a forma como a unidade é programada
  • Manter um registo electrónico dos batimentos cardíacos e da actividade do pacemaker

Na Europa as taxas de implantação de pacemakers variam de 2,5 a 354 por milhão de habitantes, tendo em 2008 sido implantados em Portugal 7897 pacemakers. Muitos estudos confirmam que a implantação de um pacemaker constitui uma forma segura e com boa relação custo-benefício de tratar determinados problemas cardíacos.

Para que é usado?

 

Normalmente, o sinal para um batimento cardíaco começa no nódulo sinusal do coração, o pacemaker natural do corpo, localizado na porção superior da aurícula direita do coração. A partir do nódulo sinusal, o sinal normalmente viaja para o nódulo auriculoventricular situado entre as duas aurículas e, em seguida, para os ventrículos.

Quando o sinal chega aos ventrículos, desencadeia uma contracção do músculo cardíaco e produz um batimento cardíaco.

Se o nódulo sinusal não estiver a gerar sinais naturais de forma apropriada ou se existir uma interferência ao longo da via normal até aos ventrículos, o médico pode recomendar a colocação de um pacemaker. Especificamente, pode necessitar de um pacemaker se tiver:

  • Doença do nódulo sinusal – Nesta situação, o nódulo sinusal funciona muito lentamente ou não aumenta a frequência em resposta ao exercício, o que causa um batimento cardíaco lento (bradicárdia) e sintomas como tonturas, desmaios e falta de ar.
  • Bloqueio cardíaco – Nesta situação, os sinais provenientes do nódulo sinusal são completamente bloqueados ou sofrem um atraso significativo ao passarem através do nódulo auriculoventricular para os ventrículos.

Menos frequentemente, um pacemaker é utilizado para tratar as seguintes situações:

  • Determinados ritmos cardíacos anormalmente rápidos, denominados taquiarritmias
  • Desmaios causados por impulsos nervosos anormais que diminuem a frequência cardíaca, uma situação chamada síncope neurocardiogénica
  • Certas formas de miocardiopatia (doenças do músculo cardíaco)
  • Determinados ritmos cardíacos anormais (arritmias) depois de um transplante cardíaco
  • Insuficiência cardíaca congestiva – Existe um novo pacemaker com três fios condutores que pode ser usado nesta situação, mas que está ainda a ser utilizado apenas em pessoas que não responderam à terapêutica medicamentosa.

A tecnologia dos pacemakers está a avançar rapidamente e estão a ser realizados ensaios clínicos para expandir a sua utilização a outras situações clínicas.

Preparação:

O médico irá rever a sua história clínica e as suas alergias e irá pedir-lhe uma lista dos medicamentos que está a tomar. Pode ter de suspender determinados medicamentos antes da cirurgia, especialmente anticoagulantes (medicamentos para prevenir os coágulos de sangue). Além disso, o médico irá dizer-lhe quando deve deixar de comer ou de beber antes do procedimento.

Como é realizado?

 

Antes da cirurgia, irá vestir uma bata do hospital e ser-lhe-á pedido para retirar eventuais colares ou pulseiras que traga. Irá deitar-se numa cama do hospital e ser-lhe-á inserido um cateter endovenoso no braço ou na mão, que será utilizado para administrar soros e medicamentos directamente numa veia.

A localização mais comum para colocação do gerador de impulsos é abaixo da clavícula esquerda ou direita. Em primeiro lugar, a pele desta área será escanhoada, limpa e anestesiada com um anestésico local. Se necessitar de mais do que um anestésico local para se sentir confortável, o médico pode dar-lhe uma medicação adicional.

Será efectuada uma pequena incisão (de 5 a 7,5 cm) na área anestesiada do peito próximo da clavícula, que proporcionará acesso a uma veia muito grande. O médico irá introduzir o(s) fio(s) condutor(es) do pacemaker através desta veia até ao coração, onde as extremidades dos eléctrodos irão fixar-se à parede cardíaca. Depois de os eléctrodos estarem dentro do seu coração, um tipo de radiografia chamado fluoroscopia será utilizado para confirmar que se encontram no local certo.

Em seguida, o médico irá testar electronicamente os fios condutores do pacemaker para confirmar que estão a funcionar apropriadamente. Depois, o médico irá ligar os fios condutores do pacemaker ao gerador de impulsos, vai criar uma pequena bolsa na pele sob a incisão e irá inserir o gerador de impulsos nessa bolsa. Finalmente, a incisão será encerrada com pontos. A totalidade do procedimento de implantação demora geralmente cerca de uma hora.

Depois da cirurgia, o pessoal do hospital irá monitorizar cuidadosamente o seu estado clínico. Durante este tempo, pode ser utilizado um instrumento magnético portátil para ajustar a programação do pacemaker. Se tudo correr bem, o internamento hospitalar será breve e, em alguns centros, a implantação de um pacemaker é um procedimento realizado em ambulatório e os doentes são mesmo autorizados a ir para casa no dia da cirurgia. Noutros centros, o doente permanece internado no hospital de um dia para o outro. Depois da cirurgia, pode necessitar de tomar antibióticos durante alguns dias para ajudar a prevenir uma infecção.

Antes de deixar o hospital, será instruído sobre alterações importantes no estilo de vida relacionadas com o pacemaker. Em particular, deve evitar levantar pesos e outros movimentos extenuantes com o braço (jogar golfe, ténis, natação) durante algumas semanas, uma vez que estas actividades podem deslocar ou desviar a posição dos eléctrodos do pacemaker dentro do coração.

O médico irá igualmente dizer-lhe como pode reduzir o risco de interferência electromagnética, a qual pode afectar a programação e o desempenho dos pacemakers. Esta interferência pode ser causada por emissões de dispositivos anti-roubo, equipamento de vigilância, telemóveis, equipamento de soldar e maquinaria hospitalar (tal como os aparelhos de ressonância magnética nuclear, o equipamento de electrocauterização e os aparelhos de diatermia).

Antes de ir para casa, o médico irá proporcionar-lhe informações sobre a marca e o modelo do pacemaker e esta informação estará registada num cartão de identificação que pode levar na carteira. Deve ponderar usar um colar ou uma pulseira de alerta médico que o identifica como portador de um pacemaker.

Seguimento:

A primeira verificação do pacemaker será provavelmente marcada para cerca de seis semanas depois da cirurgia. Nesta consulta, o médico irá examinar a incisão para se certificar de que cicatrizou apropriadamente e irá igualmente verificar o registo electrónico do pacemaker para confirmar que a unidade está a funcionar correctamente.

A programação do pacemaker pode necessitar de ser ajustada mais tarde quando recomeçar as actividades da vida diária. Esta programação é um procedimento indolor que pode ser realizado no consultório do médico, externamente (sem abertura da pele) através da utilização de uma varinha magnética especial ligada a um computador sofisticado.

Depois da primeira consulta de seguimento, irá provavelmente voltar ao consultório do médico para verificação do pacemaker em intervalos de seis meses. Entre estas consultas, o médico pode vigiar o funcionamento do seu pacemaker através de um sistema de monitorização transtelefónico, um sistema que transmite o registo electrónico do pacemaker através de uma linha telefónica normal para ser avaliado numa estação receptora. Geralmente são programadas sessões de monitorização transtelefónica com intervalos de dois ou três meses para verificar o funcionamento do pacemaker.

Como alternativa à monitorização telefónica padrão, pelo menos um dos novos modelos de pacemaker utiliza um transmissor que envia sinais diariamente para uma estação receptora através de um pequeno telemóvel portátil especial, que pode ser transportado no bolso ou na carteira.

Riscos:

A colocação de pacemakers é geralmente segura. No entanto, tal como em qualquer procedimento invasivo, podem ocorrer complicações. Estas incluem:

  • Infecção
  • Hemorragia excessiva
  • Perfuração do músculo cardíaco
  • Acidente vascular cerebral ou ataque cardíaco
  • Perfuração do pulmão
  • Formação de um coágulo de sangue dentro da bolsa de pele

Uma vez colocado o pacemaker, existem igualmente riscos a longo prazo:

  • Os eléctrodos do pacemaker podem deslocar-se.
  • Uma extremidade de um eléctrodo pode partir-se.
  • O isolamento de um eléctrodo do pacemaker pode partir-se.
  • Uma conexão entre um eléctrodo do pacemaker e o gerador de impulsos pode soltar-se.
  • O pacemaker pode disparar na altura errada.
  • A pele onde o pacemaker se encontra implantado pode sofrer erosão (ferir-se).

O seu médico irá discutir estes riscos consigo antes da cirurgia.

Quando contactar um profissional?

Depois da cirurgia, contacte imediatamente o médico se:

  • A área em volta da incisão ficar vermelha, inchada, quente ou dolorosa.
  • Os bordos da incisão deitarem sangue ou pus.
  • Um ponto da sutura abrir e os bordos da incisão se afastarem um do outro.
  • Desenvolver febre ou calafrios.
  • A pele sobre o gerador de impulsos começar a ferir-se.
  • O seu pulso variar em relação aos parâmetros programados pelo médico. Antes de deixar o hospital o médico irá dizer-lhe qual será o pulso normal para si.

Procure imediatamente cuidados médicos de emergência se estiver a usar um pacemaker e:

  • Sentir que vai desmaiar ou tiver tonturas.
  • Tiver dores no peito ou falta de ar.
  • Desenvolver palpitações ou batimentos cardíacos muito irregulares.

Informação adicional:

Sociedade Portuguesa de Cardiologia

http://www.spc.pt

Campo Grande 28, 13º   1700-093 Lisboa

Telefones: 217978605, 217817630

Fax: 217931095

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: