Hepatite B

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Dr. Nuno Ferreira

Validação Científica:

Drª Rita Carvalho

Validação Científica:

Prof.Rui Tato Matinho

O que é?

A hepatite B é uma inflamação do fígado causada pelo vírus da hepatite B.

Este vírus transmite-se através do contacto com sangue infetado. Especificamente, a hepatite B pode ser transmitida através das seguintes vias:

  • Contacto direto com o sangue de alguém infetado;
  • Atividade sexual não protegida com alguém contaminada;
  • Partilha de agulhas entre toxicodependentes infetados;
  • Partilha de lâminas de barbear, de outros objetos pessoais ou de objetos cortantes com uma pessoa infetada;
  • Ser submetido a piercings ou tatuagens com instrumentos contaminados;
  • Transfusões de sangue (praticamente nulo, hoje em dia);
  • Durante o parto, quando o vírus da mãe infetada é transmitido ao filho (muito raro hoje em dia, com a vacinação de todos os recém-nascidos em Portugal).

A imunização com a vacina contra a hepatite B reduziu o número de casos de hepatite B de forma muito marcante.

O vírus da hepatite B pode causar uma hepatite aguda transitória ou uma hepatite crónica de longa duração.

A maioria dos doentes com hepatite B aguda elimina o vírus do seu organismo. Mais de 95% dos adultos cura de forma espontânea. No entanto, uma minoria de doentes irá desenvolver uma hepatite crónica. Os doentes com hepatite crónica continuam a ser infeciosos, podendo transmitir o vírus a outras pessoas. Em alguns  casos as pessoas não são capazes de eliminar a infeção do organismo, mas não apresentam nenhum sintoma de doença. Estas pessoas são denominadas portadoras, podendo ainda assim transmitir a infeção a outras pessoas. Todas apresentam uma análise positiva (AgHBs).

Manifestações clínicas

A infeção inicial com o vírus pode ser assintomática, na grande maioria dos casos.

Se surgirem sintomas, na maioria dos casos inespecíficos, estes podem incluir:

  • Perda do apetite;
  • Náuseas;
  • Vómitos;
  • Fadiga;
  • Cefaleias ;
  • Febre;
  • Prurido;
  • Perda de peso;
  • Dor abdominal;
  • Perturbações do sono;
  • Diminuição da líbido.

Estes sintomas podem ser seguidos pelo aparecimento de icterícia, que consiste na coloração amarelada dos olhos e da pele.

A maior parte das pessoas recupera da hepatite aguda, deixando o doente de estar infectado pelo vírus quando a doença termina.

No entanto, aproximadamente 5 em cada 100 adultos desenvolve uma hepatite crónica. Estes doentes permanecem infetados pelo vírus, podendo transmiti-lo a outras pessoas, e podendo desenvolver uma doença hepática crónica (hepatite crónica ou cirrose).

A grande maioria dos doentes com hepatite crónica podem ficar assintomáticos durante longos períodos, mas os sintomas acabam por reaparecer. Quando os sintomas ocorrem, podem incluir:

  • Fadiga;
  • Icterícia;
  • Sensação de mal-estar;
  • Falta de apetite.

Cerca de 20 – 30% das pessoas com hepatite crónica desenvolve cirrose hepática. Esta situação corresponde à formação de cicatrizes/fibrose no fígado, e resulta numa diminuição da função hepática. Nestes casos podem surgir sintomas de doença hepática avançada como:

  • Icterícia
  • Ascite: acumulação de líquidos no interior do abdómen
  • Edema dos membros inferiores
  • Confusão mental (encefalopatia hepática)
  • Hemorragia gastrointestinal.

Os doentes com hepatite B que evoluem para cirrose apresentam risco muito aumentado de desenvolverem um cancro no fígado.

Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se na história clínica, nomeadamente potenciais exposições à hepatite B, como a toxicodependência endovenosa, a atividade sexual sem proteção, ou a presença em África ou na Ásia.. O exame objetivo consiste na avalição da presença dos sinais descritos anteriormente, e na palpação do abdómen, nomeadamente do fígado.

O diagnóstico é feito através de análises ao sangue, que permitem detetar o vírus da hepatite B no sangue. São os chamados marcadores da hepatite B.

As pessoas que recuperaram completamente da infeção aguda pelo vírus da hepatite B apresentam geralmente anticorpos no sangue, mas não têm qualquer vírus detetável. As pessoas com hepatite aguda ou crónica que têm uma infeção activa apresentam e são contagiosos apresentam alguns marcadores positivos (AgHBs).

As análises ao sangue podem ainda avaliar a função hepática, podendo ser identificada a presença de lesão do fígado.

Pode ainda ser necessário realizar uma biopsia hepática, através da qual é removido um pequeno fragmento de tecido para ser observado num laboratório. Este exame ajuda a determinar se o doente está a desenvolver sinais de cirrose. Na actualidade existe um exame, semelhante a uma ecografia, que poderá substituir nalguns casos, a biópisa: é o chamada elastografia hepática ou FibroScan®.

Evolução clínica

A maior parte dos doentes recupera de uma infeção aguda em três meses. As pessoas podem sentir-se bem durante este tempo, mas podem ser necessários até quatro meses antes do vírus da hepatite B já não ser detetado no sangue.

No caso das crianças, a probabilidade da hepatite B se tornar crónica é muito elevada. A grande maioria dos recém-nascidos, se não for vacinado, torna-se portador crónico.

A hepatite B crónica em que o vírus está ativo, pode ser controlada com diversos medicamentos, no entanto, raramente é curada.

Prevenção

A infeção pela hepatite B pode ser prevenida evitando a exposição ao vírus, nomeadamente:

  • Não partilhar agulhas para injetar drogas endovenosas;
  • Não ter relações sexuais sem proteção com parceiros ocasionais.

Em Portugal, atualmente, a vacina contra a hepatite B é proporcionada a todas as crianças e aos adolescentes entre os 11 e os 13 anos. Os adultos com um risco elevado de exposição devem igualmente ser imunizados, incluindo o pessoal médico.

Tratamento

Não existe tratamento para a hepatite B aguda. Assim sendo, o tratamento visa controlar os sintomas.

Em casos raros, um episódio agudo de hepatite B pode ser grave, requerendo internamento hospitalar. Um número muito pequeno de pessoas com uma infeção aguda poderá  desenvolver uma insuficiência hepática aguda necessitando de um transplante hepático para evitar a morte.

Os medicamentos anti-víricos constituem uma opção de tratamento para as pessoas com hepatite B crónica, podendo ser utilizados nos casos com inflamação significativa ou com fibrose do fígado e cujo sangue contém vírus. Nem todos os doentes com hepatite B crónica requerem tratamento.

Os doentes com cirrose hepática que continua a agravar-se podem ser considerados como candidatos a um transplante hepático. Este procedimento pode salvar a vida do doente.

Quando contactar um médico

Consulte o médico se desenvolver sintomas sugestivos de hepatite B. No entanto, não são nada específicos. Os sintomas graves podem requerer tratamento hospitalar.

Se tiver uma infeção crónica pela hepatite B e desenvolver sintomas de doença hepática avançada, procure cuidados médicos imediatos.

Prognóstico

Na maior parte dos casos de hepatite B aguda as pessoas recuperam completamente depois de uma infeção de curta duração. Ainda assim, a infeção aguda pode ser grave e fatal numa minoria de doentes.

Uma pequena percentagem de doentes adultos desenvolve uma hepatite B crónica. Nestas circunstâncias o prognóstico depende fundamentalmente do grau de atividade do vírus. Esta é medida pela chamada carga vírica através do ADN VHB. Os doentes com uma lesão hepática ligeira têm um bom prognóstico, mas alguns se não forem tratados acabam por desenvolver cirrose hepática ou cancro do fígado. Os doentes com cirrose apresentam prognóstico menos favorável.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

http://www.spg.pt/

Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado

www.apef.com.pt

http://www.spg.pt/

Direcção Geral de Saúde

http://www.dgs.pt/

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