Hepatite C

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Dr. Nuno Ferreira

Validação Científica:

Dr. Miguel Serrano

Validação Científica:

Prof.Rui Tato Matinho

O que é?

A hepatite C é uma infecção viral que afeta o fígado.
A hepatite C é geralmente transmitida através do contacto com sangue infetado, das seguintes formas:

  • Partilha de agulhas durante o consumo de drogas endovenosas
  • Partilha de dispositivos utilizados para inalar cocaína
  • Relações sexuais não protegidas (raramente)
  • Picada acidental com uma agulha contaminada
  • Transfusões de sangue (muito raro a partir de 1992)
  • Hemodiálise (raro)
  • Durante o parto (raro, da mãe infectada para o filho)
  • Equipamento de piercing ou de tatuagem contaminado.

O vírus da hepatite C pode causar uma hepatite C aguda (de curta duração) ou crónica (de longa duração). A maior parte dos indivíduos com hepatite C aguda acaba por desenvolver hepatite C crónica.
A maior parte dos indivíduos com hepatite C não sabe que se encontra infetada, uma vez que esta geralmente não causa sintomas.
Depois da infeção se encontrar silenciosa durante 20 a 30 anos, cerca de um terço dos doentes desenvolve cirrose hepática. A cirrose é uma doença hepática grave que pode conduzir à morte. Um grupo mais reduzido de doentes com hepatite C crónica e cirrose desenvolve cancro do fígado.

Manifestações clínicas

A maioria dos indivíduos com hepatite C não apresentam sintomas.

Alguns desenvolvem sintomas que duram até três meses. Estes incluem:

  • Sensação generalizada de mal-estar
  • Coloração amarelada da pele e olhos (icterícia)
  • Fraqueza
  • Falta de apetite
  • Fadiga
  • Náuseas
  • Dor ou disconforto na parte superior do abdómen

Alguns indivíduos com hepatite C aguda eliminam completamente o vírus do organismo e não apresentam nenhumas consequências a longo prazo.

No entanto, a maioria dos doentes com hepatite C aguda permanecem infetados e desenvolvem hepatite C crónica.

Apenas uma pequena parte daqueles com hepatite C crónica desenvolvem sintomas. Estes sintomas podem incluir:

  • Perda de peso
  • Falta de apetite
  • Fadiga
  • Dores articulares.

A maior parte dos doentes com hepatite C crónica não desenvolve sintomas durante 20 a 30 anos. No entanto, o vírus vai lesando lentamente o fígado. A menos que façam análises para a hepatite C, muitos destes indivíduos não sabem que estão infectados, isto é, até desenvolverem sintomas de doença hepática avançada.

Diagnóstico

Para efectuar o diagnóstico, o médico irá fazer perguntas sobre os sintomas de hepatite C ou de doença hepática avançada.

O médico irá interrogar o doente sobre a sua exposição aos factores de risco para a hepatite C, incluindo:

  • história de toxicodependência endovenosa
  • história de consumo de cocaína por via intra-nasal
  • Transfusões de sangue, especialmente antes de 1992
  • Múltiplos parceiros sexuais
  • Trabalho prévio ou actual na área dos cuidados de saúde
  • Hemodiálise.

O médico irá examinar o doente e procurar evidência de doença hepática avançada, tal como:

  • Aumento do fígado ou do baço
  • Aumento do volume abdominal (ascite)
  • Edemas maleolares (dos tornozelos)
  • Fusão muscular (atrofia muscular)

A hepatite C é confirmada através de determinados exames. Um destes exames procura identificar a presença do vírus da hepatite C no sangue. Outro exame detecta a existência de proteínas que combatem a infecção (anticorpos). Os anticorpos contra a hepatite C indicam que a pessoa foi exposta ao vírus.

Se um indivíduo tiver hepatite C, as análises de sangue podem determinar o subtipo (chamado genótipo) do vírus. Diferentes genótipos respondem de forma diferente ao tratamento.

O deonte pode necessitar de ser submetido a uma biopsia hepática, na qual um pequeno fragmento de tecido hepático é removido e examinado num laboratório. A biopsia ajuda a predizer se o doente irá desenvolver complicações da doença hepática.

Evolução clínica

A maior parte das pessoas com hepatite C apresenta esta infecção até ao final da vida, caso não sejam tratadas. Algumas acabam por desenvolver cirrose ou outras formas de doença hepática grave.

Prevenção

Não existe vacina contra a hepatite C. A única forma de prevenir esta doença consiste em evitar os factores de risco.

As formas mais eficazes de prevenir a hepatite C são:

  • Não injectar drogas ilícitas com material de outros consumidores
  • Não inalar cocaína com material usado por outros
  • Confirmar que os piercings ou as tatuagens são realizadas com equipamento esterilizado e de uso único
  • Se for profissional de saúde, seguir as precauções habituais para o controlo da infecção
  • Evitar as relações sexuais de risco sem protecção.

O consumo de álcool agrava a hepatite C. Assim, se um doente sofrer de hepatite C deve evitar o consumo alcoólico.

Tratamento

Nem todos os indivíduos infectados com hepatite C necessitam de tratamento. O doente deve discutir os potenciais benefícios e efeitos secundários do tratamento com o médico.

O tratamento inclui frequentemente um medicamento denominado Interferão Alfa Peguilado. O interferão alfa é um análogo artificial de uma substância produzida pelo sistema imunitário. Este medicamento é administrado em combinação com a ribavirina, um medicamento anti-vírico. A maior parte dos doentes que tomam esta terapêutica combinada eliminam o vírus do sangue, mas a eficácia do tratamento varia com o genótipo do vírus.

Alguns doentes não são capazes de tolerar os efeitos secundários deste tratamento. O interferão alfa não é recomendado para as pessoas que têm uma história de:

  • Depressão grave
  • Doenças auto-imunes graves

A ribavirina é mais facilmente tolerada e o seu principal efeito secundário é a anemia.

A terapêutica anti-vírica não é recomendada para os doentes que apresentam uma doença hepática avançada e também não é aconselhada para os indivíduos que mantêm consumo activo de drogas ou de álcool.

O médico irá recomendar a vacinação contra a hepatite A e B, o que irá reduzir a probabilidade do doente apresentar uma lesão hepática adicional.

Quando contactar um profissional

Consulte o médico se apresentar sintomas sugestivos de hepatite C. Além disso, deve consultar o médico se existir a possibilidade de ter estado exposto ao vírus.

Os indivíduos de alto risco devem ser testados para a hepatite C. Estes incluem alguém que:

  • Recebeu transfusões de sangue ou de hemoderivados antes de 1992
  • Recebeu um transplante de órgão antes de 1992
  • Consumiu drogas injectáveis ou inalou cocaína
  • Efectua hemodiálise desde há longa data
  • Teve múltiplos parceiros sexuais
  • Teve um parceiro sexual de longa data com hepatite C
  • Vive no mesmo agregado familiar com alguém com hepatite C
  • Tem evidência de doença hepática.

Prognóstico

A maior parte dos indivíduos infectados pelo vírus da hepatite C acaba por desenvolver hepatite crónica.

As complicações a longo prazo, frequentemente, não se desenvolvem antes de terem decorrido várias décadas de infecção. Nessa altura, alguns doentes desenvolvem cirrose e um grupo mais pequeno desenvolve cancro do fígado.

A terapêutica anti-vírica pode diminuir ou eliminar o risco de complicações a longo prazo naqueles doentes que curam.

A cura ocorre de uma forma geral em cerca de 50-60% dos casos. Com novos fármacos em investigação este poderá atingir a percentagem de 60-70%.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia

www.spg.pt/

Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado

http://www.apef.com.pt

Direcção Geral de Saúde

http://www.dgs.pt/

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