O que é um Transplante de Coração?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Leia o artigo aqui:

O que é?

Um transplante cardíaco é uma cirurgia na qual um doente com um problema do coração potencialmente fatal recebe um novo coração saudável de uma pessoa que morreu. No transplante cardíaco, o doente que recebe um novo coração (o receptor) é alguém que apresenta um risco de 30 a 70% de morrer dentro de um ano sem um novo coração. A pessoa que fornece o coração saudável (o dador) é geralmente alguém que foi declarado em morte cerebral e que ainda se encontra ligado a máquinas de suporte de vida. Os dadores de coração têm geralmente menos de 50 anos, não têm história de problemas cardíacos e não têm nenhuma doença infecciosa.

O receptor e o dador devem ser compatíveis, o que significa que determinadas proteínas nas suas células (denominadas antigénios) são semelhantes. Uma compatibilidade adequada irá reduzir o risco de o sistema imunitário do receptor considerar o coração do dador como um objecto estranho, atacando-o num processo denominado de rejeição do órgão.

Em 2005, foram realizados em Portugal 46 transplantes de coração. Já nos Estados Unidos da América, os cirurgiões realizam aproximadamente 2.100 transplantes cardíacos por ano e mais de 3.000 pessoas permanecem em lista de espera nacional para um coração de dador.

Para que é usado

O transplante cardíaco trata a insuficiência cardíaca irreversível quando as outras opções de tratamento falharam. Os transplantes cardíacos são realizados para diversos tipos de doença cardíaca, incluindo:

  • Doença coronária grave (cerca de 42% dos casos)
  • Miocardiopatia, uma doença que afecta o músculo cardíaco (47%)
  • Doença cardíaca congénita (8%)
  • Válvulas cardíacas lesadas de forma irreparável (2%)
  • Um segundo transplante depois de um primeiro transplante cardíaco ter falhado (aproximadamente 3%)

Preparação

Para entrar num programa de transplantação cardíaca, é necessário preencher determinados requisitos. Embora estes variem ligeiramente de programa para programa, o candidato típico para um transplante cardíaco apresenta geralmente o seguinte perfil:

  • Tem menos de 60 anos, mas provavelmente irá morrer dentro de um ano sem um transplante cardíaco
  • Não apresenta outros problemas médicos potencialmente fatais para além da doença cardíaca. Os problemas que podem excluir um candidato incluem doença renal significativa, infecção pelo VIH, pneumonia ou outra infecção activa, cancro, história de acidente vascular cerebral ou de problemas circulatórios significativos afectando o cérebro e diabetes tipo 1 (antigamente chamada “insulinodependente”) grave.
  • É emocionalmente estável
  • Está disposto a seguir um programa rigoroso de alterações do estilo de vida e toda a medicação que será necessária depois de um transplante cardíaco

A preparação para um transplante cardíaco inclui a realização de uma avaliação cardíaca pormenorizada com uma radiografia de tórax, um electrocardiograma (ECG), um cateterismo cardíaco, um ecocardiograma e uma biópsia cardíaca. Serão realizadas análises de sangue para avaliar a função renal e para pesquisar a eventual presença de anemia e de outros problemas de sangue, assim como para excluir a presença de doenças virais, tais como hepatite e infecções pelo VIH, pelo vírus herpes simplex e pelo citomegalovírus. São igualmente efectuadas colheitas de sangue para tipagem do sangue e de tecidos (utilizada para encontrar um dador compatível). Se o doente fumar ou se tiver problemas de abuso de drogas ou de álcool, tem de completar um programa de tratamento para o abuso de substâncias antes de receber o seu novo coração.

O doente irá reunir-se regularmente com membros da equipa de transplantação, que proporcionam uma ampla variedade de apoios que visam ajudá-lo através do longo período antes do transplante. Para a maior parte dos doentes, o tempo de espera é pelo menos de 12 meses.

Como é realizado

Será inserido um cateter endovenoso numa veia do braço do doente para administrar soros e medicamentos e este será anestesiado para ficar inconsciente. Depois de inspeccionar o coração do dador para confirmar que ele parece adequado para a transplantação, o cirurgião irá efectuar uma grande incisão no meio do tórax do doente e irá ligá-lo a uma máquina de coração-pulmão, a qual irá bombear o sangue durante a cirurgia.

O cirurgião remove então o coração em falência, e em seguida posiciona o coração do dador dentro do peito do doente e sutura-o (cose-o) no lugar. O novo coração foi arrefecido para o preservar antes da transplantação e, à medida que aquece até à temperatura do corpo do doente, pode começar a bater por si próprio. Se isso não acontecer, o cirurgião pode estimular o coração para que ele comece a bater através de um choque eléctrico. Após o novo coração estar a bater de forma estável e sem fugas de sangue, a equipa cirúrgica desliga o doente da máquina coração-pulmão e fecha o tórax com pontos, transportando-o, em seguida, para uma unidade de cuidados intensivos para monitorização.

Após dois ou três dias na unidade de cuidados intensivos, o doente pode ser transferido para um quarto, continuando a ser monitorizado e a efectuar análises de sangue e ecocardiogramas diários até estar suficientemente estável para ir para casa. O tempo total de internamento hospitalar é geralmente de 10 a 14 dias.

Seguimento

Antes de deixar o hospital, o médico irá prescrever diversos medicamentos para ajudar o doente a prevenir infecções e para reduzir o risco de o seu corpo vir a rejeitar o novo coração. É igualmente efectuada uma programação das consultas de seguimento, sendo de esperar que o doente tenha de efectuar um ecocardiograma, análises de sangue e uma biópsia cardíaca (a remoção de um fragmento do coração) com intervalos de 7 a 10 dias durante o primeiro mês após a transplantação e, em seguida, com intervalos de 14 dias durante o segundo mês. Se tudo correr bem, o doente irá necessitar de efectuar estes testes mensalmente entre o terceiro e o sexto mês e, posteriormente, de três em três meses para o resto da sua vida.

Se tiver questões, preocupações ou sintomas inesperados depois de efectuar o transplante, o doente deve contactar a equipa de transplantação a qualquer hora do dia ou da noite.

Riscos

Cerca de 87% dos doentes submetidos a um transplante cardíaco sobrevivem durante um ano após a cirurgia, 79% sobrevivem durante 3 anos e 70% durante 5 anos. A causa principal de morte é a infecção, não a rejeição do órgão. Com tratamento médico apropriado para suprimir o sistema imunitário, a maior parte dos doentes pode evitar os sinais de rejeição durante o primeiro ano após a transplantação.

Quando contactar um profissional

Depois da alta, o doente deve contactar o seu médico imediatamente se:

  • Desenvolver dor no peito, falta de ar, tonturas ou batimentos cardíacos irregulares
  • Tiver febre
  • A sua incisão ficar vermelha, inchada e dolorosa ou se sangrar.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Cardiologia
http://www.spc.pt
Organização Portuguesa de Transplantação
http://www.opt.min-saude.pt
 
Alto Comissariado da Saúde
http://www.acs.min-saude.pt
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Uma resposta to “O que é um Transplante de Coração?”

  1. O que é um Transplante Cardíaco? « Programa Harvard Medical School – Portugal Says:

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