Pneumonia

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª. Ana Correia

Validação Científica:

Dr. Jorge Crespo

O que é?

A pneumonia é uma infeção dos pulmões. A maior parte dos casos de pneumonia são causados por infeções bacterianas, sendo o agente mais frequente o Streptococcus pneumoniae (Pneumococo). Outras bactérias, como o Mycoplasma e a Legionella, bem como determinados vírus, podem igualmente causar um tipo de pneumonia frequentemente denominada pneumonia atípica, uma vez que nem sempre causam todos os sintomas clássicos de pneumonia e o tratamento é diferente. A pneumonia atípica ocorre mais frequentemente em pessoas com idade inferior a 40 anos.

A pneumonia que se desenvolve quando uma pessoa é internada no hospital por outra doença, tende a ser mais grave, uma vez que os microrganismos encontrados no hospital se tornam frequentemente resistentes a muitos antibióticos e os doentes internados e enfraquecidos por outras doenças têm uma menor capacidade de lutar contra a infeção.

Um tipo de pneumonia denominada pneumonia de aspiração desenvolve-se quando substâncias químicas irritantes e bactérias da boca e do estômago entram para as vias aéreas e pulmões. Esta pneumonia é mais comum nas pessoas que sofreram acidentes vasculares cerebrais (AVC) e que têm dificuldade em controlar os reflexos de deglutição, ou em pessoas que estão inconscientes em resultado da ingestão de álcool ou de uma sobredosagem de medicamentos ou de drogas ilícitas.

Manifestações clínicas

A maior parte das pneumonias causa febre, tosse com expectoração, falta de ar e fadiga. Nos doentes idosos, a fadiga ou a confusão mental podem constituir o único sintoma ou o sintoma mais proeminente. Na pneumonia atípica e viral, a apresentação mais comum é tosse seca sem expetoração.

Diagnóstico

O médico irá começar por interrogar o doente sobre os seus sintomas. Durante o exame físico, o médico irá avaliar a presença de sinais que podem indicar que o doente apresenta níveis baixos de oxigénio no sangue: confusão mental, respiração rápida, tiragem (depressões que se formam entre as costelas e em cima das clavículas e do esterno pelo grande esforço respiratório) e cianose (coloração azulada nos lábios e nas unhas). Através da utilização de um estetoscópio, o médico pode auscultar o tórax do doente para verificar se existem sons anormais nos pulmões.

O diagnóstico de pneumonia é geralmente confirmado através de uma radiografia do tórax. O médico pode pedir análises de sangue para avaliar a presença de uma elevação dos glóbulos brancos que combatem as infeções e para se certificar de que os eletrólitos (iões) e a função renal estão normais. Na presença de sinais de dificuldade respiratória e/ou de uma saturação de oxigénio baixa, é realizada uma gasometria arterial (colheita de sangue arterial, habitualmente feita numa artéria do pulso, para avaliação do oxigénio, dióxido de carbono e pH do sangue). Também podem ser enviadas amostras de expetoração ou de sangue (hemocultura) para o laboratório, para identificar o microrganismo que está a causar a pneumonia e para ajudar a escolher o melhor antibiótico para tratar a infeção. No entanto, mesmo quando não se consegue identificar um microrganismo, a pneumonia pode ser tratada com sucesso, escolhendo um dos antibióticos mais habitualmente utilizados para este fim.

Evolução clínica

A duração da pneumonia pode variar desde alguns dias até uma semana ou mais, dependendo de quão precoce for o início dos antibióticos e o tratamento dos outros problemas médicos que o doente possa ter. O tratamento antibiótico para a pneumonia dura, geralmente, 7 a 14 dias. Muitas pessoas precisam de algumas semanas até recuperarem o nível de energia que apresentavam antes da pneumonia.

Prevenção

Existem vacinas contra o Streptococcus pneumoniae que podem prevenir o desenvolvimento da pneumonia e também da meningite provocadas por este agente.

A vacina pneumocócica polissacarídica polivalente, dirigida contra 23 serotipos (variedades) desta bactéria , está recomendada na prevenção de pneumonias e infeções pneumocócicas sistémicas em indivíduos de alto risco, a partir dos 2 anos de idade.

 Grupos de risco elevado que devem receber a vacina pneumocócica:

  • Pessoas com idade ≥ 65 anos,
  • Doentes imunocompetentes com doenças crónicas (ex: doenças cardiovasculares, pulmonares, diabetes mellitus, alcoolismo, cirrose),
  • Doentes imunocomprometidos: asplenia (ausência de baço, após cirurgia ou congénita), disfunção esplénica (alterações da função do baço), linfoma, mieloma múltiplo, insuficiência renal crónica e doentes submetidos a transplantes.
  • Doentes infetados com o VIH (vírus da imunodeficiência humana)
  • Doentes com perdas de líquido cefalo-raquidiano (líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal), que pode ocorrer após traumatismo do nariz ou da cabeça
  • Grupos especiais: pessoas que residam ou trabalhem em locais com um risco aumentado de infeções por Streptococcus pneumoniae (ex: pessoas idosas hospitalizadas ou em instituições de cuidados de saúde).

Outro tipo de vacina contra a pneumonia, a vacina pneumocócica conjugada está licenciada em Portugal para crianças com menos de dois anos de idade mas não está incluída no Programa Nacional de Vacinação, estando recomendada para as crianças com maior risco, nomeadamente as que têm doença crónica.

 A gripe é uma doença viral que afeta os brônquios e os pulmões, facilitando o aparecimento de infeções bacterianas e de pneumonias que podem ocorrer como sua complicação. A vacina contra a gripe, que é administrada uma vez por ano, ao prevenir a gripe previne também estas infeções bacterianas que a complicam com muita frequência.

Grupos alvo prioritários para a vacinação contra a gripe sazonal:

a) Pessoas consideradas com alto risco de desenvolver complicações após infeção gripal, nomeadamente:

  • Idade ≥ 65 anos, particularmente se residentes em lares ou outras instituições
  • Residentes ou internados por períodos prolongados em instituições prestadoras de cuidados de saúde (ex: deficientes, utentes de centros de reabilitação), desde que com idade superior a 6 meses
  • Grávidas que, em Outubro, estejam no 2º ou 3º trimestre da gravidez, para proteção de uma eventual evolução grave da doença durante a gravidez e para proteger os seus bebés durante os primeiros meses de vida
  • Doentes, com idade superior a 6 meses (incluindo grávidas em qualquer fase da gravidez e mulheres a amamentar), que apresentem doenças crónicas cardiovasculares, pulmonares, renais, hepáticas, hematológicas, metabólicas, neuromusculares ou imunitárias

b) Pessoas com probabilidade acrescida de contrair e transmitir o vírus a pessoas em risco: Coabitantes e prestadores de cuidados a crianças que tenham risco elevado de desenvolver complicações, cuja idade não permita a vacinação (idade < 6 meses)

c) Saúde Ocupacional: Pessoal dos serviços de saúde e de outros serviços prestadores de cuidados

Tratamento

O tratamento principal para a pneumonia é feito com antibióticos, por vezes mais do que um em associação. Uma pessoa jovem e saudável pode fazer terapêutica antibiótica com segurança no domicílio, sendo habitual sentir-se melhor ao fim de alguns dias. Algumas pessoas apresentam um risco mais elevado de complicações e podem necessitar de ser internadas num hospital, desde alguns dias até uma ou duas semanas. Estas pessoas incluem os indivíduos com idade superior a 60 anos ou que têm outras doenças, tais como uma insuficiência cardíaca congestiva, um cancro activo, uma insuficiência renal crónica ou uma doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), como a bronquite crónica, a asma ou o enfisema pulmonar.

Além dos antibióticos, o tratamento para a pneumonia inclui repouso, administração adequada de líquidos e, se necessário, aporte de oxigénio através de uma máscara ou de uma sonda naso-faríngea (pequeno tubo introduzido pelo nariz até à garganta), para aumentar o nível de oxigénio no sangue.

Quando contactar um médico

Uma simples constipação ou bronquite causadas por um vírus podem provocar sintomas semelhantes à pneumonia. Contudo, é possível que se trate de uma pneumonia quando a tosse conduz à eliminação de expetoração com uma coloração amarelada, esverdeada ou acastanhada, se ocorrerem calafrios ou se existir dificuldade respiratória. A presença de falta de ar pode indicar que se está a desenvolver uma pneumonia ou que os brônquios estão contraídos e a dificultar a respiração. Nestes casos, deve contactar o médico para uma avaliação urgente.

Além disso, se lhe tiver sido diagnosticada uma constipação ou uma bronquite e os sintomas estiverem a agravar-se ou persistirem ao fim de uma semana, deve contactar o médico para uma nova avaliação.

Prognóstico

A maior parte dos casos de pneumonia são tratados com sucesso, especialmente se os antibióticos forem iniciados precocemente. No entanto, a pneumonia pode ser fatal. Os indivíduos muito idosos e débeis, especialmente os que sofrem de muitas doenças médicas, são os mais vulneráveis.

A pneumonia, geralmente, não causa lesões permanentes nos pulmões.

Raramente, a pneumonia leva a que líquido infectado se acumule em volta do pulmão, que é denominado de empiema. Este líquido pode necessitar de ser drenado através de um tubo especial ou de uma intervenção cirúrgica. Na pneumonia de aspiração, o pulmão afetado pode desenvolver um abcesso pulmonar que necessita de muitas semanas de terapêutica antibiótica.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Pneumologia

http://www.sppneumologia.pt

 Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

http://www.spmi.pt

 Sociedade Portuguesa de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica

http://spdi.org

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: