Sarampo

Fonte:

 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. Nuno Ferreira

Validação Científica:

Prof.Saraiva da Cunha

O que é?

O sarampo é uma infeção principalmente do nariz, da traqueia e dos pulmões que é muito contagiosa, o que significa que se dissemina facilmente de pessoa para pessoa. O vírus do sarampo geralmente transmite-se quando uma pessoa entra em contacto com gotículas respiratórias de outra pessoa que contêm o vírus. Isto pode acontecer quando um doente com o vírus tosse ou espirra. Pode igualmente acontecer quando as pessoas tocam em lenços de papel usados, partilham copos ou tocam nas mãos contendo gotículas infetadas.

Quando o vírus se introduz no organismo, a infeção dissemina-se através do nariz, da traqueia e dos pulmões, para a pele e para outros órgãos do corpo.

Um doente com sarampo pode disseminar o vírus para outras pessoas desde um ou dois dias antes do início de qualquer sintoma (ou três a cinco dias antes do início da erupção cutânea) até quatro dias após o início da erupção cutânea.

O sarampo causa habitualmente uma doença moderada. Nas crianças mais jovens, as complicações incluem uma infeção do ouvido médio (otite média), uma pneumonia ou diarreia. Nos adultos, a doença tende a ser mais grave, não sendo raro que os doentes mais velhos necessitem de tratamento em regime de internamento hospitalar para uma pneumonia relacionada com o sarampo.

As consequências mais graves do sarampo são raras. Em menos de um em cada 1.000 casos, o sarampo produz encefalite (uma infeção cerebral), com um risco imediato de convulsões, coma e morte e um risco a longo prazo de atraso mental ou de epilepsia. A pan-encefalite esclerosante subaguda é uma forma crónica de sarampo extraordinariamente rara que causa lesão cerebral. Em casos raros, o sarampo pode afetar diretamente órgãos do aparelho digestivo (incluindo o fígado), o músculo cardíaco ou os rins. Uma grávida que seja infetada pelo sarampo apresenta um risco aumentado de trabalho de parto prematuro, de aborto ou de parto de uma criança com baixo peso à nascença.

Antes de existir uma vacina eficaz, verificavam-se muitos casos de sarampo em Portugal. Atualmente, o número de casos diminuiu em mais de 99%.

Manifestações clínicas

Os sintomas de sarampo têm início aproximadamente 8 a 12 dias após o contacto com uma pessoa doente. Os primeiros sintomas incluem tosse, rinorreia e obstrução nasal, uma sensação de mal-estar, olhos vermelhos com lacrimejo (conjuntivite) e febre que pode atingir os 40 C. Ao fim de dois a quatro dias, estes sintomas são seguidos pelo aparecimento de manchas de Koplik na boca, que são manchas branco-azuladas ou acinzentadas sobre um fundo vermelho, observadas no interior da boca, na mucosa jugal.

Na erupção cutânea do sarampo, observa-se geralmente o aparecimento de manchas rosadas ou vermelho vivo não pruriginosas. A erupção cutânea começa sempre ao nível da linha de inserção do cabelo e atrás dos pavilhões auriculares, e, em seguida, espalha-se para baixo para o pescoço, tronco, braços e pernas, palmas das mãos e plantas dos pés. A erupção cutânea começa a desvanecer-se cerca de quatro dias mais tarde pela mesma ordem do seu aparecimento, em primeiro lugar na cabeça e no pescoço e, em seguida, no tronco, nos braços e nas pernas. A erupção cutânea, ao desaparecer, pode deixar uma alteração temporária acastanhada na coloração da pele ou descamação que desaparece dois ou três dias mais tarde. Algumas pessoas apresentam igualmente um aumento dos gânglios linfáticos (adenomegálias), diarreia e vómitos.

Os doentes com uma infeção pelo VIH ou com determinados tipos de leucemia ou de linfoma apresentam uma maior probabilidade de desenvolverem complicações graves do sarampo, mas podem não desenvolver a sua erupção cutânea típica.

Diagnóstico

O médico irá verificar a presença de congestão nasal, de olhos vermelhos, de manchas de Koplik e de erupção cutânea típica do sarampo. Além disso, irá perguntar se o doente viajou para fora do país ou se esteve exposto a uma pessoa com sarampo ou com uma erupção cutânea não diagnosticada. Mesmo que o doente não tenha tido contacto direto com uma pessoa infetada, o médico irá querer saber se frequenta a mesma escola, se integra o mesmo agregado familiar ou se reside no mesmo dormitório ou se trabalha no mesmo edifício de uma pessoa infetada. O médico irá verificar o processo clínico para ver se o doente foi vacinado contra o sarampo e em que data, bem como o número de doses de vacina que recebeu. Estas são administradas como parte da vacina contra o sarampo-papeira-rubéola.

Para confirmar o diagnóstico, o médico pode pedir análises de sangue para procurar identificar a presença de anticorpos específicos contra o vírus do sarampo. Os anticorpos são produzidos pelo sistema imunitário para proteger o doente contra uma infeção.

Evolução clínica

Os sintomas de sarampo geralmente prolongam-se durante cerca de 10 dias.

Prevenção

Uma pessoa pode prevenir o sarampo através da vacina contra esta doença, administrada como parte da vacina combinada para o sarampo-papeira-rubéola. Em Portugal, a maior parte das crianças recebe duas doses desta vacina, a primeira aos 12 a 15 meses de idade e uma dose de reforço aos 4 a 6 anos. Se uma criança não tiver sido vacinada contra o sarampo e tiver estado exposta à doença, a vacina pode proporcionar proteção se for administrada dentro de 72 horas após a exposição. Se a exposição tiver ocorrido entre três e seis dias antes, a criança pode receber uma injeção de imunoglobulina, que contém anticorpos para proteger contra o vírus do sarampo. Esta injeção pode prevenir ou, pelo menos, minimizar os sintomas da infeção pelo sarampo. A imunoglobulina pode igualmente ser administrada após uma exposição ao sarampo em bebés com menos de seis meses de idade e nas pessoas infetadas pelo VIH ou com outras doenças que enfraquecem o sistema imunitário.

Tratamento

Não existe nenhum tratamento específico para o sarampo. Nas pessoas sem outros problemas de saúde, os sintomas de sarampo são tratados com repouso no leito, com um humidificador de vapor frio para suavizar as vias aéreas e para aliviar a tosse e paracetamol para reduzir a febre e aliviar o desconforto. Não deve ser administrada aspirina às crianças com sarampo devido ao risco de desenvolverem um problema hepático e cerebral raro denominado síndrome de Reye. As crianças e os adultos que desenvolvem uma infeção do ouvido médio ou uma pneumonia bacteriana são tratados com antibióticos.

Nas pessoas internadas num hospital com sarampo e com as suas complicações, especialmente nas crianças com idade compreendida entre os seis meses e os dois anos, alguns médicos prescrevem doses elevadas de vitamina A. Foram observados níveis baixos desta vitamina em crianças com casos graves de sarampo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que todas as crianças com sarampo que vivem em comunidades onde a deficiência de vitamina A é comum devem ser medicadas com esta vitamina.

Nas pessoas com um sistema imunitário enfraquecido ou nas que estão gravemente doentes com sarampo foi ocasionalmente usada uma medicação anti-vírica com ribavirina, mas os benefícios deste tratamento não foram comprovados em ensaios clínicos controlados. A Food and Drug Administration (FDA) americana não aprovou a utilização de ribavirina para o tratamento do sarampo.

Quando contactar um médico

Consulte o médico se você ou o seu filho desenvolver sintomas de sarampo, mesmo que estejam imunizados. Nem todas as pessoas receberam duas doses da vacina contra o sarampo-papeira-rubéola de que necessitam para estar completamente imunizadas. Consulte o médico para rever o seu estado de imunidade contra o sarampo ou do seu filho no caso de ocorrer um surto de sarampo na escola ou no local de trabalho. Se estiver a considerar engravidar, consulte o seu obstetra para se assegurar de que se encontra imunizada contra o sarampo e outras doenças infeciosas que podem afetar o seu filho por nascer. Confirme sempre com o médico do seu filho em cada consulta para se certificar de que as suas vacinas se encontram todas atualizadas.

Prognóstico

A maior parte das pessoas saudáveis recupera completamente do sarampo. Cerca de 3% dos adultos com sarampo desenvolvem sintomas de pneumonia suficientemente graves para necessitarem de tratamento num hospital, A morte devido a complicações do sarampo, tais como a pneumonia ou a encefalite, ocorre em um ou dois em cada 1.000 casos, mais frequentemente nos bebés, nos adultos idosos ou nas pessoas com defesas imunitárias enfraquecidas.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Doenças Infeciosas e Microbiologia Clínica

http://spdimc.org

Direção Geral de Saúde

http://www.dgs.pt/


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