Tétano

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Maria Inês Pereira

Validação Científica:

Prof.Saraiva da Cunha

O que é?

O tétano é uma infeção potencialmente fatal causada por uma bactéria chamada Clostridium tetani. Embora esta bactéria seja um habitante comum do solo e do estrume, pode ser encontrada em qualquer local estando presente nos detritos dos jardins suburbanos e nas águas lamacentas de inundações. Encontra-se também no pó das cidades.

A bactéria causadora do tétano entra no organismo através de uma ferida penetrante e suja, um corte, um arranhão ou outra forma de solução de continuidade da pele (lesão da pele em que há uma ferida). Uma vez dentro da pele, as bactérias multiplicam-se e produzem uma toxina, ou veneno, que afeta os nervos do organismo. A toxina do tétano produz espasmos musculares graves, cãibras e convulsões. O espasmo dos músculos da mandíbula causa o trismo (situação em que a pessoa não consegue abrir a boca). Os espasmos também afetam os músculos da garganta, do tórax, do abdómen e dos membros. Finalmente, os efeitos da toxina a nível dos músculos respiratórios vão interferir com a respiração e o doente pode morrer por sufocação.

O tétano pode aparecer após qualquer tipo de ferida, quaisquer que sejam as suas dimensões. Pode tratar-se de cortes, perfurações, esmagamentos e dentadas de animais. Em casos raros, pode ocorrer após uma cirurgia, uma infeção do ouvido, uma infeção dentária ou um aborto. Em toxicodependentes, o tétano desenvolve-se a seguir a injeções de heroína, especialmente se esta for misturada com quinino. Também são referidos casos de tétano após realização de tatuagens e de piercings, após uma picada de inseto ou mesmo após um arranhão ligeiro.

Em Portugal ocorrem anualmente cerca de 10 casos de tétano devido ao facto da grande maioria da população estar vacinada. A maioria dos casos de tétano ocorre em indivíduos que não estavam imunizados. O tétano é muito mais comum na população idosa que é também a população com menor cobertura vacinal.

Manifestações clínicas

Em média, os sintomas do tétano começam cerca de 7 a 8 dias após a entrada da bactéria no organismo. Estes sintomas incluem:

  • Espasmo dos músculos da mandíbula — trismo (incapacidade de abrir a boca)
  • Rigidez dos músculos do pescoço, ombro e costas
  • Dificuldade em engolir
  • Contração prolongada dos músculos da face que origina uma expressão semelhante a um sorriso ou esgar — riso sardónico
  • Contração dos músculos das costas causando uma posição em arco do doente
  • Espasmos musculares e rigidez muscular do tórax, do abdómen e dos membros
  • Hipertensão ou hipotensão arterial
  • Frequência cardíaca irregular
  • Convulsões
  • Dificuldade em respirar
  • Fraturas de ossos e roturas musculares causadas por espasmos musculares intensos

Diagnóstico

Não existe nenhum teste laboratorial para o diagnóstico do tétano. O diagnóstico baseia-se nos sintomas, na história recente de ferida ou outra lesão da pele e no historial de vacinação.

Evolução clínica

As pessoas que contraem tétano devem ser internadas e tratadas num hospital. Os espasmos musculares graves prolongam-se por três a quatro semanas e só depois vão lentamente melhorando. A recuperação leva ainda vários meses após o desaparecimento dos espasmos.

Prevenção

A vacinação previne praticamente todos os casos de tétano.

Em Portugal, os bebés e crianças são imunizados contra o tétano através de uma série de 4 vacinas. Esta série primária é dada na forma de vacina tríplice, contendo, para além da vacina antitetânica, a vacina contra a difteria e contra a tosse convulsa. O calendário habitual de vacinação é o seguinte:

  • Primeira dose: aos 2 meses de idade
  • Segunda dose: aos 4 meses de idade
  • Terceira dose: aos 6 meses de idade
  • Quarta dose: aos 18 meses de idade

Depois da série primária estar completa, a criança recebe mais 2 reforços: o primeiro entre os 5 e os 6 anos de idade, mesmo antes de iniciar a vida escolar; o segundo entre os 10 e os 13 anos. Os reforços servem para aumentar (reforçar) o nível de imunidade contra o tétano.

A partir dos 10 a 13 anos de idade, é recomendado um reforço a cada 10 anos. Em circunstâncias especiais pode ser dado um reforço mais cedo, por exemplo, em caso de ferida grave e se o tempo desde a última vacinação for superior a 5 anos. A razão deste procedimento prende-se com o facto de algumas pessoas apresentarem um decréscimo de imunidade 5 a 10 anos após o último reforço.

Em adultos e crianças com mais de 7 anos que nunca foram vacinados, usam-se séries de vacinas duplas contra o tétano e a difteria. Devem administrar-se 3 doses de vacina, com um intervalo de 4-6 semanas entre a primeira e segunda dose e de 6-12 meses entre a segunda e terceira dose.

Todos os adultos e crianças devem receber vacinação por rotina contra o tétano. No entanto, há grupos específicos de pessoas que devem ter especial cuidado em manter as suas vacinas contra o tétano em dia. Entre estas encontram-se as que têm empregos ou passatempos que exponham as pessoas a lixo, pó, detritos, solo ou águas sujas. São exemplos destas ocupações os trabalhadores rurais, os jardineiros, os bombeiros e outras pessoas expostas a esgotos ou água de enxurradas. Os veterinários e pessoas que lidem com dejectos de animais também estão em risco.

Os médicos devem rever o boletim de vacinas antes de cirurgias ou antes de um parto. Todas as mulheres em idade fértil deveriam estar vacinadas contra o tétano. Os recém-nascidos estão protegidos com os anticorpos da mãe até à idade da primeira vacina. Um recém-nascido não imunizado pode apanhar tétano na altura do corte do cordão umbilical.

Qualquer ferida deve ser limpa e desinfetada o mais rapidamente possível, especialmente se estiver contaminada com terra, para minimizar o risco de tétano.

Tratamento

Ao procurar um médico para tratar uma ferida será interrogado sobre o calendário de vacinação, especificamente se tem as vacinas do tétano em dia e há quanto tempo foi o último reforço. No caso da imunização contra o tétano não estar atualizada, será administrado um reforço. No entanto, este reforço não irá produzir efeito imediatamente, pelo que será administrado concomitantemente uma injeção de imunoglobulina antitetânica. A imunoglobulina antitetânica contém uma antitoxina que neutraliza a toxina do tétano protegendo temporariamente o organismo até que o sistema imunitário responda ao reforço da vacina.

Uma pessoa com um quadro completo de tétano deve ser tratada num hospital, onde lhe será administrada imunoglobulina antitetânica para neutralizar a toxina do tétano. Os espasmos musculares são tratados com relaxantes musculares, podendo ser igualmente administrados sedativos. Se necessário, o doente deverá ser ligado a um ventilador para o ajudar a respirar. Se o doente apresentar uma infeção evidente de uma ferida, esta deverá, por vezes, ser tratada com antibióticos. Quando a situação clínica começa a melhorar, a pessoa irá receber uma série de vacinações para restabelecer a imunidade contra o tétano, uma vez que ter um tétano não garante imunidade contra esta doença.

Quando contactar um médico

Consulte o médico imediatamente se desenvolver sintomas sugestivos de tétano. Além disso, deve procurar obter cuidados médicos imediatamente para qualquer ferida incisa profunda, ferida perfurante grave ou qualquer ferida contaminada com sujidade, terra ou estrume.

Se é adulto, deve verificar o seu boletim de vacinas no que respeita à data da última vacina contra o tétano. Se tiverem decorrido mais de 10 anos desde o último reforço desta vacina, deve dirigir-se ao seu Centro de Saúde para vacinação. Se o seu boletim de vacinas indicar que nunca recebeu a série inicial completa da vacina contra o tétano deve igualmente dirigir-se ao seu Centro de Saúde.

Certifique-se que as vacinas do seu filho estão atualizadas. Isto é particularmente importante para a vacina tríplice e outras vacinas dadas em série.

Prognóstico

A maior parte dos doentes com tétano sobrevive e recupera as suas funções prévias. As pessoas idosas e que apresentam uma progressão rápida desde o momento da infeção até ao aparecimento de sintomas graves têm um risco mais elevado de mortalidade.

Informação adicional

Direção Geral de Saúde

www.dgs.pt

Ministério da Saúde

www.min-saude.pt

Organização Mundial de Saúde

http://www.who.int/

Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral

www.apmcg.pt

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