E quanto aos pesticidas?

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Leia aqui o artigo:

Os resíduos de pesticidas utilizados para matar os insectos, as ervas daninhas e os fungos nas quintas encontram-se presentes em muitos dos frutos e vegetais comercializados. Em alguns testes, cerca de metade da fruta e dos vegetais apresentavam resíduos. A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (European Food Safety Authority– EFSA) e Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos da América (Environmental Protection Agency – EPA) classificam muitos destes pesticidas como carcinogéneos conhecidos ou prováveis. A evidência sugere igualmente que os pesticidas podem causar outros problemas de saúde, tais como uma alteração da função imunitária e uma contagem baixa de espermatozóides.

Ninguém sabe até que ponto é grave a ameaça constituída pelos pesticidas para o consumidor médio. As estimativas são extrapoladas a partir da incidência de doenças entre os agricultores e da investigação em animais. Mas um relatório americano da National Academy of Sciences em 1993 concluiu que os bebés e as crianças são mais vulneráveis do que os adultos aos perigos dos pesticidas, uma vez que são mais pequenos e pelo facto de comerem quantidades muito maiores de determinados frutos, tais como as maçãs no sumo de maçã. Como consequência desse estudo, o Congresso americano aprovou uma lei (Food Quality Protection Act) em 1997, que requer que todas as exposições aos pesticidas sejam demonstradas como sendo seguras para os bebés e para as crianças. A EFSA na Europa e a EPA nos Estados Unidos da América encontram-se encarregues de efectuar esta determinação através da monitorização dos níveis residuais de pesticidas nos alimentos e de verificar quais os alimentos que as crianças ingerem em maior quantidade.

Quando não se dispõe de informação suficiente para dizer qual a quantidade de um determinado pesticida que é segura para as crianças, estas entidades estabelecem uma margem de segurança reduzindo o limite para as crianças.

Será o biológico melhor?

Pode interrogar-se se os produtos agrícolas orgânicos ou biológicos constituem uma opção mais saudável. Para ser considerado “biológico”, o produto agrícola deve cumprir as orientações de regulamentos comunitários desde 1991. Estas orientações estabelecem que não podem ser utilizadas substâncias químicas sintéticas para cultivar o produto agrícola ou para o tratar depois da colheita. A produção agrícola biológica deixa menos resíduos de pesticidas do que a agricultura convencional, o que certamente torna este tipo de agricultura mais saudável para o meio ambiente e, possivelmente, mais saudável para as pessoas. No entanto, deve ter em mente que mesmos os produtos agrícolas biológicos não são completamente isentos de resíduos de pesticidas sintéticos, uma vez que estas substâncias químicas podem persistir no solo durante décadas.

Tal como foi definido pela União Europeia, os alimentos biológicos são aqueles que foram cultivados sem recurso aos pesticidas mais convencionais, aos fertilizantes produzidos a partir do petróleo ou de detritos, à engenharia genética ou a radiações. Os agricultores biológicos podem utilizar fertilizantes produzidos a partir do estrume se cumprirem os regulamentos muito específicos para o efeito. Para as carnes, os ovos e os lacticínios serem considerados biológicos, os agricultores não podem administrar aos animais antibióticos ou hormonas de crescimento. O gado deve alimentar-se de produtos biológicos que não contenham partes de outros animais mortos e o gado deve poder andar ao ar livre.

Mas como é que pode realmente saber o que está a comprar quando paga mais pelos produtos biológicos? Afinal, os alimentos biológicos, de um modo geral, não parecem diferentes dos seus similares não biológicos. Desde 2002, a Comissão Europeia começou a desenvolver um logótipo europeu de aprovação orgânica para os alimentos que são, pelos menos, 95% biológicos. Se vir este logótipo, o alimento está certificado como biológico. Mesmo a utilização da palavra “biológico” no rótulo deve ser aprovada previamente pelos agentes certificados em cada país. Por exemplo, os alimentos com múltiplos ingredientes (tais como os cereais ou a sopa) que são 70 a 95% biológicos não podem apresentar o selo, mas podem utilizar a palavra “biológico” para descrever até três ingredientes na parte da frente da embalagem. Os alimentos que são menos de 70% biológicos podem identificar alimentos específicos como biológicos na lista de ingredientes.

Embora todos os alimentos que têm o logótipo biológico da União Europeia sejam certificados como alimentos biológicos, o reverso não é verdadeiro: nem todos os alimentos biológicos têm necessariamente o logótipo, uma vez que a candidatura para o rótulo é voluntária. Alguns alimentos que são verdadeiramente biológicos podem não ter o logótipo ou mesmo não usar a palavra “biológico” no rótulo.

Mas os rótulos não respondem a outra pergunta incómoda: até que ponto é importante comprar produtos biológicos? As entidades internacionais que regulam estes alimentos não afirmam que os alimentos biológicos são mais seguros ou mais nutritivos do que os alimentos produzidos convencionalmente. Os especialistas em nutrição de Harvard afirmam que não existe uma evidência sólida de que os alimentos biológicos, de um modo geral, sejam mais saudáveis para os seres humanos, mas a carne produzida de forma biológica pode prevenir a disseminação de doenças como a encefalopatia espongiforme bovina, mais conhecida por doença das vacas loucas. O gado criado de forma convencional pode contrair esta doença ao ingerir a carne ou os ossos de animais infectados. Mas, uma vez que os animais vendidos como carne biológica não se alimentam de animais abatidos, é pouco provável que venham a contrair da doença das vacas loucas.

E quanto ao valor para a saúde dos produtos agrícolas biológicos? Um estudo de 2002 revelou que as crianças que consumiam fruta e vegetais biológicos tinham significativamente menos pesticidas na urina do que as que mantinham dietas convencionais. Isto significa que, quando as crianças ingeriam alimentos produzidos convencionalmente, os pesticidas entravam no sangue e circulavam no seu organismo antes de serem excretados. Mas nem este estudo nem quaisquer outros realizados até à data provam que os alimentos biológicos são mais saudáveis, uma vez que os níveis de pesticidas encontrados não foram associados de forma definitiva a qualquer risco para a saúde.

Até à emergência de evidência mais conclusiva, a decisão de comprar produtos biológicos fica ao critério de cada pessoa: se gostar da ideia de consumir alimentos produzidos sem recurso a substâncias químicas ou a pesticidas, compre alimentos biológicos. De outra forma, é bom saber que consumir fruta e vegetais produzidos convencionalmente constitui igualmente uma opção saudável. Quer compre ou não produtos biológicos, não deixe que as preocupações relativamente aos pesticidas o impeçam de comer bastante fruta e vegetais. A conclusão é que os benefícios para a saúde de comer fruta e vegetais ultrapassam os riscos de ingerir pesticidas com estes alimentos.

Eis algumas formas de reduzir a sua exposição aos pesticidas:

Compre produtos agrícolas produzidos localmente durante a época. Os produtos agrícolas produzidos em quintas pequenas situadas nas proximidades têm uma menor probabilidade de serem tratados com ceras pesticidas utilizadas para inibir o crescimento dos fungos nos produtos que são exportados para longas distâncias. A fruta e os vegetais produzidos localmente encontram-se disponíveis apenas na época própria.

Lave a fruta e os vegetais e descasque-os quando possível. Um estudo demonstrou que lavar os produtos agrícolas com uma mistura de água e um detergente suave para lavar a loiça, descascar e (na alface e na couve) remover as folhas mais exteriores eliminava os resíduos de pesticidas em 21% da fruta e dos vegetais. Descascar, por si só, eliminou todos os resíduos de pesticidas nas bananas, cenouras e batatas. De forma semelhante, o milho não tinha resíduos depois de ser debulhado.

Mais Ciência, Melhor Saúde: o Programa HMS-PT todos os dias na TSF, um pouco antes das 08h00 e das 18h00. Não perca hoje «Pesticidas e Alimentos Orgânicos», pela Dr.ª Raquel Braga, Médica de Família.

Pesticidas e Alimentos Orgânicos

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