O que é a Pericardite?

Fonte: 

Tradução e Edição de Imagem Científica:

 

Adaptação Científica:

Drª.Carolina Vaz Macedo

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Oiça, em 1 minuto, o áudio sobre Cardiologia pelo Prof. Lino Gonçalves: «O que é a pericardite?»

Leia aqui o artigo:

O que é?

A pericardite é uma inflamação do pericárdio, isto é, da membrana que forma uma espécie de saco em volta do coração, e pode ser desencadeada por múltiplos problemas médicos muito diferentes, incluindo:

  • Infecção viral ― A pericardite viral pode ser causada por uma infecção por diversos tipos de vírus, incluindo coxsackievirus, echovirus, adenovírus, vírus da imunodeficiência humana (VIH), vírus que causam papeira ou vírus que causam hepatite.
  • Infecção piogénica (produtora de pus) ― A pericardite piogénica é uma infecção que envolve o coração e que produz pus. Tem diversas causas, incluindo a ruptura (abertura) do esófago (tubo do aparelho digestivo que vai da boca até ao estômago), uma infecção após uma cirurgia cardiotorácica ou a disseminação de uma endocardite (uma infecção do revestimento interno do coração e das válvulas cardíacas).
  • Tuberculose ― A pericardite tuberculosa pode ocorrer como parte de uma infecção tuberculosa activa.
  • Urémia ― A pericardite urémica pode ocorrer em pessoas com urémia, que é uma acumulação de ureia e de outros produtos residuais do sangue causados por uma falência renal.
  • Ataque cardíaco (enfarte do miocárdio) ― A pericardite pode ser desencadeada por uma destruição do músculo cardíaco num ataque cardíaco.
  • Traumatismo cardíaco ― Tal como no ataque cardíaco, a lesão do coração causada por um traumatismo (um ferida perfurante ou uma pancada forte no tórax) ou uma cirurgia cardíaca podem igualmente desencadear uma pericardite.
  • Doença reumática ou doença vascular do colagénio ― As doenças reumáticas (artrite reumatóide, esclerodermia e poliarterite nodosa) e as doenças vasculares do colagénio, especialmente o lúpus eritematoso disseminado, podem igualmente causar pericardite.

Outras causas raras de pericardite incluem: radioterapia para o tratamento de cancros no tórax ou cancros no tórax per si, sífilis, infecção fúngica ou infecção parasitária. Por vezes não é encontrada uma causa concreta.

Nalgumas pessoas com pericardite, um líquido acumula-se dentro da espécie de saco formado pelo pericárdio, uma situação denominada de derrame pericárdico. Se o derrame pericárdico for suficientemente grande, pode interferir com a capacidade do coração para encher normalmente e para bombear o sangue, uma situação chamada tamponamento cardíaco. Noutras pessoas, o estádio mais precoce da pericardite progride para uma pericardite constritiva, um problema no qual o pericárdio inflamado aumenta de espessura e se contrai em volta do coração, interferindo com a função cardíaca.

Sintomas

Os sintomas clássicos de pericardite são febre e dor no peito. Esta dor no peito pode ser de curta duração e aguda ou persistente e constritiva, situando-se geralmente abaixo do esterno, mas pode igualmente irradiar para o pescoço e para os ombros. Em muitos doentes, a dor no peito torna-se mais intensa se respirarem fundo, engolirem, tossirem ou se deitarem, enquanto a posição sentada ou a inclinação do tronco para a frente podem aliviar a dor.

Os doentes com tamponamento cardíaco podem apresentar uma pressão arterial baixa e falta de ar, enquanto os que apresentam uma pericardite constritiva referem igualmente dificuldade em respirar, juntamente com edemas (inchaço) dos tornozelos, pernas e abdómen.

Diagnóstico

O médico irá rever a sua história clínica, especialmente qualquer história de infecção viral recente, ataque cardíaco, traumatismo torácico, cirurgia torácica, tuberculose, doença renal, doença reumática ou doença vascular do colagénio. O médico irá igualmente pedir-lhe para descrever a dor no peito, incluindo a sua localização, os factores desencadeantes (tossir, engolir, respirar fundo), a sua duração e os factores de alívio.

Em seguida, o médico irá examiná-lo, utilizando um estetoscópio para ouvir um som característico de atrito, semelhante ao causado pelo couro, que pode surgir nos doentes com pericardite. Este som é chamado atrito pericárdico. Outros testes que podem proporcionar ao médico uma evidência adicional de pericardite incluem:

  • Electrocardiograma (ECG)
  • Ecocardiograma, um exame indolor que utiliza ultra-sons para delinear as estruturas no interior e em volta do coração
  • Radiografia simples do tórax
  • Ressonância magnética nuclear (RMN) ou tomografia computorizada (TAC), necessárias em alguns casos para procurar alterações no pericárdio.

No caso de se ter desenvolvido um derrame pericárdico, pode ser retirada uma amostra do líquido que se encontra em volta do seu coração por aspiração com uma agulha esterilizada, com análise posterior num laboratório. Além disso, dependendo da causa suspeita de pericardite, pode necessitar de um teste para a tuberculose ou de análises de sangue adicionais para procurar sinais de infecção, ataque cardíaco, doença reumática ou doença vascular do colagénio.

Duração esperada

Em algumas formas de pericardite, especialmente nas causadas pela maior parte das infecções virais, por um ataque cardíaco ou por um traumatismo torácico, os sintomas geralmente desaparecem dentro de um mês ou menos. Noutras formas de pericardite (urémica, reumática, doença vascular do colagénio), a situação pode ser de longa duração.

Prevenção

Uma vez que a pericardite pode ser o resultado de um grande número de doenças diferentes, não existem orientações de rotina para prevenir esta situação. De um modo geral, pode ajudar a prevenir a pericardite causada por infecções que afectam o coração ao praticar uma boa higiene, especialmente lavando as mãos com frequência e consultando o seu médico para as vacinações recomendadas. Para prevenir a pericardite causada por um ataque cardíaco, pode reduzir o seu risco de doença coronária não fumando, mantendo uma dieta com um baixo teor de gorduras, efectuando exercício físico regularmente e controlando a hipertensão e a diabetes se tiver esses problemas. Para reduzir o risco de pericardite relacionada com traumatismos, deve usar cinto de segurança sempre que conduzir e deve usar equipamento apropriado para proteger o tórax quando praticar desportos de contacto.

Mesmo que siga todas estas sugestões, algumas formas de pericardite não podem ser prevenidas.

Tratamento

O tratamento da pericardite aguda depende da sua causa. Será aconselhado a descansar na cama e a tomar aspirina ou um medicamento anti-inflamatório, como a indometacina, para a dor. Se a dor persistir, o seu médico pode alterar o tratamento para um medicamento glucocorticóide, como a prednisona (vendida sob diversos nomes de marca). Os doentes com uma pericardite tuberculosa irão necessitar de uma medicação anti-tuberculosa, enquanto os com uma infecção bacteriana piogénica irão necessitar de antibióticos apropriados. Os doentes com uma pericardite urémica causada por uma insuficiência renal irão necessitar de hemodiálise, um procedimento mecânico para limpar o sangue.

Se tiver um tamponamento cardíaco, o excesso de líquido em volta do seu coração será retirado através de uma agulha esterilizada, um procedimento denominado de pericardiocentese. Quando a pericardite constritiva interfere com a função cardíaca, o pericárdio espessado pode ser removido cirurgicamente através de um procedimento denominado de pericardiectomia.

Quando contactar um profissional

Contacte o seu médico sempre que tiver uma dor no peito, independentemente de apresentar ou não febre.

Prognóstico

A maior parte das pessoas com uma pericardite viral recuperam dentro de um mês, embora em até 25% dos doentes o problema volte a ocorrer pelo menos uma vez. Se a situação recidivar repetidamente ao longo de mais de dois anos, pode ser necessária a realização de uma pericardiectomia.

As pessoas com uma pericardite causada por um ataque cardíaco ou por um traumatismo cardíaco geralmente recuperam dentro de uma a duas semanas. Outras formas de pericardite (urémica, doença vascular do colagénio, doença reumática) podem apresentar melhorias e exacerbações dependendo da evolução da doença médica subjacente.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Cardiologia

http://www.spc.pt

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt

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