Cancro do rim

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. André Carvalho

Validação Científica:

Dra Isabel Fernandes

O que é?

Os rins são dois órgãos em forma de feijão e do tamanho de um punho, que se situam abaixo da caixa torácica, na parte posterior do abdómen, de cada lado da coluna. Estes órgãos filtram as substâncias residuais, o excesso de água e o sal do sangue, regulam o equilíbrio de líquidos no organismo e produzem igualmente hormonas que monitorizam a pressão arterial e regulam a produção de glóbulos vermelhos.

Os doentes cujos rins entraram em falência ou que não funcionam bem geralmente necessitam de diálise ou de um transplante renal. Durante a diálise, um aparelho filtra as substâncias residuais que têm de ser eliminadas do sangue.

O cancro do rim ocorre quando células renais anormais crescem e se dividem de forma descontrolada. Estas células invadem e destroem o tecido renal normal e podem disseminar-se (metastizar) para outros órgãos. Mesmo quando existe um cancro do rim, estes órgãos podem funcionar normalmente.

O cancro do rim inclui o carcinoma de células renais, que apresenta diversos subtipos, e o carcinoma de células de transição. Os tipos mais comuns de carcinoma de células renais são o carcinoma de células claras, o carcinoma de células papilares e o cancro de células renais cromófobas.

O carcinoma de células renais tem origem no revestimento dos pequenos tubos que formam este órgão e é responsável pela maior parte dos tumores malignos do rim. Embora o carcinoma de células renais se desenvolva habitualmente como um tumor único num rim, por vezes afecta mais do que uma parte de um rim ou mesmo ambos os rins. Ele tem sido associado ao tabagismo e à exposição ao cádmio embora na maioria dos casos a causa não seja conhecida. .

Determinadas anomalias genéticas, como por exemplo a doença de von Hippel-Lindau, podem causar um carcinoma de células renais ou aumentar a probabilidade de uma pessoa desenvolver este tipo de cancro. Nestes casos, o cancro inicia-se geralmente numa idade precoce e pode afectar ambos os rins.

O carcinoma de células de transição constitui apenas uma pequena percentagem de cancros renais. Este tumor começa geralmente no bacinete, uma estrutura em forma de funil que liga o uretero à parte principal do rim e que drena a urina formada neste órgão. O carcinoma de células de transição pode afectar igualmente os ureteres (estruturas tubulares que transportam a urina dos rins para a bexiga) e o próprio revestimento da bexiga. Os estudos sugerem que este tipo de cancro também está associado ao tabagismo.

A maior parte dos cancros renais nas crianças desenvolvem-se antes dos 5 anos de idade e são denominados por tumores de Wilms.

O risco de cancro do rim é mais elevado se esta doença afectar outras pessoas da mesma família ou se o doente:

  • fumar
  • for obeso
  • tiver sofrido uma exposição prolongada aos asbestos, ao cádmio ou a derivados do petróleo
  • tiver familiares com cancro do rim
  • estiver sujeito a um tratamento de diálise a longo prazo
  • tiver uma idade compreendida entre os 50 e os 70 anos
  • sofrer de esclerose tuberosa, uma doença caracterizada por nódulos cutâneos causados por pequenos tumores nos vasos sanguíneos
  • tiver uma doença de von Hippel-Lindau, uma doença genética rara associada ao aparecimento de tumores em diversas partes do corpo.

Manifestação clínica

A maior parte dos cancros do rim crescem sem causar qualquer dor ou desconforto e alguns são descobertos antes de começarem a causar sintomas, quando uma pessoa faz uma ecografia ou tomografia computorizada do abdómen por outra razão.

O carcinoma de células renais pode causar uma variedade de sintomas que parecem não estar relacionados com o rim. Por exemplo, este tumor pode disseminar-se para as veias adjacentes, causando congestão ou obstruções venosas e pode igualmente produzir uma quantidade excessiva de uma ou mais hormonas. Os sinais/sintomas podem assim resultar do tumor propriamente dito, de uma obstrução venosa ou do efeito das hormonas.

Alguns sinais e sintomas do cancro do rim incluem:

  • presença de sangue na urina
  • dores abdominais
  • uma massa no abdómen
  • fadiga
  • perda de peso
  • febre inexplicada
  • gânglios linfáticos aumentados de volume
  • dilatação das veias no escroto (nos homens)
  • tensão arterial elevada de difícil controlo
  • dificuldade em respirar ou dores na perna (devido a coágulos sanguíneos)
  • aumento de volume abdominal (devido a acumulação de líquido)
  • facilidade em sofrer fracturas ósseas.

Diagnóstico

Uma vez que uma pessoa com um cancro renal pode não apresentar quaisquer sintomas, a doença é muitas vezes identificada por acaso após realizar um exame abdominal. Mais frequentemente, o carcinoma renal é encontrado depois do doente com sintomas suspeitas ser sujeito a um estudo para determinar a origem das queixas.

Exames laboratoriais anormais (por exemplo, análises de sangue e de urina) podem constituir o primeiro indício de que uma pessoa tem um tumor do rim, sendo alguns achados anormais causados pelos efeitos hormonais ou químicos do cancro sobre o organismo. Os achados anormais podem incluir:

  • anemia (um número baixo de glóbulos vermelhos)
  • um número elevado de glóbulos vermelhos
  • uma função hepática anormal (geralmente secundária a uma veia obstruída ou congestionada)
  • um nível anormal de cálcio no sangue
  • uma função renal anormal
  • presença de sangue na urina

Por vezes é possível identificar um tumor renal através da palpação de uma massa de um dos lados do abdómen.

Se houver suspeita de cancro do rim, é importante realizar uma tomografia computorizada. Neste exame, um feixe de raios X modificado produz imagens corporais em diferentes ângulos, proporcionado a visualização do interior dos rins e de outros órgãos.

O seu médico pode também pedir uma ecografia , a qual utiliza ondas de ultra-sons para criar imagens do rim e pode ajudar a determinar se uma massa renal é um quisto não canceroso (benigno) cheio de líquido ou um tumor canceroso. A RMN utiliza ímanes de grandes dimensões e ondas de rádio para produzir imagens dos rins e dos órgãos próximos num computador.

No passado, os médicos utilizavam um exame denominado urografia de eliminação para diagnosticar o cancro do rim (exame de imagem baseado na utilização de raios X e de um contraste para visualizar o aparelho urinário).

Para verificar se a doença disseminou podem ser utilizados os seguintes exames:

  • RMN. As imagens obtidas durante este exame podem mostrar se o cancro se disseminou para os vasos sanguíneos do abdómen.
  • Radiografia do tórax e tomografia computorizada (TAC) dos pulmões. Para determinar se o cancro do rim se disseminou para os pulmões ou para os ossos do tórax.
  • Cintigrafia óssea. Este exame utiliza níveis reduzidos e seguros de material radioactivo para verificar se o cancro se disseminou para os ossos.

Prevenção

Uma vez que aproximadamente um terço dos carcinomas de células renais se encontra associado ao tabagismo, pode reduzir o risco de cancro do rim ao evitar o tabaco. Na sua actividade profissional, evite a exposição aos asbestos e ao cádmio.

Para identificar o cancro renal numa fase precoce nos doentes submetidos a diálise, os médicos sugerem a realização de radiografias renais periódicas. Isto é especialmente importante se o doente apresentar quistos renais.

Tratamento

O tratamento é determinado pelo tipo de cancro e pelo seu grau de disseminação (estádio). A idade, a saúde em geral e as preferências pessoais do doente podem influenciar igualmente a escolha do tratamento. As terapêuticas principais para o cancro do rim são a cirurgia, a terapêutica biológica e a radioterapia.

A cirurgia constitui o tratamento mais importante para o cancro do rim pois as probabilidades de sobrevivência sem recurso a esta modalidade terapêutica são escassas. No entanto, apenas se consegue a cura da doença se puder ser removida a totalidade do tumor. As probabilidades de uma cura diminuem se a doença se tiver disseminado, mas mesmo que tal tenha acontecido a cirurgia ainda pode ser útil. Se o cirurgião remover a maior parte do tumor, o sistema imunitário do doente e os tratamentos médicos irão ter menos cancro para combater.

A quantidade de tecido que o cirurgião remove irá depender do estádio e do tipo de cancro renal. Durante uma nefrectomia radical, o cirurgião remove a totalidade do rim, bem como a glândula supra-renal, os gânglios linfáticos e o tecido adiposo adjacentes. Em contrapartida, durante uma nefrectomia parcial, o cirurgião apenas remove a parte do rim que contém o tumor. Com esta operação, existe o risco de algumas células cancerosas não serem retiradas.

Dependendo do cancro, o cirurgião pode executar uma intervenção orientada por meio de uma câmara de vídeo, denominada laparoscopia (também chamada cirurgia minimamente invasiva). Durante este tipo de operação, o cirurgião pode remover parte ou a totalidade do rim através de incisões muito mais pequenas. A incisão cirúrgica tradicional é bastante grande e a recuperação demora geralmente 8 a 12 semanas, mas com as técnicas minimamente invasivas, o tempo de recuperação é muito mais curto.

A embolização arterial é um procedimento que permite reduzir as dimensões do tumor, podendo o médico optar por este tratamento antes da operação para facilitar a intervenção cirúrgica ou, no caso de a cirurgia não ser possível, para proporcionar o alívio dos sintomas.

Durante uma embolização arterial, o médico insere um pequeno tubo (cateter) numa artéria da virilha. Esse tubo é introduzido no vaso sanguíneo até alcançar a artéria que abastece o rim para, em seguida, ser injectada uma substância na artéria que provoca a sua obstrução ajudando assim a evitar o crescimento do tumor. No entanto, esta técnica é actualmente pouco utilizada.

Quando o cancro do rim se disseminou para locais distantes, essas lesões são denominadas metástases e a sua remoção pode proporcionar um alívio transitório da dor e de outros sintomas sem, no entanto, prolongar a sobrevivência.

Um avanço recente no tratamento do cancro consistiu na introdução de terapêuticas dirigidas. O crescimento e a disseminação dos cancros renais são controlados por reacções químicas específicas no interior das células cancerosas e, menos frequentemente, nas células normais. Novos medicamentos, designados por terapêuticas biológicas, podem limitar ou bloquear estas reacções químicas.

O tratamento mais comum de primeira linha para o cancro do rim em fase avançada é a terapêutica biológica com agentes inibidores da angiogénese e inbidores de uma classe de enzimas (denominadas por tirosinacisases) importantes no crescimento e sobrevivência das células tumorais. Mais recentemente foram também introduzidos uma outra classe de agentes biológicos denominados por inbidores da mTOR. Os agentes denominados inibidores da angiogénese são portanto muito utilizados no tratamento do carcinoma de células renais. Ao prevenirem o crescimento dos vasos sanguíneos que “alimentam” o tumor, estes agentes diminuem a velocidade de crescimento do cancro.  Um destes agentes, designado bevacizumab também pode ser efectuado em primeira linha quando associado ao interferon (este é um imunomodulador que ajuda o sistema imunitário do organismo a combater e a destruir as células cancerosas e também inibe a formação de novos vasos sanguíneos pelo tumor).

A radioterapia depende da utilização de radiações de alta energia para destruir as células cancerosas. Neste método terapêutico, feixes de radiações sofisticados, de grande precisão, podem atingir o cancro, ao mesmo tempo que poupam os tecidos circundantes saudáveis. Esta terapêutica pode ser utilizada  com outros tratamentos para diminuir os sintomas, especialmente nas metástases ósseas..

A quimioterapia tradicional não é utilizada para tratar o cancro do rim devido ao facto de só ser benéfica num número reduzido de doentes. As terapêuticas biológicas são bastante mais eficazes e causam menos efeitos secundários em comparação com a quimioterapia.

Quando contactar um médico

Contacte o seu médico se:

  • notar a presença de sangue na urina
  • constatar a presença de uma massa ou aumento de volume do abdómen
  • tiver dores abdominais persistentes
  • perder peso sem motivo aparente
  • sentir fadiga acentuada.

Se notar a presença de sangue na urina deve submeter-se a uma avaliação médica completa, incluindo uma avaliação da função renal.

Prognóstico

Se o cancro do rim for diagnosticado precocemente, antes de ultrapassar os limites deste órgão, pode ser curado através da cirurgia. Este é o caso de cerca de metade de todos os doentes com cancro do rim. Se o cancro for removido e a área circundante estiver isenta de células cancerosas, a maior parte dos doentes irá sobreviver durante pelo menos cinco anos. Contudo, a taxa de sobrevivência desce significativamente nas pessoas cujo cancro se disseminou para os gânglios linfáticos, para o sistema circulatório e para órgãos distantes.

Informação adicional

Institutos de Oncologia em Portugal

http://www.ipolisboa.min-saude.pt/ (Lisboa)

http://www.ipoporto.min-saude.pt/Homepage (Porto)

http://www.croc.min-saude.pt/ (Coimbra)

 Liga Portuguesa Contra o Cancro

http://www.ligacontracancro.pt/

Instituto Nacional de Câncer (Brasil)

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/inca/portal/home/

Sociedade Europeia de Oncologia Médica

http://www.esmo.org/

Universidade de Bona (Alemanha)

http://imsdd.meb.uni-bonn.de/cancer.gov/CDR0000062894.html

Instituto Americano do Cancro

http://www.cancer.gov/

Associação do Cancro Renal (Estados Unidos da América)

http://www.nkca.org/

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Uma resposta to “Cancro do rim”

  1. Edição da manhã, SIC Notícias: Prof. Luís Costa fala sobre Cancro do rim « Programa Harvard Medical School – Portugal Says:

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