Como funcionam as vacinas?

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. Nuno Ferreira

Validação Científica:

Prof. António Vaz Carneiro

Como funcionam as vacinas

De uma forma simplista, uma vacina estimula o sistema imunitário para criar imunidade contra um determinado microrganismo. Esta situação imita o que iria acontecer naturalmente no caso de uma bactéria ou um vírus potencialmente perigosos infectar o organismo, mas com uma diferença essencial ― não existe qualquer microrganismo prejudicial envolvido. Em vez disso, a vacina contém uma versão reconhecível mas inofensiva da bactéria ou do vírus. Quando a pessoa é vacinada, o seu sistema imunitário irá agir como se determinado microrganismo estivesse na realidade a infectar o organismo e desenvolverá anticorpos contra ele. Futuramente, se o individuo for realmente infectado pelo agente para o qual está vacinado, a resposta imunitária será muito mais rápida e a infecção não se desenvolverá ou, a desenvolver-se, será muito menos grave.

Onde tudo começou

A primeira vacina foi desenvolvida por Edward Jenner (1749-1823), um médico rural inglês. Ele observou que as leiteiras raramente contraíam varíola, embora a doença fosse implacável, sendo responsável por aproximadamente um terço das mortes na infância bem como pela formação de cicatrizes num em cada três adultos. Jenner suspeitou que as leiteiras podiam estar protegidas pela sua exposição a uma infecção denominada varíola bovina que não é perigosa para os seres humanos. Em 1796, Jenner realizou uma experiência extraordinária. Ele retirou líquido de uma vesícula de varíola bovina da mão de uma leiteira e esfregou-a em escoriações no braço de um rapaz de 8 anos que não tinha tido varíola bovina nem varíola humana. Este gesto inoculou o vírus da varíola bovina no rapaz. Seis semanas mais tarde, Jenner injectou o rapaz com líquido de uma vesícula de varíola humana. O rapaz não ficou doente. Jenner tinha descoberto que um organismo estranho inofensivo podia proporcionar protecção contra um outro organismo semelhante a ele mas mais mortal. Devido à associação com a vaca ― vaccinus é a palavra latina para “das vacas, derivado de vacca”,- o procedimento de Jenner passou a ser conhecido por vacinação, um termo subsequentemente aplicado a outros tipos de inoculações, relacionadas ou não com as vacas. Apesar da descoberta inovadora de Jenner, passaram muitos anos até Louis Pasteur desenvolver as vacinas seguintes contra a raiva, o antraz e a cólera.

Um truísmo do progresso científico: as descobertas não acontecem fora de determinado contexto e assim aconteceu com Jenner. As pessoas do século XVIII, em Inglaterra, já sabiam que podiam ser protegidas contra a varíola através da introdução de líquido das vesículas de varíola em escoriações na pele. Embora esta abordagem amplamente praticada, que tinha vindo da Turquia, proporcionasse um certo grau de protecção, também envolvia o risco de desenvolvimento da doença ― e de morrer devido a esta. A contribuição distintiva de Jenner consistiu em demonstrar que a varíola bovina era inofensiva e que através dela se poderia obter protecção contra a varíola humana, cujo agente infeccioso era semelhante.

Tipos de vacinas

No decurso da história da vacina, os cientistas inventaram diversos tipos de vacinas (ver a Figura 1).

Vacinas vivas atenuadas. Estas vacinas contêm um microrganismo vivo que é enfraquecido, de tal forma que já não consegue provocar doença. Estas vacinas desencadeiam uma resposta imunitária forte e podem proporcionar imunidade para toda a vida depois de serem administradas apenas uma ou duas doses.

No entanto, existem desvantagens. Uma forma atenuada do agente patogénico na vacina pode sofrer uma mutação (tal como qualquer outro organismo vivo) e recuperar a sua capacidade para causar a doença. Este risco é extremamente baixo nas pessoas saudáveis mas é mais elevado nas pessoas cujo sistema imunitário já se encontra comprometido. Por este motivo, as pessoas com cancro ou as infectadas com o VIH não devem receber vacinas vivas atenuadas. Outra desvantagem das vacinas vivas atenuadas é que estas devem ser guardadas em frigoríficos para se manterem frescas e vivas. Esta exigência não é uma grande preocupação nos países desenvolvidos, mas torna as vacinas deste tipo, como a vacina actual contra o sarampo, impraticáveis para muitos países em vias de desenvolvimento, onde a imunização é desesperadamente necessária.

Vacinas inactivadas ou “mortas”. Este é o tipo mais comum de vacina utilizado na actualidade, sendo produzido a partir de fragmentos de um vírus que foi destruído pelo calor ou através de substâncias químicas ou de radiações. Consequentemente, as vacinas inactivadas (“mortas”) não apresentam o risco de sofrerem mutações e de reverterem para a sua forma virulenta. Funcionam através da estimulação do organismo para produzir anticorpos e habitualmente não requerem refrigeração. Mas as vacinas inactivadas também apresentam algumas desvantagens. A principal é que estas vacinas não são tão potentes como as vacinas vivas atenuadas, uma vez que apenas estimulam a produção de anticorpos e não estimulam outras células do sistema imunitário adaptativo, tais como os linfócitos T com memória imunológica. Assim, para manter a imunidade, são necessárias injecções periódicas de reforço.

Vacinas de subunidades. Enquanto algumas vacinas usam o microrganismo completo, as vacinas de subunidades usam apenas as partes do microrganismo para estimularem o sistema imunitário. Ao conter apenas o que é necessário para uma resposta e não todas as outras partes do microrganismo, as vacinas de subunidades tendem a causar menos reacções adversas.

Vacinas de toxóides. Com algumas doenças bacterianas, tais como a difteria e o tétano, o problema não são as bactérias propriamente ditas mas as toxinas que produzem. Estas toxinas podem entrar na corrente sanguínea e causar lesão celular. Em vez de conterem um antigénio microbiano, as vacinas de toxóides contêm toxinas inactivadas, denominadas toxóides. Este tipo de vacinas estimula a produção de anticorpos. Quando uma pessoa é infectada, estes anticorpos pode bloquear a entrada das toxinas nas células.

Figura 1: Vacina viva versus vacina morta

Vacina viva. A primeira injecção permite ao vírus multiplicar-se rapidamente, desencadeando uma resposta imunitária em larga escala com produção de anticorpos e resposta de linfócitos T.

Prós e contras: Apenas é necessária uma dose mas existe um risco mínimo de desenvolvimento da doença.

Vacina morta. Uma vacina morta não pode multiplicar-se e a resposta dos anticorpos é limitada. Duas injecções adicionais administradas posteriormente asseguram uma produção suficiente de anticorpos.

Prós e contras: Não existe risco de desenvolvimento da doença, mas são necessárias três injecções.

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