Um estudo avalia os riscos de defeito valvular

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Tradão e Edição de Imagem Científica:


Um estudo recente verificou que as pessoas com um defeito valvular cardíaco congénito apresentam um risco muito baixo de desenvolverem um perigoso problema denominado dissecção aórtica. No entanto os investigadores constataram que mais de metade irá necessitar de uma substituição valvular dentro de 25 anos. O estudo incluiu 416 pessoas que tinham nascido com uma válvula aórtica bicúspide. Isto significa que a válvula tem duas abas ou valvas (cúspides) em vez das três normais. Os investigadores vigiaram as pessoas durante uma média de 16 anos. Durante esse período, duas pessoas (0,5% da amostra) desenvolveram uma dissecção aórtica. Esta patologia consiste numa rutura da aorta, a maior artéria do organismo humano, constituindo uma situação potencialmente fatal. As taxas de outros problemas relacionados com o defeito valvular foram muito mais elevadas. Cerca de 26% das pessoas desenvolveram um aneurisma – uma dilatação de uma artéria devido a uma fraqueza na sua parede. Nas pessoas com aneurismas, o risco de surgirem problemas adicionais aumentou. Nos 15 anos subsequentes ao diagnóstico, 7% dos doentes apresentaram uma dissecção aórtica. As pessoas com idade superior a 50 anos tinham igualmente uma maior probabilidade de sofrerem uma dissecção aórtica do que os outros indivíduos com o defeito valvular. O Journal of the American Medical Association publicou o estudo e a HealthDay News escreveu sobre ele em 13 de setembro.

Qual é a reação do médico?

O coração é um órgão extraordinariamente complicado, constituído por três camadas:

  • Um revestimento externo fino e flexível: o pericárdio
  • Uma porção muscular poderosa que espreme o sangue para todo o corpo durante a vida inteira: o miocárdio
  • As válvulas, que mantêm o sangue em movimento na direção certa.

Infelizmente, por vezes o coração desenvolve-se anormalmente. Cerca de um em cada 100 recém-nascidos apresenta um defeito cardíaco. Estes problemas são denominados “congénitos”, o que significa que se encontram presentes aquando do nascimento. Tendo em consideração a complexidade do coração, possivelmente a questão mais surpreendente é que tal não aconteça com maior frequência.

A malformação cardíaca congénita mais frequente é uma válvula aórtica bicúspide. Esta válvula apresenta apenas dois folhetos (denominadas cúspides) em vez dos três normais. Isto pode conduzir à fibrose (formação de cicatrizes) ao nível da válvula, o que leva a que esta funcione anormalmente. A estenose (estreitamento) ou a regurgitação (insuficiência) constituem igualmente problemas comuns de uma válvula bicúspide.

O problema mais grave que pode ocorrer é a dissecção aórtica. Isto significa que ocorre uma rutura na artéria de grande calibre (a aorta) que transporta o sangue do coração para todo o corpo. Esta situação é frequentemente fatal.

Outro problema grave que pode ocorrer com uma válvula bicúspide é um aneurisma aórtico. Neste caso, a aorta desenvolve uma dilatação devido a uma fraqueza na sua parede. O aneurisma pode rebentar, sendo esta situação também frequentemente fatal.

O risco real da ocorrência de problemas graves associados a uma válvula bicúspide não se encontra bem estabelecido. É por este motivo que os investigadores da clínica Mayo estudaram 416 pessoas com uma válvula aórtica bicúspide durante 16 anos.

Estes foram os seus achados:

  • A dissecção aórtica ocorreu em apenas dois doentes. Isto traduz-se num risco de dissecação em 25 anos de cerca de 0,5%. Embora esta probabilidade seja baixa é, ainda assim, mais de oito vezes superior à taxa de ocorrência desta situação na população em geral.
  • A dissecção foi mais comum nos indivíduos com idade superior a 50 anos e foi igualmente mais frequente nos indivíduos que já tinham um aneurisma quando foram incluídos no estudo.
  • O risco estimado de um novo aneurisma da aorta aos 25 anos foi de 26%. Este valor é 86 vezes superior ao da população em geral. O risco foi particularmente elevado nos indivíduos que tinham uma estenose da válvula aórtica.
  • O risco estimado aos 25 anos de necessidade de uma cirurgia aórtica devido a problemas ao nível da válvula foi de cerca de 25%. Além disso, mais de metade das pessoas incluídas no estudo poderiam esperar necessitar ser submetidas a uma substituição da válvula durante o período de 25 anos.

Este estudo proporciona informações importantes para as pessoas que têm uma válvula aórtica bicúspide. Ele revela igualmente o motivo pelo qual as pessoas com este defeito valvular necessitam de cuidados médicos regulares. A realização de exames que permitem detetar a presença de um aneurisma de novo ou em expansão pode conduzir a uma intervenção cirúrgica que previne a ocorrência de uma dissecção aórtica. E isto pode salvar a vida da pessoa.

Que alterações poderei fazer agora?

Se lhe tiverem dito que tem um sopro cardíaco ou uma malformação cardíaca congénita, certifique-se de que compreende os detalhes do seu problema. Muitos sopros são considerados “inocentes”. Isto significa que eles não se encontram associados a qualquer problema de saúde importante. Alguns sopros parecem desaparecer ao longo do tempo, enquanto outros necessitam de monitorização e tratamento, incluindo uma intervenção cirúrgica.

Consulte o seu médico se tiver sintomas que possam estar relacionados com um problema numa válvula cardíaca, incluindo uma válvula aórtica bicúspide. Estes incluem:

  • Fadiga
  • Dor no peito
  • Palpitações
  • Dispneia (falta de ar)
  • Desmaios inexplicados.

Os médicos geralmente utilizam um ecocardiograma para diagnosticar uma válvula aórtica bicúspide. Este exame consiste numa ecografia que permite medir o tamanho das câmaras cardíacas e da aorta. Esta é igualmente uma boa forma de observar a estrutura e o número das valvas.

Se lhe tiver sido dito que tem uma válvula aórtica bicúspide, certifique-se de que o comunica a todos os seus médicos. Em seguida, siga o conselho dos médicos relativamente à forma como deve monitorizar e tratar este problema. Isto pode incluir:

  • Consultas médicas regulares
  • Ecocardiogramas regulares
  • Medicamentos para ajudar o coração a trabalhar melhor ou para reduzir a retenção de líquidos
  • Cirurgia, incluindo a substituição da válvula ou a reparação de um aneurisma aórtico ou de uma dissecção aórtica.

Esta situação pode apresentar uma incidência familiar (atingir vários membros da mesma família). Deste modo, as mulheres com uma válvula aórtica bicúspide que estão a planear ter filhos devem comunicar esta situação ao obstetra. Pode ser apropriada a realização de exames mais frequentes e detalhados ao feto.

O que poderei esperar ao olhar para o futuro?

Sabe-se pouco sobre o motivo pelo qual as pessoas nascem com uma válvula aórtica bicúspide. Também não é possível predizer quem irá desenvolver problemas em consequência desta situação. Atendendo a que pode apresentar uma incidência familiar, os testes genéticos podem revelar-se úteis no futuro. A pessoa pode igualmente esperar que os investigadores descubram melhores formas de predizer quem tem uma maior probabilidade de vir a apresentar problemas e quem tem um risco baixo.

Não é fácil ter uma válvula aórtica bicúspide. Uma vez diagnosticado este problema, muitas pessoas vivem com o receio de terem de enfrentar subitamente um problema de saúde grave. No futuro, a investigação pode ajudar a esclarecer qual a forma ideal de monitorizar e tratar as pessoas que sofrem deste problema. E mais conhecimentos podem igualmente permitir que algumas pessoas com este defeito cardíaco se preocupem menos com esta situação.

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