Aborto

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. Hugo  Dias

Validação Científica:

Prof. João Bernardes

O que é?

Um aborto é um embrião ou feto que se exterioriza antes das 22 a 24 semanas e um abortamento é o processo que leva á exteriorização de um aborto, correspondendo normalmente à perda de uma gravidez. O termo é geralmente usado quando a perda ocorre antes do feto ser capaz de sobreviver fora do útero, ou seja, antes das 22 a 24 semanas de gestação. Outros termos que são usados para estas perdas incluem aborto espontâneo e falência precoce da gravidez.

Cerca de 15 a 20% das gravidezes conhecidas terminam num abortamento. A maior parte dos abortamentos ocorrem antes da gravidez atingir as 12 semanas. Nas primeiras semanas de gravidez pode ocorrer um abortamento pelo facto do ovo fertilizado não formar adequadamente um feto. Em muitos casos, a actividade do coração fetal pára dias ou semanas antes de surgirem os sintomas de abortamento.

Um sinal comum de abortamento é a hemorragia, embora nem todas as gravidezes com hemorragia terminem num abortamento.

Na época em que não existia a ecografia, um abortamento era diagnosticado quando o corpo da mulher expelia a totalidade ou parte do feto, a placenta e o líquido que envolve o bebé. Actualmente, a ecografia pode identificar uma perda de gravidez antes do corpo ter iniciado o processo de expulsão.

Os abortamento e os possíveis abortamento são classificados de diversas maneiras:

  • Ameaça de abortamento — Considera-se que existe uma ameaça de abortamento quando ocorre uma hemorragia uterina antes das 22 semanas de gestação mas o colo do útero está fechado e existe evidência de actividade cardíaca fetal mantida.
  • abortamento inevitável – Um abortamento é considerado inevitável (não consegue ser interrompido), se existir hemorragia do útero e o colo do útero estiver a abrir antes das 22 semanas de gestação, mas nem a placenta nem o feto tiverem sido expelidos do corpo da mulher. As membranas em volta do feto podem ter ou não sofrido ruptura.
  • abortamento incompleto — Um abortamento é incompleto quando uma porção do feto ou da placenta foi eliminado do útero antes das 22 semanas de gestação, mas uma parte da placenta ou do feto permanece dentro do útero.
  • abortamento completo — Um aborto é considerado completo se o feto, todas as membranas envolventes e a placenta tiverem sido completamente expelidos e o colo do útero encerrar antes das 22 semanas de gestação.
  • abortamento retido — Um aborto retido refere-se a uma situação em que o feto morreu antes das 22 semanas de gestação mas nem o feto nem a placenta foram expelidos do útero.
  • abortamento recorrente — Uma mulher é considerada como tendo abortos recorrentes depois de ter tido três ou mais abortos seguidos. Aproximadamente 1% das mulheres apresentam abortos recorrentes.
  • Gestação anembriónica — Esta situação ocorre quando se forma um saco gestacional no interior do útero mas não existe feto presente ao fim de sete semanas de gestação.

Se uma gravidez terminar depois das 22 semanas de gestação, não é considerado um abortamento. O feto nasce e, se não estiver vivo, o evento é denominado nado-morto.

Os problemas ao nível dos cromossomas fetais são responsáveis por aproximadamente 50% dos abortamentos. Os cromossomas são cadeias longas de ADN, cada uma delas contendo milhares de genes. Estes, por sua vez, proporcionam as instruções para as proteínas e outras moléculas que criam, modelam e comandam o nosso organismo e a nossa saúde.

Na maior parte dos casos, as anomalias dos cromossomas que causaram um abortamento não reflectem a presença de uma anomalia em qualquer dos progenitores. Elas reflectem problemas que se desenvolveram na altura em que o óvulo ou o espermatozóide se desenvolveram ou na altura em que a fertilização e a divisão precoce do ovo fertilizado tiveram lugar. Neste caso, quando o aborto se encontra relacionado com anomalias cromossómicas, muitos especialistas consideram que esta é uma forma do organismo terminar uma gravidez que não se está a desenvolver normalmente.

Em determinadas circunstâncias pouco habituais, os abortamentos podem ocorrer se existirem problemas ao nível da estrutura interna do útero ou da função do colo do útero.

Infecções como a rubéola foram associadas a abortos. Isto levou algumas pessoas a questionarem se existem outras infecções que possam causar uma perda precoce da gravidez, mas foram confirmadas poucas associações. Alguns especialistas sugeriram igualmente que os desequilíbrios hormonais podem resultar num aborto, mas a identificação de anomalias específicas tem sido difícil.

Em casos raros, o sistema imunitário de uma mulher parece reagir contra os tecidos gravídicos, o que resulta num abortamento. Globalmente, os distúrbios do sistema imunitário parecem ser responsáveis por muito poucos abortos mas, nas mulheres que sofreram três ou mais abortamentos seguidos (abortamentos recorrentes), as doenças do sistema imunitário são responsáveis por 5 a 10% destas perdas. Um problema bastante comum que pode conduzir a abortos recorrentes é denominado “síndrome de anticorpos anti-fosfolípidos”.

Em muitos casos, não é identificada uma causa para o abortamento.

Manifestações clínicas

Os sintomas de abortamento incluem:

  • Uma hemorragia vaginal que pode iniciar-se sob a forma de um corrimento acastanhado. Quando a hemorragia é profusa, podem surgir coágulos de sangue ou eliminação de outros tecidos através da vagina. No entanto, nem todas as hemorragias durante uma gravidez indicam que está a ocorrer um abortamento.
  • Cólicas ou outra dor na área pélvica, na região lombo-sagrada ou no abdómen.
  • Uma diminuição dos sinais usuais da fase inicial da gravidez, tais como as náuseas e a hipersensibilidade mamária. No entanto, este tipo de sintomas geralmente desaparece nas gravidezes saudáveis. Assim, o seu desaparecimento apenas raramente significa um abortamento.

Além da possibilidade de abortamento, a dor ou a hemorragia vaginal durante a gravidez podem ser causadas por outros problemas, tais como uma gravidez tubária (ectópica). Estes sintomas devem justificar sempre que a grávida consulte imediatamente o seu médico.

Diagnóstico

No caso de se suspeitar de um abortamento ou após a sua ocorrência, o médico irá proceder a um exame ginecológico para avaliar o tamanho do útero e para determinar se o colo do útero se apresenta aberto ou fechado. No caso de estar em curso um abortamento, o colo do útero apresenta-se geralmente aberto e a gravidez não irá sobreviver. Se o aborto já tiver ocorrido, o colo do útero pode apresentar-se aberto ou fechado, dependendo dos tecidos da gravidez terem sido ou não eliminados do útero.

São geralmente realizadas análises de sangue para verificar o tipo de sangue da mulher e para avaliar o nível de gonadotrofina coriónica humana (beta-hCG), uma hormona libertada pela placenta para o corpo quando a mulher está grávida. Se o nível da hormona da gravidez no organismo estiver baixo ou se os doseamentos repetidos revelarem que o nível diminuiu ao longo do tempo, este é um sinal de que a mulher pode ter sofrido um abortamento.

Em muitos casos em que os sintomas indicam um abortamento, a avaliação irá incluir uma ecografia. Este exame é usado para identificar se o feto se encontra presente ou se o coração fetal está a bater. Juntamente com os resultados das análises de sangue, os resultados da ecografia podem ajudar o médico a avaliar a saúde de uma gravidez e a considerar outros diagnósticos, por exemplo, uma gravidez tubária.

Se os tecidos da gravidez tiverem sido eliminados pela vagina, a mulher pode levá-los ao médico num frasco de vidro ou numa caixa de plástico com uma tampa bem fechada. Pode ser útil que o médico inspeccione este tecido, embora este não seja um passo essencial para o diagnóstico de um abortamento. Em alguns casos, este tecido pode ser enviado para um laboratório para ser examinado ao microscópio.

Evolução clínica

Uma vez iniciada a hemorragia e começado o aborto ou diagnosticada a perda (por exemplo, um aborto incompleto ou retido), é difícil de prever durante quanto tempo se irá prolongar a hemorragia e quanto tempo irá demorar para que todos os tecidos sejam eliminados ou mesmo se irão ser todos eliminados sem necessidade de assistência. Em muitos casos, todos os tecidos da gravidez irão ser eliminados sem intervenção. Nestes casos, a hemorragia e as cólicas irão diminuir gradualmente ao longo de uma a duas semanas. Os abortamentos que ocorrem no segundo trimestre podem ser seguidos por uma duração mais prolongada de hemorragia. Quando são usados medicamentos ou procedimentos para remover os tecidos, os tratamentos específicos usados e a altura em que são utilizados irão determinar a duração dos sintomas.

Prevenção

Se estiver prestes a ocorrer um abortamento, a grávida geralmente não o consegue impedir. No passado, se existisse uma hemorragia numa fase inicial da gravidez e fosse efectuado o diagnóstico de ameaça de aborto, seria recomendada uma redução da actividade ou mesmo o repouso no leito. Actualmente, a maior parte dos médicos reconhece que existe pouca evidência a favorecer estas medidas ou mesmo qualquer outra intervenção, para redução do risco de abortamento.

No entanto, a grávida pode ser capaz de diminuir a probabilidade de ter um abortamento numa futura gravidez se tomar cuidado consigo própria, se ingerir uma dieta saudável, se tomar suplementos de ácido fólico, se praticar exercício físico moderado e se evitar o álcool e o tabaco. Se a mulher tiver alguma doença quando engravidar, é importante falar com o médico para criar um plano de tratamento que mantenha a mãe e feto tão seguros e saudáveis quanto possível. Salienta-se que o aborto não é causado por actividades físicas regulares, por acidentes ligeiros, pelo exercício físico, pelas relações sexuais ou por tropeções ou quedas ligeiras.

Se uma mulher tiver sofrido vários abortamentos seguidos, o médico pode recomendar que ela e o seu parceiro sejam submetidos a uma avaliação detalhada para ajudar a identificar, se possível, as razões para o abortamentos recorrente.

Tratamento

Se uma mulher tiver um aborto retido ou incompleto numa fase inicial da gravidez, existem três opções para o tratamento. A primeira opção envolve aquilo que é frequentemente denominado de “tratamento conservador ou atitude expectante”: vigiar cuidadosamente os problemas mas permitir que os tecidos sejam eliminados espontaneamente.

Se a hemorragia foi profusa, a dor intensa ou se a vigilância armada não parecer adequada, a mulher e o seu ginecologista/obstetra podem optar pela realização de uma cirurgia denominada dilatação e curetagem que consiste em abrir suavemente o colo do útero para remover os tecidos fetais remanescentes do útero.

Uma terceira opção para o tratamento das perdas durante o primeiro trimestre envolve a utilização de medicamentos colocados na vagina (mais frequentemente pela própria mulher no domicílio) para promover a eliminação dos tecidos. Esta última opção significa que existe um tempo de espera mais reduzido do que na vigilância armada e, na maior parte dos casos, evita procedimentos como a dilatação e curetagem. A mulher deve discutir em conjunto com o médico qual a opção mais adequada para si.

Nas perdas depois do primeiro trimestre (depois das primeiras 12 semanas), a dilatação e curetagem ou a indução do trabalho de abortamento para promover a eliminação da gravidez é frequentemente recomendada. Estes procedimentos durante o segundo trimestre podem requerer um internamento hospitalar mais prolongado do que o necessário para tratar as perdas durante o primeiro trimestre.

Quando contactar um médico

Uma grávida deve consultar imediatamente o médico que está a vigiar a gravidez se tiver sintomas sugestivos de abortamento, tais como uma hemorragia vaginal ou dores persistentes na região pélvica, no abdómen ou na região lombar.

Prognóstico

A probabilidade de uma mulher ter outro abortamento depende da causa do primeiro. Uma vez que, os abortos ocorrem em 15 a 20% das gravidezes, mesmo um casal saudável tem uma probabilidade de 15 a 20% de abortamento em qualquer gravidez.

A recomendação geral para tentar engravidar depois de um abortamento é de aguardar aproximadamente dois ou três meses antes de procurar conceber novamente, mas se a concepção ocorrer mais cedo, não existe um aumento acentuado do risco. Em muitos casos, a resposta à pergunta “quando tentar novamente” não se encontra relacionada com o corpo da mulher mas com a recuperação emocional depois de ter suportado a perda associada ao abortamento.

É normal e comum que a mulher se sinta triste, pesarosa e deprimida depois de um abortamento. O médico pode sugerir recursos para obter apoio durante este período difícil.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Ginecologia

http://www.spginecologia.pt/

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