Gravidez – O início

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Dr. Nuno Ferreira

Validação Científica:

Prof. João Bernardes

Durante as primeiras semanas depois de saber que a sua parceira está à espera de bebé, pode parecer difícil de acreditar que vai realmente ser pai! Enquanto aguarda ansiosamente pela chegada do bebé, este está a sofrer alterações miraculosas a uma velocidade surpreendente.

Embora a sua parceira tenha a extraordinária responsabilidade de suportar o crescimento e desenvolvimento do bebé ao longo dos próximos nove meses, existe um grande número de formas importantes através das quais pode igualmente participar. Uma das mais importantes consiste em compreender o que está a acontecer tanto ao corpo da sua parceira como no que respeita ao crescimento e desenvolvimento do bebé. A compreensão destas alterações irá permitir-lhe antecipar e participar em decisões importantes ao longo da gravidez.

O primeiro trimestre — 0-14 semanas

A gravidez é dividida em três períodos de tempo iguais, denominados “trimestres”. Durante o primeiro trimestre, tenha o cuidado de mimar a sua parceira. Encoraje-a a dormir a sesta, a comer bem e a praticar um estilo de vida saudável. Muitas mulheres sentem-se incomodadas pela presença de náuseas e/ou vómitos durante o primeiro trimestre de gravidez. Ajude a sua parceira a evitar os enjoos matinais encorajando-a a ingerir refeições pequenas e frequentes. Procure identificar determinados factores, tais como os ruídos e os odores que desencadeiam as náuseas. Não se preocupe se ela não conseguir comer muito. A gravidez encontra-se bem protegida e é muito pouco provável que esta seja prejudicada neste estádio pelo facto da mulher não comer o suficiente. Não faça com que a sua parceira se sinta mal ou culpada se não conseguir comer. Uma das piores coisas que pode fazer é forçá-la a comer quando se encontra nauseada.

O médico da sua parceira irá ficar satisfeito se a acompanhar às consultas, especialmente se tiver perguntas a fazer. Embora os horários apertados o possam impedir de comparecer a muitas consultas, pode fazer um esforço especial para ir à consulta das 10-14 semanas, altura em que poderá ouvir, pela primeira vez, os batimentos cardíacos do bebé e quando da realização das ecografias programadas. As consultas numa fase mais avançada da gravidez poderão ser mais curtas e menos excitantes, mas será sempre bem-vindo.

O segundo trimestre — 14-28 semanas

O segundo trimestre da gravidez constitui uma boa altura para começar a frequentar aulas de preparação para o parto e para escolher um médico para prestar os cuidados pediátricos (um pediatra ou um médico de família) ao seu bebé. Se estiverem ambos a trabalhar e dispuserem de seguros de saúde, pode igualmente decidir qual o plano que irá cobrir o bebé. Uma das primeiras e mais importantes decisões que o casal tem de enfrentar durante o segundo trimestre de gravidez será decidir se irá ou não efectuar um rastreio de malformações congénitas ou de uma doença genética. Embora as malformações congénitas possam ser identificadas em até 3% dos recém-nascidos, muitas destas alterações são ligeiras e não têm qualquer efeito sobre a saúde e o bem-estar a longo prazo do bebé. No entanto, algumas malformações congénitas podem ter consequências mais importantes como, por exemplo, as doenças cardíacas. As doenças genéticas incluem situações como a síndrome de Down, na qual as células e os órgãos do bebé têm um cromossoma adicional. Os cromossomas são agregados de ADN ― o projecto do nosso corpo ― que se encontram em todas as células do organismo. Normalmente, temos 46 cromossomas, 23 provenientes do espermatozóide do pai e 23 do óvulo da mãe. Raramente, existe um número excessivamente elevado ou excessivamente reduzido de cromossomas no bebé. Uma gravidez com um número anormal de cromossomas torna-se mais comum à medida que as mulheres envelhecem. Esta é a razão, por exemplo, pela qual é proporcionada às mulheres com mais de 35 anos a possibilidade de efectuarem uma amniocentese ― um exame no qual é inserida uma agulha através do abdómen da mãe para remover uma pequena quantidade do líquido que envolve o bebé, permitindo aos médicos proceder a uma contagem do número de cromossomas.

Ao contrário da amniocentese, os exames de rastreio não têm por objectivo indicar, de forma segura, se se encontra presente uma malformação congénita ou uma doença genética, mas têm por objectivo ajudar os pais a decidir se o risco de um problema deste tipo é mais elevado ou mais baixo do que o risco estimado com base exclusivamente na idade da mulher e na sua história clínica. Os exames de rastreio incluem a ecografia, que pode evidenciar diferenças no bebé, que levam as pessoas que cuidam da grávida a ficar preocupadas com a possibilidade de existirem problemas com a gravidez e análises do sangue da mãe para procurar alterações químicas subtis numa gravidez com uma malformação congénita ou uma anomalia genética. No entanto, um rastreio “positivo” não significa que existe um problema com o bebé. É importante recordar este facto. Um exame de rastreio positivo significa apenas que o casal necessita de ponderar a realização de outros exames, tais como uma amniocentese ou uma ecografia especializada para ajudar a determinar se um possível problema se encontra realmente presente. Muitas gravidezes nas quais uma análise de sangue ou uma ecografia suscitam preocupações irão revelar-se isentas de complicações após a realização de exames adicionais.

Existem muitos factores a ter em consideração ao decidir realizar exames como uma ecografia ou um rastreio de um marcador sanguíneo (frequentemente denominado por alfa-fetoproteína ou teste triplo ou quadruplo). Alguns casais querem ter conhecimento dos problemas antecipadamente, de forma a poderem preparar-se a si próprios e à sua família. Outros irão querer ponderar se é preferível terminar a gravidez no caso de existir uma malformação congénita grave. Por outro lado, alguns casais, com base nas suas experiências, convicções e valores religiosos, irão optar por não realizar exames de rastreio uma vez que sabem que terminar a gravidez não constitui uma opção e que irão continuar a gravidez, independentemente da anomalia encontrada. Não existe uma resposta “certa”, apenas respostas que são mais apropriadas para diferentes indivíduos. Todas estas decisões irão provavelmente situar-se entre as mais difíceis que o casal alguma vez teve de enfrentar em conjunto. O médico e a parteira irão sentir-se satisfeitos por proporcionarem orientação no sentido de ajudar o casal a tomar uma decisão.

O segundo trimestre da gravidez pode igualmente constituir uma boa ocasião para falar com a sua parceira sobre as alterações ao nível da sexualidade. Algumas mulheres sentem-se mais sensuais durante a gravidez, enquanto outras notam que o seu desejo sexual diminui. O sexo durante a gravidez é normal e saudável para a maior parte das pessoas, desde que proporcione prazer a ambos os parceiros e que o obstetra não o desaconselhe. De facto, existem apenas algumas situações raras ou complicações da gravidez em que as relações sexuais constituem um problema.

Se o sexo for desconfortável para a sua parceira, experimente diferentes posições ou dê maior ênfase aos beijos, aos abraços e às carícias em alternativa às relações sexuais. Mais do que qualquer outra coisa, deve proporcionar apoio e compreensão relativamente às necessidades da sua parceira e às suas eventuais modificações.

O terceiro trimestre — 28-40 semanas

O terceiro trimestre da gravidez é um período de preparação. O terceiro trimestre constitui uma boa altura para começar a frequentar aulas de preparação para o parto e para escolher um médico para prestar os cuidados pediátricos (um pediatra ou um médico de família) ao seu bebé. Se estiverem ambos a trabalhar e dispuserem de seguros de saúde, pode igualmente decidir qual o plano que irá cobrir o bebé.

Quando a sua parceira ultrapassar as 36 semanas de gestação (quatro semanas antes da dada prevista para o parto), deve certificar-se de que o número de telefone do obstetra se encontra perto de telefone e de que sabe qual o momento adequado para telefonar. Verifique qual o melhor caminho para o hospital ou para a maternidade e quais os procedimentos para proceder ao internamento. Se viajar, a sua parceira deve saber como o contactar em qualquer momento.

Este é igualmente um bom momento para rever as responsabilidades como “instrutor” que aprendeu nas aulas de preparação para o parto. Irá pôr em prática estas aptidões dentro de muito pouco tempo!

Gravidez masculina?

Tem dores nas costas? Sente náuseas, fadiga, aumento de peso ou um desejo fora do habitual de comer determinados alimentos? Se assim acontecer, o seu caso não é único. Os estudos mostram que muitos futuros pais sentem sintomas semelhantes aos associados à gravidez.

Violência doméstica

A gravidez constitui um período em que ocorrem enormes alterações físicas e emocionais, tanto em si próprio como na sua parceira. De facto, a maior parte das pessoas ficam muito ansiosas. É importante recordar que é responsável pelo seu comportamento, independentemente das circunstâncias, e que nunca é aceitável agredir ou ameaçar física, verbal ou sexualmente a sua parceira. Isso pode constituir uma ameaça tanto para a sua parceira como para o bebé, podendo pôr em risco a saúde do seu filho. Se sentir que pode agredir a sua parceira, obtenha ajuda imediatamente. As preocupações relacionadas com estas questões devem ser tratadas como uma emergência.

Informação adicional
Sociedade Portuguesa de Ginecologia e Obstetricia
http://www.spginecologia.pt/Direcção Geral de Saúde
http://www.dgs.pt/

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