A soja é considerada inútil na menopausa

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Tradão e Edição de Imagem Científica:

 


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Um estudo recente revela que os suplementos de soja não reduzem os afrontamentos nem mantêm a resistência óssea nas mulheres após a menopausa. De facto, as mulheres do estudo que receberam soja acabaram por apresentar mais afrontamentos. O estudo incluiu 248 mulheres com idade compreendida entre os 45 e os 60 anos. Todas elas já tinham passado a menopausa. Elas foram distribuídas aleatoriamente por dois grupos. Um grupo recebeu suplementos contendo isoflavonas, uma componente da soja, durante dois anos. O outro grupo recebeu comprimidos de placebo (comprimidos sem substância ativa). No final do estudo, não se observou qualquer diferença entre os grupos no que respeita à maior parte dos sintomas de menopausa. Mas praticamente metade do grupo da soja tinha afrontamentos, em comparação com um terço do grupo do placebo. A perda óssea na coluna foi semelhante em ambos os grupos. Mas, nas mulheres com níveis baixos de vitamina D, as que receberam comprimidos de soja tinham realmente uma menor perda óssea. A revista Archives of Internal Medicine publicou o estudo e a HealthDay News escreveu sobre ele em 8 de agosto.

Qual é a reação do médico?

Há pouco tempo atrás, a soja parecia ser a solução para as mulheres que entravam na menopausa. A soja foi promovida como uma forma segura de as mulheres manterem os ossos fortes e diminuírem os afrontamentos. A proteína da soja é segura e saudável para o coração.

Mas agora sabemos que não apresenta benefícios especiais para as mulheres.

O entusiasmo pela soja começou quando as pessoas notaram que as mulheres asiáticas apresentavam um menor risco de doença coronária e de fraturas em comparação com as mulheres ocidentais. Como é frequentemente o caso, os investigadores procuraram analisar as diferenças na dieta.

As mulheres asiáticas comem habitualmente mais soja do que as mulheres ocidentais. A soja contém substâncias químicas denominadas isoflavonas. Elas são conhecidas por terem efeitos semelhantes aos estrogénios.

Os primeiros estudos realizados na população apoiaram os benefícios da soja nas mulheres antes e depois da menopausa. Os estudos sugeriram que as mulheres que ingeriam regularmente produtos com soja tinham menos afrontamentos e um menor risco de desenvolverem osteoporose. Este aparente poder da soja foi atribuído aos seus efeitos semelhantes aos dos estrogénios.

Os investigadores começaram a avaliar os dados científicos subjacentes às isoflavonas. Estas substâncias químicas ligam-se aos mesmos “recetores” de uma célula a que se ligam os estrogénios. Assim, elas atuam de forma semelhante aos estrogénios, mas com duas diferenças importantes. As isoflavonas apresentam um efeito semelhante ao dos estrogénios fraco. Mas também ocupam um recetor, pelo que os estrogénios naturais não se podem ligar a ele. Desta forma, elas têm igualmente um efeito antiestrogénico fraco.

Com um pequeno número de exceções, os ensaios clínicos mais recentes não revelaram qualquer diferença na saúde óssea ou no número de afrontamentos nas mulheres que tomam suplementos de soja. Elas foram comparadas com mulheres que tomaram suplementos falsos (placebos). Este tipo de estudos é considerado a melhor forma de testar se um tratamento é eficaz.

Os defensores da soja atribuíram os resultados às doses baixas de isoflavonas utilizadas nos ensaios clínicos. Para responder a esta questão, os investigadores que efetuaram este novo ensaio clínico optaram por utilizar uma dose relativamente elevada. A dose utilizada foi cerca de o dobro da quantidade de isoflavonas presentes numa dieta asiática típica.

As mulheres do estudo tinham idade compreendida entre os 45 e os 60 anos. Metade recebeu isoflavonas extraídas da proteína da soja. A outra metade recebeu um placebo.

Ao fim de dois anos, não se observou diferença na densidade óssea. Surpreendentemente, as mulheres que receberam isoflavonas referiram mais afrontamentos do que as que receberam placebo. Elas notaram igualmente que tinham mais obstipação.

Que alterações poderei fazer agora?

A proteína da soja constitui uma fonte muito saudável de proteínas. Mas não deve ser considerada um tratamento para os sintomas de menopausa nem uma forma de prevenir a osteoporose.

O tratamento mais eficaz para os afrontamentos consiste na administração de estrogénios. Na maior parte das mulheres, a utilização a curto prazo de estrogénios em doses baixas tem um risco baixo. As mulheres com um risco médio de cancro da mama não têm um aumento desse risco se tomarem estrogénios sem progesterona durante menos de cinco anos. Os estrogénios não causam doença coronária se forem tomados no início da menopausa ou pouco depois dela. De facto, podem mesmo ajudar a irrigação sanguínea do coração.

A principal preocupação com os estrogénios é o risco aumentado de formação de coágulos sanguíneos. Isto é real, mas o risco é relativamente baixo para as mulheres que não têm um risco elevado de formação de coágulos sanguíneos por outros motivos.

Alguns medicamentos que não são baseados em hormonas ajudam a diminuir os afrontamentos em algumas mulheres.

  • O Bellergal é uma combinação de beladona e fenobarbital. Este é o único medicamento para além dos estrogénios que a U. S. Food and Drug Administration aprovou para o tratamento dos afrontamentos. Este medicamento foi popular no passado. No entanto, não é muito eficaz e os médicos não o prescrevem com frequência atualmente.
  • A fluoxetina, a paroxetina, o citalopram e outros antidepressivos do grupo conhecido por inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS)
  • A venlafaxina, um antidepressivo inibidor da recaptação de serotonina-noradrenalina (semelhante aos ISRS)
  • A gabapentina, um medicamento antiepilético utilizado principalmente para tratar a dor crónica (de longa duração)
  • A clonidina, um medicamento utilizado para tratar a pressão arterial elevada e para o tratamento da síndrome de privação dos narcóticos.

Os efeitos secundários destes medicamentos são frequentemente piores do que os afrontamentos.

O que poderei esperar ao olhar para o futuro?

O motivo exato para os afrontamentos e para os suores noturnos ocorrerem quando os níveis de estrogénios descem com a menopausa é desconhecido. Isto faz com que a descoberta de uma boa alternativa para os estrogénios seja considerada um desafio.

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