Esclerose múltipla

Fonte: 

Tradão e Edição de Imagem Científica:

Adaptação Científica:

Drª. Ana Correia

Validação Científica:

Dr. João de Sá

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Leia aqui o artigo:

O que é?

A esclerose múltipla é uma doença neurológica incapacitante que afecta o sistema nervoso central (encéfalo e medula espinhal). Esta doença é geralmente progressiva, o que significa que se agrava ao longo do tempo.

As células nervosas são normalmente envolvidas por uma bainha isoladora denominada mielina, que ajuda a transmitir os impulsos nervosos.

Na esclerose múltipla, a bainha de mielina fica inflamada ou danificada, o que perturba ou atrasa a condução dos impulsos nervosos. A inflamação deixa áreas de cicatrização denominadas esclerose. A esclerose múltipla pode lesar também as células nervosas (neurónios), além do revestimento de mielina.

A perturbação da condução dos impulsos nervosos na esclerose múltipla provoca diversos sintomas. Pode afectar a visão, a capacidade para mover partes do corpo e a sensibilidade (como é o caso da sensibilidade dolorosa e da táctil).

Os sintomas geralmente são intermitentes no início da doença. Os períodos em que os sintomas se agravam subitamente são denominados surtos e alternam com períodos em que os sintomas melhoram, denominados remissões.

Muitas pessoas apresentam uma longa história de surtos de esclerose múltipla ao longo de várias décadas. Nestes casos, a doença pode agravar-se por etapas, quando ocorrem os surtos. Noutros indivíduos, a doença agrava-se de forma progressiva e, numa minoria de doentes, a esclerose múltipla tem uma evolução quase imperceptível e os doentes passam anos sem surtos.

Os cientistas pensam que a esclerose múltipla é uma doença auto-imune, o que significa que o sistema imunitário ataca erradamente o próprio corpo do doente. Neste caso, são atacadas as bainhas de mielina dos nervos.

Nalguns casos, o factor desencadeante para um surto de esclerose múltipla parece ser uma infecção viral. Outras situações de stress físico ou emocional podem ser também responsáveis pelo surto. A altura da ocorrência, a duração e as lesões provocadas pelos surtos de esclerose múltipla são imprevisíveis.

Os sintomas de esclerose múltipla geralmente começam antes dos 40 anos de idade, mas a doença também pode surgir entre os 40 e os 60 anos. As pessoas com familiares próximos que sofrem de esclerose múltipla têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Esta patologia atinge duas a três vezes mais as mulheres do que os homens.

Manifestações clínicas

Os sintomas de esclerose múltipla variam, dependendo das áreas do cérebro e da medula espinhal que são afectadas.

A esclerose múltipla pode causar:

  • perda súbita de visão
  • visão turva ou dupla
  • fala arrastada, dificuldade na articulação das palavras
  • diminuição da força, especialmente de um dos lados do corpo
  • marcha instável, perda do equilíbrio
  • perda de coordenação
  • tremores das mãos quando o doente tenta realizar um movimento
  • cansaço extremo
  • sintomas faciais, incluindo entorpecimento, fraqueza ou dor
  • micções imperiosas e frequentes, perda de controlo da bexiga (incontinência urinária)
  • incapacidade para esvaziar a bexiga
  • obstipação (“prisão de ventre”)
  • formigueiros, dor, entorpecimento ou diminuição da sensibilidade nos braços, nas pernas ou noutras zonas do corpo
  • fraqueza ou sensação de peso nos braços ou nas pernas.

Diagnóstico

O médico irá procurar identificar alterações no exame neurológico, incluindo:

  • alterações visuais
  • dificuldade na marcha
  • dificuldade em coordenar os movimentos corporais
  • fraqueza muscular
  • tremores nas mãos
  • perda da sensibilidade.

Para confirmar o diagnóstico, o médico irá provavelmente pedir uma ressonância magnética nuclear (RMN). Este exame irá verificar se existe inflamação e destruição da bainha de mielina no cérebro e na medula espinhal.

Outros exames diagnósticos incluem:

  • um exame ocular por um oftalmologista
  • exames especiais denominados potenciais evocados, que registam a actividade eléctrica do cérebro gerada por um estímulo periférico num órgão sensorial. Na esclerose múltipla os potenciais evocados visuais são os mais úteis.
  • uma punção lombar, para colheita de líquido cefalorraquidiano (este exame permite a recolha do líquido que envolve a medula e o cérebro através de uma agulha que é inserida entre as vértebras lombares). Este líquido pode revelar tipos anormais de proteínas denominadas imunoglobulinas que constituem um achado característico da esclerose múltipla.

Evolução clínica

A esclerose múltipla é uma doença crónica para toda a vida que pode apresentar vários padrões evolutivos diferentes.

Os três padrões mais comuns observados nos doentes com esclerose múltipla são os seguintes:

  • Esclerose múltipla recorrente-remitente ou surto-remissão. Existem surtos (episódios em que os sintomas se agravam subitamente), seguidos por remissões (períodos de recuperação). Entre os surtos, o estado do doente geralmente mantém-se estável, sem deterioração. Este padrão corresponde à grande maioria dos casos na fase inicial da doença. Cerca de metade das pessoas com a forma recorrente-remitente entra, com o passar do tempo, numa fase secundariamente progressiva (descrita mais abaixo).
  • Esclerose múltipla primariamente progressiva. Os sintomas agravam-se gradualmente e de forma contínua. Não existem episódios definidos de surtos e de remissões.
  • Esclerose múltipla secundariamente progressiva. Um doente que tinha inicialmente a forma surto-remissão da doença começa a apresentar uma deterioração gradual da função neurológica. Isto pode ocorrer com ou sem surtos.

Prevenção

Não existe forma de prevenir a esclerose múltipla.

Tratamento

Não existe cura para a esclerose múltipla.

O tratamento dos doentes com esclerose múltipla inclui o tratamento dos sintomas, o tratamento dos surtos e a terapêutica modificadora da história natural da doença.

Terapêutica sintomática (alivia os sintomas da esclerose múltipla):

  • Espasticidade – a rigidez e os espasmos musculares podem ser incapacitantes nos doentes com esclerose múltipla com uma lesão da medula espinhal. Para a espasticidade pode ser prescrito um relaxante muscular (como o baclofeno ou a tizanidina) ou uma benzodiazepina.
  • Tremor – Pode diminuir com a utilização de clonazepam, propranol ou primidona.
  • Disfunção da bexiga – a disfunção da bexiga é comum nos doentes com uma lesão da medula espinhal secundária à esclerose múltipla. O seu tratamento inclui o uso de fármacos (como a oxibutinina) e a auto-algaliação.
  • Depressão – este é um problema comum nos doentes com esclerose múltipla, que pode ser tratado recorrendo a antidepressivos e psicoterapia.
  • Disfunção sexual – As perturbações da função sexual são frequentes nos doentes com lesões da medula, podendo estar relacionadas com causas psíquicas, com a perda da sensibilidade e força muscular e com a espasticidade e dor. Pode ser prescrito sildenafil, tadalafil ou vardenafil.
  • Outros sintomas – os medicamentos anticonvulsivantes diminuem o risco de convulsões repetidas e podem diminuir também outros sintomas neurológicos desconfortáveis que ocorrem durante os surtos de esclerose múltipla. Deste modo, os antiepilépticos (como a carbamazepina e a gabapentina) são úteis em caso de alterações da sensibilidade com formigueiros e dor, assim como alguns antidepressivos (como por exemplo, a amitriptilina).

Terapêutica dos surtos:

  • Medicamentos corticosteróides – Estes fármacos (nomeadamente a metilprednisolona) constituem o tratamento principal dos surtos de esclerose múltipla, sendo frequentemente administrados directamente por via endovenosa. Os corticosteróides parecem diminuir a duração dos surtos e podem acelerar a recuperação. Contudo, o seu efeito a longo prazo sobre a evolução da doença é desconhecido.

 

Terapêutica modificadora da história natural da doença (tratamentos que permitem a redução da frequência e da gravidade dos surtos e que atenuam a progressão da doença e o grau de incapacidade):

  • Interferão beta – Este medicamento é utilizado principalmente para tratar a esclerose múltipla recorrente-remitente. O interferão beta é administrado sob a forma injectável, quer por via intramuscular quer por via subcutânea. Os estudos demonstraram que o interferão beta pode diminuir a frequência e a gravidade dos surtos de esclerose múltipla, assim como o risco de progressão da doença e de incapacidade.
  • Acetato de glatirâmero – Este medicamento constitui um tratamento alternativo para a esclerose múltipla recorrente-remitente e é administrado diariamente por via subcutânea.
  • Natalizumab – Este tratamento é frequentemente prescrito quando as outras terapêuticas não são eficazes ou toleradas. Este medicamento bloqueia a entrada das células imunitárias no sistema nervoso central, o que pode prevenir a ocorrência de lesões. É administrado mensalmente por via endovenosa. Um efeito secundário raro mas preocupante pela sua gravidade é a possibilidade do fármaco activar um vírus que está presente em cerca de 60% da população na forma inactiva e cuja activação pode provocar uma infecção do sistema nervoso potencialmente fatal.
  • Outros medicamentos modificadores imunológicos – Podem ser utilizados outros medicamentos para controlar a doença, nomeadamente a mitoxantrona, a azatioprina, o metotrexato, a ciclofosfamida e as imunoglobulinas.

A reabilitação também desempenha um papel fundamental no tratamento dos doentes com esclerose múltipla, incluindo o treino da marcha, postura e equilíbrio, fortalecimento muscular, adaptação a canadianas ou cadeira de rodas, uso de ortóteses, treino de auto-algaliação, terapia da fala, terapia ocupacional e reabilitação cognitiva. O acompanhamento dos doentes deverá proporcionar também apoio emocional e social.

Quando contactar um profissional

Contacte o médico imediatamente se apresentar sintomas sugestivos de esclerose múltipla.

Prognóstico

Uma minoria de pessoas com esclerose múltipla apresenta uma forma relativamente benigna da doença mas a maioria dos doentes evidencia défices neurológicos ao longo do tempo.

A esclerose múltipla é uma doença progressiva que pode persistir durante décadas. O grau de progressão e a eventual incapacidade variam de doente para doente.

Informação adicional

Sociedade Portuguesa de Neurologia

Gabinete 404 M/76 – Centro de Escritórios do Chiado, Rua da Misericórdia, 76

1200-273 Lisboa

Telefone / Fax: +351- 213210112

spn.sec@spneurologia.org

http://cgmdesign.fatcow.com/spn/

Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla

Rua Zófimo Pedroso – 66   1950-291 Lisboa

Telefone: 218 650 480

Fax:218 650 489

E-mail:spem@spem.org

www.spem.org

Associação Nacional de Esclerose Múltipla (ANEM)
Rua Júlio Dinis, n.º 247 Gondomar 4420-481 Valbom GDM
Telefone: 22 463 19 85

Fax: 22 463 71 60

anem@anem.org.pt

http://www.anem.org.pt

Alto Comissariado da Saúde

http://www.acs.min-saude.pt/

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