Estudo: As hormonas prejudicam a perda de peso

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Tradão e Edição de Imagem Científica:

Leia aqui o artigo:

Um estudo recente verificou que, se uma pessoa perder muito peso, as hormonas do seu organismo irão aumentar o apetite durante pelo menos o ano seguinte. O estudo incluiu 50 adultos com excesso de peso ou obesos. Os investigadores colocaram-nos sob dieta estrita, não podendo ingerir mais de 550 calorias por dia. Eles utilizaram um plano de substituição das refeições e ingeriram igualmente vegetais. Esta dieta prolongou-se por oito semanas. Nas duas semanas seguintes, eles começaram gradualmente a ingerir novamente alimentos normais. O objetivo era perder pelo menos 10% do peso corporal. No total, 34 pessoas conseguiram alcançar esse objetivo e mantiveram-se no estudo durante um ano de seguimento. Em média, perderam 13,5 kg. As pessoas obtiveram aconselhamento sobre a forma de manterem o seu novo peso. Mas, um ano mais tarde, elas tinham recuperado uma média de 5,4 kg. Elas apresentavam igualmente alterações no sangue dos níveis de hormonas que afetam o apetite. Todas estas alterações tinham probabilidade de aumentar o apetite. Antes e depois da dieta, os investigadores perguntaram igualmente às pessoas até que ponto tinham fome depois das refeições. A maior parte das pessoas sentia-se com mais fome um ano após ter realizado a dieta. A revista The New England Journal of Medicine publicou o estudo e a Associated Press escreveu sobre ele em 27 de outubro.

Qual é a reação do médico?

Desde que as pessoas lutam contra a obesidade que existe controvérsia sobre a sua causa.

Uma ideia é que cada pessoa tem um “peso habitual”. Este é o peso em que o seu organismo parece estar “mais feliz”. É o peso que tende a apresentar se lhe for proporcionado acesso ilimitado aos alimentos de que gosta. Quando uma pessoa pesa menos do que esse peso habitual, tende a sentir fome. Quanto atinge ou ultrapassa esse peso habitual tende a sentir menos fome.

As hormonas podem desempenhar um papel importante neste processo. Elas podem determinar o peso habitual. E as hormonas podem constituir a forma que o seu organismo utiliza para transmitir ao cérebro que está com fome ou que está saciado.

Nos últimos anos, foram descobertas diversas hormonas que parecem influenciar o apetite. Por exemplo, a leptina e a colecistoquinina descem durante a perda de peso, enquanto outra hormona, a grelina, aumenta. Estas alterações estão associadas a um aumento do apetite e do peso. Se uma pessoa não continuar a fazer dieta, estas alterações hormonais podem encorajá-la a regressar novamente ao seu peso habitual.

O conceito de peso habitual suscita algumas questões:

  • O que determina o peso habitual de uma pessoa?
  • O peso habitual altera-se ao longo do tempo?
  • Será que as alterações hormonais afetam o peso habitual? Se assim for, esta alteração é temporária ou pode tornar-se permanente?
  • Porque é que as hormonas envolvidas na regulação do apetite variam de pessoa para pessoa?
  • Será que o aumento de peso ocorre devido a um peso habitual “errado”? Por outras palavras, será um peso habitual mais elevado do que o ideal a causa da obesidade?

Um estudo recente procurou avaliar se as alterações nas hormonas após uma perda de peso são prolongadas ou temporárias. O estudo incidiu na leptina, na colecistoquinina e na grelina. Estas hormonas foram medidas em 50 pessoas com excesso de peso ou obesas antes e depois de terem sido submetidas a uma dieta estrita. As pessoas perderam uma média de 13,5 kg em dez semanas.

Eis o que o estudo constatou:

  • As pessoas referiram sentir mais apetite depois de terem perdido peso.
  • As hormonas associadas a um aumento do apetite aumentaram após a perda de peso, enquanto as hormonas que suprimem o apetite diminuíram.
  • Estas alterações hormonais e o aumento do apetite ainda se encontravam presentes um ano mais tarde.

Estes achados sugerem que as alterações hormonais que ocorrem concomitantemente com a perda de peso não são temporárias. E estas alterações encorajam o aumento de peso.

Este achado apoia a teoria de que as hormonas desempenham um papel importante no controlo do peso próximo do peso habitual. Ele pode explicar o motivo pelo qual a perda de peso e a sua manutenção são tão difíceis. A forma como o organismo se adapta à perda de peso pode ser útil para uma pessoa magra que vive num local onde o acesso aos alimentos é limitado. Mas, nos países desenvolvidos, estas alterações acabam por desencorajar a perda do peso em excesso.

Estes achados podem desapontar as pessoas que lutam por perder peso. Mas existem igualmente boas notícias. Estamos a aprender a conhecer os sinais hormonais que controlam o apetite. Em dada altura podemos descobrir como modificar estas hormonas para suprimir o apetite.

Que alterações poderei efetuar agora?

Em primeiro lugar, evitar aumentar excessivamente de peso constitui a melhor abordagem. Calcule o seu índice de massa corporal (IMC). Se não apresentar o seu peso corporal ideal ou um valor próximo deste deve ajustar a ingestão de calorias com o número de calorias que queima para se manter com um peso saudável.

Infelizmente, existem 1,5 mil milhões de adultos com excesso de peso no mundo. Outros 400 milhões são obesos. A obesidade na infância constitui igualmente um problema crescente.

Uma pessoa pode tomar medidas para evitar juntar-se a este grupo cada vez maior:

  • Aumente o seu nível de atividade.
    • Adicione mais movimento à sua rotina diária. Por exemplo, ande mais a pé ou utilize as escadas em vez do elevador.
    • Inicie um programa de exercício físico. Descubra exercícios que lhe deem prazer. Comece devagar e, em seguida, aumente gradualmente a duração e a intensidade do exercício.
  • Altere a forma como come.
    • Limite o tamanho das doses. Esta é uma questão importante na maior parte das dietas bem sucedidas.
    • Escolha uma dieta equilibrada com um conteúdo baixo de gordura e elevado de fibras e cereais integrais. Reduza a sua ingestão diária em 300 a 500 calorias.
    • Leia a informação nutricional nos rótulos dos alimentos. Pode ficar surpreendido com a quantidade de calorias de muitos dos seus alimentos favoritos.

As pessoas que já são obesas podem ponderar igualmente a instituição de medidas mais agressivas. Isto é especialmente verdadeiro para as pessoas com obesidade “mórbida” (com um IMC igual ou superior a 40) e com problemas médicos associados à obesidade. Os exemplos incluem a diabetes e a pressão arterial elevada.

Os tratamentos mais agressivos para a obesidade incluem:

  • Medicamentos, tais como o orlistat e a fentermina
  • Cirurgia, embora esta seja geralmente uma opção de último recurso. Os procedimentos incluem a derivação gástrica e a banda gástrica ou “gastroplastia”.

Não existe uma dieta ou abordagem específica para perder peso que seja melhor do que as restantes e que resulte para todas as pessoas. Se uma pessoa não continuar a vigiar a sua dieta e a praticar muito exercício físico, é comum que recupere o peso perdido. Assim, a pessoa deve discutir as opções com o médico e decidir em conjunto com ele o que é melhor no seu caso particular.

O que poderei esperar ao olhar para o futuro?

A maior parte das pessoas que estão determinadas a perder peso conseguem fazê-lo. A dificuldade está em manter essa perda. Mas os investigadores podem estar no bom caminho para compreenderem qual a forma de evitar este problema comum.

Espera-se que a ciência nos aproxime da compreensão do motivo pelo qual tantas pessoas apresentam excesso de peso ou obesidade. E, mais do que tudo, que dentro de pouco tempo sejamos capazes de reverter esta tendência.

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