Painel rejeita o PSA para o rastreio do cancro

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Tradão e Edição de Imagem Científica:

 


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Um painel influente de especialistas afirma que as análises de sangue para determinar o nível de PSA como rastreio para o cancro da próstata são mais prejudiciais do que benéficas. O relatório foi publicado pela U.S. Preventive Services Task Force. Este grupo de trabalho aconselha o governo e os médicos sobre os cuidados preventivos. No passado, este grupo de trabalho afirmou que não existia evidência suficiente para aconselhar os homens a submeterem-se ou não ao doseamento do PSA. A nova declaração desaconselha especificamente este teste para o rastreio por rotina do cancro da próstata. Um nível elevado de PSA indica, por vezes, que um homem tem um cancro da próstata, mas existem outras situações que podem causar um nível elevado. Os homens necessitam de ser submetidos a uma biopsia ― um tipo de cirurgia ― para verificar qual a causa da elevação da análise. Os membros do grupo de trabalho avaliaram todos os estudos prévios sobre o assunto. Um estudo estimou que dois em cada cinco cancros diagnosticados após a realização de um doseamento do PSA apresentavam um crescimento demasiado lento para vir algum dia a causar prejuízos ao doente. O grupo de trabalho concluiu que o doseamento do PSA não reduz a taxa de mortalidade e verificou que o teste causa prejuízos. Os homens podem ser submetidos a biopsias de que não necessitam e isso pode conduzir a infeções e a outros problemas. Os tratamentos para o cancro da próstata podem causar problemas ao nível da função sexual e do controlo da urina. O relatório é um esboço que está a ser publicado para ser alvo de comentários públicos. A Associated Press escreveu sobre ele em 7 de outubro.

Qual é a reação do médico?

Os doentes do sexo masculino com mais de 50 anos de idade devem ser informados quanto à possibilidade de efetuarem um doseamento do PSA. O médico deve gastar bastante tempo a explicar-lhes os riscos de terem um resultado falso positivo, ou seja, uma situação em que o exame “se engana”, dizendo que há doença quando na realidade esta não existe. Estes incluem a ansiedade, uma biopsia e o desconforto. Deve ser explicado que estes riscos podem suplantar os benefícios do teste.

A United States Preventive Services Task Force (USPSTF) foi bastante longe no seu novo relatório. O grupo de trabalho recomenda atualmente a não realização de um rastreio por rotina nos homens que não apresentam sintomas. E vai mais longe ao afirmar que os riscos suplantam os benefícios. Isto é, na realidade, muito complicado tanto para os doentes como para os médicos.

Poucos homens, mesmo os que apresentam níveis elevados de PSA, morrem devido ao cancro da próstata. O teste pode conduzir à realização de biopsias e de intervenções de maiores dimensões. Estas intervenções maiores podem causar problemas ao nível da função sexual e do controlo da urina para o resto da vida.

Mas o cancro é aterrorizante para a maior parte de nós. A ideia de desistir de um teste que pode detetar a presença de um cancro não vai ser bem aceite por muitos doentes. E também não vai ser bem aceite por muitos médicos, em particular pelos urologistas, que são os médicos que tratam a maior parte dos casos de cancro da próstata. Muitos deles actuam segundo o pensamento de que o tratamento agressivo dos cancros numa fase precoce pode salvar vidas.

Vai ser crucial ajudar os médicos e os doentes a compreenderem as vantagens e as desvantagens deste teste. Vai também ser importante encontrar um equilíbrio entre o rastreio e o tratamento para os médicos dos cuidados primários de saúde, bem como para os urologistas e especialistas em cancro.

Que alterações poderei efetuar agora?

Tal como acontece com muitas outras coisas, deve falar com o seu médico relativamente à possibilidade de se submeter a um doseamento do PSA. Se for homem, tiver mais de 50 anos de idade e não apresentar quaisquer sintomas sugestivos de cancro da próstata, então é muito razoável não se submeter a um doseamento do PSA. Mesmo que se sinta ansioso relativamente a esta decisão, lembre-se que não é provável que venha a salvar a sua vida ― uma vez que é muito pouco provável que venha a morrer devido a este cancro!

Se apresentar sintomas que possam estar relacionados com um cancro da próstata, pode ser razoável efetuar o doseamento do PSA. Este deve fazer parte de uma avaliação mais detalhada dos seus sintomas.

Os possíveis sintomas de um cancro da próstata incluem as seguintes alterações (mas não se encontram limitados a estas):

  • Uma alteração no jato urinário
  • Presença de sangue na urina ou no sémen
  • Aumento da necessidade de urinar (polaquiúria)
  • Dificuldade em urinar (disúria).

O que poderei esperar ao olhar para o futuro?

Podemos continuar a aguardar que ocorra um aperfeiçoamento na forma como utilizamos os testes de rastreio do cancro para ajudar a maior parte das pessoas. A alteração das recomendações é sempre difícil. É esperado que se venham a observar mais desafios deste tipo durante os próximos anos.

No campo do cancro da próstata, estas recomendações devem marcar início de um aperfeiçoamento tanto na deteção como no seu tratamento. Como sempre, o objetivo será ajudar o maior número de homens possível e prejudicar o menor número possível.

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