Atraso na indicação para não reanimar quando a família decide

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Tradão e Edição de Imagem Científica:

De acordo com um estudo novo, demora mais tempo a obter indicações escritas para não reanimar no hospital quando a decisão é tomada por um cônjuge, um familiar ou um “representante” em lugar do doente. Uma indicação para não reanimar significa que, no caso de o coração parar, um doente não quer ser submetido a uma reanimação cardiopulmonar ou a outras medidas para lhe salvar a vida. O estudo avaliou os registos hospitalares de 688 pessoas com idade igual ou superior a 65 anos que receberam uma indicação para não reanimar pelo médico. Os médicos preferem que os doentes tomem a decisão relativamente à indicação para não reanimar. No entanto, muitos doentes têm uma situação clínica demasiado grave ou apresentam alterações da função cerebral que impossibilitam a tomada desta decisão. Os investigadores pediram aos médicos para indicar se a ordem para não reanimar surgiu na sequência de uma discussão com o doente, com um representante deste ou com ambos. Quando o doente não era capaz de tomar esta decisão e o médico se apoiou em conversas com o representante, o tempo decorrido até ser estabelecida a indicação de não reanimar foi mais prolongado. Os investigadores pensam que os representantes têm mais dificuldade em tomar a decisão, o que pode conduzir a internamentos hospitalares mais prolongados e a um atraso na instituição do tratamento apropriado. Os resultados do estudo foram publicados recentemente no Journal of the American Geriatrics Society.

Qual é a reação do médico?

Os doentes internados no hospital podem não querer ser reanimados se o seu coração parar. Isto é denominado DNR, o que significa “Do Not Resuscitate” ou seja “Não Reanimar”. Os médicos necessitam de documentar esta indicação, o que significa que, no caso de o coração parar, não devem ser tomadas medidas extraordinárias para reanimar a pessoa. Ela não deve ser submetida a ressuscitação cardiopulmonar.

Se, por alguma razão, não existir um registo específico para um doente sobre a realização de ressuscitação cardiopulmonar então, por defeito, são iniciadas manobras de reanimação. Os termos que irá ouvir os médicos utilizar são “indicação para reanimar” e “indicação para não reanimar”. Isto significa que um doente não apresenta sinais vitais ou que estes são muito instáveis e que necessita de reanimação imediata.

Muito frequentemente, não sabemos exatamente o que as pessoas que nos estão próximas desejam antes de ficarem muito doentes e de terem muito poucas ou nenhumas probabilidades de recuperação. A maior parte das pessoas não comunicaram aos familiares quais as intervenções médicas que desejam ou que não desejam se surgir uma situação deste tipo. Se uma pessoa doente não puder comunicar, a família terá de interpretar os desejos da pessoa. Isso pode ser angustioso e por vezes controverso para os familiares.

Os resultados do estudo publicados no Journal of the American Geriatrics Society confirmam com que frequência esta situação ocorre. Quando isto acontece, há um atraso na obtenção de um consenso sobre se o doente iria desejar ser submetido a ressuscitação cardiopulmonar que interfere frequentemente com o fornecimento do tratamento ótimo. E este tratamento ótimo geralmente deve ser constituído por terapêuticas que proporcionam conforto e paz em vez de mais exames e mais medicamentos.

O que é dececionante é os escassos progressos que foram efetuados sobre este assunto. Os resultados de um estudo realizado por Shmerling e colaboradores em 1988 demonstraram que apenas 7% das pessoas saudáveis com idade igual ou superior a 65 anos tinham uma compreensão precisa das vantagens e das desvantagens da ressuscitação cardiopulmonar. Subsequentemente, eles receberam uma descrição da ressuscitação cardiopulmonar.

Depois da explicação sobre a ressuscitação cardiopulmonar ter sido proporcionada, foi perguntado às pessoas incluídas no estudo se quereriam ser submetidas a este tipo de manobras relacionadas com três doenças terminais. Apenas uma minoria respondeu afirmativamente.

  • 75% responderam negativamente para o coma irreversível.
  • 72% responderam negativamente para o cancro em fase terminal intratável.
  • 59% responderam negativamente para a insuficiência cardíaca grave sem hipóteses de melhoria.

Os resultados do estudo de Shmerling foram publicados no Journal of General Internal Medicine.

Que alterações poderei fazer agora?

A maior parte das pessoas ainda não se sente confortável a falar com a sua família sobre as questões relacionadas com a fase final da vida. Mesmo quando estas conversas têm lugar, raramente todos os familiares ficam com uma compreensão clara daquilo que cada pessoa deseja se tiver uma doença catastrófica.

É preferível colocar os seus desejos por escrito. É aconselhável redigir instruções antecipadas num testamento vital e nomear um representante que fique responsável pelas decisões relacionadas com os cuidados de saúde. Praticamente todos os especialistas concordam que uma pessoa deve nomear legalmente alguém para orientar os seus cuidados de saúde (o seu representante para os assuntos de saúde) se ficar impossibilitada de falar por si própria.

Nem todas as pessoas concordam relativamente à necessidade da realização de um testamento vital. Se decidir não efetuar um testamento vital, deve escrever os tipos específicos de tratamentos que deseja e que não irá aceitar se não puder comunicar. Entregue este documento à pessoa que designou como seu representante de saúde. Pode facilitar-lhe muito a sua tarefa de agir em defesa dos seus interesses. Alguns tratamentos médicos geralmente causam mais alarme quando não existe esperança de recuperação. As seguintes questões podem proporcionar uma estrutura para ajudar a redigir as suas instruções antecipadas:

  • Se o seu coração parar de bater, quer que os médicos tentem reanimá-lo e restabelecer o ritmo cardíaco através de um choque elétrico ou de medicamentos?
  • Se deixar de respirar, deseja que os médicos introduzam um tubo na sua garganta para que uma máquina respire por si?
  • Se não conseguir comer e beber, deseja que seja colocado um tubo fino no estômago para permitir a administração de líquidos e de nutrição?
  • Se não puder receber líquidos ou nutrição através de uma sonda de alimentação, deseja ser mantido vivo com líquidos endovenosos?

Necessita igualmente de comunicar ao seu representante para os assuntos de saúde e à sua família o que significa para si “sem esperança de recuperação”. Pode tentar ser específico sobre esta definição. No entanto, aquilo que pode dizer pode não se aplicar exatamente à sua situação futura. Discuta o assunto e encoraje as perguntas das pessoas que lhe estão próximas. Isto irá ajudá-los a garantir que os seus desejos são respeitados no caso de não poder falar por si próprio.

O que é que posso esperar no futuro?

O esboço original da nova lei sobre os cuidados de saúde incluiu uma compensação para os médicos discutirem as questões relacionadas com a fase terminal da vida com os seus doentes. Isto tornou-se um assunto politicamente “quente” e esta discussão foi retirada da lista de honorários. A discussão sobre a ressuscitação cardiopulmonar deveria ocorrer com uma maior frequência e no contexto adequado ― no consultório médico.

No entanto, devemos desenvolver uma forma de ajudar as pessoas a compreenderem que a ressuscitação cardiopulmonar é um procedimento médico que deve ser utilizado apropriadamente. Esta não é diferente de qualquer outro procedimento médico. Se um determinado procedimento não melhorar o bem-estar de uma pessoa, não deve ser realiza

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