Serão os suplementos vitamínicos úteis ou prejudiciais?

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Tradão e Edição de Imagem Científica:

Um estudo de grandes dimensões revelou mais mortes num grupo de mulheres que tomou vitaminas diariamente em comparação com um grupo de mulheres em que isso não aconteceu. As mortes foram devidas a doença cardiovascular ou a cancro. O estudo incluiu mais de 38.000 mulheres com uma média etária de cerca de 61 anos. Elas responderam a questionários em 1986, em 1997 e em 2004. Os resultados revelaram a ocorrência de mais mortes nas mulheres que tomaram multivitaminas, vitamina B6, ácido fólico, ferro, magnésio, zinco e cobre. A associação foi mais forte com o ferro, mas o estudo revelou igualmente menos mortes nas mulheres que tomaram suplementos de cálcio. O estudo foi publicado recentemente na revista Annals of Internal Medicine e no jornal USA Today.

Qual é a reação do médico?

Será uma multivitamina diária prejudicial para a sua saúde? Quase certamente não. Mas um estudo publicado na revista Archives of Internal Medicine levou algumas pessoas a duvidar desta questão.

O estudo revelou mais mortes num grupo de mulheres que referiram tomar vitaminas diariamente em comparação com as mulheres que referiram não tomar este tipo de suplemento. Este achado levou as pessoas a procurarem informações proporcionadas por outros estudos, de forma a permitir rever aquilo que sabemos exatamente sobre os benefícios e os prejuízos das vitaminas nas doses habituais.

Tenha o cuidado de não tirar conclusões importantes deste estudo. Sim, o estudo foi de grandes dimensões ― tendo incluído quase 40.000 mulheres ― mas foi um estudo observacional. Por outras palavras, o estudo observou padrões, não distribuiu aleatoriamente as mulheres em grupos para lhes atribuir diferentes combinações de vitaminas a tomar. Os estudos aleatorizados proporcionam uma informação muito mais fiável, sem conclusões duvidosas.

Por exemplo, neste estudo é possível que muitas das mulheres que estavam a tomar vitaminas se sentissem frequentemente, de alguma forma, mal ou que estivessem a consultar o médico com uma maior frequência em comparação com as mulheres que não tomaram vitaminas. As mulheres podem ter estado a tomar vitaminas num esforço para melhorar os sintomas. Se for este o caso, quem poderá afirmar que as vitaminas foram responsáveis pela diferença nas taxas de mortalidade? Outros fatores poderão ter sido responsáveis pelos resultados.

O estudo pode ainda ensinar uma lição. É correto afirmar que as multivitaminas não apresentam um benefício óbvio ou significativo para a maioria das pessoas que as tomam. Se elas proporcionassem um benefício importante, seria possível obter evidência do mesmo num estudo de tão grandes dimensões como este.

Assim, o que sabemos com base nos ensaios clínicos aleatorizados sobre as vitaminas? Os ensaios clínicos aleatorizados foram organizados por investigadores que tinham a esperança de encontrar uma forma de reduzir o risco cardíaco com as vitaminas do complexo B ou o risco de cancro com os antioxidantes, tais como as vitaminas C e E.

Estes ensaios clínicos proporcionaram informações contraditórias. A maior parte dos ensaios clínicos não indica a existência de diferenças visíveis entre os grupos que foram distribuídos para receber vitaminas e aqueles em que isso não aconteceu. Em ensaios clínicos cuidadosamente controlados, os comprimidos de complexo B, os comprimidos de multivitaminas e os suplementos de vitamina D não demonstraram reduzir os riscos de doença cardíaca, de acidente vascular cerebral e de doença autoimune e as taxas de infeção ou a morte. No entanto, a vitamina D parece reduzir o risco de quedas.

Mas temos conhecimento dos prejuízos para a saúde de alguns suplementos vitamínicos, particularmente em altas doses.

  • A vitamina A em doses superiores a 10.000 UI (unidades internacionais) por dia não é segura na gravidez, podendo causar malformações congénitas. Esta vitamina aumenta igualmente o risco de cancro do pulmão nos fumadores. A quantidade de vitamina A na maior parte das marcas de multivitaminas comercializadas atualmente é inferior àquela que era habitual devido às preocupações sobre o risco.
  • A vitamina E foi recentemente associada a taxas mais elevadas de cancro da próstata.
  • Doses elevadas de vitamina D podem, por vezes, conduzir a um excesso de cálcio no sangue, pelo que os níveis de vitamina D devem ser monitorizados nas pessoas que estão a tomar mais de 400 UI por dia.
  • Quantidades excessivas de ferro podem ser prejudiciais para uma pessoa que já apresenta uma reserva normal ou aumentada de ferro.

Que alterações poderei efetuar agora?

Se uma análise de sangue indicar que apresenta uma deficiência vitamínica deve tomar um suplemento para a corrigir. Um nível baixo de vitamina B12 pode conduzir a anemia, a problemas ao nível dos nervos e à demência. Os níveis baixos de vitamina D resultam em perda óssea. Um valor baixo de vitamina A (que é comum em alguns países em vias de desenvolvimento) enfraquece o sistema imunitário.

A maior parte das pessoas obtém uma variedade adequada de vitaminas se ingerir uma dieta equilibrada. As pessoas que ingerem dietas normais e que não apresentam uma deficiência conhecida não necessitam de tomar uma multivitamina diária.

As mulheres podem manter ossos saudáveis se tomarem cálcio e vitamina D diariamente em doses modestas. As mulheres mais velhas devem tomar 800 UI de vitamina D e, pelo menos, 1,2 gramas de cálcio através de uma combinação da dieta e de suplementos. As mulheres com osteoporose necessitam igualmente de 800 UI de vitamina D, mas podem necessitar de mais cálcio.

Algumas pessoas apresentam um risco mais elevado de deficiência vitamínica, devendo tomar uma multivitamina. Estas pessoas incluem:

  • As pessoas que ingerem quantidades moderadas ou elevadas de álcool.
  • As grávidas e as mulheres que estão a planear engravidar.
  • As pessoas que se encontram a realizar sessões de diálise devido a uma insuficiência renal.
  • As pessoas que foram submetidas a uma cirurgia de derivação gástrica (cirurgia bariátrica para tratamento da obesidade) ou a uma cirurgia para remover parte dos intestinos.
  • As pessoas com diarreia crónica.

Se estiver a tomar medicamentos antiácidos a longo prazo ou se mantiver uma dieta vegetariana ou vegan deve proceder a um doseamento dos níveis de vitamina B12 ou deve tomar um suplemento desta vitamina. As grávidas devem tomar um suplemento diário de, pelo menos, 0,8 mg de ácido fólico para ajudar a prevenir as malformações congénitas.

O que poderei esperar ao olhar para o futuro?

Uma percentagem considerável da população toma uma multivitamina como suplemento diariamente. Praticamente todos nós ingerimos alguns suplementos vitamínicos nos alimentos sem pensarmos nisso: a farinha é fortificada com folatos e o leite é fortificado com vitamina D. Este estudo pode reduzir o seu entusiasmo pelos suplementos vitamínicos, mas não será o fim da investigação sobre as vitaminas. Iremos necessitar de um ensaio clínico aleatorizado para melhor compreender os impactos das multivitaminas sobre a saúde.

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